segunda-feira, 19 de julho de 2010

PHILIP GUSTON / Retrospectiva / & 1 poema de Allen Guinsberg

Philip Guston no seu estudio de New Yorck 1956-57 - foto: Arthur Swoger

PHILIP GUSTON - Canadá 1913 - Estados Unidos 1980 / Começa a desenhar e pintar em 1927, aos 14 anos. Num período inicial é influenciado pelo Renascimento e pelos pintores Paolo Ucello, Andrea Mantegna e Piero della Francesca. Na figuração posterior, tentará uma integração do "espaço arquitetónico modelado" da Arte Renascentista, com o espaço geometrizado e sintético do Cubismo. Nos anos 30 adere ao Movimento Muralista Mexicano, sendo influenciado por David Alfaro Siqueiros. Começam a aparecer em seus quadros, as sinistras figuras encapuzadas da Ku Klux Klan. Nos anos 50 sua pintura é influenciada pelo Expressionismo Abstrato liderado por Jackson Pollock, de quem Guston fora companheiro de estudos na juventude. No final dos anos 60 se opera uma mudança radical na sua pintura, voltando para uma figuração expressionista, caricatural e política, fazendo participar nas suas composições de ferraduras, latões de lixo, e sapatos gastos, elementos dos comics e dos desenhos animados. Imagens surradas nos mostram tudo que vai sendo "excluído" na grande cidade. Gigantescas caricaturas pintadas com os materiais tradicionais da pintura: tela e tinta óleo, mas subvertendo a linguajem ao utilizar grafismos próprios dos quadrinhos charges e grafites. / "Pintar é voltar sempre a começar pelo principio, sendose, no entanto, incapaz de ignorar os argumentos habituais sobre o que te vês a pintar. A tela na qual se trabalha modifica as anteriores numa cadeia infindável, desconcertante, que parece nunca terminar" - Philip Guston

Retrato de Guston trabalhando num painel - New Yorck 1939

Pintura mural - México 1934

SUNDAY INTERIOR - 1941 óleo sobre tela - 96/5 x 61 cm

MARTIAL MEMORY - 1941 óleo sobre tela - 101/9 x 81/9 cm

DRAWING FOR BOMBARDMENT - 1936 lápiz sobre papel - 45 x 60/3 cm

CLOTHES INFLATION DRILL (Treinamento) - 1943 lápiz sobre papel - 57/2 x 73/7 cm

BOYS FIGHTING (estudo para mural) - 1938 lápiz de cor sobre papel - 38/9 x 33 cm

IF THIS BE NOT I - 1945 óleo sobre tela - 42/5 x 55/5

AMÉRICA / Allen Guinsberg / de "Uivo, Kaddish e outros poemas (1953-1960) / dedicado a: Jack Kerouac, novo Buda da prosa americana, que borrifou inteligência em onze livros escritos na metade deste número de anos (1951-1956) - criando uma prosódia bop espontânea e uma literatura clássica original. Varias frases e o título de Uivo são tirados dele. / William Seward Burroughs, autor de Naked Lunch, uma novela sem fim que deixará todo mundo louco. / Neal Cassady, autor de The First Third, uma autobiografia (1949) que iluminou Buda. / Todos esses livros estão publicados no Céu. / tradução: Cláudio Willer - L&PM 1984
América eu lhe dei tudo e agora não sou nada. / América dois dólares vinte e sete centavos 17 de janeiro, 1956. / América não agüento mais a minha própria mente. / América quando acabaremos com a guerra humana? / Vá se foder com sua bomba atómica. / Não estou legal não me encha o saco. / Não escreverei meu poema enquanto não me sentir legal. / América quando é que você será angelical? / Quando você tirará sua roupa? / Quando você se olhará através do túmulo? / Quando você merecerá seu milhão de trotskistas? / América por que suas bibliotecas estão cheias de lágrimas? / América quando você mandará seus ovos para a Índia? / Estou cheio das suas exigências malucas. / Quando poderei entrar no supermercado e comprar o que preciso / só com minha boa aparência? / América afinal eu e você é que somos perfeitos não o outro mundo. / Sua maquinaria é demais para mim. / Você me fez querer ser santo. Deve haver algum jeito de resolver isso. / Burroughs está em Tanger acho que ele não vai voltar mais isso é sinistro. / Estará você sendo sinistra ou isso é uma brincadeira?

sábado, 17 de julho de 2010

TALKING - 1979 óleo sobre tela - 174 x 198 cm

SAN CLEMENTE - 1975 óleo sobre tela - 172/7 x 186/1 cm

FROM THE PHLEBITIS SERIES - 1975 tinta sobre papel - 61 x 48/3 cm

PAINTER'S TABLE - 1973 óleo sobre tela - 196/2 x 228/6 cm

SLEEPING 1977 óleo sobre tela - 215/9 x 177/8 cm

Estou tentando entrar no assunto. / Recuso-me a abrir mão das minhas obsessões. / América pare de me empurrar sei o que estou fazendo. / América as pétalas das ameixeiras estão caindo. / Faz meses que não leio os jornais todo dia alguém é julgado / por assassinato. / América fico sentimental por causa dos Wobblies. / América eu era comunista quando criança e não me arrependo. / Fumo maconha toda vez que posso. / Fico em casa dias seguidos olhando as rosas no armário. / Quando vou ao Bairro Chinês fico bêbado e nunca consigo / alguém para trepar. / Eu resolvi vai haver confusão. / Você devia ter me visto lendo Marx. / Meu psicanalista acha que estou muito bem. / Não direi as Orações ao Senhor. / Eu tenho visões místicas e vibrações cósmicas. / América ainda não lhe contei o que você fez com Tio Max / depois que ele voltou da Russia.

TO I.B. - 1977 óleo sobre tela - 170/8 x 203/2 cm

sexta-feira, 16 de julho de 2010

HILLSIDE - 1980 acrílico e nanquim sobre papel - 58/4 x 73/7 cm

SKETCH BOOK - 1947 lápiz sobre papel - 57/2 x 73/7 cm

KETTLE - 1980 acrílico e nanquim sobre papel - 50/8 x 76/2 cm

caricatura de John Cage 1951 - lápiz

Eu estou falando com você. / Você vai deixar que sua vida emocional seja conduzida pelo / Time Magazine? / Estou obcecado pelo Time Magazine. / Leio-o toda semana. / Sua capa me encara toda vez que passo furtivamente pela confeitaria da esquina. / Leio-o no porão da Biblioteca Pública de Berkeley. / Está sempre me falando de responsabilidades. Os homens de / negócios são sérios. Os produtores de cinema são sérios. / Todo mundo é sério menos eu. / Passa pela minha cabeça que eu sou a América. / Estou de novo falando sozinho. / A Ásia ergue-se contra mim. / Não tenho nenhuma chance de chinês. / É bom eu verificar meus recursos nacionais. / Meus recursos nacionais consistem em dois cigarros de maconha / milhões de genitais uma literatura pessoal impublicável a 2.000 quilômetros por hora e conco mil hospícios. / Nem falo das minhas prisões ou dos milhões de desprivilegiados que vivem nos meus vasos de flores à luz de quinhentos sóis. / Aboli os prostíbulos de França, Tanger é o próximo lugar. / Ambiciono a Presidência apesar de ser Católico.

WINDOW - 1970 lápiz sobre papel - 45/7 x 53/3 cm

THE STREET - 1977 óleo sobre tela - 175/3 x 281/3 cm

BAD HABITS - 1970 óleo sobre tela - 185/5 x 198/2 cm

América como poderei escrever uma litania nesse seu estado de bobeira? / Continuarei como Henry Ford meus versos são tão individuais / como seus carros mais ainda todos têm sexos diferentes. / América eu lhe venderei meus versos a 2.500 dólares cada com / 500 de abatimento pela sua estrofe usada. / América liberte Tom Mooney / América salve os legalistas espanhóis. / América Sacco e Vanzetti não podem morrer / América sou os garotos de Scottsboro / América quando eu tinha sete anos minha mãe me levou a uma reunião da célula do Partido Comunista eles nos vendiam amendoins um bocado por um bilhete um bilhete por um centavo e todos podiam falar todos eram angelicais e sentimentais para com os trabalhadores era tudo tão sincero você não imagina que coisa boa era o Partido em 1935 Scott Nearing era um velho formidável gente boa mesmo Mãe Bloor me fazia chorar uma vez vi Israel Amsters cara a cara. Todo mundo devia ser espião.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

PAINTER'S FORMS II - 1978 óleo sobre tela - 190 x 274 cm

COUPLE IN BED - 1977 óleo sobre tela - 206 x 240 cm

SANDWICH - 1980 acrílico sobre papel - 50/8 x 76/2 cm

América na verdade você não quer ir à guerra. / América são eles os Russos malvados. / Os Russos os Russos e esses Chineses. E esses Russos. / A Rússia quer nos comer vivos. O poder da Rússia é louco. / Ela quer tirar nossos carros das nossas garagens. / Ela quer pegar chicago. Ela precisa um Reader's Digest vermelho. / Ela quer botar nossas fásbricas de automóveis na Sibéria. / A grande burocracia dela mandando em nossos postos de gasolina. / Isso é ruim. Ufa. Ela vai fazê os Índio aprendê vermelho. / Ela quer pretos bem grandes. Ela quer nos fazê trabalhá dezesseis horas por dia. Socorro

quarta-feira, 30 de junho de 2010

O RETRATO - FALADO

retrato-falado - lápiz

retrato falado - lápiz

retrato falado - lápiz

O PRIMEIRO RETRATO FALADO / Possivelmente ninguém tenha ouvido falar de Percy Legroy Mapleton. No entanto Mapleton como seu peculiar retrato ocupam um lugar de destaque na história da criminalistica e da investigação policial moderna. Ele ficou conhecido como o "assassino da ferrovia", apelido criado pela imprensa da época. Em 1881, Mapleton esteve envolvido na morte de duas pessoas enquanto viajava no trem que fazia o trajeto Londres- Brington. Apesar de interrogado varias vezes, não conseguiram provas para incriminá-lo e foi libertado. Pouco tempo depois um novo cadáver foi achado próximo a ferrovia, e novas pistas apontaram Mapleton como culpado. Foi distribuida uma descrição detalhada que foi publicada no "Daily Telegraph". Com a ajuda de um desenhista e de várias pessoas que conheciam Mapleton, fizeram um desenho com seu aspecto. Este foi o primeiro retrato-falado da história que foi estampado num cartaz com a chamada "Procura-se" e distribuido por toda a Inglaterra. O resultado não foi animador pois a grande espectativa mediática originada, fez com que centenas de Mapleton fossem vistos por todo o país. Finalmente ainda que não pelo retrato falado, Mapleton foi preso. Muito vaidoso e insatisfeito com a forma como aparecia no primeiro retrato-falado da história, preocupou-se de que o ilustrador encarregado de cobrir o julgamento o desenhase bem parecido, com aparência serena. Declarado culpado foi executado em 29 de novembro de 1881. O retrato-falado passou a fazer parte das investigações policiais por todo o mundo.

retrato falado - lápiz

Chuck Close - retrato - crayon sobre papel

Chuck Close - autorretrato

retrato-falado - lápiz

Chuck Close - retrato - crayon sobre papel

retrato falado - lápiz

Chuck Close

retrato-falado - computação gráfica

Chukc Close / retrato - crayon sobre papel

retrato-falado - lápiz

retrato falado - lápiz

retrato-falado - lápiz

computação gráfica

TECNOLOGIA FAZ O RETRATO-FALADO FICAR QUASE IGUAL A FOTOGRAFIA / A computação gráfica permite fazer um retrato-falado que se aproxima da realidade, aumentando as chances de reconhecimento. A maneira de fazer os retratos-falados mudou. Os desenhos se mantem, mas as figuras são quase fotográficas. A imagem colorida é montada a partir de um banco de dados da própria policia. O perito monta o retrato no computador, onde ele tem um arquivo com o biotipo tipicamente brasileiro. O primeiro passo é escolher o formato do rosto, depois são inseridos os olhos, o nariz e a boca. É feita a montagem e o aprimoramento, até se chegar o mais próximo possível do real. Antes disso, o retrato era feito a mão, por desenhistas. Com o banco de dados existentes no departamento de arte forense, fica muito mais fácil a pessoa bater o olho e reconhecer o suspeito. O desenho feito a mão não foi totalmente abandonado no trabalho de identificação. No departamento de investigações criminais de São Paulo, por exemplo, há quase 20 anos, trabalha um perito muito experiente que supera qualquer computador. Esse género de desenho, nunca foi valorizado como trabalho de arte, correspondendo mais a área técnica, e considerado como serviços prestados por un funcionário da polícia, e não por um artista plástico. No entanto, é necessário conhecer anatomia e posuir razoável prática na arte do desenho, conhecimentos próprios da formação do artista plástico, para se realizar um retrato convincente. A substituição do lápiz pela eletrónica, despersonaliza a técnica do retrato, embora facilite o reconhecimento. O pintor hiperreralista Chuck Close, tem utilizado a fotografia 3 X 4, relacionada com o retrato-falado e as fotos dos documentos de identidade, como base para a realização dos seus retratos gigantes em superficies de grandes dimensões que chegam a ultrapassar os 3 metros. No desenho imaginário de uma identidade, onde cobra destaque o fator psicológico, podemos perceber a habilidade do desenhista, qualidade esta que desaparece na computação, com a eliminação do desenho artesanal.

computação gráfica