O propósito deste blog é o de mostrar o trabalho do ilustrador,independente das regras impostas pelo mercado,nas quatro disciplinas praticadas por mim, em diferentes momentos e veículos: A Caricatura na Imprensa,A Ilustração na Imprensa,A Ilustração Editorial e O Poema Ilustrado. Também são mostradas modalidades diferentes das mesmas propostas como: Montagens das exposições e a revalorização do painel mural, através das técnicas de reprodução digital em baner.
terça-feira, 16 de março de 2021
O gelo desce pro mar, qual relógio, em tique-taque.
Um negro torra
sementes de trigo na fumaça do carvão
que escapa de uma barrica perfurada.
Ar químico
invade New Jersey,
e cheira a café.
Do outro lado do rio
as cumeeiras das fábricas dos subúrbios tostam
ao sol amarelo-súlfur
da paisagem imperdoável.
tradução: Aíla de Oliveira Gomes
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021
domingo, 10 de janeiro de 2021
O GRITO DOS QUE ESTÃO SENDO COMIDOS
PELA AMÉRICA
Robert Bly
O grito dos que estão sendo comidos pela América
Outros pálidos e macios estão sendo armazenados
para mais tarde
E Jefferson
Que viu a esperança em novas aveias
As casas selvagens continuarão
Com seus longos cabelos crescendo entre os dedos
dos pés
Que à noite se levantam
E descem correndo as longas estradas brancas
As barragens trocam o rio pela solidão do deserto
Ministros que mergulham de cabeça na terra
A carne pálida
Que se espalha culposa em novas literaturas
Isto é porque estes poemas são tão tristes
Antigos mortos correndo pelos campos
A massa afundando aos poucos
A luz no rosto das crianças se apagando aos seis
ou sete anos
Cedo o mundo se dissolverá nas pequenas colônias
dos que foram salvos
domingo, 20 de dezembro de 2020
Fugindo às Pressas da Terra
Robert Bly
Os pobres, os aturdidos e os idiotas
Estão conosco: vivem no ataúde do sol
E no esquife da lua, enquanto eu saio esta noite
Vendo-a rodar seu escuro carrinho de mão
Por todas as várzeas do céu
E as estrelas se alçando inexoravelmente.
Negra lua! Sinistras lágrimas!
Sombra dos cortiços e dos triunfantes mortos!
Alguns homens perfuraram o peito com uma extensa agulha
A fim de seus corações cessassem de bater.
Outros deitaram blocos de gelo em suas camas
Para ali se finarem. Mulheres
Os cabelos lavaram, e se enforcaram
Nas suas longas tranças. Uma outra subiu
Num alto olmo sobre seu gramado
Abriu uma caixa, e engoliu aranhas venenosas...
O tempo de exortação já passou. Ouvi
cadeiras de ferro arranhamdo o chão em hospícios.
Enquanto o pássaro, transido de frio, encolhece no inverno
Na noite ventosa de novembro.
Os mineiros deixam seus poços
Como uma súbita enchente,
Como um arrozal desentegrando-se.
Oa homens choram quando escutam estórias de alguém
ressurgido dentre os mortos.
domingo, 6 de dezembro de 2020
Eles decidiram estar por toda parte. Por que não?
Todos os lugares eram deles porque sim.
Eles tinham mãos de láminas e tinham o desprezo dos pássaros.
No caminho que fica entre as pedras, decidiram.
E então começaram a derrubar.
E eles cortaram tudo. Por que não?
Todas as coisas eram deles porque era assim que eles pensavam.
Ela caiu em suas próprias sombras e eles a levaram.
Alguma coisa para ter, alguma coisa para guardar.
Cortando tudo eles chegaram até a água.
E quando o dia acabou ainda restava uma de pé.
Eles foram embora e deixaram para derrubá-la no dia
seguinte.
A noite aninhou-se nos seus últimos galhos.
A sombra da noite juntou-se à sombra sobre a água.
A noite e a sombra formaram uma só cabeça.
E a que restava decidiu que ficaria.
Pela manhã eles cortaram o que restava.
Como as outras a última caiu em sua própria sombra.
Em sua própria sombra sobre a água.
Eles a carregaram a sombra permaneceu na água.
Eles encolheram os ombros e começaram a tentar remover
a sombra.
Cortaram até o nível do chão a sombra continuou intacta.
Cobriram a sombra de tábuas ela apareceu por cima.
Iluminaram a sombra ela ficou mais escura mais brilhante.
Explodiram a água a sombra balançou.
Decidiram fazer uma enorme fogueira com as raízes.
Uma fumaça negra subiu entre a sombra e o sol.
A nova sombra se espalhou sem alterar a antiga.
Eles encolheram os ombros foram buscar pedras.
Voltaram e viram que a sombra estava crescendo.
Atiraram pedras sobre ela ela continuou crescendo.
Enquanto olhavam para os lados, ela continuava crescendo.
Decidiram transformar aquilo tudo em pedra.
Trouxeram mais pedras e as jogaram sobre a sombra.
A sombra se sobrepunha sem fim e continuava crescendo.
Isso foi um dia.
Na manhã seguinte aconteceu o mesmo ela continuava crescendo.
Eles tudo fizeram tudo permaneceu igual.
Resolveram retirar a água debaixo da sombra.
Retiraram e a água baixou de nível.
A sombra continuou no mesmo lugar de antes.
Continuou crescendo e se espalhou pela terra.
Eles começaram a raspar a sombra com máquinas.
As máquinas tocavam nela ela penetrava nas máquinas.
Eles começaram a tratar a sombra a porradas.
Quando os paus atingiram a sombra ela penetrava neles.
Eles começaram a bater na sombra com os punhos.
Quando os punhos batiam na sombra ela penetrava neles.
Isto foi no outro dia.
No dia seguinte eles começaram tudo de novo ela continuou
crescendo.
Acenderam luzes contra a sombra.
Por onde a sombra passava as luzes se apagavam.
Começaram a pisar na margem da sombra e ela agarrou
seus pés.
E quando a sombra agarrou seus pés eles caíram.
E quando ela alcançou seus olhos eles ficaram cegos.
A sombra cresceu sobre os que caíram e eles sumiram.
Os que podiam enxergar ficaram parados.
Os que ficaram cegos e entraram nela sumiram
suas sombras foram engolidas.
Depois os seus corpos foram engolidos.
Então os outros fugiram.
Os sobreviventes saíram pelo mundo e viveriam se a sombra
lhes permitisse.
Foram o mais longe possível.
Os que tinham mais sorte levando suas sombras.
tradução: Nei Leandro de Castro
















































