domingo, 30 de outubro de 2016

MAUREEN BISILLIAT


MAUREEN BISILLIAT


MAUREEN BISILLIAT


MAUREEN BISILLIAT


MAUREEN BISILLIAT


MAUREEN BIBILLIAT


MAUREEN BISILLIAT


MAUREEN BISILLIAT


MAUREEN BISILLIAT


MAUREEN BISILLIAT


MAUREEN BISILLIAT


MAUREEN BISILLIAT


MAUREEN BISILLIAT


MAUREEN BISILLIAT


MAUREEN BISILLIAT


MAUREEN BISILLIAT


MAUREEN BISILLIAT


MAUREEN BISILLIAT


MAUREEN BISILLIAT


MAUREEN BISILLIAT


MAUREEN BISILLIAT


MAUREEN BISILLIAT


MAUREEN BISILLIAT


MAUREEN BISILLIAT


MAUREEN BISILLIAT


MAUREEN BISILLIAT


MAUREEN BISILLIAT


MAUREEN BISILLIAT


MAUREEN BISILLIAT


MAUREEN BISILLIAT


MAUREEN BISILLIAT


MAUREEN BISILLIAT


MAUREEN BISILLIAT


MAUREEN BISILLIAT


sexta-feira, 28 de outubro de 2016

CURSO DE ILUSTRAÇÃO EDITORIAL
DAVID HOCKNEY
O CONHECIMENTO SECRETO  3
CARAVAGGIO E A "TEATRALIDADE" DAS LENTES
  

O CONHECIMENTO SECRETO 3 - CARAVAGGIO


Minhas projeções de naturezas-mortas com uma lente-
espelho tinham uma aparência emblemática: objetos
vistos de frente, uma totalidade unificadora com fortes realces e sombras, um pano de fundo escuro
e profundidade restrita - todas características impostas
pelas limitações do equipamento. Como vimos, os artistas
encontraram meios de superar essas limitações fazendo a "colagem" de varios elementos numa pintura maior -
mas esses elementos ainda são vistos de frente 
e em close-up. São as habilidades composicionais dos artistas que nos convencem de que tudo está situado num espaço coerente.
Quando as lentes convencionais se tornaram grandes
o bastante e de qualidade boa o suficiente para serem usadas no lugar de um espelho côncavo (em algum ponto
do século XVI), um artista ja escolado no uso da projeção
de lente-espelho veria uma nítida vantagem: um campo
de visão mais amplo. Vários artistas fizeram essa transição,
mas ela é vista com a máxima clareza na obra 
de Caravaggio. Ele usou a lente com tamanha imaginação
que seu exemplo cedo exerceu influência pela Europa
afora, com jovens artistas fazendo peregrinações à Itália
para contemplar seus quadros e aprender com seus seguidores, os caravaggisti.

David Hockney 

O CONHECIMENTO SECRETO 3 - CARAVAGGIO


Eis outra comparação entre dois quadros em ambas
extremidades da Renascença, que mostra a extraordinária
transformação que ocorreu na pintura: o detalhe embaixo
é de A Morte da Virgem de Giotto, data de 1310-1. 
Compare as asas, em particular. As de Giotto são uma invenção imaginativa (ele provavelmente não vira um anjo
na vida real!). Parecem muito bonitas, mas são estilizadas
comparadas às de Caravaggio, que parecem muito mais
"fotográficas". Por seu método de trabalho, é provável
que Caravaggio tivesse algum tipo de asas reais 
a sua frente - tal vez um par de asas de águia. Sabemos
que ele só pintava diretamente do modelo ("É incapaz
de pintar sem modelos" foi uma crítica contemporânea
a sua obra). O mesmo, é claro, poderia ser dito sobre
qualquer fotógrafo (até bem recentemente, ou seja) - 
os computadores modificaram o que costumava ser
um requisito fundamental da fotografia.

David Hockney

O CONHECIMENTO SECRETO 3 - GIOTTO


O CONHECIMENTO SECRETO 3 - CARAVAGGIO


Este é o Baco Enfermo, de 1594. Caravaggio
certamente posuiu espelhos - eles são mencionados
em listas de seus pertences - e muitos estudiosos
admitem que ele os tenha usado. Mas os historiadores
em geral interpretaram relatos contemporâneos
de forma como que ele usava espelhos "para pintar retratos"
como uma alusão a que ele pintava a si próprio.
Mas se ele usava uma lente-espelho, pintava outra pessoa.
Para ter pintado essa figura, Caravaggio tal vez tenha usado
a técnica de montagem, captando o modelo em pedaços
e os reunindo depois. 

David Hockney 

O CONHECIMENTO SECRETO 3 - CARAVAGGIO


Duas pinturas de bebedores. Em cada caso,
a versão da esquerda é a imagem correta,
com o modelo segurando o copo com a mão
esquerda; a da direita é uma "imagem especular".
O que é interessante para mim é como a pintura
à direita parece mais natural e harmoniosa,
o modelo parece mais confortável. Acredito
que assim seja antes de tudo porque eles eram
na verdade destros - eles só se mostram canhotos
porque foram invertidos por uma lente.
A maioria das pessoas ergue um copo com a mão
direita; copos e taças são dispostos à direita
nas refeições; revolucionários erguem o punho direito;
soldados saúdam com a mão direita. Giotto e outros
artistas antigos pintavam as pessoas tal como as viam,
bebendo com a mão direita. Será uma coincidência
que no fim do século XVI, quando acredito terem sido
usadas pela primeira vez por pintores, haja um súbito
acúmulo de bebedores canhotos? 
Este fenômeno  aparece com Caravaggio e se estende
por 40 anos aproximadamente, quando espelhos planos
de boa qualidade reverteram outra vez as imagens.

David Hockney

O CONHECIMENTO SECRETO 3 - CARAVAGGIO


Observando a Vocação de São Mateus (1599-1602),
de Caravaggio, imagino-o como um diretor de filme,
iluminação, figurino, gestos - tudo terá sido encenado
cuidadosamente. 
É nítido que a janela na parede dos fundos não é
uma fonte de luz. Foi pintada para evitar os problemas
de contraluz, dificuldades familiares a todo operador
de câmara moderno. Em vez disso, há uma fonte única
de luz, bem forte, da direita. Um quadro montado com
iluminação cuidadosa - levaria certo tempo para fazê-lo.

David Hockney

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

O CONHECIMENTO SECRETO 3 - CARAVAGGIO


Caravaggio é, de fato, um mestre em montar "a cena",
narrando a história no espaço da pintura - não em muita
profundidade. O olho vaga de lá para cá na superficie
da pintura, no plano adentro. A parede estabelece
profundidade como fixa.
Compare esse quadro com a Flagelação de Cristo  
(ano 1450), de Piero della Francesca. Piero não é um diretor
com atores a sua frente do modo que é Caravaggio.
Ele mexe braços e pernas de acordo com seu conhecimento
das leis da geometria e perspectiva, do modo como sabe
serem as figuras, não do modo como as vê.

David Hockney  

O CONHECIMENTO SECRETO 3 - PIERO DELLA FRANCESCA


quarta-feira, 26 de outubro de 2016

CURSO DE ILUSTRAÇÃO EDITORIAL
DAVID HOCKNEY
O CONHECIMENTO SECRETO - 2
DE INGRES A WARHOL 
A CAPTURA DA REALIDADE PELAS LENTES
  

Em fevereiro de 2000, com a ajuda de meus assistentes
David Graves e Richard Schmidt, comecei a prender
com percevejos fotocópias coloridas de pinturas
na parede de meu estúdio na Califórnia. 
Via isso como um modo que me conferisse uma visão
de conjunto da história da arte ocidental e como um auxílio
na seleção de imagens para o livro. Quando terminamos,
o mural tinha 70 pés (21,3 m) de comprimento e percorria
500 anos de forma mais ou menos cronológica, com a Europa setentrional em cima e a Europa meridional embaixo.
Ao começarmos a juntar as páginas do livro, fizemos
também experimentos com diversas combinações 
de espelhos e lentes para ver se conseguíamos recriar
os métodos tal vez utilizados pelos artistas do Renascimento
As projeções que fizemos encantaram todos os que vieram
ao estúdio, mesmo aqueles de câmara em punho.
Os efeitos pareciam incríveis, porque não eram eletrônicos.
As imagens que projetamos eram nítidas, em cores
que se moviam. Ficou óbvio que poucos sabem muita coisa
sobre óptica, mesmo os fotógrafos. Na Europa medieval,
"aparições" projetadas seriam tidas como mágicas;
como descobri, as pessoas continuam a achar isso 
hoje em dia.

David Hockney

O CONHECIMENTO SECRETO 2 - PAINEL DA PESQUISA


Fica perfeitamente claro que alguns artistas
usaram a óptica diretamente e outros não,
embora após 1500 quase todos pareçam ter sido
influenciados pelas tonalidades, sombreado e cores
encontradas na projeção óptica. Brueguel, Bosch,
Grünewald de pronto vêm à cabeça como artistas
que não se envolveram no uso direto da óptica.
Mas terão visto pinturas e desenhos feitos com ela,
e tal vez até mesmo algumas projeções, como aprendizes,
provavelmente copiaram obras com efeitos ópticos.
Insisto em repetir que a óptica não faz marcas, não é capaz
de fazer pinturas. Pinturas e desenhos são feitos pela mão.
Tudo o que estou dizendo é que, bem antes do século XVII,
quando acreditamos que Vermeer estivesse usando uma câmara escura, os artistas dispunham de uma ferramenta
e a utilizavam de forma antes desconhecida pela história da arte.

David Hockney 

O CONHECIMENTO SECRETO 2 - PAUL CÉZANNE


Se Ingres usou uma câmara lúcida
para desenhar retratos, terá usado também
dispositivos ópticos para sua pintura?
Tome por exemplo, o belo retrato de madame
Leblanc, pintado em 1823, mais de 15 anos antes
da invenção da fotografia química.
Veja como é de uma precisão realista o tecido
com motivos decorativos. Que diferença para o estudo
de cortina, por Cézanne, um quadro certamente
feito a olho. Mas e olho (e coração) estão em ação aqui,
pode-se ver claramente como o quadro foi construído.

David Hockney
A câmara lúcida não é facil de usar.
Basicamente, trata-se de um prisma numa vareta 
que cria a ilusão de uma imagem
daquilo que esteja na frente dele 
sobre um pedaço de papel embaixo.
Essa imagem não é real - não se acha de fato no papel,
somente parece estar ali. Quando se olha pelo prisma
a partir de um único ponto, pode-se ver a pessoa
ou objetos em frente e o papel embaixo ao mesmo tempo.
Se você usa a câmara lúcida para desenhar, 
pode ver também a sua mão e o lápiz fazendo marcas
no papel. Mas somente você, sentado na posição certa,
é capaz de ver essas coisas, ninguém mais.
Por ser portátil, a câmara lúcida é perfeita para desenhar
paisagens. Mas em um retrato é mais difícil. Você deve
usá-la rápidamente, pois assim que o olho se move
a imagem realmente desaparece. 
Um artista hábil seria capaz de fazer rápidas notações,
marcando os pontos-chave das feições da pessoa.
Com efeito, esse é um processo normal de medição
que se dá na cabeça de um bom desenhista, 
mas que em geral leva muito mais tempo. 
Depois de feitas essas notações, tem início 
o trabalho pesado de observar do natural e traduzir
as marcas numa forma mais completa. Eu próprio tentei
usar a câmara lúcida durante um ano, desenhando
centenas de retratos com ela.

David Hockney

O CONHECIMENTO SECRETO 2 - ANDY WARHOL


Ingres embaixo, Warhol acima. Sei que Warhol
usou um projetor para fazer desenhos como esse.
Seu traço tem uma obvia aparência "decalcada".
Foi contemplar esse desenho que me fez reconhecer 
a semelhança com as roupas no retrato de Ingres.

David Hockney

O CONHECIMENTO SECRETO 2 - INGRES


O CONHECIMENTO SECRETO 2 - INGRES


O CONHECIMENTO SECRETO 2 - INGRES