NA MINHA VIDA
Existem lugares de que me lembrarei
Por toda a minha vida embora tenham mudado
Mudaram para sempre mas não para melhor
Alguns se foram e alguns ficaram
Todos esses lugares tiveram seus momentos
Com amantes e amigos
De que ainda me recordo
Alguns estão mortos e alguns estão vivos
Na minha vida eu os amei todos...
Eu sei que muitas vezes
Vou parar para pensar neles
Na minha vida amarei mais você
Lennon e McCartney
John Lennon - Liverpool, Inglaterra 1940 - New York, Estados Unidos 1980
Paul McCartney - Liverpool, Inglaterra 1942
O propósito deste blog é o de mostrar o trabalho do ilustrador,independente das regras impostas pelo mercado,nas quatro disciplinas praticadas por mim, em diferentes momentos e veículos: A Caricatura na Imprensa,A Ilustração na Imprensa,A Ilustração Editorial e O Poema Ilustrado. Também são mostradas modalidades diferentes das mesmas propostas como: Montagens das exposições e a revalorização do painel mural, através das técnicas de reprodução digital em baner.
terça-feira, 6 de agosto de 2019
PROPOSTAS GRÁFICAS - O POEMA ILUSTRADO - WILLIAM BLAKE
PROVERBIOS DEL INFIERNO
Conduce tu carro y tu arado sobre los huesos
de los muertos.
La Prudencia es una vieja solterona rica y fea
cortejada por la Incapacidad.
Aquel que desea pero no obra, engendra peste.
Jamás se convertirá en estrella aquel cuyo rostro
no irradie luz.
Los únicos alimentos sanos son aquellos que no prende
la red ni el cepo.
Un cuerpo muerto no venga las injurias.
Villanía, máscara de la astucia.
Las prisiones están construidas con piedras de la Ley;
los burdeles con piedras de la Religión.
La desnudez de la mujer es la obra de Dios.
El pájaro, un nido, la araña, una tela; el hombre,
la amistad.
El necio egoísta y sonriente, y el necio triste y ceñudo
serán tenidos por sabios y servirán de norma.
Está pronto a decir siempre tu opinión, y el ruin te evitará.
Del agua estancada espera veneno.
El débil en valor es fuerte en astucia.
Así como la oruga elige las hojas mas hermosas
para poner sus huevos, el sacerdote deposita
su maldición sobre los mejores goces.
Como el aire al pájaro o el agua al pez, así el desprecio
al despreciable.
El hombre ausente, la naturaleza estéril.
William Blake
William Blake
Londres, Inglaterra 1757-1827
Conduce tu carro y tu arado sobre los huesos
de los muertos.
La Prudencia es una vieja solterona rica y fea
cortejada por la Incapacidad.
Aquel que desea pero no obra, engendra peste.
Jamás se convertirá en estrella aquel cuyo rostro
no irradie luz.
Los únicos alimentos sanos son aquellos que no prende
la red ni el cepo.
Un cuerpo muerto no venga las injurias.
Villanía, máscara de la astucia.
Las prisiones están construidas con piedras de la Ley;
los burdeles con piedras de la Religión.
La desnudez de la mujer es la obra de Dios.
El pájaro, un nido, la araña, una tela; el hombre,
la amistad.
El necio egoísta y sonriente, y el necio triste y ceñudo
serán tenidos por sabios y servirán de norma.
Está pronto a decir siempre tu opinión, y el ruin te evitará.
Del agua estancada espera veneno.
El débil en valor es fuerte en astucia.
Así como la oruga elige las hojas mas hermosas
para poner sus huevos, el sacerdote deposita
su maldición sobre los mejores goces.
Como el aire al pájaro o el agua al pez, así el desprecio
al despreciable.
El hombre ausente, la naturaleza estéril.
William Blake
William Blake
Londres, Inglaterra 1757-1827
PROPOSTAS GRÁFICAS - O POEMA ILUSTRADO - VLADIMIR MAIAKOVSKY
MARCHA DE IZQUIERDA
Desplieguen la marcha!
No es hora de frases altisonantes.
Silencio, oradores!
Tiene la palabra,
el camarada máuser.
Basta de vivir con leyes,
legadas por Adán y Eva.
Empujaremos el matungo de la historia,
con la,
Izquierda!
Izquierda!
Izquierda!
Eh, blusas azules!
Crucen los océanos!
O es que los acorazados,
tienen ya chatas las quillas?
Dejen que las coronas protesten,
y se alce el rugido del león Británico.
La Comuna no será sometida
Izquierda!
Izquierda!
Izquierda!
Vladimiro Maiakovski
Vladimiro Maiakovski
Baghdati, Geórgia 1893 - Moscou, Rússia 1930
Desplieguen la marcha!
No es hora de frases altisonantes.
Silencio, oradores!
Tiene la palabra,
el camarada máuser.
Basta de vivir con leyes,
legadas por Adán y Eva.
Empujaremos el matungo de la historia,
con la,
Izquierda!
Izquierda!
Izquierda!
Eh, blusas azules!
Crucen los océanos!
O es que los acorazados,
tienen ya chatas las quillas?
Dejen que las coronas protesten,
y se alce el rugido del león Británico.
La Comuna no será sometida
Izquierda!
Izquierda!
Izquierda!
Vladimiro Maiakovski
Vladimiro Maiakovski
Baghdati, Geórgia 1893 - Moscou, Rússia 1930
PROPOSTAS GRÁFICAS - O POEMA ILUSTRADO - ALLEN GINSBERG
AMÉRICA
América eu te dei tudo e agora não sou nada
América dois dólares e vinte e sete centavos
17 de janeiro de 1956
América não agüento mais minha própria mente
América quando acabaremos com a guerra humana?
vá se foder com sua bomba atômica
Não estou legal não me encha o saco
Não escreverei meu poema enquanto não me sentir legal
América quando é que você será angelical?
Quando você tirará sua roupa?
Quando você se olhará através do túmulo?
Quando você merecerá seu milhão de trotskistas?
América por que suas bibliotecas estão
cheias de lágrimas?...
Allen Ginsberg
Allen Ginsberg
Nova Jersey, Estados Unidos 1926 - New York, Estados Unidos 1997
América eu te dei tudo e agora não sou nada
América dois dólares e vinte e sete centavos
17 de janeiro de 1956
América não agüento mais minha própria mente
América quando acabaremos com a guerra humana?
vá se foder com sua bomba atômica
Não estou legal não me encha o saco
Não escreverei meu poema enquanto não me sentir legal
América quando é que você será angelical?
Quando você tirará sua roupa?
Quando você se olhará através do túmulo?
Quando você merecerá seu milhão de trotskistas?
América por que suas bibliotecas estão
cheias de lágrimas?...
Allen Ginsberg
Allen Ginsberg
Nova Jersey, Estados Unidos 1926 - New York, Estados Unidos 1997
PROPOSTAS GRÁFICAS - O POEMA ILUSTRADO - ROBERT BLY
FUGINDO, ÀS PRESSAS, DA TERRA
Os pobres, os aturdidos e os idiotas
Estão conosco: vivem no ataúde do sol
E no esquife da lua, enquanto eu saio esta noite
Vendo-a rodar seu escuro carrinho de mão
Por todas as várzeas do céu
E as estrelas se alçando inexoravelmente.
Negra lua! Sinistras lágrimas!
Sombra dos cortiços e dos triunfantes mortos!
Alguns homens perfuraram o peito com uma extensa agulha
A fim de que seus corações cessassem de bater.
Outros deitaram blocos de gelo em suas camas
Para ali se finarem. Mulheres
Os cabelos lavaram, e se enforcaram
Nas suas longas tranças. Uma outra subiu
Num alto olmo sobre seu gramado
Abriu uma caixa, e engoliu aranhas venenosas...
O tempo da exortação já passou. Ouvi
cadeiras de ferro arranhando o chão nos hospícios,
Enquanto o pássaro, transido de frio, encolhe-se no inverno
Na noite ventosa de novembro.
Os mineiros deixam seus poços
Como uma súbita enchente,
Como um arrozal desintegrando-se.
Os homens choram quando escutam histórias de alguém
resurgindo
dentre os mortos.
Robert Bly
Tradução: Alphonsus de Guimaraens Filho
Robert Bly
Minnesota, Estados Unidos 1926
Os pobres, os aturdidos e os idiotas
Estão conosco: vivem no ataúde do sol
E no esquife da lua, enquanto eu saio esta noite
Vendo-a rodar seu escuro carrinho de mão
Por todas as várzeas do céu
E as estrelas se alçando inexoravelmente.
Negra lua! Sinistras lágrimas!
Sombra dos cortiços e dos triunfantes mortos!
Alguns homens perfuraram o peito com uma extensa agulha
A fim de que seus corações cessassem de bater.
Outros deitaram blocos de gelo em suas camas
Para ali se finarem. Mulheres
Os cabelos lavaram, e se enforcaram
Nas suas longas tranças. Uma outra subiu
Num alto olmo sobre seu gramado
Abriu uma caixa, e engoliu aranhas venenosas...
O tempo da exortação já passou. Ouvi
cadeiras de ferro arranhando o chão nos hospícios,
Enquanto o pássaro, transido de frio, encolhe-se no inverno
Na noite ventosa de novembro.
Os mineiros deixam seus poços
Como uma súbita enchente,
Como um arrozal desintegrando-se.
Os homens choram quando escutam histórias de alguém
resurgindo
dentre os mortos.
Robert Bly
Tradução: Alphonsus de Guimaraens Filho
Robert Bly
Minnesota, Estados Unidos 1926
PROPOSTAS GRÁFICAS - O POEMA ILUSTRADO - LAWRENCE FERLINGHETTI
O MUNDO É UM ÓTIMO LUGAR
O mundo é um ótimo lugar
para se nascer
se não te importa que a felicidade
nem sempre tenha
muita graça
se não te importa um quê de inferno
de quando em quando
justo quando tudo vai bem
pois nem mesmo nos céus
se canta o
tempo todo
O mundo é um ótimo lugar
pra se nascer
se não te importa que alguns morram
o tempo todo
ou sofram só de fome
parte do tempo
o que não é tão mau assim
se não é com você
Ah o mundo é um ótimo lugar
pra se nascer
se não te importam
algumas mentes mortas
nos postos mais altos
ou uma bomba ou duas
de quando em quando
nas suas caras pasmas
ou tais outras inconveniências
que vitimam a nossa
sociedade Marca Registrada
com a distinção de seus homens
e seus homens de extinção
e seus padres
e outros patrulheiros
e suas várias segregações
e investigações parlamentares
e outras prisões
de ventre que nosso torpe
corpo herda
Sim o mundo é o melhor dos lugares
para tantas coisas como
encenar diversão
e encenar amor
e encenar tristeza
e cantar baixarias e se inspirar
e dar umas voltas
olhando de tudo
e cheirando flores
e cutucando estátuas
e até pensando
e beijando as pessoas e
fazendo filhos e usando calças
e acenando chapéus e
dançando
e nadando nos rios durante
piqueniques
no meio do verão
e no sentido amplo
"vivendo até o fundo"
Sim
mas bem no meio disso chega
então sorrindo o
agente funerário
Lawrence Ferlinghetti
Lawrence Ferlinghetti
New York, Estados Unidos 1919
O mundo é um ótimo lugar
para se nascer
se não te importa que a felicidade
nem sempre tenha
muita graça
se não te importa um quê de inferno
de quando em quando
justo quando tudo vai bem
pois nem mesmo nos céus
se canta o
tempo todo
O mundo é um ótimo lugar
pra se nascer
se não te importa que alguns morram
o tempo todo
ou sofram só de fome
parte do tempo
o que não é tão mau assim
se não é com você
Ah o mundo é um ótimo lugar
pra se nascer
se não te importam
algumas mentes mortas
nos postos mais altos
ou uma bomba ou duas
de quando em quando
nas suas caras pasmas
ou tais outras inconveniências
que vitimam a nossa
sociedade Marca Registrada
com a distinção de seus homens
e seus homens de extinção
e seus padres
e outros patrulheiros
e suas várias segregações
e investigações parlamentares
e outras prisões
de ventre que nosso torpe
corpo herda
Sim o mundo é o melhor dos lugares
para tantas coisas como
encenar diversão
e encenar amor
e encenar tristeza
e cantar baixarias e se inspirar
e dar umas voltas
olhando de tudo
e cheirando flores
e cutucando estátuas
e até pensando
e beijando as pessoas e
fazendo filhos e usando calças
e acenando chapéus e
dançando
e nadando nos rios durante
piqueniques
no meio do verão
e no sentido amplo
"vivendo até o fundo"
Sim
mas bem no meio disso chega
então sorrindo o
agente funerário
Lawrence Ferlinghetti
Lawrence Ferlinghetti
New York, Estados Unidos 1919
PROPOSTAS GRÁFICAS - O POEMA ILUSTRADO - ANTONIN ARTAUD
ANTONIN ARTAUD - "OS TARAHUMARAS"
O rito do peyotl entre os Tarahumaras
O livro propõe uma análise da viagem do ator
e escritor Antonin Artaud ao México no ano de 1936.
Idealizador do Teatro da Crueldade, Artaud reconheceu
no ritual do peyote praticado pelos índios Tarahumaras
uma vivência que se aproxima do seu projeto teatral.
_____________________________________________
"...quem me abriu caminho para Ciguri foram os sacerdotes
do Tutuguri, e dias antes abriu-me caminho ao Tutuguri
o Senhor de Todas as Coisas. Quem preside às relações
exteriores entre os homens é o Senhor de Todas as Coisas:
amizade, compaixão, esmola, fidelidade, piedade,
generosidade, trabalho.
O seu poder acaba à porta do que entendemos
por metafísica ou teologia aqui na Europa,
mas no domínio da consciência interna chega mais longe
do que um chefe, seja qual for, da política europeia.
Ninguém pode ser iniciado no México, quer dizer,
ninguém pode receber a unção dos sacerdotes do Sol
e a marca imersiva e reagregadora dos que pertencem
ao Ciguri, que é o rito de aniquilamento, se antes não for
tocado pelo gládio do velho chefe índio que preside
à paz e à guerra, à Justiça, ao Casamento e ao Amor."
Antonin Artaud
Marselha, França 1896 - Ivry-sur-Seine, França 1948
O rito do peyotl entre os Tarahumaras
O livro propõe uma análise da viagem do ator
e escritor Antonin Artaud ao México no ano de 1936.
Idealizador do Teatro da Crueldade, Artaud reconheceu
no ritual do peyote praticado pelos índios Tarahumaras
uma vivência que se aproxima do seu projeto teatral.
_____________________________________________
"...quem me abriu caminho para Ciguri foram os sacerdotes
do Tutuguri, e dias antes abriu-me caminho ao Tutuguri
o Senhor de Todas as Coisas. Quem preside às relações
exteriores entre os homens é o Senhor de Todas as Coisas:
amizade, compaixão, esmola, fidelidade, piedade,
generosidade, trabalho.
O seu poder acaba à porta do que entendemos
por metafísica ou teologia aqui na Europa,
mas no domínio da consciência interna chega mais longe
do que um chefe, seja qual for, da política europeia.
Ninguém pode ser iniciado no México, quer dizer,
ninguém pode receber a unção dos sacerdotes do Sol
e a marca imersiva e reagregadora dos que pertencem
ao Ciguri, que é o rito de aniquilamento, se antes não for
tocado pelo gládio do velho chefe índio que preside
à paz e à guerra, à Justiça, ao Casamento e ao Amor."
Antonin Artaud
Marselha, França 1896 - Ivry-sur-Seine, França 1948
segunda-feira, 5 de agosto de 2019
PROPOSTAS GRÁFICAS - O POEMA ILUSTRADO - BASHÔ
VERÃO
Chuva de verão
perna de garça
então se torna curta
Matsuo Bashô
Província de Iga, Japão 1644 - Osaka, Japão 1694
Chuva de verão
perna de garça
então se torna curta
Matsuo Bashô
Província de Iga, Japão 1644 - Osaka, Japão 1694
PROPOSTAS GRÁFICAS - O POEMA ILUSTRADO - POETAS CHINESES DA ANTIGUIDADE
A ERMIDA DOS BAMBUS
Sentar-se ao oco só entre os bambus
Assobiando ao toque do alaúde
Na densa oca ao bosque desterrar-se
Então a lua é vinda: iluminar
Yu Xuanji
Changan 844 dC - China 871 dC
Sentar-se ao oco só entre os bambus
Assobiando ao toque do alaúde
Na densa oca ao bosque desterrar-se
Então a lua é vinda: iluminar
Yu Xuanji
Changan 844 dC - China 871 dC
PROPOSTAS GRÁFICAS - O POEMA ILUSTRADO - VAN GOGH
VAN GOGH
trecho de uma carta para o irmão Theo
escrita desde o hospício
"Um enorme tronco atingido por um raio e arrancado...
Este escuro gigante - como um orgulhoso decaído -
cria um contraste... com o pálido sonriso de uma última
rosa...
Compreende como esta combinação de ocre-vermelho,
de verde entristecido de cinza, de traços negros
que formam os contornos, mostram um pouco
daquela sensação de angústia da qual freqüentemente
sofrem alguns de meus companheiros de desventuras,
que é chamada "vermelho-negro"...
Para criar uma impressão de angústia pode-se procurar
fazê-lo sem de repente olhar para o histórico jardim
de Getsêmani, assim como para criar um motivo
consolador e doce não é necessário representar
os personagens do Sermão da Montanha"
Vincent
Arles 7 de maio de 1889
______________________________________________________________________
Vincent Van Gogh
Zundert, Holanda 1853 - Auvers-sur-Oise, França 1890
trecho de uma carta para o irmão Theo
escrita desde o hospício
"Um enorme tronco atingido por um raio e arrancado...
Este escuro gigante - como um orgulhoso decaído -
cria um contraste... com o pálido sonriso de uma última
rosa...
Compreende como esta combinação de ocre-vermelho,
de verde entristecido de cinza, de traços negros
que formam os contornos, mostram um pouco
daquela sensação de angústia da qual freqüentemente
sofrem alguns de meus companheiros de desventuras,
que é chamada "vermelho-negro"...
Para criar uma impressão de angústia pode-se procurar
fazê-lo sem de repente olhar para o histórico jardim
de Getsêmani, assim como para criar um motivo
consolador e doce não é necessário representar
os personagens do Sermão da Montanha"
Vincent
Arles 7 de maio de 1889
______________________________________________________________________
Vincent Van Gogh
Zundert, Holanda 1853 - Auvers-sur-Oise, França 1890
PROPOSTAS GRÁFICAS - O POEMA ILUSTRADO - ANTONIN ARTAUD
VAN GOGH - O SUICIDADO PELA SOCIEDADE
Post-Scriptum
Van Gogh não morreu por causa de uma indefinida
condição delirante,
mas por ter chegado a ser corporalmente o campo de ação
de um problema, em cujos redores se debate,
desde as origens, o espírito inócuo desta humanidade,
e do predomínio da carne sobre o espírito, ou do corpo
sobre a carne, ou do espírito sobre um e outro.
E onde está neste delírio o lugar do eu humano?
Van Gogh procurou o seu durante toda a sua vida,
com energia e determinação excepcionais.
E não se suicidou num ataque de insânia, pela angustia
de não chegar a encontrá-lo,
ao contrário, acabava de encontrá-lo, e de descobrir
que era e quem era ele mesmo, quando a inconscência
geral da sociedade, para castigá-lo, por tê-lo afastado dela,
o suicidou.
E isto aconteceu a Van Gogh, como acontece habitualmente,
por motivo de um bacanal, de uma missa,
de uma absolvição, ou de qualquer outro ritual
de consagração, de possessão, de sucubação
ou de incubação.
Assim introduziu-se no seu corpo
esta sociedade
absolvida
consagrada
santificada
e possuída
apagou nele a consciência sobrenatural que acabava
de adquirir, como uma inundação de corvos negros,
nas fibras de sua árvore interna,
o submergiu numa última onda,
e tomando seu lugar,
o matou.
Pois está na lógica anatômica do homem moderno,
não ter podido jamais viver nem pensar em viver,
senão como possuído.
Antonin Artaud
Marselha, França 1896 - Ivry-sur-Seine, França 1948
Post-Scriptum
Van Gogh não morreu por causa de uma indefinida
condição delirante,
mas por ter chegado a ser corporalmente o campo de ação
de um problema, em cujos redores se debate,
desde as origens, o espírito inócuo desta humanidade,
e do predomínio da carne sobre o espírito, ou do corpo
sobre a carne, ou do espírito sobre um e outro.
E onde está neste delírio o lugar do eu humano?
Van Gogh procurou o seu durante toda a sua vida,
com energia e determinação excepcionais.
E não se suicidou num ataque de insânia, pela angustia
de não chegar a encontrá-lo,
ao contrário, acabava de encontrá-lo, e de descobrir
que era e quem era ele mesmo, quando a inconscência
geral da sociedade, para castigá-lo, por tê-lo afastado dela,
o suicidou.
E isto aconteceu a Van Gogh, como acontece habitualmente,
por motivo de um bacanal, de uma missa,
de uma absolvição, ou de qualquer outro ritual
de consagração, de possessão, de sucubação
ou de incubação.
Assim introduziu-se no seu corpo
esta sociedade
absolvida
consagrada
santificada
e possuída
apagou nele a consciência sobrenatural que acabava
de adquirir, como uma inundação de corvos negros,
nas fibras de sua árvore interna,
o submergiu numa última onda,
e tomando seu lugar,
o matou.
Pois está na lógica anatômica do homem moderno,
não ter podido jamais viver nem pensar em viver,
senão como possuído.
Antonin Artaud
Marselha, França 1896 - Ivry-sur-Seine, França 1948
domingo, 4 de agosto de 2019
PROPOSTAS GRÁFICAS - O POEMA ILUSTRADO - CÉSAR VALLEJO
LA PAZ, LA ABISPA, EL TACO, LAS VERTIENTES...
La paz, la abispa, el taco, las vertientes,
el muerto, los decílitros, el búho,
los lugares, la tiña, los sarcófagos, el vaso las
morenas,
el desconocimiento, la olla, el monaguillo,
las gotas, el olvido,
la potestad, los primos, los arcángeles, la aguja,
los párrocos, el ébano, el desaire,
la parte, el tipo, el estupor, el alma...
Dúctil, azafranado, externo, nítido,
portátil, viejo, trece, ensangrentado,
fotografiadas, listas, tumefactas,
conexas, largas, encintadas, pérfidas...
Ardiendo, comparando,
viviendo, enfureciéndose,
golpeando, analizando, oyendo, estremeciéndose,
muriendo, sosteniéndose, situándose, llorando...
Después, éstos, aquí,
después, encima,
quizá, mientras, detrás, tánto, tan nunca,
debajo, acaso, lejos,
siempre, aquello, mañana, cuánto,
cuánto!...
Lo horrible, lo suntuário, lo lentísimo,
lo augusto, lo infructuoso,
lo aciago, lo crispante, lo mojado, lo fatal,
lo todo, lo purísimo, lo lóbrego,
lo acerbo, lo satánico, lo táctil, lo profundo...
César Vallejo
Santiago de Chuco, Perú 1892 - Paris, França 1938
La paz, la abispa, el taco, las vertientes,
el muerto, los decílitros, el búho,
los lugares, la tiña, los sarcófagos, el vaso las
morenas,
el desconocimiento, la olla, el monaguillo,
las gotas, el olvido,
la potestad, los primos, los arcángeles, la aguja,
los párrocos, el ébano, el desaire,
la parte, el tipo, el estupor, el alma...
Dúctil, azafranado, externo, nítido,
portátil, viejo, trece, ensangrentado,
fotografiadas, listas, tumefactas,
conexas, largas, encintadas, pérfidas...
Ardiendo, comparando,
viviendo, enfureciéndose,
golpeando, analizando, oyendo, estremeciéndose,
muriendo, sosteniéndose, situándose, llorando...
Después, éstos, aquí,
después, encima,
quizá, mientras, detrás, tánto, tan nunca,
debajo, acaso, lejos,
siempre, aquello, mañana, cuánto,
cuánto!...
Lo horrible, lo suntuário, lo lentísimo,
lo augusto, lo infructuoso,
lo aciago, lo crispante, lo mojado, lo fatal,
lo todo, lo purísimo, lo lóbrego,
lo acerbo, lo satánico, lo táctil, lo profundo...
César Vallejo
Santiago de Chuco, Perú 1892 - Paris, França 1938
PROPOSTAS GRÁFICAS - O POEMA ILUSTRADO - RABINDRANATH TAGORE
O JARDINEIRO
É um jogo de dar e negar, de mostrar e outra vez
esconder, alguns sorrisos, alguma timidez,
conflitos inúteis.
Este nosso amor é simples como um canto.
Nenhum mistério além do presente, nenhum esforço
pelo impossível, nenhuma sombra além do encanto,
nenhuma busca na profundeza da escuridão.
Este nosso amor é simples como um canto.
Não te afastes de todas as palavras rumo ao eterno
silêncio. Não levantes as mãos para o vazio,
desejando coisas além da esperança.
Basta o que damos e recebemos.
Não devemos espremer a alegria até o fim,
para extraírmos o vinho da tristeza.
Este nosso amor é semples como um canto.
Rabindranath Tagore
Calcutá, Índia 1861-1941
É um jogo de dar e negar, de mostrar e outra vez
esconder, alguns sorrisos, alguma timidez,
conflitos inúteis.
Este nosso amor é simples como um canto.
Nenhum mistério além do presente, nenhum esforço
pelo impossível, nenhuma sombra além do encanto,
nenhuma busca na profundeza da escuridão.
Este nosso amor é simples como um canto.
Não te afastes de todas as palavras rumo ao eterno
silêncio. Não levantes as mãos para o vazio,
desejando coisas além da esperança.
Basta o que damos e recebemos.
Não devemos espremer a alegria até o fim,
para extraírmos o vinho da tristeza.
Este nosso amor é semples como um canto.
Rabindranath Tagore
Calcutá, Índia 1861-1941
PROPOSTAS GRÁFICAS - O POEMA ILUSTRADO - AIMÉ CÉSAIRE
BÁRBARO
É a palavra que me sustenta
e bato na minha concha de latão
onde a chuva devora na sopa de ferrugem
ossos bárbaros
de animais saqueadores covardes de mentiras
Bárbaro
da linguagem sumária
e nossas caras bonitas como o verdadeiro
poder cirúrgico da negação
Bárbaro
dos mortos que circulam pelas veias da terra
e às vezes eles vêm para quebrar suas cabeças
contra as paredes do nosso
depois de
ouvidos
É os gritos de rebelião que nunca ouviram
e que se voltam para a batida
e com os timbres da música
Bárbaro
o artigo único
bárbaro e tapaya
anfíbena branca bárbara
bárbaro eu a cobra que cospe
e me acordar das minhas carnes podres
de repente voando salamanquesas
de repente salamanquesa listados
e eu adiro tão bem aos lugares de força
que para me esquecer vovê terá que
jogar a carne peluda dos seus seios para os cães
Aimé Césaire
Martinica 1913-2008
É a palavra que me sustenta
e bato na minha concha de latão
onde a chuva devora na sopa de ferrugem
ossos bárbaros
de animais saqueadores covardes de mentiras
Bárbaro
da linguagem sumária
e nossas caras bonitas como o verdadeiro
poder cirúrgico da negação
Bárbaro
dos mortos que circulam pelas veias da terra
e às vezes eles vêm para quebrar suas cabeças
contra as paredes do nosso
depois de
ouvidos
É os gritos de rebelião que nunca ouviram
e que se voltam para a batida
e com os timbres da música
Bárbaro
o artigo único
bárbaro e tapaya
anfíbena branca bárbara
bárbaro eu a cobra que cospe
e me acordar das minhas carnes podres
de repente voando salamanquesas
de repente salamanquesa listados
e eu adiro tão bem aos lugares de força
que para me esquecer vovê terá que
jogar a carne peluda dos seus seios para os cães
Aimé Césaire
Martinica 1913-2008
quinta-feira, 1 de agosto de 2019
IRVING HERRERA
Oaxaca, México 1984
Gravador e ilustrador
Independentemente do fator moda,
Herrera pratica, no século XXI, uma gravura
inspirada no Art Nouveau, mas expressando
a etnia mexicana.
Sem exaltar o nacionalismo, se torna representante
do México, ao retratar nas suas modelos
os ancestrais aztecas.
dados extraídos da Wikipédia
Oaxaca, México 1984
Gravador e ilustrador
Independentemente do fator moda,
Herrera pratica, no século XXI, uma gravura
inspirada no Art Nouveau, mas expressando
a etnia mexicana.
Sem exaltar o nacionalismo, se torna representante
do México, ao retratar nas suas modelos
os ancestrais aztecas.
dados extraídos da Wikipédia
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