A fotografia, responsável pela mudança
na maneira de olhar, tem sido o meio mais rápido
e direto de comunicação visual. Mais ainda que
o cinema ou a televisão que precissam de um local
ou residência para sua exibição. A fotografia está
nas ruas, nos anuncios, nas bancas de jornal,
é presença constante no nosso cotidiano.
O serviço de ilustrador para a imprensa,
desenvolvido durante anos, me fez
reavaliar a importância que a fotografia teve
no desenvolvimento do meu trabalho pessoal.
Desde a adolescência, alem do desenho
com modelo vivo, prática quase extinta hoje,
o ponto de partida para a construção
dos desenhos, eram fotografias. Algumas delas
guardei por quase 50 anos. A observação da realidade
pelo olho de outros artistas, acabou orientando
meu interesse para as imagens produzidas pela lente,
coajuvante do olho, e muitas vezes reveladora de aspectos
que o olho não registra. Suponho que seja esse o fascínio
que a foto nos provoca, fascinio pelo "tempo congelado".
É desse tempo do trabalho nas redações, que vem meu interesse
pelo retrato fotográfico autoral, bastante utilizado
na imprensa comercial e alternativa dos anos 70,
e coexistindo nas páginas dos jornais com as caricaturas
raivosas que publicamos durante a censura fechada.
Sempre me chamou a atenção a "troca"
que se estabelece entre o meu olhar, vivo, e o olhar parado, "congelado"
da pessoa, na foto escolhida para fazer o desenho.
Nessa "troca" surgem sempre "revelações" sobre a vida do retratado.
os gestos do rosto, na sua "teatralidade" revelam o interior.
Também o clima dado pela coloração da luz no momento em que a foto foi tirada,
e o estado de espírito do modelo. Vemos gestos inesperados que "aparecem" nas fotos de pessoas cuja imagem a publicidade acaba tornando efigies. Ícones
rotineiros que invadem as páginas das revistas e jornais como marionetes
sorridentes anunciando falsas promesas de um mundo feliz...
O retrato fotográfico autoral, devolve o retratado ao" mundo real", lhe devolve a humanidade que a publicidade substrai.
O propósito deste blog é o de mostrar o trabalho do ilustrador,independente das regras impostas pelo mercado,nas quatro disciplinas praticadas por mim, em diferentes momentos e veículos: A Caricatura na Imprensa,A Ilustração na Imprensa,A Ilustração Editorial e O Poema Ilustrado. Também são mostradas modalidades diferentes das mesmas propostas como: Montagens das exposições e a revalorização do painel mural, através das técnicas de reprodução digital em baner.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
quarta-feira, 16 de maio de 2012
terça-feira, 15 de maio de 2012
Desde o inicio do meu trabalho na imprensa, ao "desconstruir" o rosto num retrato caricatural, o que me interessava, mais do que a atualidade do fato comentado ou a ridicularização do personagem em questão, era que fosse um desenho de expressão autônoma. Que refletisse de forma crítica o lado oculto que cada pessoa guarda dentro de si, seus avatares novelescos e a sua história: terrível, bela ou monstruosa, exposta na máscara do rosto.
Tudo isso me fascinava. A presença do material fotográfico na mesa de desenho ao iniciar o trabalho, o jogo das imagens, varias fotografias de uma mesma pessoa, cuja fisionomia mudava até parecer outro em cada foto, lembrando as experiências de Warhol com a cámera Polaroid.
O teatro social que representamos todos, do qual a fotografia sempre foi o melhor documento. E os períodos tortuosos, em que a máscara do rosto se animalizava nas caricaturas fazendo desaparecer qualquer vestígio de humanidade naquelas fases.
Por trás das aparências, os retratos fotograficos nos "informavam"...
Trimano - Rio de Janeiro - maio de 2012
Tudo isso me fascinava. A presença do material fotográfico na mesa de desenho ao iniciar o trabalho, o jogo das imagens, varias fotografias de uma mesma pessoa, cuja fisionomia mudava até parecer outro em cada foto, lembrando as experiências de Warhol com a cámera Polaroid.
O teatro social que representamos todos, do qual a fotografia sempre foi o melhor documento. E os períodos tortuosos, em que a máscara do rosto se animalizava nas caricaturas fazendo desaparecer qualquer vestígio de humanidade naquelas fases.
Por trás das aparências, os retratos fotograficos nos "informavam"...
Trimano - Rio de Janeiro - maio de 2012
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