O propósito deste blog é o de mostrar o trabalho do ilustrador,independente das regras impostas pelo mercado,nas quatro disciplinas praticadas por mim, em diferentes momentos e veículos: A Caricatura na Imprensa,A Ilustração na Imprensa,A Ilustração Editorial e O Poema Ilustrado. Também são mostradas modalidades diferentes das mesmas propostas como: Montagens das exposições e a revalorização do painel mural, através das técnicas de reprodução digital em baner.
sexta-feira, 4 de junho de 2021
domingo, 30 de maio de 2021
CONEY ISLAND IMAGINADA
Lawrence Ferlinghetti
Nas maiores cenas de Goya parece que vemos
as pessoas no mundo
exatamente no momento em que
merecem pela primeira vez o título de
"humanidade sofredora"
Elas se retorcem pela página
acima numa verdadeira fúria
de adversidade.
Amontoadas
gemendo com bebês e baionetas
abaixo céus de cimento
numa abstrata paisagem de árvores devastadas
estátuas torcidas, asas e bicos de morcego,
forças escorregadiças
cadáveres e galos carnívoros
e todos os monstros gritantes finais
da
"premonição do desastre"
eles são tão danadamente reais
é como se eles realmente existissem de fato
só mudou a paisagem
Eles ainda se alinham pelas estradas
afligidos por legionários
falsos moinhos de vento e galos dementes
Eles são o mesmo povo
só que mais longe de casa
nas estradas de cinqüenta pistas
num continente de concreto
salpicados por calmantes
ilustrando imbecis ilusões de felicidade
A cena mostra menos carros
porém mais cidadãos mutilados
em carros pintados
e eles têm estranhas licenças
e motores
que devoram a América
tradução: Juju Campbell
domingo, 18 de abril de 2021
Colóquio na Rocha Escura
Aqui a perfuratriz fende o oceano;
Coração meu, que te lanças, tremes, clamas
Por mais gangues-sangue pros negros timbres
de tuas percussões,
Até quando eu, a máquina aturdida
de tua devoção,
Retinindo sobre o címbalo de uma mão,
Girado em chocalhos, seja liberado
Todas as discussões
Findam em detritos no palude da morte.
Bate, bate, coração. Em Lama Escura
Obreiros húngaros ofertam seu sangue
A Estevão mártir, apedrejado à morte.
Lama Escura, nome de conjuro. Ô lama
Nas melancias corroídas à crosta,
Lama no molhe do cais, na ratazana,
Nos barcos de pesca Diesel, balangando
Todo ano, ao vento e à maré? A poeira
Reclama este coração, que, saltador,
me estremece a cabana.
Cabana do Salvador, suspenso à morte.
Bate, bate, coração. Em Lama Escura
Estevão, o mártir, foi prostrado em sangue,
Nosso resgate, as pedradas de sua morte.
O Cristo caminha sobre a água turva.
Na Lama Escura
Se atira o martim-pescador, Coração,
dia de Corpus Christi,
Acima o rufo dos tambores do coro
de São Estevão,
Eu o ouço, Stupor Mundi, e vejo a lama
Soltar-se-lhe do bico e do arco das asas:
O azul martim-pescador, ô coração
em ti afunda em fogo.
Robert Lowell
tradução: Aila de Oliveira Gomes
terça-feira, 16 de março de 2021
A FOZ DE HUDSON
Robert Lowell
Um homem sozinho fica ali, como a espiar as aves,
e raspa a neve salpicada em preto e branco
de uma bobina grisalha
abandonada, de cabo elétrico Westinghouse.
Ele não pode descobrir a América cantando
as cadeias dos condenados trens de carga
vindos dos trinta Estados. Que sacolejam, rangem,
rejeitam restos atirados no desvio ali embaixo.
Seu equilíbrio a custo se mantém.
Os olhos pingam
e ele vai à deriva no gelo espedaçado
estalejando Hudson abaixo até o mar,
como as brancas placas soltas de um jogo de armar.
O gelo desce pro mar, qual relógio, em tique-taque.
Um negro torra
sementes de trigo na fumaça do carvão
que escapa de uma barrica perfurada.
Ar químico
invade New Jersey,
e cheira a café.
Do outro lado do rio
as cumeeiras das fábricas dos subúrbios tostam
ao sol amarelo-súlfur
da paisagem imperdoável.
tradução: Aíla de Oliveira Gomes

















































