domingo, 29 de novembro de 2015

A série "Canto Geral - Ilustrações de Luis Trimano
Sobre Poemas de Pablo Neruda", é composta de 33
desenhos nas dimensões 75 X 50 cmts, realizados
em nanquim e esferográfica, montados na forma
de tríptico vertical, medindo cada painel 1.50 X 75 mts.
alguns dos desenhos das composições, podem ser
expostos de forma autónoma, independentemente
do conjunto. A série, acompanhada de trechos dos poemas,
será exposta no Centro Cultural Laurinda Santos Lobo,
Santa Teresa, Rio de Janeiro, de 12 de dezembro de 2015,
a 17 de janeiro de 2016.

PABLO NERUDA


CANTO GERAL DE PABLO NERUDA

Canto Geral é uma obra atípica e representa
uma reviravolta na poética de Neruda.
O livro foi escrito em circunstâncias adversas,
quando Neruda, membro do Partido Comunista,
sofria forte perseguição pela policia política 
do ditador chileno Gonzalez Videla, sendo obrigado 
a transpor a Cordilheira dos Andes e refugiar-se
no exterior.
Lançado em 1950, o livro teve duas primeiras edições,
quase idênticas, uma oficial e pública, no México,
e outra clandestina no Chile.
Concebido inicialmente como um Canto Geral do Chile,
ou mais precisamente, como uma obra de contornos épicos
que abarcasse toda a geografía da história do Chile,
e suas repercussões no homem, o projeto, iniciado em 1938
viria a transformarse com o tempo - depois de uma visita
efetuada pelo poeta às ruínas de Macchu Picchu, 
nos Andes Peruanos, em 31 de outubro de 1943 - num
Canto Geral da América.

dados extraídos da Wikipédia 

CANTO GERAL - detalhe


CANTO GERAL - detalhe


CANTO GERAL - detalhe


CANTO GERAL

tudo é silêncio de água e vento.

mas nas folhas espia o guerreiro.

entre os lariços um grito

uns olhos de tigre em meio
às alturas da neve.

olha as lanças a descansar.

escuta o susurro do ar
atravessado pelas flechas.

olha os peitos e as pernas
e as cabeleiras sombrias
brilhando à luz da lua.

olha o vazio dos guerreiros.

não há ninguém, trina a diuca
feito água na noite pura.

cruza o condor o seu vôo negro.

não há ninguém. escutas? é o passo
do puma no ar e nas folhas.

não há ninguém. escuta. escuta a árvore,
escuta a árvore araucana.

não há ninguém. olha as pedras.

olha as pedras de Arauco.

não há ninguém, somente as árvores.

somente as pedras, Arauco.

tradução: Paulo Mendes Campos

CANTO GERAL - tríptico


CANTO GERAL - detalhe


CANTO GERAL - detalhe


CANTO GERAL - detalhe - Bolívia


CANTO GERAL - tríptico


CANTO GERAL - detalhe


CANTO GERAL - detalhe


CANTO GERAL - detalhe


CANTO GERAL

aqui vem a árvore, a árvore
da tormenta, a árvore do povo.

da terra sobem os heróis
como as folhas pela seiva,
e o vento despedaça as folhagens
de multidão rumorosa,
até que cai à semente
do pão outra vez na terra.

aquí vem a árvore, a árvore
nutrida por mortos desnudos,
mortos açoitados e feridos,
mortos de rostos impossíveis,
empalados sobre uma lança,
esfarelados na fogueira,
decapitados pela acha,
esquartejados a cavalo,
crucificados na igreja.

tradução: Paulo Mendes Campos

CANTO GERAL - detalhe


CANTO GERAL - detalhe


CANTO GERAL - detalhe


CANTO GERAL - detalhe