O propósito deste blog é o de mostrar o trabalho do ilustrador,independente das regras impostas pelo mercado,nas quatro disciplinas praticadas por mim, em diferentes momentos e veículos: A Caricatura na Imprensa,A Ilustração na Imprensa,A Ilustração Editorial e O Poema Ilustrado. Também são mostradas modalidades diferentes das mesmas propostas como: Montagens das exposições e a revalorização do painel mural, através das técnicas de reprodução digital em baner.
terça-feira, 22 de junho de 2010
WILLIAM BURROUGHS 1914-1997 / Escritor e pintor. /
A maior parte da sua obra tem caráter biográfico. Autor
de "Almoço Nú", a sua obra mais conhecida, seguida de
"Yunkie". Burroughs utilizou uma linguagem proveniente
do uso constante de drogas alucinógenas, criando climas
fantásticos nas suas narrativas. Foi um pioneiro da literatura
experimental, sendo visto como um gurú da contracultura,
e do uso de drogas, rumo seguido pela maioria dos integrantes
da chamada Geração Beat. Considerado um "fora da lei" da
literatura contemporánea, inaugurou uma nova forma de escrever.
É o inventor do termo "heavy-metal". Quando menino estudou
numa escola para garotos no México, é em 1936 graduou-se em
Harvard. durante um período Burroughs foi morar na Alemanha.
Nesta época esteve em contato com o nazismo de Hitler, e começa
a se interessar pelos mecanismos de controle do Estado sobre
seus cidadãos, uma das problemáticas presentes na sua obra, e
sobre a qual escreveria: "desde o começo eu tenho me preocupado,
em quanto escritor, com o vicio em si (seja a droga, sexo, dinheiro
ou poder) como um modelo de controle... Burroughs era homosexual
e viciado em morfina, e seu estilo de vida era incomum para a época.
Ao morar em Chicago conheceu Jack Kerouac, o primeiro a incentiva-lo
a escrever. Em 1951, a sua esposa Joan, foi morta pelo próprio Burroughs
durante uma bebedeira, brincando de acertar um tiro num copo acentado
na sua cabeça. "Almoço Nú", onde relata a sua experiência com diversas
drogas foi escrito durante as suas viagens pela América Latina e o Marrocos,
apos a morte da sua esposa. Numa destas viagens, no México, conheceu o peyote, potente alucinógeno utilizado pelos indios. "Almoço Nú", foi proibido nos EUA por ser considerado "obceno", e reivindicado mais tarde como uma
importante obra literária. Burroughs aparece na capa do album Sto,. Pepper"s Lonely Heats Club Band, dos The Beatles, e participou de outros albuns recitando poemas, junto aos compositores Frank Zappa, John Cage e Philip Glass. William Burroughs morreu em 1997 de ataque cardíaco.
MEDITAÇÃO PELA PEDRA / A humanidade ao certo agüenta /
muita realidade / O tal "monstrinho afoito / humalnidade" /
também a agüenta / A mulherdade também / Cada variedade
também / de barro e criatura / As árvores também a agüentam /
após as folhas debandarem / após os pássaros passarem /
"altares ermos em ruinas" bem como pedras / Todos agüentam
o "duro fardo da criação" / como nós / moldados em barro
aterrados de pedra / Mestres do êxtase / LAWRENCE FERLINGHETTI -
de 'Olho e peito Abertos" 1973 - Tradução: Nelson Ascher -
Editora Brasiliense 1984
segunda-feira, 21 de junho de 2010
LAWRENCE FERLINGHETTI - 1919 / Poeta, tradutor
e principal editor dos poetas beat. Em 1953, junto
com Peter D. Martin, fundou a livraria "City Lights"
mais tarde transformada em editora, e lugar de
encontro dos poetas e escritores. Logo lança a série
"Pocket Poets", visando criar uma "efervescência
internacional dissidente". A publicação de "Uivo"
de Ginsberg, em 1956, o levou a prissão acussado
de obsenidade. Mesmo com as dificuldades criadas
nos EUA pela chamada "caça as bruxas" promovida
na época, a editora continuou impulsionando os poetas
da Geração Beat, um dos maiores movimentos de poetas
do pos-guerra, abrindo caminho para o posterior
movimento Hippie. Ferlinghetti é tradutor de poetas da Europa e
América do Sul, como o chileno Angel Parra, o francés
Jacques Prevert, e o italiano Pier Paolo Pasolini.
Livros no Brasil: "Vida Sem Fim" - Editora Brasiliense 1984 /
"Um Parque de Diversões da Cabeça" - L& PM Editora 1984 /
"7 Dias na Nicarágua Livre" - L&PM Editora 1985
POUND EM SPOLETO / Adentrei um camarote no Teatro Melisso,
o gracioso renascentista onde ocorriam todos os dias recitais de
poesia e os concertos do festival de Spoleto e subitamente vi
Ezra Pound pela primeira vez, imóvel feito uma estátua de mandarim,
num camarote de balcão no fundo do teatro, logo acima das poltronas.
Foi um choque: ver somente um ancião admirável numa postura
curiosa, magro e de cabelos longos, aquilino aos 80, a cabeça
estranhamente inclinada para um lado, imerso em permanente
abstração... Após três poetas mais jovens no palco, ele deveria ler,
desde o seu camarote, e lá estava, junto a uma amiga idosa
(que segurava seus papeis) aguardando. Observou as articulações
das prôprias mãos, movendo-as, inexpressivo, um mínimo.
Uma vez apenas, quando todos no teatro cheio ovacionavam alguém
no palco, estimulou-se a aplaudir, como que incitado por um ruido no
vazio... Todos no recinto se levantaram, voltaram-se e, olhando para trás e para cima, ovacionando, viram Pound em sua cabine. o aplauso se
prolongou e pound tentou se levantar da poltrona. Um microfone
atrapalhava. Ele segurou, com mãos ossudas, os braços da poltrona e
tentou se levantar. Não conseguiu e tento de novo e não conseguiu.
Sua amiga idosa não tento ajudá-lo. Finalmente ela colocou um poema
em sua mão e, depois de pelo menos um minuto, surgiu a sua voz.
Primeiro moveu-se a mandíbula e então surgiu, inaudível, a voz.
Um jovem italiano aproximou bastante o microfone à sua face e o
manteve ali e a voz se fez ouvir, fraca mas obstinada, mais alto do que eu esperava, uma tênue, suave salmodia. O recinto silenciou de um só golpe.
A vos me derrubou, tão suave, tão tênue, tão fraca, contudo tão
obstinada. Apoiei a cabeça nos meus braços sobre o parapeito aveludado
do camarote. Surpreendi-me ao ver uma lágrima solitária cair no meu joelho.
A voz tênue e indómita prossegia. Saí às cegas do camarote, pela porta ao fundo, para o corredor do teatro onde todos ainda sentavam voltados para ele, descí e saí, para a luz do sol, chorando... /
Acima da cidade / junto do antigo aqueduto / as castanheiras /
ainda vicejavam / Aves mudas / voavam bem baixo / no vale /
O sol brilhava / sobre as castanheiras / e as folhas / voltavam-se
para o sol / voltavam-se e voltavam-se e voltavam-se / e continuariam
voltando-se / Sua voz seguia e / prosseguia / através das folhas...
LAWRENCE FERLINGHETTI - de "Olho e Peito Abertos" - 1973 /
Tradução: Nelson Ascher
GREGORY NUNCIO CORSO / 1930-2001 /
A mãe de Corso tinha apenas 16 anos quando Gregory
nasceu e um ano depois abandonou a familia e retornou
a Itália. / Corso viveu a maior parte da sua infância em
orfanatos e casas de adoção. Seu pai se casou pela
segunda vez quando ele tinha 11 anos, e foi com quem
acabou ficando, mas Corso fugia repetidamente e acabou
sendo mandado a um internato masculino. Do qual
também fugiú. / Durante à adolescencia, passa
períodos de reclussão em colônias penais. Em 1947, foi
condenado a 3 anos de prissão por arrombamento. E foi
na biblioteca da prissão onde Corso começou a escrever
poesía. / Depois de ser liberado, em 1950, conhece Allen
Ginsberg num bar de Geenwich Village em Nova Iorque,
que o levou a se integrar no grupo de escritores beat.
Morreu em Minnesota no dia 17 de Janeiro de 2001. /
Escreveu seu próprio epitáfio: / "Espírito é vida / ele
flui por entre a minha morte / como um rio / sem medo
de tornar-se mar" OBRAS: "Lady Vestal e outros poemas" 1955 /
"Gasolina" 1958 / "O Feliz aniversário da morte" 1960 / "Arauto do
espírito autóctone" 1981
domingo, 20 de junho de 2010
"E para seguir o hábito de Japhy de sempre
se ajoelhar com uma perna só e fazer uma
pequena prece para o acampamento que
deixávamos, para aquele em Sierra, e para
os outros em Marin, e a pequena prece de
gratidão que ele fizera para o barraco de Sean
no dia que zarpou, quando estava descendo
a montanha com minha mochila nas costas,
voltei-me e ajoelhei na trilha e disse: "Obrigado,
barraco". E depois acrescentei: "Blá", com um
sorrisinho, porque eu sabia que aquele barraco
e aquela montanha compreenderian o que
aquilo significava, e virei e continuei seguindo
a trilha que me conduziria de volta a este mundo." /
JACK KEROUAC
Tradução de Ana Ban / final do livro "Os Vagabundos
Iluminados" - L&PM
sábado, 19 de junho de 2010
CANÇÃO / "O peso do mundo /
é o amor / Sob o fardo da solidão, /
sob o fardo da insatisfação //
o peso / o peso que carregamos /
é o amor. / Quem poderia negá-lo? /
Em sonhos / nos toca / o corpo, /
em pensamentos / constrói / um milagre, /
na imaginação / aflige-se / até tornar-se /
humano - // sai para fora do coração /
ardendo de pureza - / pois o fardo da vida /
é o amor" / ALLEN GINSBERG
Assinar:
Postagens (Atom)

