segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

REMBRANDT van Rijn -1606-1669
Que Rembrandt tenha tido conhecimento
acerca de óptica me parece claro - seus
alunos com certeza tinham. Mas meu argumento
aquí é simples: Rembrandt transcendeu o aspecto
"naturalista" com seu poder emocional. Nenhum
artista, nem antes ou depois, infundiu tanto
em rostos como ele.
extraído de "O Conhecimento Secreto" de David Hockney

Rembrandt - "Retrato de uma mulher" - detalhe


Rembrand - "Retrato de homem ancião" - detalhe


Renbrandt - "Aristóteles frente ao busto de Homero" - oleo


Rembrandt - "Cabeça de ancião" - óleo


Podemos ver no raio X do ancião embaixo
como Rembrandt começava seus retratos
com uma rápida notação de fortes contrastes,
uma luz intensa causando profundas sombras.
A pintura subjacente é miraculosa em sua economia,
porem a cabeça acabada comove a fundo pelo ar
simples e pouco detalhista, com um tratamento sutil
da expressão ao redor dos olhos e da boca que sugere
o exame cálido e detido de um semelhante. 
extraido de "O Conhecimento Secreto" de David Hockney

Rembrandt - imagem de raio X


FRANS HALS - Bélgica 1580-1666
De novo Frans Hals, dessa vez de 1626-8.
Já a mão em escorço é espantosa. Como
ela poderia ser pintada com traço tão confiante
e não entanto tão "correto", tão profundamente
"crível"? E, mais uma vez, por quanto tempo poderia
ser mantida nessa posição? O crânio também e
uma obra-prima de economia.

Frans Hals - "Jóvem segurando um crânio" - óleo


Compare-o ao crânio mais elaborado de Van Gogh, de 1885,
tenteando pela forma até que seja sentido como sólido.
Este não tem o vivo frescor e a cuidadosa iluminação do de
Hals, no qual os dentes captam a luz de modo tão convincente.

Vincent Van Gogh - "Crânio com em cigarro" - oleo


Terá Hals realmente feito isso a olho? 
Parece haver uma sólida estrutura 
sob suas fluídas pinceladas. Devo
lembrar que não há desenho de carvão
subjacente aquí - nada senão marcas 
pintadas. Uma bela pintura, com uma 
base ótica.
extraido de "O Conhecimento Secreto"de David Hockney 

domingo, 9 de dezembro de 2012

Frans Hals - detalhe


A prova visual

Giotto - detalhe


Nestas 3 pinturas vemos o antes, o durante e o depois.
O arranjo da natureza-morta (1303-06) de Giotto - um
detalhe de um afresco - não tem sinal de óptica A taça
de vinho e a compoteira de prata seiscentista de Pieter
Claesz são uma oportunidade de ostentar com que
realismo ele é capaz de pintar. O detalhe de
O bar no Follies Bergère (1881-2), de Manet, demonstra
o regresso da "desarmonia" à pintura européia.
extraido de "O Conhecimento Secreto" de David Hockney 

sábado, 8 de dezembro de 2012

Pieter Claesz


Eduard Manet - detalhe


GIOTTO DI BONDONE 
Itália 1266-1337
pre Renascimento
(antes do aparecimento das lentes)

Giotto di Bondone - pre-Renascimento


Giotto di Bondone - pre-Renascimento - detalhe


Giotto di Bondone - pre-Renascimento - detalhe


Giotto di Bondone - pre-Renascimento - detalhe


Giotto di Bondone - pre-Renascimento


sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Posso ter certeza de que Robert Campin e Jan van Eyck
tinham conhecimento de espelhos e lentes - os dois
elementos básicos da câmara moderna - pois pintaram
alguns em vários de seus quadros dos anos 1430 
(e, naquela época, pintores e fabricantes de espelhos
eram ambos membros da mesma guilda). Lentes e
espelhos ainda eram raros na época, e os artistas devem
ter ficado fascinados pelos estranhos efeitos produzidos.
Como pessoas que faziam imagens, certamente ter-lhes-a
causado admiração o fato de figuras inteiras, ou mesmo
recintos inteiros, poderem ser vistos em pequenos espelhos
convexos. Seguramente não é uma coincidência que tais
espelhos chegassem à pintura ao mesmo tempo que um
maior grau de individualidade aparecesse no retrato.
  

Robert Campin - 1438


Jan van Eyck - 1436


Tendo de inicio observado que a pintura
no fim da Renascença era muito mais naturalista
que o fora a princípio, agora podemos ser bem
mais específicos: a mudança rumo a um maior
naturalismo ocorreu subitamente no fim dos
anos 1420, ou no começo dos anos 1430, em
Flandres. Terá sido por causa da óptica? Que
outra explicação averia? Por que artistas como
Campin e Van Eyck de repente passam a produzir
imagens bem mais modernas, "de aparência
fotográfica? Hoje estamos habituados a imagens
projetadas por uma lente. Uma cámara
funciona porque uma imagem  do "mundo real"
é projetada num filme. Teriam Campin e Van Eyck
visto o mundoprojetado desse modo?
extraido de "O Conhecimento Secreto" de David Hockney

Hans Holbein - detalhe - 1532


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Caravaggio é, de fato, um mestre em montar "a cena", narrando a história
no espaço da pintura não em muita profundidade. O olho vaga de lá para cá 
na superficie da pintura, não plano adentro. A parede estabelece a profundidade
como fixa.
Comparemos com "A Flagelação de Cristo" de Piero della Francesca.
Piero não é um diretor com atores a sua frente do modo que é Caravaggio..
Ele mexe braços e pernas de acordo com seu conhecimento das leis da
geometria e perspectiva, do modo como "sabe" serem as figuras, não
do modo como as "vê".
extraido de "O Conhecimento Secreto" de David Hockney 

Piero della Francesca - "Flagelação de Cristo" - 1450


Caravaggio pintou seu alaudista 70 anos depois
da xilogravura de Dürer, e, é claro, a tecnologia
das máquinas de desenho tal vez tivesse avançado
naquela altura. Mas já não seriam tais máquinas antiquadas
em 1525? Não estaria Dürer reproduzindo um método
antigo e agora obsoleto de desenhar elipses e curvas
em perspectiva? Os Embaixadores de Hans Holbein foi
pintado em 1533, somente oitos anos depois da gravura
de Dürer. Está repleto de objetos curvos e esféricos, 
os quais teriam sido difíceis de fazer a olho, e no entanto
todos eles são maravilhosamente "precisos" em seu escorço.
Holbein poderia ter usado a máquina de Dürer para pintar
o alaúde na estante de baixo.
extraido de "O Conhecimento Secreto" de David Hockney
  
MICHELANGELO CARAVAGGIO
Itália 1571-1610

Caravaggio - "O tocador de alaúde" - óleo 1595


HANS HOLBEIN - Alemanha 1497-1543

Hans Holbein - "Os Embaixadores" - óleo 1533 / A estranha forma em primeiro plano é um crânio distorcido - Holbein o distendeu. Tal distorção pode ser lograda inclinando a superficie sobre a qual se projeta uma imagem. No detalhe embaixo está reproduzido o crânio comprimindo-o de volta a seu formato num computador. Ele parece bem "real". Não será isso uma pista de que Holbein utilizou ferramentas ópticas?

cránio

Holbein - "Os Embaixadores" - detalhe


Holbein - "Os Embaixadores" - detalhe - (leitura do computador)


Holbein - "Os Embaixadores" - detalhe


ALBRECHT DÜRER - Alemanha 1471-1528

Albrecht Dürer - "Retrato de uma jovem" óleo 1505


Albrecht Dürer - "Retrato de uma moça" - óleo 1506-07


Acima estão dois quadros de Dürer. 
Embora pintados com cerca de apenas
um ano de intervalo, parecem bem diferentes.
o sólido estilo linear do retrato de uma moça
milanesa (1505), abrandou-se no retrato de
uma jovem (1506-07), dominado por efeitos 
de claroescuro, de luz y sombra. Comparadas
com as duas imagens anteriores, essa jovem
parece "fotográfica". Algo causou a mudança.
Dürer era muito interessado en tecnologia,
sobretudo a de fabricar imagens, como demonstra
sua xilogravura de uma máquina de desenho.

Albrecht Dürer - xilogravura - Máquina de desenho - 1525


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Acredito que ele tenha se deparado com a ótica
entre o verão de 1505 e o início de 1507, quando esteve em Veneza.
Tal vez tenha sido introduzido ao método por Giovanni Bellini, que,
segundo um relato contemporâneo, disfarçou-se de nobre a fim 
de posar para Antonello de Messina e assim aprender seus segredos,
e que patrocinou Dürer em sua estada em Veneza (Antonello, como
vimos, introduziu as técnicas holandesas na itália). Dürer escreveu
a seu amigo Pirkheimer que estava a caminho de Bolonha "para
aprender os segredos da perspectiva". Alguns historiadores 
acreditam que ele foi visitar Luca Pacioli, companheiro próximo de
Leonardo. Dürer não escreveu quais eram esses segredos -
tal vez tenha jurado secredo.
extraido de "O conhecimento secreto" de David Hockney 
LEONARDO DA VINCI - Itália 1452-1519

sábado, 24 de novembro de 2012

Leonardo da Vinci - O corpo humano - desenho a tinta


O retrato da Mona Lisa ou A Gioconda, foi o primeiro
a evidenciar feições tão suaves. O sutil sombreado
ao redor dos olhos e boca são completamente diversos
de tudo que aparecera antes, incluindo o proprio retrato de Ginevra
de' Benci por Leonardo, pintado quase 30 anos antes.
extraido de "O Conhecimento Secreto" de David Hockney

Leonardo da Vinci - Retrato da Gioconda - 1503-06 - oleo sobre madeira - 77 x 53 cmts.


Terá Leonardo usado a óptica para a Gioconda? Não sei,
mas o certo é que ele observava imagens nítidas do mundo
tridimensional numa superficie plana e em cores vivas. Ele com
certeza tinha conhecimento das lentes. Em seus cadernos de notas,
ele descreve a câmara escura e imagens produzidas por ela
e fornece desenhos de equipamentos para esmerilhar espelhos.
Será forçar muito imaginar que ele vira como era bela a imagem
projetada e quisera ele próprio recriar tal aspecto? Tal vez isso
lhe bastasse, e suas habilidades pictóricas se incumbissem
do restante. Suas fenomenais habilidades de desenhista 
são bem conhecidas, e ele tal vez tenha precisado somente 
ver a imagem projetada para recriar sua aparência.
extraido de "O Conhecimento Secreto" de David Hockney

Leonardo da Vinci - Retrato da Gioconda -- detalhe


Leonardo da Vinci - Retrato de Ginebra de' Benci - 1474-78 - temple e óleo sobre madeira - 38,8 x 36,7 cmts. - detalhe


Como Michelangelo se encaixa na história?
ele certamente tinha conhecimento do decalque,
uma parte essencial da pintura em afresco;
e também vira a arte holandesa, que repudiou
como sendo por demais voltada ao mundo real.
Sentiu também que a pintura a óleo era para amadores;
pode-se "corri-gir" coisas com óleo, ao contrário do afresco.
Comparando esses dois retratos - um detalhe do teto da
Capela Sistina (1509-12) por Michelangelo, e o retrato de 
Baldassare Castiglione (1514-16) por Rafael, eles parecem
mesmo muito diversos em estilo e concepção. O rosto
de Rafael parece bem mais moderno. Essa diferença pode
ser explicada simplesmente pelas técnicas diversas utilizadas,
afresco contra óleo?
extraido de "O Conhecimento Secreto" de David Hockney

Michelangelo Buonarroti - Capela Sistina - detalhe


Rafael Sanzio - Retrato de Baldessare Castiglione - 1514-15 - óleo