segunda-feira, 19 de julho de 2010

DRAWING FOR BOMBARDMENT - 1936 lápiz sobre papel - 45 x 60/3 cm

CLOTHES INFLATION DRILL (Treinamento) - 1943 lápiz sobre papel - 57/2 x 73/7 cm

BOYS FIGHTING (estudo para mural) - 1938 lápiz de cor sobre papel - 38/9 x 33 cm

IF THIS BE NOT I - 1945 óleo sobre tela - 42/5 x 55/5

AMÉRICA / Allen Guinsberg / de "Uivo, Kaddish e outros poemas (1953-1960) / dedicado a: Jack Kerouac, novo Buda da prosa americana, que borrifou inteligência em onze livros escritos na metade deste número de anos (1951-1956) - criando uma prosódia bop espontânea e uma literatura clássica original. Varias frases e o título de Uivo são tirados dele. / William Seward Burroughs, autor de Naked Lunch, uma novela sem fim que deixará todo mundo louco. / Neal Cassady, autor de The First Third, uma autobiografia (1949) que iluminou Buda. / Todos esses livros estão publicados no Céu. / tradução: Cláudio Willer - L&PM 1984
América eu lhe dei tudo e agora não sou nada. / América dois dólares vinte e sete centavos 17 de janeiro, 1956. / América não agüento mais a minha própria mente. / América quando acabaremos com a guerra humana? / Vá se foder com sua bomba atómica. / Não estou legal não me encha o saco. / Não escreverei meu poema enquanto não me sentir legal. / América quando é que você será angelical? / Quando você tirará sua roupa? / Quando você se olhará através do túmulo? / Quando você merecerá seu milhão de trotskistas? / América por que suas bibliotecas estão cheias de lágrimas? / América quando você mandará seus ovos para a Índia? / Estou cheio das suas exigências malucas. / Quando poderei entrar no supermercado e comprar o que preciso / só com minha boa aparência? / América afinal eu e você é que somos perfeitos não o outro mundo. / Sua maquinaria é demais para mim. / Você me fez querer ser santo. Deve haver algum jeito de resolver isso. / Burroughs está em Tanger acho que ele não vai voltar mais isso é sinistro. / Estará você sendo sinistra ou isso é uma brincadeira?

sábado, 17 de julho de 2010

TALKING - 1979 óleo sobre tela - 174 x 198 cm

SAN CLEMENTE - 1975 óleo sobre tela - 172/7 x 186/1 cm

FROM THE PHLEBITIS SERIES - 1975 tinta sobre papel - 61 x 48/3 cm

PAINTER'S TABLE - 1973 óleo sobre tela - 196/2 x 228/6 cm

SLEEPING 1977 óleo sobre tela - 215/9 x 177/8 cm

Estou tentando entrar no assunto. / Recuso-me a abrir mão das minhas obsessões. / América pare de me empurrar sei o que estou fazendo. / América as pétalas das ameixeiras estão caindo. / Faz meses que não leio os jornais todo dia alguém é julgado / por assassinato. / América fico sentimental por causa dos Wobblies. / América eu era comunista quando criança e não me arrependo. / Fumo maconha toda vez que posso. / Fico em casa dias seguidos olhando as rosas no armário. / Quando vou ao Bairro Chinês fico bêbado e nunca consigo / alguém para trepar. / Eu resolvi vai haver confusão. / Você devia ter me visto lendo Marx. / Meu psicanalista acha que estou muito bem. / Não direi as Orações ao Senhor. / Eu tenho visões místicas e vibrações cósmicas. / América ainda não lhe contei o que você fez com Tio Max / depois que ele voltou da Russia.

TO I.B. - 1977 óleo sobre tela - 170/8 x 203/2 cm

sexta-feira, 16 de julho de 2010

HILLSIDE - 1980 acrílico e nanquim sobre papel - 58/4 x 73/7 cm

SKETCH BOOK - 1947 lápiz sobre papel - 57/2 x 73/7 cm

KETTLE - 1980 acrílico e nanquim sobre papel - 50/8 x 76/2 cm

caricatura de John Cage 1951 - lápiz

Eu estou falando com você. / Você vai deixar que sua vida emocional seja conduzida pelo / Time Magazine? / Estou obcecado pelo Time Magazine. / Leio-o toda semana. / Sua capa me encara toda vez que passo furtivamente pela confeitaria da esquina. / Leio-o no porão da Biblioteca Pública de Berkeley. / Está sempre me falando de responsabilidades. Os homens de / negócios são sérios. Os produtores de cinema são sérios. / Todo mundo é sério menos eu. / Passa pela minha cabeça que eu sou a América. / Estou de novo falando sozinho. / A Ásia ergue-se contra mim. / Não tenho nenhuma chance de chinês. / É bom eu verificar meus recursos nacionais. / Meus recursos nacionais consistem em dois cigarros de maconha / milhões de genitais uma literatura pessoal impublicável a 2.000 quilômetros por hora e conco mil hospícios. / Nem falo das minhas prisões ou dos milhões de desprivilegiados que vivem nos meus vasos de flores à luz de quinhentos sóis. / Aboli os prostíbulos de França, Tanger é o próximo lugar. / Ambiciono a Presidência apesar de ser Católico.

WINDOW - 1970 lápiz sobre papel - 45/7 x 53/3 cm

THE STREET - 1977 óleo sobre tela - 175/3 x 281/3 cm

BAD HABITS - 1970 óleo sobre tela - 185/5 x 198/2 cm

América como poderei escrever uma litania nesse seu estado de bobeira? / Continuarei como Henry Ford meus versos são tão individuais / como seus carros mais ainda todos têm sexos diferentes. / América eu lhe venderei meus versos a 2.500 dólares cada com / 500 de abatimento pela sua estrofe usada. / América liberte Tom Mooney / América salve os legalistas espanhóis. / América Sacco e Vanzetti não podem morrer / América sou os garotos de Scottsboro / América quando eu tinha sete anos minha mãe me levou a uma reunião da célula do Partido Comunista eles nos vendiam amendoins um bocado por um bilhete um bilhete por um centavo e todos podiam falar todos eram angelicais e sentimentais para com os trabalhadores era tudo tão sincero você não imagina que coisa boa era o Partido em 1935 Scott Nearing era um velho formidável gente boa mesmo Mãe Bloor me fazia chorar uma vez vi Israel Amsters cara a cara. Todo mundo devia ser espião.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

PAINTER'S FORMS II - 1978 óleo sobre tela - 190 x 274 cm

COUPLE IN BED - 1977 óleo sobre tela - 206 x 240 cm

SANDWICH - 1980 acrílico sobre papel - 50/8 x 76/2 cm

América na verdade você não quer ir à guerra. / América são eles os Russos malvados. / Os Russos os Russos e esses Chineses. E esses Russos. / A Rússia quer nos comer vivos. O poder da Rússia é louco. / Ela quer tirar nossos carros das nossas garagens. / Ela quer pegar chicago. Ela precisa um Reader's Digest vermelho. / Ela quer botar nossas fásbricas de automóveis na Sibéria. / A grande burocracia dela mandando em nossos postos de gasolina. / Isso é ruim. Ufa. Ela vai fazê os Índio aprendê vermelho. / Ela quer pretos bem grandes. Ela quer nos fazê trabalhá dezesseis horas por dia. Socorro

quarta-feira, 30 de junho de 2010

O RETRATO - FALADO

retrato-falado - lápiz

retrato falado - lápiz

retrato falado - lápiz

O PRIMEIRO RETRATO FALADO / Possivelmente ninguém tenha ouvido falar de Percy Legroy Mapleton. No entanto Mapleton como seu peculiar retrato ocupam um lugar de destaque na história da criminalistica e da investigação policial moderna. Ele ficou conhecido como o "assassino da ferrovia", apelido criado pela imprensa da época. Em 1881, Mapleton esteve envolvido na morte de duas pessoas enquanto viajava no trem que fazia o trajeto Londres- Brington. Apesar de interrogado varias vezes, não conseguiram provas para incriminá-lo e foi libertado. Pouco tempo depois um novo cadáver foi achado próximo a ferrovia, e novas pistas apontaram Mapleton como culpado. Foi distribuida uma descrição detalhada que foi publicada no "Daily Telegraph". Com a ajuda de um desenhista e de várias pessoas que conheciam Mapleton, fizeram um desenho com seu aspecto. Este foi o primeiro retrato-falado da história que foi estampado num cartaz com a chamada "Procura-se" e distribuido por toda a Inglaterra. O resultado não foi animador pois a grande espectativa mediática originada, fez com que centenas de Mapleton fossem vistos por todo o país. Finalmente ainda que não pelo retrato falado, Mapleton foi preso. Muito vaidoso e insatisfeito com a forma como aparecia no primeiro retrato-falado da história, preocupou-se de que o ilustrador encarregado de cobrir o julgamento o desenhase bem parecido, com aparência serena. Declarado culpado foi executado em 29 de novembro de 1881. O retrato-falado passou a fazer parte das investigações policiais por todo o mundo.

retrato falado - lápiz

Chuck Close - retrato - crayon sobre papel

Chuck Close - autorretrato

retrato-falado - lápiz

Chuck Close - retrato - crayon sobre papel

retrato falado - lápiz

Chuck Close

retrato-falado - computação gráfica

Chukc Close / retrato - crayon sobre papel

retrato-falado - lápiz

retrato falado - lápiz

retrato-falado - lápiz

computação gráfica

TECNOLOGIA FAZ O RETRATO-FALADO FICAR QUASE IGUAL A FOTOGRAFIA / A computação gráfica permite fazer um retrato-falado que se aproxima da realidade, aumentando as chances de reconhecimento. A maneira de fazer os retratos-falados mudou. Os desenhos se mantem, mas as figuras são quase fotográficas. A imagem colorida é montada a partir de um banco de dados da própria policia. O perito monta o retrato no computador, onde ele tem um arquivo com o biotipo tipicamente brasileiro. O primeiro passo é escolher o formato do rosto, depois são inseridos os olhos, o nariz e a boca. É feita a montagem e o aprimoramento, até se chegar o mais próximo possível do real. Antes disso, o retrato era feito a mão, por desenhistas. Com o banco de dados existentes no departamento de arte forense, fica muito mais fácil a pessoa bater o olho e reconhecer o suspeito. O desenho feito a mão não foi totalmente abandonado no trabalho de identificação. No departamento de investigações criminais de São Paulo, por exemplo, há quase 20 anos, trabalha um perito muito experiente que supera qualquer computador. Esse género de desenho, nunca foi valorizado como trabalho de arte, correspondendo mais a área técnica, e considerado como serviços prestados por un funcionário da polícia, e não por um artista plástico. No entanto, é necessário conhecer anatomia e posuir razoável prática na arte do desenho, conhecimentos próprios da formação do artista plástico, para se realizar um retrato convincente. A substituição do lápiz pela eletrónica, despersonaliza a técnica do retrato, embora facilite o reconhecimento. O pintor hiperreralista Chuck Close, tem utilizado a fotografia 3 X 4, relacionada com o retrato-falado e as fotos dos documentos de identidade, como base para a realização dos seus retratos gigantes em superficies de grandes dimensões que chegam a ultrapassar os 3 metros. No desenho imaginário de uma identidade, onde cobra destaque o fator psicológico, podemos perceber a habilidade do desenhista, qualidade esta que desaparece na computação, com a eliminação do desenho artesanal.

computação gráfica

quarta-feira, 23 de junho de 2010

ALLEN GINSBERG / Retratos Geração Beat

Capa do livro "Allen Ginsberg - Fotógrafias" / California USA - 1990

O LADO SOMBRIO DO SONHO / A Geração Beat, significou a rebeldia de um grupo de poetas e escritores norteamericanos, contra o obscurantismo, oculto por detras do chamado "Sonho Americano" do pos-guerra, que o escritor Henry Miller denominou de "pesadelo com ar condicionado". Estes escritores, que reivindicaram a poesia do bardo Walt Witman, um dos alicerces da América, adotaram um comportamento de total oposição aos valores impostos pela sociedade americana do pos-guerra, onde se preconizava um paraiso terrenal baseado no bem estar proporcionado pelas máquinas, e publicitado como "modelo" para otros países da América e do mundo. Um mundo ainda em ruinas. É na obra de Allen Ginsberg cuja análise é sempre crítica e polémica, que podemos ler com clareza, a impressão que essa geração tinham do país que a cercava. A América que emergia, estava sendo "arquitetada" por idéias que nos remontam ao século XIX, a teoria imperialista do chamado "Destino Manifesto", 100 anos antes do Nazi-Fascismo, e que expressa a disparatada crença, de que o povo dos Estados Unidos da América é eleito por Deus para comandar o mundo. Por isso o expansionismo americano, é apenas o cumprimento da vontade divina. Uma frase de propaganda política , o "Destino Manifesto" se tornou um termo histórico padrão, frequentemente usado como sinónimo para expansão territorial dos EUA O uso formal destas doutrinas deixou de ser usado oficialmente desde 1850 até 1880, quando foi então reivindicado e passou a ser usado novamente por políticos norteamericanos como uma justificativa para o expansionismo fora das Américas. O presidente James Buchanan, no discurso de sua posse em 1857, deixou bem clara a determinação do dominio, disse: "A expansão dos Estados Unidos sobre o Continente Americano, desde o Ártico até a América do Sul, é o destino da nossa raça, e nada pode detê-la" Em 2004, o general Colin Powell, secretário de estado do governo Bush, reforçou num de seus discursos a mesma determinação, disse: "O nosso objetivo principal com a Alca, é garantir para as empresas norteamericanas o controle de um território que vai do Pólo Àrtico até a Antártida". / Temas citados no index da pesquisa Google: "O exterminio dos povos indígenas da América do Norte" / "O sentimento de superioridade racial" / "A América para os americanos (os estado unidenses) / "A invasão do Texas" / "A guerra do México e a anexação dos territórios da California, Novo México, Nevada, Arizona e Utah" / "Abertura forçada do mercado do Japão" / "A invasão da Nicaragua" / "A anexação do Hawaii" / "O canal do Panamá e a liberdade do povo panamenho" / "Os donos do Brasil" / "A publicidade a serviço do dominio" / "O uso do cinema" / "A preparação para a invasão" / "A eclosão de golpes de estado por toda a América" / "As economias implodidas" _____________________________________________________________________ A imprensa americana ironizou e ridicularizou os poetas beat, como sendo um bando de marginais. Numa entrevista concedida pelo Kerouac para a TV, o entrevistador faz um trocadilho entre a palavra "Beat"e"Sputnik", nave espacial soviética, lançada nesse tempo, sugerindo que eles não eram verdadeiros americanos. _____________________________________________________________________ O termo "Geração Beat" foi introducido por Kerouac em 1948 para caracterizar o submundo da juventude anti-conformista reunida em Nova Iorque naquele tempo. O nome surgiu numa conversa com o novelista John Holmes, que publicara um romance sobre a geração beat "Go" (1952), junto com um manifesto no The New York Times: "The Beat Generation". Beat fazia parte do calão do submundo dos vigaristas, toxicodependentes, e pequenos ladrões, onde Ginsberg e Kerouac procuraram inspiração. Beat era o calão para "beattemdown" ou "dowtroden", ambas expressões que podem significar oprimido, rebaixado, espezinhado. Mas para Kerouac tinha uma conotação espiritual de "beatifico". Kerouac alegou que tinha identificado (e incorporado) uma nova tendência análoga e influente a chamada Geração Perdida de Hemingway e Scott Fitgerald. em "Aftermath: the philosophy of the beat generation", Kerouac criticou o que ele acreditava ser a distorção das suas idéias, disse: A Beat Generation, que foi uma visão que nos, John Clellon Holmes, eu e Allen Ginsberg tivemos, numa maneira ainda selvagem no final dos anos 40, de uma geração de loucos iluminados hipters, fez subitamente a América ascender e avançar seriamente a vadiar e a pedir boleia em todo o lado. "Esfarrapada, beatificada, bonita de uma forma graciosamente feia. Beat significa: "em baixo" e "de fora", mas cheio de uma covicção intensa. Nunca quis dizer delinquentes juvenis. Beat, significa: "caracteristicas de uma espiritualidade especial que não agia em conjunto. Eram solitários olhando para fora da parede nua da nossa civilização". "A Geração Beat inclui qualquer pessoa de quince a cinquenta anos que se interessa por tudo. É bom lembrar que não somos boêmios. A Geração Beat é basicamente uma geração religiosa. Beat significa beatitude e não é um sentimento de fracasso. É fácil perceber isso. Está no ritmo do jazz, está no rock em plena rua." / Jack Kerouac

foto: Ansel Adams

Jack Kerouac - 1953

JEAN-LOUIS LEBRIS KEROUAC 1922-1969 / De origem franco-canadense. Devido as dificuldades económicas por que passava a sua familia, Kerouac decide fazer parte do time de futebol americano do colégio para tentar uma bolsa de estudos, e consegue entrar na Universidade de Columbia, em Nova Iorque. Devido a um acidente que o imposibilita de continuar jogando por alguns meses, começa a passar mais tempo frequentando a biblioteca da Universidade, tendo seu primeiro contato com autores que viriam a influenciar a sua obra, como Céline, Tom Wolfe, e Jack London. Não se ajustando a marinha de guerra, passou algum tempo na marinha mercante, se tornando um "escritor viajante". Na Universidade conhece Ginsberg, William Burroughs e Neal Cassady, chamado o "cowboy", que se tornaria seu companheiro de viagens. Cassady é o personagem principal de "On The Road". Kerouac revolucionou a forma, escrevendo compulsivamente, com grande rigor, sem alterações de vírgulas ou pontos, em rolos de papel de mimeógrafo. Uma especie de "manga" literária. Com Neal Cassady viajaram por sete anos percorrendo a rota 66, que anos mais tarde se tornaria a série televisiva do mesmo nome, que atravessa os EUA na direção leste-oeste, com descidas frequentes ao México. No verão de 1953 Kerouac envolveu-se com uma moça negra, que o levou em 1958, a escrever em três dias e três noites, o romance "Os Subterráneos". Nos períodos entre as suas viagens, foi guardafreios de ferrocarril e guarda forestal. Nos últimos anos da sua vida, prêso ao alcoolismo que acabou por matá-lo, recluido e morando com a mãe, Kerouac morreu na Flórida, em 1969, aos 47 anos, de hemorragia intestinal provocada por sirrose. ___________________________________________________________ A essencia da filosofia de vida de Kerouac, expressa nos seus relatos, assim como a do poeta Gary Snyder, retratado em "Os Vagabundos Iluminados" como Japhy Ryder, está relacionada ao termo "beat", utilizado com ironia pela imprensa comercial norteamerica, mas que para Kerouac tinha conotações religiosas. A convicção de que o homem é capaz de alcançar um nível espiritual, que o leve a transformar o mundo.______________________________________________________ Escritores e poetas que participaram da Geração Beat: Alan Ansen 1922 - 2006 / Paul Bowles 1910 - 1999 / Bill Cannastra 1922 - 1950 / Lucien Carr 1925 - 2005 / Neal Cassady 1926 - 1968 / Carolyn Cassady 1923 / Elise Cowen 1933 - 1962 / Henki Cru 1921 - 1992 / Diane Di Prima 1934 / Kirby Doyle 1932 - 2003 / Robert Duncan 1919 - 1988 / Joyce Glassman 1935 / Joan Haverty 1931 - 1990 / Leane Henderson 1930 / John Clellon Holmes 1926 - 1988 / Herbert Huncke 1915 - 1996 / Ted Joans 1928 - 2003 / David Kammerer 1911 - 1944 / Leonore Kandel 1932 - 2009 __________________________________________

Autorretrato de Ginsberg junto a Gregory Corso - anos 50

ALLEN GINSBERG 1926-1997 / A infáncia de Ginsberg foi complicada pelo comportamento psicótico da mãe, mulher acossada por pesadelos de perseguição. Descobre a poesia ao ingressar na Universidade de Columbia, onde conhece Jack Kerouac e faz amizade com um grupo de "jovens delinquentes", filósofos de comportamente rebelde e obcecados por drogas, sexo e literatura. Passa a freqüentar os bares gays do Greenwich Village. Aos 29 anos, passa por tratamente psiquiátrico. Em 1955, ganhou popularidade com seu poema "Howl" (Uivo), o livro de poesia mais vendido na história dos EUA, (milhão de exemplares em pouco tempo), sendo seguido por varios poemas importantes como "Kaddish", onde descreve a loucura da mãe. No inicio dos anos 60, aparece aderindo ao movimento Hippie, ajudando Timothy Leary a divulgar o LSD, e participando de recitais coletivos de poesia onde se misturavam vehementes protestos contra a guerra do Vietnã e salmos budistas. Disse: "Quem quer que controle a midia, as imagens, controla a cultura..."
MORTE À ORELHA DE VAN GOGH! / "O canto de dinheiro das saboneteiras - macacos de pasta de dentes nos televisores - desodorantes em cadeiras hipnóticas - // atravessadores de petróleo no Texas - aviões a jato riscando as nuvens - // escritores do céu mentirosos diante da Divindade - açougueiros de afiados dentes com chapéus e sapatos, todos Proprietários! Proprietários! Proprietários! com obsessão de propriedade do Ego evanescente! // e seus longos editoriais tratando friamente o caso no negro que berra atacado por formigas pulando para fora da primeira página! // Maquinaria de um sonho elétrico de massas! A Prostituta da Babilônia criadora de guerras vociferando com Capitólios e Academias! // Dinheiro! Dinheiro! Dinheiro! dinheiro celestial da ilusão berrando loucamente! Dinheiro feito de nada, fome, suicídio! Dinheiro do fracasso! Dinheiro da morte! // Dinheiro contra a Eternidade! e os fortes moinhos da eternidade trituram o imenso papel da Ilusão!" ALLEN GINSBERG - de: "Kaddish e outros poemas" - París 1958 -1960 / fragmento - tradução: Cláudio Willer

o poeta Peter Orlovsky retratado por Robert La Vigne - 1955

PETER ANTON ORLOVSKY 1933-2010 / Filho de Katherine Schwarten e Oleg Orlovsky, um imigrante russo. Teve que abandonar a escola no seu último ano para sustentar a sua familia pobre. Depois de tentar varios empregos, ele começou a trabalhar no hospital psiquiátrico Creedmok. Em 1953, aos 19 anos, foi convocado para a guerra da Koréia. Psiquiatras do exército, ordenaram sua transferência para trabalhar como médico num hospital de São Francisco. Conhece Ginsberg em 1954, enquanto trabalhava como modelo para o pintor Robert La Vigne, quem o incentiva a escrever. Acompanhado de outros escritores beat, Orlovsky viajou por varios anos pelo Oriente Medio, Norte da África e Europa. Seu trabalho apareceu em "The American Poesia - 1945/1960" "Antologia Beatitude" - 1965 / É em três filmes de Andy Wahroll, e mais dois filmes produzidos pelo fotógrafo Robert Frank. Em "Eu e meu irmão" de 1969 Frank documenta a doença mental de Julius, seu irmão. Orlovsky ficou conhecido pelo seu relacionamento com Ginsberg, de quem foi companheiro durante 30 anos. Morreu em Vermont em 30 de maio de 2010

terça-feira, 22 de junho de 2010

William Burroughs - 1984

WILLIAM BURROUGHS 1914-1997 / Escritor e pintor. / A maior parte da sua obra tem caráter biográfico. Autor de "Almoço Nú", a sua obra mais conhecida, seguida de "Yunkie". Burroughs utilizou uma linguagem proveniente do uso constante de drogas alucinógenas, criando climas fantásticos nas suas narrativas. Foi um pioneiro da literatura experimental, sendo visto como um gurú da contracultura, e do uso de drogas, rumo seguido pela maioria dos integrantes da chamada Geração Beat. Considerado um "fora da lei" da literatura contemporánea, inaugurou uma nova forma de escrever. É o inventor do termo "heavy-metal". Quando menino estudou numa escola para garotos no México, é em 1936 graduou-se em Harvard. durante um período Burroughs foi morar na Alemanha. Nesta época esteve em contato com o nazismo de Hitler, e começa a se interessar pelos mecanismos de controle do Estado sobre seus cidadãos, uma das problemáticas presentes na sua obra, e sobre a qual escreveria: "desde o começo eu tenho me preocupado, em quanto escritor, com o vicio em si (seja a droga, sexo, dinheiro ou poder) como um modelo de controle... Burroughs era homosexual e viciado em morfina, e seu estilo de vida era incomum para a época. Ao morar em Chicago conheceu Jack Kerouac, o primeiro a incentiva-lo a escrever. Em 1951, a sua esposa Joan, foi morta pelo próprio Burroughs durante uma bebedeira, brincando de acertar um tiro num copo acentado na sua cabeça. "Almoço Nú", onde relata a sua experiência com diversas drogas foi escrito durante as suas viagens pela América Latina e o Marrocos, apos a morte da sua esposa. Numa destas viagens, no México, conheceu o peyote, potente alucinógeno utilizado pelos indios. "Almoço Nú", foi proibido nos EUA por ser considerado "obceno", e reivindicado mais tarde como uma importante obra literária. Burroughs aparece na capa do album Sto,. Pepper"s Lonely Heats Club Band, dos The Beatles, e participou de outros albuns recitando poemas, junto aos compositores Frank Zappa, John Cage e Philip Glass. William Burroughs morreu em 1997 de ataque cardíaco.

Retrato de Paul Bowles - Marrakesh 1961

Retrato de Nicanor Parra - no metrô de Nova Iorque 1984

MEDITAÇÃO PELA PEDRA / A humanidade ao certo agüenta / muita realidade / O tal "monstrinho afoito / humalnidade" / também a agüenta / A mulherdade também / Cada variedade também / de barro e criatura / As árvores também a agüentam / após as folhas debandarem / após os pássaros passarem / "altares ermos em ruinas" bem como pedras / Todos agüentam o "duro fardo da criação" / como nós / moldados em barro aterrados de pedra / Mestres do êxtase / LAWRENCE FERLINGHETTI - de 'Olho e peito Abertos" 1973 - Tradução: Nelson Ascher - Editora Brasiliense 1984