segunda-feira, 13 de agosto de 2012

You-Tube - filme: "Cortázar"
de Tristán Bauer
I de IX partes
Argentina 1994

Retrato de Julio Cortázar por Ricardo Carpani - lápiz


You-Tube - filme: "CHE, un hombre nuevo"
de Tristán Bauer
I de VII partes
Argentina-Cuba 2010

Trimano - "Meninos do Tocantins" - sobre uma fotografia de Mario de Andrade, do livro "Turista aprendiz" - nanquim 1990


You-Tube - filme: 
"PERÓN - Sinfonia del Sentimiento"
de Leonardo Fabio
2 horas - 58 minutos - 13 segundas
Argentina 1999

ilustração: Trimano - "As Mãos" - nanquim 1990 - a Horacio Pilar in memorian


NOVA DEMOCRACIA CAPITALISTA
You-Tube - filme: "Da Servidão Moderna"
O Sistema Mercantil Totalitário 
de Jean-Francois Brient e Victor León Fuentes
52 minutos - 20 segundos   
França 2009            

Trimano - série Economia - nanquin


domingo, 12 de agosto de 2012

You-Tube - filme "La Hora de los Hornos"
direção: Pino Solanas e Octavio Getino
Grupo "Cine Liberación"
1 hora - 25 minutos - 05 segundos
Argentina 1966-67

ilustração: Trimano - "Indios" - nanquim 1990


You-Tube - filme: "Memoria del Saqueo"
de Pino Solanas
1 hora - 55 minutos - 31 segundos
Argentina 2003  

ilustração: Trimano - "S.A." - nanquim 1982


ARTE EGÍPCIA

ARTE EGÍPCIA - Retrato do rei Tutankhamon


A arte egípcia foi desenvolvida e aplicada
pela civilização do Antigo Egito, localizada 
no vale do rio Nilo ao Norte da África, e teve
supremacia na região durante um longo período,
extendiéndose aproximadamente pelos últimos
3000 anos antes de Cristo.
A arte do Egito, serve a políticos e religiosos,
exaltando a figura do faraó como soberano
absoluto. Ele é dado como o representante de
Deus na terra.
No culto aos mortos, onde é tratada a trasição 
da vida terrena è vida após a morte, o faraó é
imortal, e seus familiares e altos representantes
da sociedade, têm o privilegio de poder também
ter acesso à outra vida.
A hierarquia social e religiosa traduz-se, na representação artistica, na atribuição de diferentes
tamanhos às diferentes personagens, de acordo
com a sua importância.
Grande parte da arte egípcia é consagrada ao culto
aos mortos, representado em retratos póstumos,
máscaras e caixas mortuárias ricamente decoradas
por carpinteiros e pintores, onde era colocado o corpo 
embalsamado.
O governo dos faraós, terminou oficialmente no
ano 31 a.C. quando o Egito caiu sob o dominio do
Império Romano, tornando-se uma provincia romana. 

ARTE EGIPCIA - Caixa mortuária do rei Tutankhamon


ARTE EGÍPCIA


ARTE EGÍPCIA - Tutankhamon e sua esposa Ankhesenamon


ARTE EGÍPCIA - Retrato esculpido em alabastro


ARTE EGÍPCIA


ARTE EGÍPCIA


sábado, 11 de agosto de 2012

ARTE EGÍPCIA - Retrato de Tutankhamon - detalhe


TUTANKHAMON, (também conhecido pela grafia Tutankhamon),
foi um faraó do Antigo Egito, que morreu ainda na  adolescência.
Era filho de Akhenaton, o faraó que instituiu o culto de Aton, deus
do sol. Casou-se aos 10 anos com a sua meia irmã Ankhesenamon.
Assumiu o trono quando tinha cerca de 10 anos, restaurando os
antigos cultos aos deuses e os privilégios do clero. Morreu em 1324 a. C.
aos dezenove anos, sem herdeiros.

ARTE EGÍPCIA - Tumulo de Tutankhamon


ARTE EGÍPCIA


ARTE EGÍPCIA - Retrato do rei Tutankhamon


ARTE EGÍPCIA


ARTE EGÍPCIA


ARTE EGÍPCIA


ARTE EGÍPCIA - Retrato de Tutankhamon


ARTE EGÍPCIA - Retrato de Tutankhamon


domingo, 5 de agosto de 2012

A CERÁMICA DO VALE DE JEQUITINHONHA
Minas Geraes - BRASIL
ISABEL MENDES DA CUNHA  
Escultora

ISABEL MENDES DA CUNHA, conhecida como "dona Isabel",
nasceu em 1924 na zona rural do municipio de Itanga em Minas 
Geraes. Ainda pequena, aprende a trabalhar o barro com sua mãe.
Criava potes, travessas e figuras de presépio, que seguiu reproduzindo
mesmo depois que se casou e se mudou para Santana de Araçuaí,
na mesma região. Trabalhando com muita dedicação, suas obras
sempre foram muito consideradas. Suas noivas, feitas em grandes
formatos, marcaram definitivamente seu estilo. Sua disponibilidade
para ensinar fez com que ela se tornasse uma mestre de sua arte,
e influenciou grande parte da produção dos artistas
do Vale do Jequitinhonha, hoje, um centro de arte popular.
extraído do livro "Caminhos da Arte Popular - O vale do Jequitinhonha"
de Angela Mascelani - Edição: Museu do Pontal - Rio de Janeiro 2008

Forno para "queima" da cerámica


Vale do Jequitinhonha - Santana de Araçuaí - rua principal


domingo, 29 de julho de 2012

PAUL DAVIS - Retrato de Nelson Mandela - I primeira imagem


PAUL DAVIS - Retrato de Nelson Mandela - II segunda imagem


PAUL DAVIS - Retrato de Nelson Mandela - III imagem definitiva


OS CAYNAS - CÉSAR VALLEJO
Fotos: Juan Rulfo

foto: Juan Rulfo

Luís Urquizo soltou uma gargalhada e, engolindo a última pólvora do riso,
bebeu sofregamente a cerveja. Colocou o copo vazio sobre o zinco do balcão,
quebrou-o e vociferou:
- Isso não é nada! Cavalgue muitas vezes sobre o lombo do meu cavalo
que caminhava com os quatro cascos negros sempre em movimento.
Oh, o meu soberbo alazão! É o paquiderme mais extraordinário da terra.
E mais do que cavalgar, surpreende, encanta, causa pavor o espetáculo
simples y puro de linhas e movimentos que este potro oferece quando
está parado numa gravitação impossível sobre a superficie inferior
de um plano suspenso no espaço. Não posso contemplá-lo sem sentir-me
alterado e fujir da sua presença, apavorado, como se a garganta fosse apunhalada.
É admirável! Assemelha-se a uma mosca varejeira, dessas que pousam 
nas vigas que equilibram os tetos humildes. Isto é maravilhoso!
É sublime e irracional!
Luís Urquizo fala e se entusiasma, o rosto fica marcado, como se jorrasse sangue,
os olhos úmidos. Ele treme, guilhotina as sílabas, solda e acende adjetivos; 
imita um ginete, ensaia algumas fintas, reforça em interjeções glaciais
as mais amplas insinuações da sua voz; gesticula, ergue o braço; ri é patético,
ridículo, se inspira e se contagia demencialmente.
E acrecenta:
- Vou-me embora - E saiu correndo, saltou o umbral da taberna e desapareceu.
- Coitado! - exclamaram em uníssono - Está completamente loco.
Na verdade, Urquizo estava desequilibrado. Não havia dúvida. O curso posterior
da sua conduta confirmou tudo isso. Aquele homem continuou vendo as coisas
pelo avesso, alterando tudo através dos cinco cristais baços dos seus sentidos enfermos. As pessoas de Cayna, o povoado onde habitava, fizeram dele o alvo
da curiosidade cruel e do divertimento cotidiano de adultos e crianças.

sábado, 28 de julho de 2012

foto: Juan Rulfo


Anos mais tarde, com a ausência de um tratamento oportuno,
agravou-se a sua demência de uma maneira quase mortal,
chegando ao mais truculento e edificante drama do homem
que sustém um triângulo de dois ângulos, que morde o cotovelo,
ri diante da dor e chora perante o prazer. Urquizo chegou a vagar
além das fendas eternas, onde correm para se agrupar na harmonia
e plenitude do som os sete matizes centrais da alma.
Entretanto, encontrei-o uma tarde. Desde que o vi, pouco antes de
cruzarmos, despertara na minha desabituada indulgência sobre
aquele desgraçado que, alem do mais, era meu primo em não sei
qual remota consanguinidade materna. Ao lhe ceder o caminho
para passar e saudá-lo, tropecei nas pedras da rua e enconstei
o meu braço no dele. Urquizo protestou indignado:
- Está louco?
A exclamação sarcástica do alienado fez me rir, e depois foi motivo 
de interrogações quando os mistérios da razão se transformam
em espinhos, estagnando no cerrado e tormentoso círculo
da lógica fatal entre os dois lados da cabeça.
Po que esta forma de indução em atribuir-me o descompasso
de parafusos que só ele possuía?
Com efeito, esse último sintoma transpassava já os limites da
alucinação sensorial. Isso era transcendente, sem dúvida,
já que representava nada menos do que um juízo,
o entrelaçamento de fios profundos, um lado da consciência.
Urquizo devia, pois, acredita nas suas capacidades,
estava perfeitamente seguro disso e, desde esse ponto de vista,
era eu o verdadeiro louco por ter esbarrado nele sem motivo.
Seguia esse plano de raciocínio que se denuncia em quase todos
os alienados, um plano que,por sua desconcertante ironia,
fere e escarnece dos órgãos mais cordatos até tirar-nos toda rédea mental
e varrer todos os ritos da vida.
Por isso, a surda exclamação do louco cravou-se de tal maneira
em minha alma, chegando a comover meu coração.  

foto: Juan Rulfo - detalhe


Luís Urquizo pertencia a uma familia numerosa da região.
Era muito querido pelos seus, que lhe prestavam todo quidado
a a assistência carinhosa. Certa vez, fiquei sabendo de algo
assustador. Todos os familiares de Urquizo que com ele conviviam,
estavam loucos também. E mais. Todos eram vítimas de uma
obsessão comum, de uma mesma ideia zoológica, grotesca, grave,
de um ridículo fenomenal: acreditavam que eram macacos,
 e assim viviam.
Minha mãe convidou-me uma noite para ir con ela saber noticias
dos parentes loucos. Não encontramos ninguém quando lá chegamos,
só a mãe de Urquizo que se distraia a mexer num monte de papeis sujos,
sob a lâmpada que pendia no centro da sala. Dado o isolamento e atraso
daquele povoado, que não tinha instituições de caridade nem polícia, 
os doentes saiam quando queriam para as ruas. Perambulavam, 
entravam nas casas, despertando sempre o riso e o pesar.
Ao nos ver, a mãe dos alienados ganiu agudamente, franziu as sobrancellas
com força e selvageria; continuou a vibrá-las para cima e para baixo, 
lançou com um gesto mecânico a folha de papel que manuseava e acocorou-se
sobre a cadeira com a rapidez infantil de um estudante que fica sério
diante do professor, escondeu os pés, dobrou os joelhos até a altura do tronco e,
nessa atitude, semelhante a uma múnia, esperou que entrássemos na casa
cravando os olhos - irrequietos, inexpressivos e selváticos - nas nossas
figuras, e naquela noite eles suplantaram assombrosamente os olhos
de um macaco, a boca revelava a ira. Minha mãe encostou-se a mim,
assustada e trêmula, e eu fui dominado por uma arrepiante sensação de espanto.
Mas não, sob a claridade da lâmpada, distinguimos naquela face perdida,
sob o cabelo que caia em crinas asquerosas até os olhos, começando logo
a franzir-se e mover-se sobre o miserável e esfarrapado tronco, virando-se
para os lados, como se estivesse sendo ajudada por forças invisíveis
ou por ruidos misteriosos produzidos nas barras metálicas de um parque.
A louca, como se prescindise de nós, começou a esfregar e a catar a barriga, as costas, os braços, triturando os parasitas com seus dentes amarelos.
Gania, às vezes, longamente e espreitava a sua volta, olhava a porta, 
como se fizesse uma advertência. Minha mãe, transcorridos alguns minutos
de espectativa e medo, fez-me um sinal para retroceder e abandonarmos a casa.
Este fato ocorreu há pelo menos vinte e três anos, até que, após ter vivido distante dos familiares por causa dos meus estudos em Lima, regressei um dia a Cayna,
a povoação que, além de solitária e distante, era como uma ilha para além
das montanhas ermas. O povoado arcaico de agricultores humildes, separados dos grandes centros civilizados do país por imensas e quase inacessíveis cordilheiras, vivia longos períodos de esquecimento e de absoluta falta de comunicação
com as outras cidades do Peru.
Devo chamar a atenção para a circunstância muito inquietante de não ter recebido
notícias da minha familia nos seis últimos anos em que estive ausente.
Minha casa situava-se quase a entrada do povoado.
Pairava um poente de maio - desses suaves e reflexivos poentes do leste peruano - sobre a cidade que, não sei por que razão, tinha naquela hora, na sua solidão e abandono exteriores, o ar de desgraça, o obstinado ar de abandono.
A falta de zelo e destruição transpareciam em toda parte. Não havia nem uma pessoa, a ao atravessar algumas esquinas os meus nervos enrijeceram-se, golpeados
por uma brusca impressão de ruína. Sem dar-me conta, estive à beira de chorar.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

foto: Juan Rulfo


O portão avermelhado e rústico da mansão surgiu
aberto de par em par. Apeei do cavalo e ofegando
de ternura desmedida, entorpecido por um presságio
emocional, acalmando o animal suado, avancei pelo
saguão adentro. Imediatamente, entre o ruído dos cascos,
ergueram-se do interior gritos dissonantes e guturais,
como se fossem doentes uivando no meio da fadiga
e do delirio.
Não sei explicar como surgiu em mim a sensação de
correntes pesadas acorrentando-me os pulsos
e os tornozelos até sangrar, mordendo-me ferozmente,
quando vi aquela matilha doméstica. A imagen antropoide
da mãe de Urquizo surgiu instantaneamente na memória,
e invadiu-me ao mesmo tempo um pressentimento maior
que as minhas forças, era uma espécie de certeza aziaga
de que minutos depois, teria o meu envolto pelas trevas.
Gritei alto.
Nada. Todas as portas da habitação estavam totalmente abertas.
Soltei as redeas do cavalo, vasculhei os corredores, os pátios, os quartos.
E novos grunhidos detiveram-me diante de uma escadaria que ascendia
ao aposento mais sombrio e elevado da casa. Espreitei.
Não sazia sentido.
Nenhum sinal de vida, nem um só animal doméstico.
Mãos insólitas deviam ter alterado com astuciosa mudança de gosto
e de todo o senso de ordem e comodidade, a distribuição usual
dos móveis e dos utensiliod do lugar.

foto: Juan Rulfo