O propósito deste blog é o de mostrar o trabalho do ilustrador,independente das regras impostas pelo mercado,nas quatro disciplinas praticadas por mim, em diferentes momentos e veículos: A Caricatura na Imprensa,A Ilustração na Imprensa,A Ilustração Editorial e O Poema Ilustrado. Também são mostradas modalidades diferentes das mesmas propostas como: Montagens das exposições e a revalorização do painel mural, através das técnicas de reprodução digital em baner.
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
ARDE
Desataram os cavalos
do medo
e começou o caos:
palavras galopadas
precipitação de genes
galopando
galopando-me.
Furia de antecessores
sem pálpebras
almejando a gota
perolada de identidade.
Este enxofre errabundo
este mercúrio que sangra
acontece em mim
finalmente
eu sou a sarça
que arde.
Marta Kelly
tradução: Eliseo Escobar
Desataram os cavalos
do medo
e começou o caos:
palavras galopadas
precipitação de genes
galopando
galopando-me.
Furia de antecessores
sem pálpebras
almejando a gota
perolada de identidade.
Este enxofre errabundo
este mercúrio que sangra
acontece em mim
finalmente
eu sou a sarça
que arde.
Marta Kelly
tradução: Eliseo Escobar
domingo, 11 de novembro de 2012
DIÁRIO ÍNTIMO
1905
Três anos de martírios. Surras diárias.
Há três anos mais ou menos, chegou
a esta capital, vinda do interior de um
dos estados vizinhos, a menor Claudomira,
de 20 anos de idade, indo para a casa de uma familia
residente à rua Nora número 2 - D.
Durante algum tempo foi essa moça tratada relativamente bem,
pois, no desempenho das suas ocupações, que era a de criada,
se houve com geral agrado de todos.
Não gozou, entretanto, essa infeliz da paz que, na sua obscura
existência, perenemente fazia vicejar a rósea claridade dos
seus sonhos de moça. A mais horrorosa situação, com todo
o cortejo de ignominias, lhe criou o atroz Destino.
1905
Três anos de martírios. Surras diárias.
Há três anos mais ou menos, chegou
a esta capital, vinda do interior de um
dos estados vizinhos, a menor Claudomira,
de 20 anos de idade, indo para a casa de uma familia
residente à rua Nora número 2 - D.
Durante algum tempo foi essa moça tratada relativamente bem,
pois, no desempenho das suas ocupações, que era a de criada,
se houve com geral agrado de todos.
Não gozou, entretanto, essa infeliz da paz que, na sua obscura
existência, perenemente fazia vicejar a rósea claridade dos
seus sonhos de moça. A mais horrorosa situação, com todo
o cortejo de ignominias, lhe criou o atroz Destino.
Não lhe valeu o esforço sobre-humano que empregava
para libertar-se da pesada tarefa que lhe era dada
nos varios serviços da casa, onde, sem causa que tal
justifique, lhe aplicam o mais terrível castigo: o açoite!
Tudo tem suportado essa desgraçada.
Crente na misericôrdia divina, dominava-lhe a esperança
de ver aplacada a furia desumana de seus algozes.
Tudo em vão! Impedida de sair a rua, desde que aquí chegou,
vive essa desventurada sob o jugo dos seus verdugos.
De tudo a vizinhanza sabe.
Desde asprimeiras horas da manhã, já se ouve,
como fúnebre matinapavor, as légubres pancadas do açoite!
E essa infeliz não grita: lamentos abafados, soluços de dor,
essa macabra confusão com a voz do algoz, enchem de pavor
a vizinhanza.
É chegou o momento da redenção que terá lugar com a intervenção
da policia da 15 a circunscrição.
DIÁRIO ÍNTIMO
1917 - 3 de junho
Hoje, depois de ter levado quase todo o mês passado
entregue a bebida, posso escrever calmo. O que me
leva a escrever estas notas è o fato de o Brasil ter
quebrado a sua neutralidade na guerra entre Alemanha
e os Estados Unidos, dando azo a que êste mandasse
uma esquadra poderosa estacionar em nossas águas.
A dolorosa situação dos homens de cor nos E stados
Unidos não devia permitir que os nossos tivessem alegria
com semelhante coisa, pois têm. Nécios. Eu me entristeço
com tal coisa, tanto mais que estou amordaçado com meu
vago emprego público. Em que parará isto? Não sei bem,
mas se a sangueira ja é grande, julgo que ela vai ser ainda
maior depois. Tudo o que é revoltante e groseiro vai por baixo
disso tudo, sob o pretexto de patria. É de causar horror,
tanto mais que os fortes burgueses querem, aproveitando
o estado dos espiritos, matar o individuo em proveito do
Estado, que são eles. Spencer tinha razão: o mundo
retrograda. O escopo utilitario matou todo ideal,
tôda a caridade e que cada "besta" na sua manjedoura.
Antes o Feudalismo! Antes a nobreza!
1917 - 3 de junho
Hoje, depois de ter levado quase todo o mês passado
entregue a bebida, posso escrever calmo. O que me
leva a escrever estas notas è o fato de o Brasil ter
quebrado a sua neutralidade na guerra entre Alemanha
e os Estados Unidos, dando azo a que êste mandasse
uma esquadra poderosa estacionar em nossas águas.
A dolorosa situação dos homens de cor nos E stados
Unidos não devia permitir que os nossos tivessem alegria
com semelhante coisa, pois têm. Nécios. Eu me entristeço
com tal coisa, tanto mais que estou amordaçado com meu
vago emprego público. Em que parará isto? Não sei bem,
mas se a sangueira ja é grande, julgo que ela vai ser ainda
maior depois. Tudo o que é revoltante e groseiro vai por baixo
disso tudo, sob o pretexto de patria. É de causar horror,
tanto mais que os fortes burgueses querem, aproveitando
o estado dos espiritos, matar o individuo em proveito do
Estado, que são eles. Spencer tinha razão: o mundo
retrograda. O escopo utilitario matou todo ideal,
tôda a caridade e que cada "besta" na sua manjedoura.
Antes o Feudalismo! Antes a nobreza!
DIÁRIO ÍNTIMO
1920 - sem data
A seguna vez que estive no hospicio,
de 25 de dezembro de 1919 até 2 de
fevereiro de 1920, trataranme bem,
mas os malucos, meus companheiros,
eram perigosos. Demais, eu me imiscuia
com eles, o que não aconteceu daquela vez
que fiquei de parte.
REVISTA DA SEMANA, de 7-08-20 - Logo no
primeiro artigo aconselha reformas suntuárias
na cidade. Em seguida sob o título - "Um prato
de corridas no Leblón" - pede que a Prefeitura
e o Ministerio da Agricultura o construam, visto
"gastar-se muito dinheiro em coisas inúteis"
(textual). por ai vai a sua elegância.
a ordenação do Reino (manuelina) que equipara
as bêstas aos escravos e encontrada no livro IV,
título XVI. (Lima Barreto combateu todos os prefeitos
que, pretendendo remodelar o Rio, derrubavam árvores,
arrasavam morros ou aterravam a baía da Guanabara.
"Remodelar o Rio! Mas como? Arrasando os morros...
Mas não sera mais o Rio de Janeiro; será outra qualquer
cidade que não ela". ) "Megalimania". CARETAS, 28-08-20.
1920 - sem data
A seguna vez que estive no hospicio,
de 25 de dezembro de 1919 até 2 de
fevereiro de 1920, trataranme bem,
mas os malucos, meus companheiros,
eram perigosos. Demais, eu me imiscuia
com eles, o que não aconteceu daquela vez
que fiquei de parte.
REVISTA DA SEMANA, de 7-08-20 - Logo no
primeiro artigo aconselha reformas suntuárias
na cidade. Em seguida sob o título - "Um prato
de corridas no Leblón" - pede que a Prefeitura
e o Ministerio da Agricultura o construam, visto
"gastar-se muito dinheiro em coisas inúteis"
(textual). por ai vai a sua elegância.
a ordenação do Reino (manuelina) que equipara
as bêstas aos escravos e encontrada no livro IV,
título XVI. (Lima Barreto combateu todos os prefeitos
que, pretendendo remodelar o Rio, derrubavam árvores,
arrasavam morros ou aterravam a baía da Guanabara.
"Remodelar o Rio! Mas como? Arrasando os morros...
Mas não sera mais o Rio de Janeiro; será outra qualquer
cidade que não ela". ) "Megalimania". CARETAS, 28-08-20.
sábado, 10 de novembro de 2012
NOTURNO
Sobre os seus saltos, sob a lua cheia,
Os travestis desfilam como garças,
Farsa carnal em meio às outras farsas
Que o mundo absurdo no aéreo chão semeia.
São deusas-mães usando liga e meia,
De ancas imensas, madeixas esparsas,
De enormes seios, piscando aos comparsas,
Buscando otários para a escusa teia.
São Vênus neoliticas chamando
Sombras confusas, entre os cães sem casa
E os negros ébrios. Seu barroco bando
Volveu, pulsante, dos tetos das grutas,
E ainda na nevoa, como uma vasa,
Rotundas popas balouçando enxutas.
Alexei Bueno
Sobre os seus saltos, sob a lua cheia,
Os travestis desfilam como garças,
Farsa carnal em meio às outras farsas
Que o mundo absurdo no aéreo chão semeia.
São deusas-mães usando liga e meia,
De ancas imensas, madeixas esparsas,
De enormes seios, piscando aos comparsas,
Buscando otários para a escusa teia.
São Vênus neoliticas chamando
Sombras confusas, entre os cães sem casa
E os negros ébrios. Seu barroco bando
Volveu, pulsante, dos tetos das grutas,
E ainda na nevoa, como uma vasa,
Rotundas popas balouçando enxutas.
Alexei Bueno
I . M . L
Na porta do boteco
Com flores de coroas
Que oferta às moças boas
Ele ergue o seu caneco
De alumìnio gravado
Com o escudo do seu time,
E conta o último crime,
E olha o bordel fechado.
Sorrindo, no balcão,
Beberica e, prudente,
Fita a vaga onde, em frente,
Deixou o rabecão.
Então, se há um que lhe peça
Que lembre do seu carro,
Diz, dando um grosso escarro:
- Defunto não tem pressa.
Alexei Bueno
Na porta do boteco
Com flores de coroas
Que oferta às moças boas
Ele ergue o seu caneco
De alumìnio gravado
Com o escudo do seu time,
E conta o último crime,
E olha o bordel fechado.
Sorrindo, no balcão,
Beberica e, prudente,
Fita a vaga onde, em frente,
Deixou o rabecão.
Então, se há um que lhe peça
Que lembre do seu carro,
Diz, dando um grosso escarro:
- Defunto não tem pressa.
Alexei Bueno
A TRILHA SONORA DO FIM DO MUNDO
O medo canta junto aos passaros
E no quintal as lavadeiras choram
Num gemido unico
Vai confundindo orquestrado quem ouve a melodia,
Trilha sonora do fim do mundo,
Mundo sem sabão:
Imundo mundo medonho.
No canteiro de algonquiana coragem
Alguns soldados penados resistem,
Entrincheirados a ré das novas mistificações
Onde pássaros são bichos de guerra lenta
Em mar tranqüilo de trissos e canções:
- Armamentos sacràrios despertando anjos distraidos
que desentendem a marcha do dia em oratórios explosivos.
Contamos o número de ninhos destruidos
E tocas desarmadas pela relva fluorescente:
- Isso que desdenha em nos nossa emoção
Pendura-se por um fio encravado em todas as estruturas orgânicas
e inextensíveis,
E movimenta o ar e a digestão de belmintos e anfibios, unidos as
engrenagens
Nos porém (penados ou não) flutuamos ainda distraidos
como os anjos.
Marcus Mello
O medo canta junto aos passaros
E no quintal as lavadeiras choram
Num gemido unico
Vai confundindo orquestrado quem ouve a melodia,
Trilha sonora do fim do mundo,
Mundo sem sabão:
Imundo mundo medonho.
No canteiro de algonquiana coragem
Alguns soldados penados resistem,
Entrincheirados a ré das novas mistificações
Onde pássaros são bichos de guerra lenta
Em mar tranqüilo de trissos e canções:
- Armamentos sacràrios despertando anjos distraidos
que desentendem a marcha do dia em oratórios explosivos.
Contamos o número de ninhos destruidos
E tocas desarmadas pela relva fluorescente:
- Isso que desdenha em nos nossa emoção
Pendura-se por um fio encravado em todas as estruturas orgânicas
e inextensíveis,
E movimenta o ar e a digestão de belmintos e anfibios, unidos as
engrenagens
Nos porém (penados ou não) flutuamos ainda distraidos
como os anjos.
Marcus Mello
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
ROSINHA DA VIDA
Essa lágrima a despedaçar-se daquela face
Em pleno sol de conciência amanssada
Como um laço de sangue e embriaguez íntegra
Consome as reservas da pacífica consoante,
Sério mesmo são os outros,
Esse de que falo dá os ombros a qualquer carga
E a palavra que carrega é como fogo,
Digo: coisa bruta, amor de doido,
Analogia regenerada em sonho entre cavalo e menino.
Difícil segurar pelas mãos a mínima intempérie
Mas readubará novas relações autoconcretizando-se,
O redemoinho infinito merece perpetuação:
Que chegue perto de nós somente a metade parecida,
Eu ouço palavras antigas reelaboradas pela maré.
E a viagem continua, trocamos o óleo épicocassilabo,
Mas veja que esforços bélicos trazem as mesmas criações
E o mundo é dividido em duas metades,
As que constroem, e as que sustentam-se em vão.
A vida, carroça de rio, traz aquele perfume fixo
A menina, rosinha dos tempos. frutífero e agônico,
Traz a última novidade:
Na beira do seu leito, onde amar é permitido
Descarrega-se após o prazer a substância referida,
Já encarregada de manter a engrenagem envelhecida.
Marcus Mello
Essa lágrima a despedaçar-se daquela face
Em pleno sol de conciência amanssada
Como um laço de sangue e embriaguez íntegra
Consome as reservas da pacífica consoante,
Sério mesmo são os outros,
Esse de que falo dá os ombros a qualquer carga
E a palavra que carrega é como fogo,
Digo: coisa bruta, amor de doido,
Analogia regenerada em sonho entre cavalo e menino.
Difícil segurar pelas mãos a mínima intempérie
Mas readubará novas relações autoconcretizando-se,
O redemoinho infinito merece perpetuação:
Que chegue perto de nós somente a metade parecida,
Eu ouço palavras antigas reelaboradas pela maré.
E a viagem continua, trocamos o óleo épicocassilabo,
Mas veja que esforços bélicos trazem as mesmas criações
E o mundo é dividido em duas metades,
As que constroem, e as que sustentam-se em vão.
A vida, carroça de rio, traz aquele perfume fixo
A menina, rosinha dos tempos. frutífero e agônico,
Traz a última novidade:
Na beira do seu leito, onde amar é permitido
Descarrega-se após o prazer a substância referida,
Já encarregada de manter a engrenagem envelhecida.
Marcus Mello
1892 - 2002
Voz rumor dos rios
Voz quase-silêncio das planícies
Voz cantoria dos melros
Voz antivoz das estradas do Oeste
Voz roufenha do vento nas montanhas
Voz dos negros dos indios dos imigrantes
Voz dos becos das docas dos bares
Voz ruído das máquinas
Voz incessante dos mares
Voz dos animais
Voz dos animais das crianças das mulheres
Voz burburinho da Broadway
Voz das vozes múltiplas de Manhattan
Voz das vozes de toda a América
Voz das vozes das vozes de todos os lugares
whitmanianamente recolhidas em uma única voz:
Walt Whitman - o que eu queria dizer-te
é que relendo as Folhas de Relva
encontrei perdidas entre as páginas
duas pálidas pétalas de rosa
que ali deixara um moço (uma moça?)
em respeitosa homenagem
mais de um século após a tua morte
e que me pareceram o veludo da pele de tua face
sob a espesa barba - motivo óbvio,
ó grande urso,
porque ninguém jamais a tocara...
Whitman - o que eu queria dizer-te
é que as acariciei como se fossem tua face
(agora sem barba) de criança de fêmea.
Frederico Gomes
de Outono & Inferno
Voz rumor dos rios
Voz quase-silêncio das planícies
Voz cantoria dos melros
Voz antivoz das estradas do Oeste
Voz roufenha do vento nas montanhas
Voz dos negros dos indios dos imigrantes
Voz dos becos das docas dos bares
Voz ruído das máquinas
Voz incessante dos mares
Voz dos animais
Voz dos animais das crianças das mulheres
Voz burburinho da Broadway
Voz das vozes múltiplas de Manhattan
Voz das vozes de toda a América
Voz das vozes das vozes de todos os lugares
whitmanianamente recolhidas em uma única voz:
Walt Whitman - o que eu queria dizer-te
é que relendo as Folhas de Relva
encontrei perdidas entre as páginas
duas pálidas pétalas de rosa
que ali deixara um moço (uma moça?)
em respeitosa homenagem
mais de um século após a tua morte
e que me pareceram o veludo da pele de tua face
sob a espesa barba - motivo óbvio,
ó grande urso,
porque ninguém jamais a tocara...
Whitman - o que eu queria dizer-te
é que as acariciei como se fossem tua face
(agora sem barba) de criança de fêmea.
Frederico Gomes
de Outono & Inferno
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
domingo, 4 de novembro de 2012
MICHELANGELO MERISI nasceu na pequena aldeia lombarda
de Caravaggio em 1571. Aos 12 anos o pai o inscreve no ateliê
de Simone Peterzano, discípulo de Tiziano. Aos 15 anos foge
para Roma frequentando diversos ateliêrs, trocando inúmeras
vezes de protetor.
Suas primeiras obras conhecidas mostram independência em
relação a representação católica tradicional, e causaram escándalo,
gerando conflito com os cânones artisticos da época.
De temperamento turbulento, o artista sempre esteve envolvido
em duelos e discussões.
Após um período inicial de miséria, quando chegou a vender
pinturas nas ruas, passa a trabalhar para o cardeal Del Monte,
patrono da escola de pintores de Roma, a Academia de São Lucas.
Com um aposento no palazzo do cardeal e uma pensão regular.
Caravaggio realiza uma série de importantes quadros de temática
religiosa.
Uma das características de suas pinturas é retratar o aspecto
mundano dos eventos bíblicos usando o povo comum das ruas
de Roma: vendedores, músicos ambulantes, ciganos e prostitutas.
Ele geralmente usava um fundo escuro e agrupava a cena
no primeiro plano com foco de luz sobre os detalhes, ressaltando
principalmente os rostos. Estes efeitos receberam o nome de "tenebrismo".
Caravaggio frequentou tanto ambientes cultos e refinados como
as tavernas romanas. Usava roupas extravagantes e chapéu de feltro
com abas largas. Exibia uma espada na cintura e carregava um cachorro
no colo. Com a vida boêmia e afundado em dívidas, começa a decadência.
Sua situação piora em 1606, quando ele mata o nobre Tommasoni, durante
um jogo de pallacorda, antepassado do tênis. Ferido, foge para Nápoles
enquanto seu perdão é pleiteado em Roma.
Pouco depois tem problemas com um nobre maltês e é preso.
Ajudado por amigos foge para a Sicília, retornando a Nápoles em 1609.
Os sicarios do cavaleiro maltês ultrajado descobrem seu esconderijo e,
perto de uma taverna, ferem-no a espada.
Ferido e minado pela malaria, Caravaggio morre numa praia deserta
próxima a Roma, aos 39 anos.
de Caravaggio em 1571. Aos 12 anos o pai o inscreve no ateliê
de Simone Peterzano, discípulo de Tiziano. Aos 15 anos foge
para Roma frequentando diversos ateliêrs, trocando inúmeras
vezes de protetor.
Suas primeiras obras conhecidas mostram independência em
relação a representação católica tradicional, e causaram escándalo,
gerando conflito com os cânones artisticos da época.
De temperamento turbulento, o artista sempre esteve envolvido
em duelos e discussões.
Após um período inicial de miséria, quando chegou a vender
pinturas nas ruas, passa a trabalhar para o cardeal Del Monte,
patrono da escola de pintores de Roma, a Academia de São Lucas.
Com um aposento no palazzo do cardeal e uma pensão regular.
Caravaggio realiza uma série de importantes quadros de temática
religiosa.
Uma das características de suas pinturas é retratar o aspecto
mundano dos eventos bíblicos usando o povo comum das ruas
de Roma: vendedores, músicos ambulantes, ciganos e prostitutas.
Ele geralmente usava um fundo escuro e agrupava a cena
no primeiro plano com foco de luz sobre os detalhes, ressaltando
principalmente os rostos. Estes efeitos receberam o nome de "tenebrismo".
Caravaggio frequentou tanto ambientes cultos e refinados como
as tavernas romanas. Usava roupas extravagantes e chapéu de feltro
com abas largas. Exibia uma espada na cintura e carregava um cachorro
no colo. Com a vida boêmia e afundado em dívidas, começa a decadência.
Sua situação piora em 1606, quando ele mata o nobre Tommasoni, durante
um jogo de pallacorda, antepassado do tênis. Ferido, foge para Nápoles
enquanto seu perdão é pleiteado em Roma.
Pouco depois tem problemas com um nobre maltês e é preso.
Ajudado por amigos foge para a Sicília, retornando a Nápoles em 1609.
Os sicarios do cavaleiro maltês ultrajado descobrem seu esconderijo e,
perto de uma taverna, ferem-no a espada.
Ferido e minado pela malaria, Caravaggio morre numa praia deserta
próxima a Roma, aos 39 anos.
sábado, 3 de novembro de 2012
Observando a Vocação de São Mateus (1599-1602), de Caravaggio,
imagino-o como um diretor de filme, iluminação, figurino, gestos -
tudo terá sido encenado cuidadosamente. É nítido que a janela
na parede dos fundos não é uma fonte de luz. Foi pintada para evitar
problemas de "contra luz" - dificuldades familiares a todo operador
de câmara moderno. Em vez disso, há uma única fonte de luz, bem forte,
da direita. Um quadro é montado com iluminação cuidadosa - levaria
certo tempo para fazé-lo.
extraido de "O Conhecimento Secreto" de David Hockney
imagino-o como um diretor de filme, iluminação, figurino, gestos -
tudo terá sido encenado cuidadosamente. É nítido que a janela
na parede dos fundos não é uma fonte de luz. Foi pintada para evitar
problemas de "contra luz" - dificuldades familiares a todo operador
de câmara moderno. Em vez disso, há uma única fonte de luz, bem forte,
da direita. Um quadro é montado com iluminação cuidadosa - levaria
certo tempo para fazé-lo.
extraido de "O Conhecimento Secreto" de David Hockney
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Creio que Caravaggio usou a óptica da maneira mais hábil,
na prática desenhando com a câmara. Os novos tipos de espaço
vistos em suas obras são resultado de seu método de contrução,
que imagino, será um dia elaborado por historiadores de arte
com algum conhecimento de óptica, embora eu tenha uma idéia
intuitiva de como ele o fez. Devo advertir aqui que Caravaggio
não fez desenhos. Nenhum que se conheça, e os historiadores
não encontraram referências escritas a eles. Como, portanto,
ele realizou composições tão complicadas, sem erros nem
correções? Ele era de fato dotado de enorme talento,
mas tenho certeza de que contava também com uma ferramenta
que forneceu a base óptica a suas imagens.
Se observarmos essa pintura de Judite e Holofernes (1598),
podemos começar a ter uma idéia de como Caravaggio tal vez
tenha na verdade usado sua lente para criar seus quadros
cuidadosamente encenados. Em muitas de suas telas, inclusive nessa,
há uma quantidade de traços incisos feitos com a outra extremidade do pincel
em velatura úmida. Esses traços não acompanham as formas precissamente,
e não revelam muito ser desenhos composicionais: somente os elementos-
chave, a cabeça e os braços, são marcados. Creio que Caravaggio usou
essa técnica simplesmente para registrar a posição de seus modelos
e assim deixá-los descansar. Poderiam depois retomar suas posições,
e Caravaggio conseguiria projetar suas imagens e ajustar suas poses
até se acomodarem aos traços incisos. Ele não teria precisado, é claro,
que todos os seus modelos estivessem presentes ao mesmo tempo.
O quadro completo necessitaria apenas ser armado uma vez, para marcar
a composição global. Depois disso, os modelos poderiam vir um de cada
vez, á medida que ele trabalhase em diversas figuras. Os modelos de Caravaggio
nem sempre estão olhando para onde se esperaria, mas o pretenso objeto
de seus olhares não estaria lá!
extraido de "O Conhecimento Secreto" de David Hockney
na prática desenhando com a câmara. Os novos tipos de espaço
vistos em suas obras são resultado de seu método de contrução,
que imagino, será um dia elaborado por historiadores de arte
com algum conhecimento de óptica, embora eu tenha uma idéia
intuitiva de como ele o fez. Devo advertir aqui que Caravaggio
não fez desenhos. Nenhum que se conheça, e os historiadores
não encontraram referências escritas a eles. Como, portanto,
ele realizou composições tão complicadas, sem erros nem
correções? Ele era de fato dotado de enorme talento,
mas tenho certeza de que contava também com uma ferramenta
que forneceu a base óptica a suas imagens.
Se observarmos essa pintura de Judite e Holofernes (1598),
podemos começar a ter uma idéia de como Caravaggio tal vez
tenha na verdade usado sua lente para criar seus quadros
cuidadosamente encenados. Em muitas de suas telas, inclusive nessa,
há uma quantidade de traços incisos feitos com a outra extremidade do pincel
em velatura úmida. Esses traços não acompanham as formas precissamente,
e não revelam muito ser desenhos composicionais: somente os elementos-
chave, a cabeça e os braços, são marcados. Creio que Caravaggio usou
essa técnica simplesmente para registrar a posição de seus modelos
e assim deixá-los descansar. Poderiam depois retomar suas posições,
e Caravaggio conseguiria projetar suas imagens e ajustar suas poses
até se acomodarem aos traços incisos. Ele não teria precisado, é claro,
que todos os seus modelos estivessem presentes ao mesmo tempo.
O quadro completo necessitaria apenas ser armado uma vez, para marcar
a composição global. Depois disso, os modelos poderiam vir um de cada
vez, á medida que ele trabalhase em diversas figuras. Os modelos de Caravaggio
nem sempre estão olhando para onde se esperaria, mas o pretenso objeto
de seus olhares não estaria lá!
extraido de "O Conhecimento Secreto" de David Hockney
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