O propósito deste blog é o de mostrar o trabalho do ilustrador,independente das regras impostas pelo mercado,nas quatro disciplinas praticadas por mim, em diferentes momentos e veículos: A Caricatura na Imprensa,A Ilustração na Imprensa,A Ilustração Editorial e O Poema Ilustrado. Também são mostradas modalidades diferentes das mesmas propostas como: Montagens das exposições e a revalorização do painel mural, através das técnicas de reprodução digital em baner.
domingo, 20 de dezembro de 2020
O tempo de exortação já passou. Ouvi
cadeiras de ferro arranhamdo o chão em hospícios.
Enquanto o pássaro, transido de frio, encolhece no inverno
Na noite ventosa de novembro.
Os mineiros deixam seus poços
Como uma súbita enchente,
Como um arrozal desentegrando-se.
Oa homens choram quando escutam estórias de alguém
ressurgido dentre os mortos.
domingo, 6 de dezembro de 2020
Eles decidiram estar por toda parte. Por que não?
Todos os lugares eram deles porque sim.
Eles tinham mãos de láminas e tinham o desprezo dos pássaros.
No caminho que fica entre as pedras, decidiram.
E então começaram a derrubar.
E eles cortaram tudo. Por que não?
Todas as coisas eram deles porque era assim que eles pensavam.
Ela caiu em suas próprias sombras e eles a levaram.
Alguma coisa para ter, alguma coisa para guardar.
Cortando tudo eles chegaram até a água.
E quando o dia acabou ainda restava uma de pé.
Eles foram embora e deixaram para derrubá-la no dia
seguinte.
A noite aninhou-se nos seus últimos galhos.
A sombra da noite juntou-se à sombra sobre a água.
A noite e a sombra formaram uma só cabeça.
E a que restava decidiu que ficaria.
Pela manhã eles cortaram o que restava.
Como as outras a última caiu em sua própria sombra.
Em sua própria sombra sobre a água.
Eles a carregaram a sombra permaneceu na água.
Eles encolheram os ombros e começaram a tentar remover
a sombra.
Cortaram até o nível do chão a sombra continuou intacta.
Cobriram a sombra de tábuas ela apareceu por cima.
Iluminaram a sombra ela ficou mais escura mais brilhante.
Explodiram a água a sombra balançou.
Decidiram fazer uma enorme fogueira com as raízes.
Uma fumaça negra subiu entre a sombra e o sol.
A nova sombra se espalhou sem alterar a antiga.
Eles encolheram os ombros foram buscar pedras.
Voltaram e viram que a sombra estava crescendo.
Atiraram pedras sobre ela ela continuou crescendo.
Enquanto olhavam para os lados, ela continuava crescendo.
Decidiram transformar aquilo tudo em pedra.
Trouxeram mais pedras e as jogaram sobre a sombra.
A sombra se sobrepunha sem fim e continuava crescendo.
Isso foi um dia.
Na manhã seguinte aconteceu o mesmo ela continuava crescendo.
Eles tudo fizeram tudo permaneceu igual.
Resolveram retirar a água debaixo da sombra.
Retiraram e a água baixou de nível.
A sombra continuou no mesmo lugar de antes.
Continuou crescendo e se espalhou pela terra.
Eles começaram a raspar a sombra com máquinas.
As máquinas tocavam nela ela penetrava nas máquinas.
Eles começaram a tratar a sombra a porradas.
Quando os paus atingiram a sombra ela penetrava neles.
Eles começaram a bater na sombra com os punhos.
Quando os punhos batiam na sombra ela penetrava neles.
Isto foi no outro dia.
No dia seguinte eles começaram tudo de novo ela continuou
crescendo.
Acenderam luzes contra a sombra.
Por onde a sombra passava as luzes se apagavam.
Começaram a pisar na margem da sombra e ela agarrou
seus pés.
E quando a sombra agarrou seus pés eles caíram.
E quando ela alcançou seus olhos eles ficaram cegos.
A sombra cresceu sobre os que caíram e eles sumiram.
Os que podiam enxergar ficaram parados.
Os que ficaram cegos e entraram nela sumiram
suas sombras foram engolidas.
Depois os seus corpos foram engolidos.
Então os outros fugiram.
Os sobreviventes saíram pelo mundo e viveriam se a sombra
lhes permitisse.
Foram o mais longe possível.
Os que tinham mais sorte levando suas sombras.
tradução: Nei Leandro de Castro
segunda-feira, 2 de novembro de 2020
RASTO DE VAPOR REFLETIDO
NO PEQUENO TANQUE DE SAPOS
1
Os velhos sapos vigiam: seus
olhos turvos incham e fecham-se com a lua. Os jovens,
cabeças seguidas do início de pescoço
tremem,
na certeza de que serão corpos.
No pequeno tanque
a trilha de vapor de um bombardeiro rasteja,
Eu ouço o seu zumbido, vagando, no alto
em ozônio imaculado.
2
E eu ouço,
vindo das colinas, a América cantando,
seus cantos variados eu ouço:
estampidos de rifles dos delegados praticando sua pontaria
em cães vadios
á noite,
estalido de chicotes nas costas dos negros
TV gemendo com os odores do corpo humano,
praguejamento do soldado enquanto ele envenena,
queima, tritura,
e apunhala o arroz do mundo,
de boca aberta, gritando alto, pragas histéricas.
3
E nos arrozais na Ásia
ossos
vestindo algumas sombras
caminham por uma estrada poeirenta, sanguesugas
esmagadas nos seus calcanhares, sabendo
que a carne que um homem joga ao sol
os cães comerão
e a carne que é atirada ao ar
será agarrada por pássaros,
omoplatas lisas, sem velhas marcas de penas,
mãos cortadas de azul
por filetes erráticos de sangue,
olhos enrugados
enquanto fitam o sol à deriva que nos dá nossas vidas
semente ofuscada com o fulgor da terra gasta pelos pés.
Galway Kinnel
tradução: César Augusto R. de Almeida
domingo, 1 de novembro de 2020
domingo, 18 de outubro de 2020
AMIRI BARAKA - LE ROI JONES
Newark - Estados Unidos 1934-2014
Poeta, escritor e ativista norte-americano,
ligado a Geração Beat e autor de ensaios
contra o racismo e o colonialismo.
Baraka foi um dos poucos negros a integrar
o movimento beat promovido por Jack Kerouac
e Allen Ginsberg. Era vigiado pelo FBI e foi precursor
do Hip-Hop e do Rap.
Durante os anos 60 e 70, abandonou uma visão
de integração social entre brancos e negros,
após a Revolução Cubana, o assassinato de Malcolm X
e sua prisão e espancamento em 1967, passando a defender
a revolução dos negros. Autor de diversas obras poéticas
e historiográficas, que variavam da poesia, teatro e contos.
Participou de diversos movimentos sociais dos negros
estadounidenses.
Faleceu em 2014, aos 79 anos.
dados extraídos da Wikipédia
UM POEMA PARA OS CORAÇÕES NEGROS
Pelos olhos de Malcolm, quando quebraram a cara
de um branco estúpido.
Pelas mãos de Malcolm, erguidas, para nos abençoar,
negros e fortes na sua imagem de nós mesmos.
Pelas palavras de Malcolm, dardos de fogo, vitoriosas,
ferindo incansáveis, palavras suspensas
sobre o mundo, mudando-o como podem.
Ele disse, por isso foi assassinado, por dizer
e sentir, sendo e mudando.
Todos juntos no seu coração ardente.
Pelo coração de Malcolm elevando-nos sobre
as cidades imundas.
Pelos seus passos e seu jeito e suas palavras
aos monstros cinzentos do mundo.
Pelas súplicas de Malcolm por sua dignidade,
negros, por suas vidas, negros, para encher seus
espíritos de confiança.
Por tudo dele, morto a partido, sumido de
nós, e tudo dele ligado a nós para
nossa crença Deus negro de nosso tempo.
Por tudo dele e de vocês mesmos, ergam os
olhos, negros, parem de gaguejar e andar cabisbaixos,
levantem a cabeça e parem de choramingar
e se humilhar, por tudo dele.
Pelo grande Malcolm, um príncipe da terra,
não nos deixemos esmorecer.
Até nos vingarmos, nós próprios, por sua morte
(estúpidos animais que o mataram), não nos deixemos
tomar fôlego, pois se cairmos os brancos nos chamarão
de bichas
até o fim do mundo.
LeRoi Jones
Tradução: José Carlos Limeira Marinho Santos
quinta-feira, 24 de setembro de 2020
ALLEN GINSBERG - Irwin Allen Ginsberg
Nova Jersey 1926 - Nova York, Estados Unidos 1997
Foi um escritor, poeta e ativista norte-americano considerado
como uma das principais figuras da Geração Beat nos anos
50.
Ficou conhecido pelo seu livro de poemas "Uivo" (1956).
Se opôs vigorosamente ao militarismo e a repressão sexual,
e incorporou a abertura para as religiões orientais.
No seu livro "Uivo" denuncia as forças destrutivas
do capitalismo, e fez parte durante décadas de protestos
não-violentos contra a Guerra do Vietnã e a política
imperialista dos Estados Unidos.
Dados extraídos da Wikipédia
quarta-feira, 23 de setembro de 2020
AMÉRICA
trecho
América eu lhe dei tudo e agora não sou nada
América dois dólares vinte e sete centavos 17 de janeiro,
1956.
América não agüento mais minha própria mente.
América quando acabaremos com a guerra humana?
Vá se foder com sua bomba atômica.
Não estou legal não me encha o saco.
Não escreverei meu poema enquanto não me sentir legal.
América quando é que você será angelical?
Quando você tirará sua roupa?
Quando você se olhará através do túmulo?
Quando você merecerá seu milhão de trotskistas?
América por que suas bibliotecas estão cheias de lágrimas?
América quando você mandará seus ovos para a Índia?
Estou cheio de suas exigências malucas.
Quando poderei entrar no supermercado e comprar
o que preciso só com minha boa aparência?
América afinal eu e você é que somos perfeitos não o outro
mundo.
Sua maquinária é demais para mim.
Você me fez querer ser santo.
Deve haver algum jeito de resolver isso.
Burroughs está em Tanger acho que ele não vai voltar
mais isso é sinistro.
Estará você sendo sinistra ou isso é uma brincadeira?
Allen Ginsberg
UIVO
para Carl Solomon
trecho
Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura,
morrendo de fome, histéricos, nus,
arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada
em busca de uma dose violenta de qualquer coisa,
"hipsters" com cabeça de anjo ansiando pelo antigo contato
celestial com o dínamo estrelado da maquinaria da noite,
que pobres, esfarrapados e olheiras fundas, viajaram fumando
sentados na sobrenatural escuridão dos miseráveis
apartamentos sem água quente, flutuando sobre os tetos
das cidades contemplando jazz,
que desnudaram seus cérebros ao céu sob o Elevado e viram
anjos maometanos cambaleando iluminados nos telhados
das casas de cômodos,
que passaram por universidades com olhos frios e radiantes
alucinando Arkansas e tragédias à luz de William Blake
entre os estudiosos da guerra,
que foram expulsos das universidades por serem loucos
& publicarem odes obscenas nas janelas do crânio,
que se refugiaram em quartos de paredes de pintura
descascada em roupas de baixo queimando seu dinheiro
em cestas de papel, escutando o Terror através da parede
Allen Ginsberg
CANÇÃO
trecho
O peso do mundo
é o amor.
Sob o fardo
da solidão,
sob o fardo
da insatisfação
o peso
o peso que carregamos
é o amor.
Quem poderia negá-lo?
Em sonhos
nos toca
o corpo,
em pensamentos
constrói
um milagre,
na imaginação
aflige-se
até tornar-se
humano -
sai para fora do coração
ardendo de pureza -
pois o fardo da vida
é o amor,
mas nós carregamos o peso
cansados
e assim temos que descansar
nos braços do amor
finalmente
temos que descansar nos braços
do amor.
Allen Ginsberg
UIVO
para Carl Solomon
trecho
Carl Solomon! Eu estou com você em Rockland
onde você está mais louco do que eu
Eu estou com você em Rockland
onde você deve sentir-se muito estranho
Eu estou com você em Rockland
onde você imita a sombra da minha mãe
Eu estou com voce em Rockland
onde você assassinou suas doze secretárias
Eu estou com você em Rockland
onde você ri deste humor invisível
Eu estou com você em Rockland
onde somos grandes escritores na mesma abominável
máquina de escrever
Eu estou com você em Rockland
onde seu estado tornou-se muito grave e é noticiado
pelo rádio
Eu estou com você em Rockland
onde as faculdades do crânio não agüentam mais
os vermes dos sentidos
Allen Ginsberg
SUTRA DO GIRASSOL
trecho
Caminhei pela beira do cais de bananas e latarias e sentei-me
à sombra enorme de uma locomotiva da Southern Pacific
para olhar o sol que se punha entre as colinas de casas
como caixotes e chorar.
Jack Kerouac sentou-se a meu lado sobre um poste de ferro
quebrado e enferrujado, companheiro, pensávamos
os mesmos pensamentos da alma, chapados e de olhos
tristes, cercados pelas retorcidas raízes de aço das árvores
da maquinaria,
A água oleosa do rio refletia o rubro céu, o sol naufragava
nos cumes dos últimos morros de Frisco, nenhum peixe
nessas águas, nenhum ermitão nessas montanhas, só nós
dois com nossos olhos embaçados e ressaca de velhos
vagabundos à beira-rio, malandros cansados.
Olha o Girassol, disse ele, lá estava a sombra cinzenta
e morta contra o céu, do tamanho de um homem, encostada
ressecada no topo do montão de velha serragem -
Allen Ginsberg
quarta-feira, 2 de setembro de 2020
GREGORY CORSO
Nova Iorque 1930-1971
Ao lado de Jack Kerouac, Allen Ginsberg e William
Burroughs, foi o quarto membro canônico dos escritores
da geração beat.
A sua mãe tinha apenas dezesseis anos quando ele nasceu,
e um ano depois abandonou a família e retornou à Itália.
Corso viveu a maioria dos anos de sua infância
em orfanatos e casas de adoção.
Seu pai se casou pela segunda vez quando ele tinha
onze anos, e foi com quem acabou ficando, mas Corso
fugia repetidamente. Foi mandado para um internato
masculino, do qual também fugia. Sua adolescência
complicada inclui uma temporada de varios meses
na Tombs (Túmulos), a prisão municipal de Nova Iorque.
Aos dezessete anos foi condenado por roubo e mandado
à Clinton State Prison por três anos.
Encarcerado em Dannemora por arrombamento em 1947,
mergulhou na literatura através da biblioteca da prisão
e começou a escrever poesia.
Depois de ser liberado em 1950, retornou a Nova Iorque
e conheceu a Allen Ginsberg, quem o introduziu
na cena literária beat.
Corso morreu em Minnesota em 2001, e foi enterrado
no cemitério protestante em Roma, Itália.
Escreveu seu próprio epitáfio: "Espírito é vida. Ele flui
por entre a minha morte ininterruptamente como um rio,
sem medo de tornar-se o mar."
dados extraídos da Wikipédia











