segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

"Sinto em mim um fogo que não posso deixar extinguir, que, ao contrário, devo atiçar, ainda que não saiba a que espécie de saída isso vai me conduzir. Não me espantaria que essa saída fosse sombría. Mas em certas situações vale mais ser vencido do que vencedor..." - Vincent Van Gogh

"Campina de Arles" - tinta sépia, bico de pena - 26 x 34,5 cm - Arles 1888

"Camponeses na lavoura" - nanquim sépia, bico de pena - 26 x 34,5 cm - Arles 1888

"Ruela de Saintes-Maries-de-la-Mer - tinta sépia e caneta de bambú - 30,5 x 47 cm - Arles 1888

"O carteiro Joseph Roulin" - crayon e tinta sépia, bico de pena - 31,5 x 24 cm - Arles 1888

"Paisagem com vila" - crayon e guache - 43,5 x 54 cm - Auvers-sur-Oise 1890

Eu estou "atravessado" na vida e o meu estado mental não somente "é" mas tem "sido" também abstrato, de modo que qualquer coisa que se faça por mim, não "posso pensar" em equilibrar minha vida. Quando "devo"seguir uma regra como aquí no hospício, me sinto tranqüilo. E no alistamento, aconteceria mais ou menos a mesma coisa. Claro que aquí me arrisco muito a ser recusado, pois sabem que sou alienado ou pelo menos epiléptico, (tenho ouvido dizer que existem 50 mil epilépticos na França, dos quais somente 4.000 internados; de modo que não é tão extraordinário) quem sabe em París, falando com Détaille por exemplo ou Caran d'Ache, me incorporem logo. Poderá parecer uma cabeçada peor que a outra; em fim reflitamos, mas para atuar. Na espera, faço o que posso por trabalhar "não interessa no qué", incluindo a pintura; pois tenho uma boa vontade aceitável. Mas o dinheiro que custa a pintura... é algo que me esmaga debaixo de uma sensação de dívida e covardia; e sería conveniente que isto acabase o mais depressa possível. / Arles 1888 - 1889 / __________________________________________________________________ Por qué nos estamos aquí e isto é tudo, ou pelo menos tudo que posso dizer num momento de relativa crise. Um momento em que as coisas estão muitos tensas entre marchands de quadros de artistas mortos e artistas vivos. Pois bem, o meu trabalho; arrisco a vida e a minha razão mais ou menos destruida - bom - mas tú não estás entre os marchands de homens, que eu saiba; e podes tomar partido, acho, procedendo realmente com humanidade, mas, o que tú queres? / Cartas a Theo Auvers-sur-Oise 1890

"A estrada de Tarascon" - tinta sépia, bico de pena - 24,5 x 22 cm - Arles 1888

"O jardim do hospital" - crayon sanguina - 45,5 x 59 cm - Arles 1889

"Chafariz no pátio do asilo" - tinta sépia, bico de pena - 49,5 x 46 cm - Saint-Rémy 1889

Se os desenhos que te envío são muito duros, é porque os tenho realizado de tal forma que mais tarde, se ficarem, possam me servir de referência para a pintura. Este pequeno jardim de aldeão vertical é soberbo de cor em relação a natureza, as dálias são de um púrpura rico e escuro, a dupla fileira de flores é cor de rosa e verde de um lado e alaranjado quase sem verdor do outro. No meio, uma dália de um branco pálido e um pequeno granate com flores do mais brilhante alaranjado vermelho, com frutos verde-amarelos. O terreno cinza, as altas canas "cannes" de um verde azulado, as figueiras esmeralda, o céu azul, as casas brancas com janelas verdes e telhados vermelhos; a manhã de sol pleno, a tarde inteiramente banhada de sombra, levada e projetada pelas figueiras e as canas. / Cartas a Theo - Arles 1888

"Jardim florido" - tinta sépia, bico de pena - 61 x 49 cm - Arles 1888

"Rocha e ruinas de Montmajour" - tinta sépia, bico de pena - 47,5 x 59 cm - Arles 1888

"A campina de Crau vue de Montmajour" - tinta sépia, bico de pena - 49 x 61 cm - Arles, 1888

Nesta época de grande luta pela nova arte nos brigamos como "selvagens" não organizados contra um antigo poder organizado. A luta parece desigual; mas em assuntos espirituais não vence o número, e sim a força das idéias. / FRANZ MARC - pintor expressionista - 1912

sábado, 20 de fevereiro de 2010

GNOMOS DA FLORESTA
Texto de Wil Huygen / Ilustração de Rien Poortbliet

para as crianças: Nathalie, Vitória, Gabriel, Isabela, Luan, Ana Carolina, Lorenzo, Nicolao e Samuel

INTRODUÇÃO / A ORIGEM DOS GNOMOS / Reconhece-se o a.D. 1200, o ano em que o sueco Frederik Ugarph encontrou uma estátua de madeira, muito bem conservada, na casa de um pescador na cidade de Nidaros (atualmente Trondheim), Noruega. A estátua de 15 cm de altura, sem contar o pedestal, trazia gravadas as seguintes palavras: / NISSE Riktig Storrelse / que significa: "Gnomo, estatura real". / A estátua estava em poder da família do pescador há muitos anos e Ugarph encontrou muita dificuldade ao tentar comprá-la, o que somente ocorreu após muitos dias de negociações. A estátua pertence agora à coleção da família Oliv, em Uppsala. Exames radiográficos vieram a comprovar que a estátua tem mais de 2.000 anos e que deve ter sido entalhada na raiz de uma árvore já extinta, cuja madeira é incrivelmente resistente. Segundo consta, a inscrição no pedestal foi feita muitos séculos após a estátua ter sido esculpida. A descoberta dessa estátua serve para ilustrar aquilo que os gnomos sempre afirmaram: que suas origens são escandinavas. / Os gnomos, certamente são criaturas da noite e por essa razão tivemos que conducir nossas investigações na escuridão quase completa. Se tivéssemos permanecido absolutamente fiéis às nossas observações, muitas das ilustrações deste livro teriam sido pintadas em azul cinza escuro. Para superar essa dificuldade e fornecer uma idéia precisa da vida dos gnomos, todas as ilustrações foram feitas na suposição de que pequeninos seres estavam sendo observados sob a luz do dia. / Rien Poortbliet e Wil Huygen