LUIS TRIMANO ARTE VISUAL
Ilustrações para poemas de Gregory Corso
Extraídos do livro Gasolina & Lady Vestal
Editora L & PM - 1985
hidrográfica e esferográfica
"El Barco" - Edição virtual - Monte Alto - Rio de Janeiro - 2020
O propósito deste blog é o de mostrar o trabalho do ilustrador,independente das regras impostas pelo mercado,nas quatro disciplinas praticadas por mim, em diferentes momentos e veículos: A Caricatura na Imprensa,A Ilustração na Imprensa,A Ilustração Editorial e O Poema Ilustrado. Também são mostradas modalidades diferentes das mesmas propostas como: Montagens das exposições e a revalorização do painel mural, através das técnicas de reprodução digital em baner.
GREGORY CORSO
Nova Iorque 1930-1971
Ao lado de Jack Kerouac, Allen Ginsberg e William
Burroughs, foi o quarto membro canônico dos escritores
da geração beat.
A sua mãe tinha apenas dezesseis anos quando ele nasceu,
e um ano depois abandonou a família e retornou à Itália.
Corso viveu a maioria dos anos de sua infância
em orfanatos e casas de adoção.
Seu pai se casou pela segunda vez quando ele tinha
onze anos, e foi com quem acabou ficando, mas Corso
fugia repetidamente. Foi mandado para um internato
masculino, do qual também fugia. Sua adolescência
complicada inclui uma temporada de varios meses
na Tombs (Túmulos), a prisão municipal de Nova Iorque.
Aos dezessete anos foi condenado por roubo e mandado
à Clinton State Prison por três anos.
Encarcerado em Dannemora por arrombamento em 1947,
mergulhou na literatura através da biblioteca da prisão
e começou a escrever poesia.
Depois de ser liberado em 1950, retornou a Nova Iorque
e conheceu a Allen Ginsberg, quem o introduziu
na cena literária beat.
Corso morreu em Minnesota em 2001, e foi enterrado
no cemitério protestante em Roma, Itália.
Escreveu seu próprio epitáfio: "Espírito é vida. Ele flui
por entre a minha morte ininterruptamente como um rio,
sem medo de tornar-se o mar."
dados extraídos da Wikipédia
TRIMANO - GREGORY CORSO
PUMA NO ZOOLÓGICO DE CHAPULTEPEC
Longo liso lento lépido gato macio
Qual marcação, que coreografia dançava você
quando eles pucharam a cortina final?
Como pode essa elegância sóbria permanecer
aquí tão sozinha, nesse palco 3 x 4?
Te darão ainda uma nova chance
para dançar outra vez pelas Serras?
Como você está triste; ao te observar
penso em Ulanova
trancada nalguma sala apertada com mobília
em Nova York, na 17.a Rua Leste,
no bairro porto-riquenho.
tradução: Ciro Barroso
TRIMANO - GREGORY CORSO
ECCE HOMO
Por dentro das mãos e dos pés machucados
fragmentos de ferimentos antigos (quase cicatrizados)
como amêndoas negras em crostas
São resposta suficiente -
os pregos atravessaram o homem e atingiram Deus.
A coroa de espinhos (idéia soberba!)
e o ferimento lateral (uma atrocidade!)
penetraram apenas no homem.
Quantas vezes já vi isso pintado;
as mesmas injúrias,
provação exemplar; ecce signum
a mesma face abatida;
Já perdi a lembrança disso tudo.
Ó Theodoricus, juventude, imprecisão, a culpa é minha;
ainda assim é tua!
Tanta dor! é
impossível esquecer.
tradução: Ciro Barroso
TRIMANO - GREGORY CORSO
NO TÚNEL-OSSADA DE CAMBRIDGE
Tomado pela loucura na estação-ossada
Crispando em minha maleta olho-dos-ossos
que hoje é sinistra com as lições de andar do passado
O painel-ossada com os horários indicou: Preto
Algemado a um ministro
Desembarcado de uma diesel estofada
O guarda-freios me fisgou a nuca: Destino, negro
Pela janela eu vi passar meu agente de estradas
saltitando pela plataforma
uma tocha lanterna-ossada na mão como alucinado -
Subam no carro, subam no carro, dando risadas
Já no interior do túnel-ossada encostei meus ouvidos
nos ouvidos do ministro escutando
o aço conversar com o vapor
e o vapor com o motor; escuro adiante
escuro adiante tudo preto e nada mais.
tradução: Ciro Barroso
TRIMANO - GREGORY CORSO
O QUE É MEU BELO... E COISAS
Todas as belas coisas
Que tenho
Em cães mortos em celofanes embalados com fitas
E assim tão lindas que minhas
Em meus aposentos-túmulo de pó e sem coisas
Minha prática do momento
Quando vem a linda garota
Fazer que passe apertadinha no buraco da chave
Ou debaixo da porta se for velha
De jeito nenhum como mãe ou como puta
Ou cão sem maternidade
E eu vou levá-la para o que é meu belo
E coisas
Gostando dela em celofane com cordas
Como música para um mundo e não coisas
Mas não posso revelar minha pia suja
E suas coisas penduradas na chave para secar
Melhor estar sozinho que puta
Se fazendo de esposa em meu pó não embalado
Com nylon e galhos de chá e não coisas
tradução: Ciro Barroso
TRIMANO - GREGORY CORSO
REQUIEM PARA "BIRD" PARKER, O MÚSICO
trecho
A profecia chegou pelo correio:
Na última matança dos pássaros
Um pássaro de lugar nenhum restará
Este não poderá mais se lamentar
E o pássaro de lugar nenhum será um lento pássaro
Longo longo pássaro
Num quarto em algum lugar
Guardado
Dentro do quarto foi encontrado
encostado um velho sax
Com arroz num pacote
E BIRD, onde posso encontrá-lo?
primeira voz
ei cara, o BIRD morreu
enfiaram o sax num buraco qualquer
o sax jogado num canto qualquer
mas onde está o sax, cara, diz um lugar qualquer
segunda voz
Foda-se o sax
diz agora, onde está BIRD?
tradução: Ciro Barroso