sábado, 4 de setembro de 2010

Marcelo Brodsky

MARCELO BRODSKY - Buenos Aires - Argentina 1954 / Iniciou sua formação fotográfica em Barcelona no começo dos anos 80. Foram seus principais mestres o fotógrafo catalão Manuel Esclusa e a equipe do Centro Internacional de Fotografia, uma escola das Ramblas, onde se concentrava o acontecer fotográfico da cidade. Em novembro de 1996 mostrou seu trabalho sobre os desaparecidos do Colegio Nacional de Buenos Aires, primeiro ano, sexta divisão 1967, nesse mesmo Colegio. Marcelo Brodsky é presidente da Latin Stock, uma rede latinoamerica de imagens.

Buena Memória

O PROCESSO DE TRABALHO / Quando regressei à Argentina, depois de morar muito tempo na Espanha, estava com 40 anos, e a necessidade de trabalhar sobre a minha identidade. A fotografia, com a sua capacidade de "congelar" o tempo foi a minha ferramenta para consegui-lo. Comecei a revisar as minhas fotos de familia e da minha juventude no Colegio. Achei um retrato de grupo da nossa divisão do primeiro ano, tomada em 1967, e senti a necessidade de saber o que tinha sido da vida de cada um. Decidí convocar para uma reunião os meus ex companheiros do Colégio Nacional de Buenos Aires para um reencontro depois de 25 anos, e convidei, aos que consegui localizar, para fazermos o retrato pessoal de cada um. Ampliei em grande formato a foto de 67, a primeira em que estávamos todos juntos, para servir de fundo aos retratos, y pedí para cada um, que levase algum elemento da sua vida atual para incluir. Os retratos foram reralizados em Buenos Aires, Madrid, Robledo de Chavela (Espanha) e Nova York. Mais tarde organizou-se um ato para recordar aos companheiros do Colegio que desapareceram ou foram assassinados pelo "Terrorismo de Estado", nos anos negros da ditadura militar. Depois de vinte anos, as autoridades do Colegio aceitaram pela primeira vez que recordásemos oficialmente na Aula Magna, aos que faltam. Foi um fato histórico. Resolví trabalhar sobre a foto grande que tinha servido de fundo para fotografar os meus companheiros e escrever por cima das imagens uma reflexão sobre a vida de cada um deles. A mesma completou-se posteriormente com um texto mais extenso que acompanha os retratos. / M.B

Martin foi o melhor amigo que tive - Foi sequestrado e desaparecido em 1978

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

PUENTE DE LA MEMÓRIA / Homenagem aos 98 desaparecidos do Colegio Nacional de Buenos Aires / Acompanhando o ato, montamos uma exposição das fotos da época para transmitir aos alunos o que tinha acontecido. As fotos eram a única coisa que tinha ficado dos 98 companheiros. Uma ferramenta para transforma-los em pessoas concretas, próximas. Decidí incluir na mostra a foto do grupo do primeiro ano, modificada com meus textos e os retratos atuais dos meus companheiros. As fotos ficaram expostas no Colegio durante uns dias. A luz do sol, que atravesava as enormes janelas do claustro, batia na face dos estudantes que se detinham a observar, e produzia seu reflexo no vidro. O retrato desses reflexos é parte fundamental deste trabalho, já que representa a transmissão dessa experiência para outras gerações. / M.B

Fernando Rubén Brodsky, meu irmão, sequestrado em 14 de agosto de 1979 e desaparecido - foto de autoria da minha mãe.

Puente de la Memória

Puente de la Memória

Buena Memória

"Nos fomos criados num clima de medo, gerado pela violência do golpe militar. Tentando superar os 30.000 desaparecidos, as familias destruidas, tudo de ruim que aquí aconteceu. Todo esse "obscurantismo" que quiseram nos impor durante a década de 70, dizendo que tudo aquilo foi uma luta de bons contra maus. Podemos dizer "aquí aconteceu isto" mas nunca tivemos uma visão muito clara da questão. As fotos da exposição são comoventes. Expressam muito mais que tudo que pode expressar uma noticia no jornal. Com Puente de la Memória conseguimos um nível de transmisão de sentimentos, de circunstãncias e de emoções que dificilmente teríamos logrado sem as imagens e os depoimentos de todas as gerações envolvidas. Creio que ao olhar a foto de qualquer dos garotas e garotos daquele momento, não podemos negar que é parecido a qualquer companheiro. Nos paineis fotográficos podemos ler nas fisionomias situações semelhantes as que vivemos todos nos. Não podemos esquecer. Não podemos olhar de lado e dizer que não aconteceu nada. Devemos olhar para atrás e dizer que aquí ouve gente que pensou de uma forma, que sentiú de uma forma, que trabalhou para mudar as coisas, e também se equivocou. Somos humanos e podemos nos equivocar em algumas coisas. Mas essa gente expressou a vontade por um mundo mais solidário, com valores que hoje estão muito longe. Devemos tomar a esência, a intenção." ANDRÉS / sexto ano

Puente de la Memória

Buena Memória

Buena Memória

"Puente de la Memória"

Claudio dizia que o fim determina os meios. / Sempre foi um sugeito decidido. / Era dirigente estudantil mais exercia a liderança de modo reservado. / Cuando os "fachos" chegaram nas portas do Colégio, os enfrentou com os punhos, e lhe abriram a cabeça de uma paulada. / Suas armas sempre foram de menor calibre. / Até que o mataram.

Claudio Tisminetzky morreu num enfrentamento com o exército em 1975

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Em outubro de 1996, as Madres de Plaza de Mayo Línea Fundadora e a Fundación Histórica y Social Argentina, junto ao Centro de Estudiantes del Colegio Nacional de Buenos Aires, e um grupo de ex alunos, organizamos um ato em memôria dos desaparecidos do Colegio, que se denominou Puente de la Memória. Começamos por redigir uma lista, com os nomes dos ex alunos assassinados, e chegamos a contar 98. / Em 24 de março de 1996, foi organizada na Plaza de Mayo, uma grande exposição de artes plásticas que congregó quarenta artistas, em repúdio ao vinte aniversário do golpe militar. / M.B