O propósito deste blog é o de mostrar o trabalho do ilustrador,independente das regras impostas pelo mercado,nas quatro disciplinas praticadas por mim, em diferentes momentos e veículos: A Caricatura na Imprensa,A Ilustração na Imprensa,A Ilustração Editorial e O Poema Ilustrado. Também são mostradas modalidades diferentes das mesmas propostas como: Montagens das exposições e a revalorização do painel mural, através das técnicas de reprodução digital em baner.
domingo, 10 de janeiro de 2021
O GRITO DOS QUE ESTÃO SENDO COMIDOS
PELA AMÉRICA
Robert Bly
O grito dos que estão sendo comidos pela América
Outros pálidos e macios estão sendo armazenados
para mais tarde
E Jefferson
Que viu a esperança em novas aveias
As casas selvagens continuarão
Com seus longos cabelos crescendo entre os dedos
dos pés
Que à noite se levantam
E descem correndo as longas estradas brancas
As barragens trocam o rio pela solidão do deserto
Ministros que mergulham de cabeça na terra
A carne pálida
Que se espalha culposa em novas literaturas
Isto é porque estes poemas são tão tristes
Antigos mortos correndo pelos campos
A massa afundando aos poucos
A luz no rosto das crianças se apagando aos seis
ou sete anos
Cedo o mundo se dissolverá nas pequenas colônias
dos que foram salvos
domingo, 20 de dezembro de 2020
Fugindo às Pressas da Terra
Robert Bly
Os pobres, os aturdidos e os idiotas
Estão conosco: vivem no ataúde do sol
E no esquife da lua, enquanto eu saio esta noite
Vendo-a rodar seu escuro carrinho de mão
Por todas as várzeas do céu
E as estrelas se alçando inexoravelmente.
Negra lua! Sinistras lágrimas!
Sombra dos cortiços e dos triunfantes mortos!
Alguns homens perfuraram o peito com uma extensa agulha
A fim de seus corações cessassem de bater.
Outros deitaram blocos de gelo em suas camas
Para ali se finarem. Mulheres
Os cabelos lavaram, e se enforcaram
Nas suas longas tranças. Uma outra subiu
Num alto olmo sobre seu gramado
Abriu uma caixa, e engoliu aranhas venenosas...
O tempo de exortação já passou. Ouvi
cadeiras de ferro arranhamdo o chão em hospícios.
Enquanto o pássaro, transido de frio, encolhece no inverno
Na noite ventosa de novembro.
Os mineiros deixam seus poços
Como uma súbita enchente,
Como um arrozal desentegrando-se.
Oa homens choram quando escutam estórias de alguém
ressurgido dentre os mortos.














