segunda-feira, 2 de abril de 2012

Vincent Van Gogh - "A ronda dos prisioneiros" - óleo 1890 - (interpretação de uma gravura de Gustavo Doré)


tantos séculos faz já
que nasci emparedado,
que me esquecí do mundo,
de como canta a árvore,
da paixão que escende
o amor nos labios,
se as portas estão sem chaves
e outras mãos, sem pregos!
eu acredito já que tudo
- fora do sonho - é um quintal


Um quintal sob um céu
de cova, desgarrado,
que esfaqueiam e limitam
muros e pára-raios.


Já nem o sonho me leva
rumo a meus anos livres.
Já tudo, tudo, tudo
- até o sonho - é um quinta.
Um quintal onde gira
meu coração, pregado;
meu coração nu;
meu coração clamando;
meu coração, que tem
a forma gris de um quintal.


um quintal onde giram
os homens sem descanso
tradução: Eliseo Escobar

MARCOS ANA - Campanha pela anistia dos presos políticos espanhois durante a ditadura franquista - Japão


MARCOS ANA - Campanha pela anistia dos presos políticos espanhois durante a ditadura franquista - Inglaterra


Atlas da Guerra Civil Espanhola - Estatísticas sobre os mortos na guerra e vítimas da repressão.


Atlas da Guerra Civil Espanhola - João Miró - Cartaz solicitando ajuda para a Repúbica Espanhola


MARCOS ANA - Campanha mundial pela anistia dos presos políticos espanhois durante a ditadura franquista - Suiça


ROMANCE DAS DOZE MENOS UM QUARTO
(Noite velha na prisão de Burgos)


Camaradas, as doze,
todos os pulsos na hora;


Que soem como os sinos
em um sino, somente;
que fundam os corações
num coração e todos
os galhos do pulso sejam
árvores de luz na sombra.


Amigos, todos de pé:
sobre as montanhas vermelhas
de nosso sangue sem pulsos,
a voz erguida na boca.
Se alguém sentisse que tem
as asas do pulso rotas,
que as repare! as doze
todos os pulsos na hora





Atlas da Guerra Civil Espanhola - Voluntários das Brigadas Internacionais


Atlas da Guerra Civil Espanhola - Cartaz de propaganda do Partido Obrero de Unificación Marxista


quinta-feira, 29 de março de 2012

ouvi arrieiros da Alba!
ouvi pastores da aurora!
para conduzir o dia
com dura canção de rios;
que nas mãos criadoras
vão firmes as bengalas;
ir apartando as horas
derrubando a esfera
onde o tempo nos destroça.
tem que fazer nós a alma,
deixar pegadas nas rochas
esconder a espuma, o junco.
a breve luz das folhas
onde se dorme a lua...

Atlas da Guerra Civil Espanhola

Atlas da Guerra Civil Espanhola

Ser carvão vertiginoso,
pedra viva. monte o rio,
coração de cada coisa!
Camaradas, as doze
todos os pulsos em hora
se areia tem os teus;
se há gretas na tus voz, já rouca
de bater contra o muro;
amigo, se desfaleces
como uma erva apagada,
bebe na artéria sonora
de tua bandeira, na ferida
de teu povo, em cada pingo
de seu sangue fusilado.
desperta o raio dormido
que em teu coração repousa

Capa de antologia - Buenos Aires, Argentina 1963

MARCOS ANA - cartaz do pintor Juan Carlos Castagnino, anunciando 0 grande ato de acolhida ao poeta no ginásio Luna Park de Buenos Aires - 1963

Cartaz dos plásticos argentinos homenageando Marcos Ana, com motivo da sua passagem por Buenos Aires, Argentina em 1963

Camaradas, as doze,
todos os pulsos en hora;

Almas de aço incendiado
que ao mesmo vento rebolas
forjam o dia na bigorna
da dor, com forte aroma
de amanheceres que ninguém
poderá nos arrancar. não há tromba
de paredões, nem balas
nem foguetes, nem cordas
capaz de nos fazer de bois;
nosso pescoço não se dobra

olhai aqui, olhai para nos,
enquanto os muros soluçam,
cruzar o ano cantando,
rompendo a noite espanhola,
acariciando os ombros
dum crepúsculo sem costa.
olhai aqui, olhai para nos,
enquanto os muros soluçam,
sempre em pé, sem joelhos,
como carvalhos de gloria

camaradas, as doze,
todos os pulsos em hora.

tradução: Eliseo Escobar

MARCOS ANA - México 1960 - primeira edição dos "Poemas do Cárcere" com capa de Pablo Picasso