sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

MOACYR FÉLIX DE OLIVEIRA - Rio de Janeiro 1926 -2005 /
Filósofo graduado na Sorbone e advogado. Foi fundador
e diretor de importantes publicações culturais, principalmente
de poesia. Integrante da chamada "Geração de 45". De 1956 a 1958,
foi responsável pela seção de poesia do jornal cultural Para Todos,
editado pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), e dirigido por
Jorge Amado e Oscar Niemeyer. Em 1962 e 1963, foi organizador
e prefaciador dos três volumes da série Violão de Rua, seleção
de varios poetas em livro de bolso, feita para o Centro Popular de Cultura
(CPC) da União Nacional dos Estudantes (UNE), interrompida pelo
golpe militar de 64. Foi também diretor, de 1963 a 1971, da Coleção
Poesia Hoje, da editora Civilização Brasileira, que juntamente com as
coleções Poesia Sempre e Poesia Viva, publicaria mais de uma centena
de poetas, em sua maioria jovens estreantes de várias partes do país,
e alguns já então se consagrando ou consagrados, como Carlos Nejar,
Paulo Mendes Campos, Affonso Romano de Sant'Anna, Mario Faustino,
Joaquim Cardoso, Dantas Motta, Nauro Machado, Geir Campos, José
Godoy Garcia, Fernando Mendes Viana, Ivan Junqueira, entre
outros. Nesse meio tempo, em 1956, foi membro do conselho diretor,
e depois, de fins de 1966 até 1972, foi diretor da coleção Perspectivas
do Homem, que compreendia mais de uma centena de livros de filosofia,
política, sociologia, estética e economia, publicada pela editora Civilização
Brasileira, então propriedade do editor Ênio Silveira. Em 1965, Moacyr Félix
foi do conselho de redação e depois secretário da famosa Revista da
Civilização Brasileira, editada por Ênio Silveira. Em 1966, tornou-se
diretor desta revista que foi um marco na história cultural do país, ajudando a
formar toda uma geração de brasileiros. No mesmo ano, foi também um dos idealizadores, junto com Ênio Silveira, da editora Paz e Terra. Durante anos,
até 1972, ocupou alí o cargo de diretor. Alí, ainda, foi secretário, desde a
fundação, e diretor, em 1969, da revista Paz e Terra, fundada em 1966 e
criada com o abjetivo de ser centro de autores e idéias favoráveis aos
valores do humanismo e à incrementação filosófica do movimento da
Teologia da Libertação. Em abril de 1986, Moacyr Félix foi protagonista
de um feito inédito. Em ligação direta do Rio de Janeiro, leu para os
tripulantes da espaçonave Myr, na órbita da Terra, o seu poema que comemorava os 25 anos da subida do primeiro cosmonauta, Yuri Gagarin,
ao espaço. Simultaneamente, seu texto era transmitido em russo para toda
a União Soviética. Foi casado desde 1952 com a sueca Brigitta Lagerblad ( a Kaj) com quem teve três filhos. / OBRA: "Cubo de Trevas" (poemas de 1944
a 1948) Rio de Janeiro - Agir, 1948 / "Lenda e Areia" - Rio de Janeiro -
revista Branca 1950 / "Itinerário de uma Tarde" - Karlshamm (Suécia),
Ragnar Lagerblad Förlag 1953 / "O Pão e o Vinho" (poemas de 1953 a 1959)
Rio de Janeiro, Antunes 1959 / "Canto Para as Transformações do Homem" -
Rio de janeiro - Civilização Brasileira 1964 / "Um Poeta na Cidade e no Tempo" - Rio de Janeiro, Civilização Brasileira 1966 / "Canção do Exilio Aquí" - Rio
de Janeiro - Civilização Brasileira 1977 / "Invenção de Crença e Descrença" -
Rio de Janeiro - Civilização Brasileira 1978 / "Em Nome da Vida" - Rio de
Janeiro - Civilização Brasileira - São Paulo - Massao Ohno 1981 / "Neste Lençol" - Rio de Janeiro - Civilização Brasileira 1977 /
"Singular Plural" - Rio de Janeiro - Editora Record 1998 /
"Introdução a Escombros" - Rio de Janeiro - editora Bertrand do Brasil 1999

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

NO MEIO DE TUDO ISSO
A China a vender fuzis para os soldados de Pinochet. / O Afeganistão invadido pelas tropas soviéticas que matam e morrem, / entre as montanhas em que o Pentágono desenha Tróias e desastres. / O Oriente Medio servindo de pasto as maquinações da CIA. / O Camboja inteiramente ensangüentado pelo "marxismo" de Pol Pot. / Salvadorenhos são mortos pelas armas made in USA. / Argentinos, brasileiros, bolivianos e chilenos aprendem nos EUA / como torturar argentinos, brasileiros, bolivianos e chilenos.

TRIMANO - Poster poema / nanquim e cor aplicada - Editora Europa / Rio de Janeiro 1986

A ONU a reunir-se com senhores de gravata / fotografados e sempre sorrindo, sorrindo. / Há mais de vinte milhões de menores abandonados neste país / em que velhos definham lambendo o tronco das árvores, / tão áspero como a pensão dos que não têm mais nada para alugar. / A URSS financiou os que metralharam comunistas na Eritréia? / A mesma URSS que apóia uma claridão cubana e ainda adolescente / no Caribe cercado por uma escuridão de lingua inglesa? / Não sei, mas sei que a certeza se espadana no próprio anzol / das incertezas colhidas pelo coração que sofre, pensa e faz. / Sei que a imprensa mente, a televisão mutila e a liberdade morre / sob a ordem em que se tece o mando de poucos e a submissão de muitos. / E que Ronald Reagan é uma figura de gomalina e creme contra as rugas / entronizada por quatrocentos empresários que mastigam o século / em chicletes que se esticam como a corrupção nos que governam.
E eu no meio de tudo isso? E eu / na poeira de tantas perguntas sem resposta / na veia aberta para o vazio e para a história / ou sobre a colcha amarrotada pelos rodopiáres da volúpia / o tapete manchado pelo pipi da cachorrinha / a lista de impostos a pagar / e as latas da memória, usadas, tão a esmo usadas / pelos pincéis de uma bêbada lembrança?

Fotomontagem - Revista OPUS Internacional 1970/80

O que eu não posso, em meu poema, é continuar / almoçando letras de jornais e teses de doutorado / enquanto a noite nos espera com desertos / no final de cada luz em que se apaga o dia / com a fome de todas as verdades que não estavam / nas letras dos jornais e nas teses de doutorado. / O que eu não posso é continuar / perguntando "E eu com tudo isso?" / enquanto cada ato que faço me insere / na própria face de tudo isso que indago.

Fotomontagem - Revista OPUS Internacional 1970/80

O que eu não posso, aquí, é nestas ruas aceitar-me / digitado sem o perfil das minhas sombras / na sombra dos que não me vêem e se fizeram / cães de guarda do poder em que se alienam Estado e ideologias. / O que não posso é sentir-me em tudo isso e não ser / a ferida aberta na grande curva do horizonte / pelo uso dos medos que se fardam / com a escuridão acumulada nas injustiças da riqueza. / O que eu não posso é pensar tudo isso sem pensar-me / sob os vendavais de uma carta que se queima / no olho sempre aberto dos Guevaras deste século. // O que eu não posso é padecer isso tudo e não fazer-me / lenha a queimar-se no calor das praças. / Numa alegria passiva, alí, o povo é reunido / com anima enganada e ainda incônscio / de ser ele, com suas mãos e o seu suor, a força / que move nos porões da história principal / as alavancas do dia e o chão das coisas inventadas. / Mentirosos, os holofotes iluminam os atores e as atrices / das glórias de ter fingido o ser / a voz dos que são pobres, a voz dos que não têm / condições iguais de microfone e luz.
O que eu não posso é perguntar como indivíduo e não / ver a beleza da vida a singularizar-se erótica / na mulher que nada na sua quase nudez numa piscina / como se fosse, ela própria, um recado azul / para os desejos da noite em minha retina. / Perguntar por tudo isso, como poeta, e não ler / além dos diccionários o tempo que circula / o dia de amanhã sob outros mundos esboçado / para o menino que bebe o leite e perde o pão / numa cozinha do tamanho do mundo em que penso.

fotomontagem - Revista OPUS Internacional 1970/80

Não posso é perguntar assim e não marcar no mapa / o caminho, o longo caminho, o difícil caminho / das mentes que se carregam como um fósforo aceso / nos escuros. O que devo, eu sei, é sempre relembrar-me / que a utopia é necessária, que o nosso ar é o das imagens / em que a necessidade morre e o ser humano dança / entre as nuvens e com a Terra inteira nas mãos. // Porque a vida humana é um perguntar que anda / e viver, por isso mesmo, é ser a boca da luz / em que se gera o sol. Porque essencialmente somos / a fome do fogo em que ele existe / a ondular o mar, a fabricar as chuvas e a iluminar / os olhos do amanhecer que sempre volta / depois que a noite leva os mortos. // Não posso é ver tudo isso sem ver-me também / quebrado entre todas as vidas que se quebram / no dia do homem a compor-se em mil pedaços / que as atuais definições da história não definem. / O que eu não posso é deixar de recolher / em cada detalhe o vulto veloz de uma totalidade / que se apaga e que se acende, súbito clarão / de um farol a iluminar-nos em cada ato que fazemos. / E continuar, portanto, perguntando, perguntando / até que a morte não traga mais pergunta alguma / em sua eternidade oca e sem resposta alguma. MOACYR FÉLIX - de Antologia Poética / Editôra José Olimpio - Rio de Janeiro 1981

domingo, 10 de janeiro de 2010

Ontem é Hoje ou Histórias de Agora TRIMANO - Série "O Negro" - estudos de cabeças sobre fotografias de Christiano Junior / caneta esferográfica / 2001
"O objetivo claro na série O Negro, diz Trimano, é "a intenção é mostrar a história desta gente através de papéis rasgados". Na história do apagamento da memória, houve a ordem do Ministro da Fazenda Rui Barbosa em 14 de dezembro de 1890 de queima de todos os papéis, livros de matrícula, documentos cartoriais e registros fiscais relativos à escravidão existentes em órgãos de sua Pasta. Os motivos eram extirpar a "mancha negra" da escravidão, embora visassem preservar o Tesouro das reivindicações de indenização dos antigos senhores escravocratas. No entanto, o que foi apagado lá permaneceu - no pequeno gesto, no olhar trocado com a câmera, no grão da voz no seu silêncio, no fundo da alma - mas não víamos, Foi mais conveniente "queimar" a memória da "mancha negra" por razões de Estado (elas discrepariam fundamentalmente das razões da clase dominante?) do que manté-las vivas como testemunho. Porque esqueceram de perguntar aos ex-escravos se era possível esquecer as provas, ainda mais necessárias hoje. Trimano recupera a câmera discreta de Christiano Junior, com sua serena organização dos corpos e oficios dos escravos, para lançá-la no centro da "tragédia humana" brasileira: O Negro . A literatura de Joseph Conrad abordou a falência do discurso eurocêntrico e do projeto colonial europeu, Trimano trabalha esta falência como base remota, mas concreta, do atual sistema de desigualdades sociais no Brasil. A espesura da dominação no Brasil em pleno século XXI (regime de escravidão rural, imobilidade social, formas de racismo, concentração estadual de renda gerando colonialismo interno crescente, etc) ganham sua espesura histórica. Trimano converte a fotografia de Christiano Junior - mesmo se nelas os escravos aparentavam não sofrer torturas - numa espécie de diagrama da opacidade social do presente. O esforço é de montagem, cesura. A dolorida história se costura por arames farpados e ramagens de espinho. O Negro se posta como lugar do não esquecido, porque é impossível esquecer." ____________________________________________________________________________ "Em Vigiar e Punir, Michel Foulcault tratou do modo como a criminologia administrou historicamente o corpo dos condenados. Foulcault discutiu a distribuição dos corpos na arquitetura dos presídios, como panóptico, desenvolvido na Europa a partir do século XVIII. Na escravidão, os corpos eram aprisionados por objetos, extensão deles próprios, como os troncos e gargalheiras. Este foi um temário da iconografia européia do século XIX, de artistas como Debret e Rugendas. Trimano trata de modo analítico de uma prisão do corpo pela história. Foulcault e Franz Fanon trataram do indivíduo apropriado pelo medo e pela internalização dos valores e procedimentos da dominação. Por isso, cada desenho de O Negro é um lugar imaginário do corpo. Na série, Trimano intercala seus estilemas - moedas, prato vazio, o peso, os pedaços de fita gomada simulando emendar as partes rasgadas - com uma construção simbólica que se dá como alegoria, metáfora ou também desconstrução do imaginário cordial brasileiro, entre o monumento antropológico de Gilberto Freire e a crítica social de Sergio Buarque de Holanda" / PAULO HERKENHOFF - Rio de Janeiro 26 de outubro de 2004 Trechos do texto de apresentação da exposição "Série "O Negro", estudos sobre a fotografia de Christiano Junior" / Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro - 2005 ___________________________________________________________________

Cabeça I

Cabeça II

Cabeça III

Cabeça IV

Cabeça V

Cabeça VI

Cabeça VII

Cabeça VIII

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Cabeça IX

Cabeça X

Cabeça XI

Cabeça XII

OS POETAS / TONINHO VAZ / BRASIL 3 biografias

foto: Fernando Angulo

ANTONIO CARLOS MARTINS VAZ (Toninho Vaz) / Curitiba 1947. É jornalista e roteirista de televisão. Começou escrevendo no Diário do Paraná, em 1969. Foi editor e colaborador de diversos jornais alternativos nos anos 70 e 80 - Anexo, Raposa, Polo Cultural, Pasquim, Nicolau. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1974. É casado com Naná Gama e Silva e tem uma filha, Maria Carolina. Trabalhou como editor de texto na Rede Globo durante quatorze anos. De 1995 a 1998 viveu em Nova York. Atualmente mora e trabalha em Santa Teresa, Rio de Janeiro / ______________________________________________________ (Estes 3 livros que escrevi na década que se encerra, retratam as vidas e as obras de dois poetas e um empresário pioneiro no cinema comercial.)
A biografia de Paulo Leminski, chamada "O Bandido que Sabia Latim, foi publicada em 2001 e está na terceita edição. A pesar de ter convivido com o personagem (meu amigo Paulo), produzí mais de 40 entrevistas ao longo de dois anos de pesquisas. Para não haver confusão, fiz uso de um código gráfico na narrativa: sempre que o texto aparece na primeira pessoa, produzindo um depoimento pessoal, a fonte aparece em itálico. / Editora Record
Este livro vai contar a história de Paulo Leminski Filho, o mais iluminado e reverenciado poeta curitibano. Esta biografia não pretende analisar o valor de sua obra e nem discutir a qualidade de seu trabalho - tarefa esta que deve ser delegada a quem de direito: os críticos literários. Aquí se pretende fornecer elementos que possam explicar a existência e a personalidade de um intelectual tão singular e criativo como Paulo Leminski, poeta responsável pela insurreição da fantasia, o autodenominado "cachorrolouco", "a besta dos pinheirais", "o ex-estranho", "o que chegou sem ser notado". / TONINHO VAZ ____________________________________________________________________
PAULO LEMINSKI FILHO / Curitiba - 1944 - 1989 / Mestiço de pai polonés e mãe negra. A sua poesia recebeu influências do haicai e dos ditados populares. Em 1958 , aos 14 anos foi para o Mosteiro de São Bento em São Paulo e lá ficou o ano inteiro. Leminski, que era amigo dos paulistas Decio Pignatari e Haroldo de Campos, que o definiú como "Rimbaud curitibano com físico de judoca, escandindo versos homéricos, como se fosse um discípulo Zen do Bashô", fez a sua estreia em 1964, na revista "Invenção", dirigida por Pignatari. A música sempre esteve relacionada com a sua obra, uma de suas paixões, chegando a produzir letras em parceria com os principais compositores e intérpretes da MPB. Entre 1984 e 1986 foi tradutor de Alfred Jarry, James Joice, John Fante, John Lennon, Samuel Beckett e Yukio Mishima. Leminski foi um estudioso da lingua e a cultura japonesas, e publicou em 1983 uma biografia de Bashô. Alem de escritor, também era faixa preta em judó. A sua obra marcou todos os movimentos poéticos dos últimos 30 anos. "O Bandido que Sabia Latim" era, segundo o definiú Caetano Veloso "uma mistura de concretismo com beatnik". / TRIMANO - 2010
"...o pauloleminski / é um cachorro louco / que deve ser morto / a pau e pedra / a fogo e a pique / senão é bem capaz / o filhodaputa / de fazer chover / em nosso piquenique..." - P.L

foto da capa: Dico Kremer

SUMÁRIO / Prefácio: O tal das químicas / Capítulo I: A Plenos pulmões / Capítulo II: Uma luz na cidade / Capítulo III: A vida no mosteiro e além / Capítulo IV: Curitiba, por trás da neblina / Capítulo V: Com o diabo no corpo / Capítulo VI: Delírios e noites cariocas / Capítulo VII: O dia da criação / Capítulo VIII: A cruz do Pilarzinho / Capítulo IX: O poeta descalço / (O resto imortal) / Capítulo X: Perhappines _______________________________________________________________
TORQUATO NETO - Teresina / Piauí 1944 - Rio de Janeiro 1972 / Poeta e jornalista. Foi um dos mais importantes letristas do "Movimento Tropicalista", criado no inicio dos anos 60, junto com Caetano Veloso, Gilberto Gil, José Carlos Capinan e Jards Macalé. Disse: "Assumir completamente tudo que a vida dos trópicos pode dar, sem preconceitos de ordem estética, sem cogitar de cafonice ou mau gosto, apenas vivendo a tropicalidade e o novo universo que ela encerra, ainda desconhecido". Também participou do chamado "Cinema Marginal", junto ao cineasta Ivan Cardoso e ao artista plástico Hélio Oiticica. Em 1971, farto da opressão do regime militar e do "patrulhamento ideológico do esquerdismo", escreve a Oiticica "O chato Hélio, aquí, é que ninguém mais tem opinião sobre coisa alguma. É o que eu chamo de conformismo geral, é isso mesmo, a burrice, a queimação de fumo o dia inteiro, aquí é escapismo. Em fim poesia sem poesia, papo furado, ninguém está em jogo, uma droga. Tudo parado, odeio". Torquato se matou um dia depois do seu 28 aniversário em 1972. Depois de voltar de uma festa, trancouse no banheiro e abriú o gas.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

foto da capa: Ivan Cardoso

"...eu sou como sou, vidente, e vivo tranqüilamente todas as horas do fim..." / de Os Últimos Dias de Paupéria
O livro que trata de TORQUATO NETO, o poeta piauiense, nasceu com o estigma dos malditos, pois foi ameaçado de processo judicial pela familia (a viúva) e a solução foi trocar de editora, o que apenas lhe prejudicou a trajetória comercial. Também neste caso tive que realizar dezenas de entrevistas em Teresina, Rio e São Paulo, cidades onde o tropicalista viveu. Gosto muito deste trabalho. Editora Casa Amarela 2005

Trimano / Retrato de Torquato Neto, nanquim, feito especialmente para a edição do livro. Não foi publicado por omissão da editôra.

SUMÁRIO / Prefácio: Atos plenos em vários planos /
Capítulo I: Sem limites / Capítulo II: O menino impossível /
Capítulo III: Poesia seca faz chover no Nordeste / Capítulo IV:
Nas águas da Guanabara / Capítulo V: Agora, o nunca /
Capítulo VI: Com a boca no trombone / Capítulo VII: A explosão
tropical / Capítulo VIII: Dando um rolé / Capítulo IX: Nas malhas
do engenho / Capítulo X: O dia D / Capítulo XI: Marcas no asfalto
O REI DO CINEMA, lanzado em 2007, aborda, alem
das conquistas do "velho" Severiano Ribeiro, dono
da maior cadeia de cinemas do Brasil, também
as do filho, Ribeiro Junior, responsável pelas
chanchadas da Atlántida e pelo cinejornal
Atualidades Atlántida. Os arquivos da familia
e da Atlántida ajudaram na composição de uma
publicação inédita na medida em que ninguém
antes tivera acesso a este acervo de documentos e fotos.
Toninho Vaz - Rio de Janeiro 2010
O DIÁRIO GRÁFICO de Renato Alarcão

Diário Gráfico - capa

RENATO ALARCÃO é carioca. Formado em design gráfico pela UFRJ / Universidade Federal Fluminense. Fez mestrado em ilustração na School Of Visual Arts de Nova York. Estudou também no The Center For Book Arts, uma escola voltada para o resgate das tradições do livro. Como ilustrador publicou nos jornais The New York Times, Le Monde Diplomatique, e Folha de São Paulo, alem de diversas revistas e livros infantis e juvenis. Alarcão é profesor de artes visuais e nesta atividade ja levou seus cursos para diversas cidades brasileiras. Na atualidade mora e trabalha em Niteroi, Rio de Janeiro.

página I

O DIÁRIO GRÁFICO PODE SER SEU DIVÂ DE BOLSO / A prática de trabalhar em cadernos, para registro das nossas fugaces idéias, como suporte para o observador do cotidiano ou para experimentação gráfica e conceitual, é uma atividade que segue mais acesa do que nunca. Não se trata de um modismo, mas de uma descoberta. Vive e trabalha melhor - ou mais criativamente - aquele que tem seus cadernos a postos para qualquer eventualidade, sem compromiso e sem regras. Os "Diários Gráficos" como assim os tenho chamado, tem se mostrado um local de ilimitada liberdade para expressão criativa, experimentação e descobertas. Acredito que é justamente na possibilidade de encontrar-se com o acaso e com o não-planejado, que enriquecemos a experiência do processo criativo. Ao abrir portas não-exploradas e relativizarmos a questão do erro podemos incorporar novas descobertas á nossa "biblioteca" do fazer artistico. "Brincar" nos cadernos e também um processo meditativo de reeducação do olhar, de organização das ideias. Alí faço minha compilação de reflexões, sensações e quaisquer outros elementos que me chamem atenção, sejam eles desenhos, palavras, fragmentos, achados, fotos e cores, os erros e acidentes com tintas, texturas e linhas. RENATO ALARCÃO - Rio de Janeiro 2010

página II

página III

página IV

página V

página VI

página VII

página VIII

contracapa

ARTE E POLÍTICA / Dario Villalba
DARIO VILLALBA - San Sebastián - Espanha 1939
Compondo com fotografias retiradas dos arquivos
hospitalares e policiais, Villalba constroi um relato denso
dos avatares do humano; o estado de "alma" das pessoas.
Utiliza a fotografia ampliada em grandes dimensões
como se fosse uma pintura, e utiliza materiais de emprego
industrial como o polyester e o acrílico. Assim como seu
contemporáneo Rafael Canogar, passado o período dos
70, que na Argentina se denominou de "O Processo",
evoluiú para o abstracionismo.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Villalba - ENFERMO - construção móvel, óleo sobre tela, emulsão fotográfica, aluminio e metacrilato - 162 x 135 x 267 cm. / 1973

Villalba - ENFERMO - detalhe

montagem

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO HOMEM / Proclamada pelas Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948 _______________________________________________________ A Assembleia Geral proclama: A presente Declaração Universal dos Direitos do Homem como o ideal comum a ser atingido por todos os povos de todas as nações, com o objetivo de que cada individuo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre povos dos próprios Estado-Membros, quanto entre povos dos territórios sob sua jurisdição.

Villalba - "LA ESPERA BLANCA" - construção tridimensional, óleo, emulsão fotográfica, aluminio e metacrilato - 255 x 134 cm. / 1970

Villalba - "DELINCUENTE" - construção móvel. acrílico sobre tela e emulsão fotográfica, aluminio e plexyglás - 140 x 243 cm. / 1973

Villalba - "DÍPTICO JONES-RAYA-ROJA" - técnica mixta e emulsão fotográfica - 250 x 200 cm. / 1968-1999

1 / Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.
2 / 1 - Todo homem tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidas nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, lingua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer condição. 2 - Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição política, jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa, quer se trate de um território independente, sob tutela, sem governo próprio, quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania.
3 / Todo homem tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

Vista Parcial da exposição Dario Villalba no Louisiana Museum - Dinamarca 1975

Idem

Villalba - "MANO" - óleo sobre tela - 170 x 140 cm. / 1983

Villalba - "LÁGRIMA MALVA III" - óleo sobre tela 170 x 140 cm. / 1983

Villalba - "ANGULOS" - óleo sobre tela - 200 x 160 cm. / 1981

4 / Ninguém será mantido em escravidão ou servidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas.
5 / Ninguém será submetido a tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.
6 / Todo homem tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei.
7 / Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.
8 / Todo homem tem direito a receber dos tribunais nacionais competentes remédio efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei.
9 / Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.