UM DIA, UM GATO
Meus sapatos de feltro são canoas que bóiam
na confusão do asfalto. Vejo aflitos, esbarro
em monstros, quase atinjo recém-nascidos largados
no rio caudaloso, mas os braços, o instinto,
fazem-se de remos e desviam meus passos.
Nem mesmo a súbita beleza me prende,
que passa em forma de pessoa. Navego
nos mocasins do ópio da eternidade, meio tonto
com o tinir dos talheres no restaurante.
O propósito deste blog é o de mostrar o trabalho do ilustrador,independente das regras impostas pelo mercado,nas quatro disciplinas praticadas por mim, em diferentes momentos e veículos: A Caricatura na Imprensa,A Ilustração na Imprensa,A Ilustração Editorial e O Poema Ilustrado. Também são mostradas modalidades diferentes das mesmas propostas como: Montagens das exposições e a revalorização do painel mural, através das técnicas de reprodução digital em baner.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
Sigo sem deus, alimentado. E sem nexo,
pensativo no leme dos sapatos querendo
chorar de impotência ante a crueldade. A polícia
no entanto surge e alinha os passos
de porrete na mão. Buzinam insistentemente ao redor
de algum corpo caído, embrulho incômodo. Ondas
de turbulência me eliminam da cena
e dobro sem querer uma esquina, onde encontro um gato.
Leonardo Fróes
pensativo no leme dos sapatos querendo
chorar de impotência ante a crueldade. A polícia
no entanto surge e alinha os passos
de porrete na mão. Buzinam insistentemente ao redor
de algum corpo caído, embrulho incômodo. Ondas
de turbulência me eliminam da cena
e dobro sem querer uma esquina, onde encontro um gato.
Leonardo Fróes
METAFÍSICA E BISCOITO
no meio dos latidos da noite
quando o silêncio atinge a qualidade
dos latidos da morte e as folhas caem
impressionalvelmente sangradas;
no meio frio de um colchão inquieto
com os olhos pensativos resvalando no teto
e as mãos descendo pelo corpo
como a buscar sua realidade longínqua
no meio dos latidos da noite
quando o silêncio atinge a qualidade
dos latidos da morte e as folhas caem
impressionalvelmente sangradas;
no meio frio de um colchão inquieto
com os olhos pensativos resvalando no teto
e as mãos descendo pelo corpo
como a buscar sua realidade longínqua
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