domingo, 29 de agosto de 2010

VIRADA RUSSA / 1917 - 1934
A VANGUARDA NA COLEÇÃO DO MUSEU ESTATAL RUSSO DE SÃO PETERSBURGO / Organização: Ania Rodriguez e Rodolfo de Athayde / Exposição: Centro Cultural do Banco do Brasil / Rio de Janeiro 2009
A poderosa campanha das forças ideológicas do capitalismo contra a Revolução Russa e os bolcheviques sempre incluiu a questão da arte à guisa de algo que traria gravadas as "marcas" da tentação totalitâria. Posteriormente aos primeiros anos da revolução, quando foi criada uma arte rica em pesquisas e diversidade estética, começa, em 1934, o retrocesso de todas essas formas de expressão, com a imposição oficial de um realismo acadêmico denominado "Realismo Socialista": um amontoado de cliches publicitários exaltando as virtudes do regime. Realismo oficial para a divulgação de um dogmatismo cego. Distantes de tudo isso, resaltamos aquí a qualidade e o rigor da figuração anterior a esse período, na ilustração dos motivos que inspiraram a Revolução.

BORIS GRIGORIEV 1886-1939 / "Terra do Povo" 1917-18 - óleo sobre tela 0,90 x 2,15 mts

"Terra do Povo" - detalhe I

"Terra do Povo" - detalhe II

"Terra do Povo" - detalhe III

"Terra do Povo" - detalhe IV

PÁVEL FILÓNOV 1882-1941 / "Animais" 1925-26 - óleo sobre papelão 0,36 x 0,44 cmts

MIKHAIL VIÉKSLER - "Balneário" 1924 / guache sobre tela 1,07 x 0,71 mts

MARC CHAGALL 1887-1995 / "Passeio" 1917 - óleo sobre tela 1,70 x 1,63 mts

VLADÍMIR STÉNBERG, GEÓRGUI STÉNBERG - "Turksib". O diretor V. A. Turín" 1929 - cromo-litografia 1,08 x 0,72 mts

GÚSTAV KLUTSIS 1895-1938 / "A Luta Por Combustível e Metal" 1933 - cromo-litografia 1,37 x 99,5 mts

SOFIA SCHULMAN - bandeja "Proletários de Todos Os Países Uni-vos" 1925 - óleo sobre madeira 57,5 x 57,5 cmts

A Revolução de Outubro: a pintura em liberdade / Embora obrigados a restringir as liberdades democráticas e o pluripartidarismo soviético devido à guerra civil e à intervenção de vários exércitos dos países imperialistas em solo russo, os bolcheviques promoveram logo a liberdade cultural. Neste campo, a sua política foi essencialmente desenvolvida por Lunatcharsky, figura bastante querida nos meios revolucionários, ideologicamente eclética a dotada de uma formação artística que ia desde o realismo novecentista dos "itinerantes" ao radicalismo do "Proletkult" e ao modernismo europeu (impressionismo-cubismo). futurismo...). A sua orientação foi pautada pela liberdade de criação a pela pluralidade de correntes, o que, ainda assim, lhe valeu ataques dos mais variados quadrantes ideológico-artísticos. Contra os futuristas, o "Proletkult" e o próprio Malevitch, Lunatcharsky põe em prática a proteção da herança artística do passado e recruta mesmo figuras conservadoras como Benois para lugares destacados. Contra os "comunistas-futuristas" e o "Proletkult" que furiosamente se digladiavam a chamavam a si a orientação autoritária da vida artística do país, Lunatcharsky apoiava as mais variadas correntes a nem sequer discriminava os "itinerantes" (ala do realismo acadêmico que chocara com a Revolução de Outubro, que iria progressivamente recuperar o seu papel a partir de 1922 a estará na origem do realismo socialista). Contra o conservadorismo artístico do próprio Lenine e os ataques de Zinoviev, Lunatcharsky defendeu o futurismo a outras tendências modernistas, colocando à frente da IZO (a secção de artes visuais do NARKOMPROS, ou seja, do Comissariado do Povo para a Educação) vanguardistas como Shterenherg a permitindo que iconoclastas como Malevitch, Tadine, Rodchenko ou Maiakovsky apresentassem as suas ousadas inovações às massas através dos posters a das decorações das grandes festas públicas. O próprio Lunatcharsky resumiu assim a política cultural dos bolcheviques: ?Declarei dezenas de vezes que o Comissariado Popular da Educação deve ser imparcial no que respeita às orientações particulares da vida artística [...] O gosto do comissariado e de todos os representantes do regime não deve ser tomado em consideração. Há que facilitar o livre desenvolvimento de todos os indivíduos e grupos artísticos. Não se deve permitir que uma tendência artística elimine outra valendo-se da glória tradicional adquirida, quer da moda (4) Neste contexto, a pintura vivia finalmente em liberdade. A vanguarda modernista vira a Escola de Pintura, de Escultura a de Arquitetura de Moscou expulsar artistas como Tadline (futuro chefe-de-fila do construtivismo) ou Falk (grande mestre do cézannismo russo). Vira igualmente a sua ostracização pelos círculos artísticos da Rússia czarista. Agora a Revolução de Outubro trazia lhe a desforra Malevitch e a sua pintura suprematista "não pertenciam à terra", mas ele lá estava à frente do Instituto de Arte de Vitebsk (1918-1921) a do InKhuk de Leningrado (1922-1926); Tatline a Rodchenko afirmavam-se como os grandes obreiros do construtivismo (abandono da pintura de cavalete, cruzamento da pintura com a arquitetara e a escultura, afirmação da arte como produtivismo a funcionalidade), levando os ensinamentos dos "esquerdistas? ao InKhuk a ao VkuTeMas de Leningrado; Kandinsky, figura de proa da arte abstrata, ajudava a fundar o Museu da Cultura Artística e o InKhuk, presidia à Academia Russa das Ciências Artísticas a estava na direção do IZO; outros artistas como Falk ou Pavel Kuznetsov cultivavam o cézannismo ocidental ou o primitivismo russo, sendo logo selecionados por Shterenberg para a direção do IZO a indo ensinar nos prestigiados VkuTeMas (nos anos 30, ambos os pintores serão tomados como alvos da campanha anti-formalista do realismo socialista). Neste ambiente de liberdade a pluralismo, os "itinerantes" da AkhRR (1922) também conseguem encontrar o seu lugar, muito embora o seu anterior compromisso com a czarista Academia das Belas-Artes lhes tivesse inscrito posições artístico-políticas conservadoras que os levaram a uma cautelosa neutralidade inicial e o seu chefe-le-fila Répine se auto-exilasse. Deste grupo que começa logo a pregar a imperatividade dos temas da contemporaneidade revolucionária (Exército Vermelho, heróis do trabalho, as grandes obras industriais da construção do socialismo), a necessidade do estilo realista para as massas, a ofensiva contra o formalismo e a sujeição da arte à ?partiinosf' - o espírito do partido -, virá a sair o realismo socialista. A política cultural dos bolcheviques trouxe ainda para a pintura: 1) os primeiros museus de arte moderna do mundo, acolhendo esses centenas de obras compradas à vanguarda russa a as grandes coleções de impressionistas a pós-impressionista europeus justamente expropriadas aos grandes colecionadores capitalistas russos; 2) os Svomas, ateliers livres organizados pelo Estado, que estavam abertos a todos os cidadãos russos acima dos dez anos, que eram gratuitos, que funcionavam recorrentemente sem professores ou com professores eleitos pelos alunos, que acolhiam o ensino de todas as correntes a dos quais nasceriam os VkuTeMas de Moscou a Leningrado após a sua dissolução em 1921; 3) as célebres "exposições dos artistas de todas as tendências" que colocavam lado-a-lado obras dos "itinerantes" a dos suprematistas, dos cézannistas a dos primitivistas, dos construtivistas a dos simbolistas, as quais se prolongaram desde 1919 até à derradeira exposição "Quinze anos de arte russa" em Leningrado no fim de 1932.v / "A Evolução da Política Cultural dos Bolcheviques e a Pintura na União Soviética: Da Liberdade ao Monolitismo do Realismo Socialista" - 1917-1934 - Autor: João Lopes / Portugal

terça-feira, 24 de agosto de 2010

EQUIPO CRÔNICA / ESPANHA
Grupo de pintores valencianos,fundado em 1963 por Rafael Solbes, Manolo Valdés e Juan Antonio Toledo. O Equipo Crônica se afastou da arte informal e abstracionista para cultivar uma pintura figurativa dentro da tendência Pop Art. Seus trabalhos, de grande formato, criticavam a situação política da Espanha inspirados pelo Guernica de Picasso e a pintura de Diego Velázquez, misturando imagens absurdas e pastiches caricaturais da arte clássica. A sombra do franquismo está presente em toda a sua obra. A parôdia aos retratos de Velázquez está relacionada a utilização que o Ministério de Información y Turismo fazia dessas pinturas em cartazes publicitários com a intenção de exaltar o espírito espanhol. Frente a grandiosa e pitoresca imagem que o regime queria projetar, o Equipo Crônica expressava o clima sombrio desses anos de ditadura, recorrendo a ironia. Com o falecimento de Rafael Solbes em 1981, o grupo se disolveu
RAFAEL SOLBES - Valencia 1940 - 1981 / No inicio da sua carreira, Solbes recebeu influência da "pintura negra" do expressionista José Gutiérrez Solana (Madrid 1886 - 1945). Nas suas "colagens pintadas" utiliza os grandes planos de tintas chapadas, desenhos despersonalizados, e a iconografia criada pelos meios de comunicação, como veículo de expressão crítica.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

MANOLO VALDÉS - Valencia 1942 / Em 1959, depois de cursar dois anos na Escola de Belas Artes San Carlos, abandona os estudos para se dedicar a pintura. Valdés se desligou do Grupo Crônica em 1966, dois anos depois da sua criação. Em 1989 viajou a Nova Iorque onde fixou residência. Montou também estudio em Madrid para a realização de grandes esculturas. Sua pintura, de grandes formatos, indaga na memória social e nos icones da história da arte. Como escultor, é autor de "La Dama del Manzanares" (2003), obra de 13 metros de altura, situada no Parque Lineal de Manzanares (Madrid).
JUAN ANTONIO TOLEDO - Valencia 1940 - 1995 / Um dos expoentes mais importantes do realismo social nos anos 60 e 70. Membro fundador da Estampa popular e do Equipo Crônica, do qual se desligou em 1966. Desenvolveu uma obra individual na qual adapta a linguagem pop a realidade político-social do período. Não sendo constante como pintor, destacou-se como desenhista, valorizando o papel como suporte. Sua pesquisa de experimentação gráfica, é destacável na figuração espanhola da segunda metade do século XX.

domingo, 22 de agosto de 2010

Equipo Crônica - "Série negra" 1972 - acrílico sobre tela

Equipo Crônica - "Manifestación" 1965 - guache e nanquim sobre papel 0,70 x 0,50 cmts

Equipo Crônica - "Cayetana en la cocina" 1967 - acrílico sobre madeira 0,95 x 0,91 cmts

Equipo Crônica - "El recinto I" 1969 - acrílico sobre tela 1,00 x o,90 mts

Equipo Crônica - "El realismo socialista y el Pop-Art en el campo de batalha" 1969 - acrílico sobre tela 2,00 x 2,00 mts

Equipo Crônica - detalhe

Equipo Crônica - "El balcón" 1968 / Óleo sobre tela 1,00 x 0,90 cmts

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

EDUARDO KOBRA / O MURALISMO DE SÃO PAULO
Studio EDUARDO KOBRA - São Paulo / Muralismo hiperrealista / A interferência por meio da ilusão tridimensional dos objetos / Sobreposição de fotográficas antigas agigantadas por meio de projeção e pintadas, formando um cenário / Estas composições representando cenas da cidade em décadas passadas são fixadas na frente da paisagem real criando espaços ilusórios e fantasmagóricos / Destroi a noção do tempo entre uma e outra imagem, como na primeira fotografia, em que as pessoas vestidas com roupas de 100 anos atrás, aparecem gigantescas, transitando do lado dos automóveis que trafegam pelas ruas, numa foto tirada no momento atual.

Studio Kobra Graf - I

Studio Kobra Graf - II

Studio Kobra Graf - III

Studio Kobra Graf - IV

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

"Vem Na Mão" - Grafite e Pintura Mural - Centro Cultural da Justiça Federal do Rio de Janeiro - Outubro 2009
Artistas participantes: ALÊ SOUTO / ANTONIO BOKEL / BERNARDO RAMALLO / ELVIS ALMEIDA / GUSTAVO SPERIDIÃO / JULIO CASTRO / MARCELO ECO / MARCIO MITKAY / NUEVE POLAR / OZI / PAULO SANTOS / PETITE POUPÉE 7 / SMAEL

"Vem Na Mão"

Grafite (do italiano graffito) é o nome dado as inscrições feitas em paredes desde o Império Romano. Considera-se grafite uma inscrição caligrafada ou um desenho pintado ou gravado sobre um suporte que não é normalmente para esta finalidade. Por muito tempo visto como um assunto irrelevante ou mera contravenção, atualmente o grafite já é considerado como forma de expressão incluída no âmbito das artes visuais com a denominação de "arte urbana", em que o artista aproveita os espaços públicos, criando uma linguagem intencional para "interferir" na cidade.

"Vem Na Mão"

"Vem Na Mão"

"Vem Na Mão" - detalhe

"Vem Na Mão" - detalhe

"Vem Na Mão"

"Vem Na Mão"

"Vem Na Mão" - detalhe

Normalmente, distingue-se o grafite de elaboração mais complexa, da simples pichação. No caso da exposição "Vem Na Mão", vemos as técnicas de grafite muito evoluidas, junto a imagens e tratamentos próprios das artes gráficas e da pintura considerada "erudita". O comentário é essencialmente político e urbano. Alguns grafiteiros, hoje considerados artistas plásticos, admitem terem começado como pichadores. A partir do movimento chamado de "contracultural" de maio de 1968, quando os muros de París foram suporte para inscrições de caráter poético-político, a prática do grafite generalizou-se pelo mundo, em diferentes contextos, tipos e estilos, que vão do simples rabisco ou de "tags" repetidas, utilizadas pelas "tribos urbanas" como uma espécie de demarcação de território, até grandes murais executados em espaços especialmente designados para tal, ganhando importancia como obra de arte. No final dos anos 70 Jean-Michel Basquiat, considerado mais tarde como um artista neo-expressionista, despertou a atenção da imprensa novaiorquina, pelas imagens poéticas que deixava nas paredes da cidade de Manhattan.

"Vem Na Mão"

"Vem Na Mão" - detalhe

"Vem Na Mão"

"Vem Na Mão"

"Vem Na Mão"