quinta-feira, 17 de maio de 2012

A fotografia, responsável pela mudança
na maneira de olhar, tem sido o meio mais rápido
e direto de comunicação visual. Mais ainda que
o cinema ou a televisão que precissam de um local
ou residência para sua exibição. A fotografia está
nas ruas, nos anuncios, nas bancas de jornal,
é presença constante no nosso cotidiano.
O serviço de ilustrador para a imprensa,
desenvolvido durante anos, me fez
reavaliar a importância que a fotografia teve
no desenvolvimento do meu trabalho pessoal.
Desde a adolescência, alem do desenho
com modelo vivo, prática quase extinta hoje,
o ponto de partida para a construção
dos desenhos, eram fotografias. Algumas delas
guardei por quase 50 anos. A observação da realidade
pelo olho de outros artistas, acabou orientando
meu interesse para as imagens produzidas pela lente,
coajuvante do olho, e muitas vezes reveladora de aspectos
que o olho não registra. Suponho que seja esse o fascínio
que a foto nos provoca, fascinio pelo "tempo congelado".
É desse tempo do trabalho nas redações, que vem meu interesse
pelo retrato fotográfico autoral, bastante utilizado
na imprensa comercial e alternativa dos anos 70, 
e coexistindo nas páginas dos jornais com as caricaturas
raivosas que publicamos durante a censura fechada. 
Sempre me chamou a atenção a "troca"  
que se estabelece entre o meu olhar, vivo, e o olhar parado, "congelado"
da pessoa, na foto escolhida para fazer o desenho.
Nessa "troca" surgem sempre "revelações" sobre a vida do retratado.
os gestos do rosto, na sua "teatralidade" revelam o interior.
Também o clima dado pela coloração da luz no momento em que a foto foi tirada,
e o estado de espírito do modelo. Vemos gestos inesperados que "aparecem" nas fotos de pessoas cuja imagem a publicidade  acaba tornando efigies. Ícones
rotineiros que invadem as páginas das revistas e jornais como marionetes
sorridentes anunciando falsas promesas de um mundo feliz...
O retrato fotográfico autoral, devolve o retratado ao" mundo real", lhe devolve a humanidade que a publicidade substrai.
    




quarta-feira, 16 de maio de 2012

O retrato fotográfico - NELSON CAVAQUINHO - Rio de Janeiro 1911-1986 - Compositor e sambista - Teatro "Opinião" 1972 - foto: Ary Costa Pinto


O retrato fotográfico - MARIO DE ANDRADE - São Paulo 1893-1945 - Brasil - Poeta e escritor


O retrato fotográfico - GRANDE OTELO - (pseudónimo de Sebastião Bernardes de Souza Prata) - Uberlândia, Minas Geraes 1914 - París 1993 - Ator


O retrato fotográfico - CARTOLA - (Agenor de Oliveira) - Rio de Janeiro 1908-1980 - Compositor e cantor


O retrato fotográfico - BENJAMIM DE OLIVEIRA - Pará de Minas 1870 - Rio de Janeiro 1954 - Palhaço e compositor


O retrato fotográfico - MACHADO DE ASSIS - Rio de Janeiro 1839-1908 - Escritor


CARLOS FUENTES - 1928-2012 - México

foto: Juan Rulfo


O retrato fotográfico - AFONSO HENRIQUEZ LIMA BARRETO - Rio de Janeiro 1881-1922 - Escritor- foto: Biblioteca do Instituto de Psiquiatria da UFRJ 1914.


O retrato fotográfico - AUGUSTO MALTA - Mata Grande 1864 - Rio de Janeiro 1957 - Fotógrafo


terça-feira, 15 de maio de 2012

O retrato fotográfico - ELSA SOARES - Rio de Janeiro 1937 - Cantora e compositora - foto: Madalena Schwartz


O retrato fotográfico - CASTRO ALVES - Curralinho 1847 - Salvador, Bahia 1871 - Brasil - Poeta


O retrato fotográfico - OSWALDO GOELDI - Rio de Janeiro 1895-1961 - Brasil - Gravador


O retrato fotográfico - VINICIUS DE MORAES - Rio de Janeiro 1913-1980 - Brasil - Poeta


Desde o inicio do meu trabalho na imprensa, ao "desconstruir" o rosto num retrato caricatural, o que me interessava, mais do que a atualidade do fato comentado ou a ridicularização do personagem em questão, era que fosse um desenho de expressão autônoma. Que refletisse de forma crítica o lado oculto que cada pessoa guarda dentro de si, seus avatares novelescos e a sua história: terrível, bela ou monstruosa, exposta na máscara do rosto. 
Tudo isso me fascinava. A presença do material fotográfico na mesa de desenho ao iniciar o trabalho, o jogo das imagens, varias fotografias de uma mesma pessoa, cuja fisionomia mudava até parecer outro em cada foto, lembrando as experiências de Warhol com a cámera Polaroid.
O teatro social que representamos todos,  do qual a fotografia sempre foi o melhor documento.  E os períodos tortuosos, em que a máscara do rosto se animalizava nas caricaturas fazendo desaparecer qualquer vestígio de humanidade naquelas fases.
Por trás das aparências, os retratos fotograficos nos "informavam"...
Trimano - Rio de Janeiro - maio de 2012

O retrato fotográfico - TSUGUHARU FUJITA - Tóquio 1886 - Zurique, Suiça 1968 - Pintor


O retrato fotográfico - DAVID ALFARO SIQUEIROS - Chihuahua 1896 - Cidade do México 1974 - Pintor e muralista - na foto: "A Marcha da Humanidade na América Latina" - mural externo - Universidade da Cidade do México - período de realização 1965-1971


O retrato fotográfico - ANTONIN ARTAUD - Marselha 1896 - París 1948 - Ator e poeta


O retrato fotográfico - MIGUEL ANGEL ASTURIAS - Rosales, Guatemala 1899 - Madrid, Espanha 1974 - Escritor - foto: Sara Facio