terça-feira, 22 de junho de 2010

William Burroughs - 1984

WILLIAM BURROUGHS 1914-1997 / Escritor e pintor. / A maior parte da sua obra tem caráter biográfico. Autor de "Almoço Nú", a sua obra mais conhecida, seguida de "Yunkie". Burroughs utilizou uma linguagem proveniente do uso constante de drogas alucinógenas, criando climas fantásticos nas suas narrativas. Foi um pioneiro da literatura experimental, sendo visto como um gurú da contracultura, e do uso de drogas, rumo seguido pela maioria dos integrantes da chamada Geração Beat. Considerado um "fora da lei" da literatura contemporánea, inaugurou uma nova forma de escrever. É o inventor do termo "heavy-metal". Quando menino estudou numa escola para garotos no México, é em 1936 graduou-se em Harvard. durante um período Burroughs foi morar na Alemanha. Nesta época esteve em contato com o nazismo de Hitler, e começa a se interessar pelos mecanismos de controle do Estado sobre seus cidadãos, uma das problemáticas presentes na sua obra, e sobre a qual escreveria: "desde o começo eu tenho me preocupado, em quanto escritor, com o vicio em si (seja a droga, sexo, dinheiro ou poder) como um modelo de controle... Burroughs era homosexual e viciado em morfina, e seu estilo de vida era incomum para a época. Ao morar em Chicago conheceu Jack Kerouac, o primeiro a incentiva-lo a escrever. Em 1951, a sua esposa Joan, foi morta pelo próprio Burroughs durante uma bebedeira, brincando de acertar um tiro num copo acentado na sua cabeça. "Almoço Nú", onde relata a sua experiência com diversas drogas foi escrito durante as suas viagens pela América Latina e o Marrocos, apos a morte da sua esposa. Numa destas viagens, no México, conheceu o peyote, potente alucinógeno utilizado pelos indios. "Almoço Nú", foi proibido nos EUA por ser considerado "obceno", e reivindicado mais tarde como uma importante obra literária. Burroughs aparece na capa do album Sto,. Pepper"s Lonely Heats Club Band, dos The Beatles, e participou de outros albuns recitando poemas, junto aos compositores Frank Zappa, John Cage e Philip Glass. William Burroughs morreu em 1997 de ataque cardíaco.

Retrato de Paul Bowles - Marrakesh 1961

Retrato de Nicanor Parra - no metrô de Nova Iorque 1984

MEDITAÇÃO PELA PEDRA / A humanidade ao certo agüenta / muita realidade / O tal "monstrinho afoito / humalnidade" / também a agüenta / A mulherdade também / Cada variedade também / de barro e criatura / As árvores também a agüentam / após as folhas debandarem / após os pássaros passarem / "altares ermos em ruinas" bem como pedras / Todos agüentam o "duro fardo da criação" / como nós / moldados em barro aterrados de pedra / Mestres do êxtase / LAWRENCE FERLINGHETTI - de 'Olho e peito Abertos" 1973 - Tradução: Nelson Ascher - Editora Brasiliense 1984

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Lawrence Ferlinghetti na sua livraria-editora - anos 80/90 - foto de jornal

LAWRENCE FERLINGHETTI - 1919 / Poeta, tradutor e principal editor dos poetas beat. Em 1953, junto com Peter D. Martin, fundou a livraria "City Lights" mais tarde transformada em editora, e lugar de encontro dos poetas e escritores. Logo lança a série "Pocket Poets", visando criar uma "efervescência internacional dissidente". A publicação de "Uivo" de Ginsberg, em 1956, o levou a prissão acussado de obsenidade. Mesmo com as dificuldades criadas nos EUA pela chamada "caça as bruxas" promovida na época, a editora continuou impulsionando os poetas da Geração Beat, um dos maiores movimentos de poetas do pos-guerra, abrindo caminho para o posterior movimento Hippie. Ferlinghetti é tradutor de poetas da Europa e América do Sul, como o chileno Angel Parra, o francés Jacques Prevert, e o italiano Pier Paolo Pasolini. Livros no Brasil: "Vida Sem Fim" - Editora Brasiliense 1984 / "Um Parque de Diversões da Cabeça" - L& PM Editora 1984 / "7 Dias na Nicarágua Livre" - L&PM Editora 1985

Ferlinghetti - anos 50 - foto de jornal

POUND EM SPOLETO / Adentrei um camarote no Teatro Melisso, o gracioso renascentista onde ocorriam todos os dias recitais de poesia e os concertos do festival de Spoleto e subitamente vi Ezra Pound pela primeira vez, imóvel feito uma estátua de mandarim, num camarote de balcão no fundo do teatro, logo acima das poltronas. Foi um choque: ver somente um ancião admirável numa postura curiosa, magro e de cabelos longos, aquilino aos 80, a cabeça estranhamente inclinada para um lado, imerso em permanente abstração... Após três poetas mais jovens no palco, ele deveria ler, desde o seu camarote, e lá estava, junto a uma amiga idosa (que segurava seus papeis) aguardando. Observou as articulações das prôprias mãos, movendo-as, inexpressivo, um mínimo. Uma vez apenas, quando todos no teatro cheio ovacionavam alguém no palco, estimulou-se a aplaudir, como que incitado por um ruido no vazio... Todos no recinto se levantaram, voltaram-se e, olhando para trás e para cima, ovacionando, viram Pound em sua cabine. o aplauso se prolongou e pound tentou se levantar da poltrona. Um microfone atrapalhava. Ele segurou, com mãos ossudas, os braços da poltrona e tentou se levantar. Não conseguiu e tento de novo e não conseguiu. Sua amiga idosa não tento ajudá-lo. Finalmente ela colocou um poema em sua mão e, depois de pelo menos um minuto, surgiu a sua voz. Primeiro moveu-se a mandíbula e então surgiu, inaudível, a voz. Um jovem italiano aproximou bastante o microfone à sua face e o manteve ali e a voz se fez ouvir, fraca mas obstinada, mais alto do que eu esperava, uma tênue, suave salmodia. O recinto silenciou de um só golpe. A vos me derrubou, tão suave, tão tênue, tão fraca, contudo tão obstinada. Apoiei a cabeça nos meus braços sobre o parapeito aveludado do camarote. Surpreendi-me ao ver uma lágrima solitária cair no meu joelho. A voz tênue e indómita prossegia. Saí às cegas do camarote, pela porta ao fundo, para o corredor do teatro onde todos ainda sentavam voltados para ele, descí e saí, para a luz do sol, chorando... / Acima da cidade / junto do antigo aqueduto / as castanheiras / ainda vicejavam / Aves mudas / voavam bem baixo / no vale / O sol brilhava / sobre as castanheiras / e as folhas / voltavam-se para o sol / voltavam-se e voltavam-se e voltavam-se / e continuariam voltando-se / Sua voz seguia e / prosseguia / através das folhas... LAWRENCE FERLINGHETTI - de "Olho e Peito Abertos" - 1973 / Tradução: Nelson Ascher

Retrato de Lou Reed - Nova iorque 1984

Interior / São Franciso 1955

Gregory Corso - París 1957

GREGORY NUNCIO CORSO / 1930-2001 / A mãe de Corso tinha apenas 16 anos quando Gregory nasceu e um ano depois abandonou a familia e retornou a Itália. / Corso viveu a maior parte da sua infância em orfanatos e casas de adoção. Seu pai se casou pela segunda vez quando ele tinha 11 anos, e foi com quem acabou ficando, mas Corso fugia repetidamente e acabou sendo mandado a um internato masculino. Do qual também fugiú. / Durante à adolescencia, passa períodos de reclussão em colônias penais. Em 1947, foi condenado a 3 anos de prissão por arrombamento. E foi na biblioteca da prissão onde Corso começou a escrever poesía. / Depois de ser liberado, em 1950, conhece Allen Ginsberg num bar de Geenwich Village em Nova Iorque, que o levou a se integrar no grupo de escritores beat. Morreu em Minnesota no dia 17 de Janeiro de 2001. / Escreveu seu próprio epitáfio: / "Espírito é vida / ele flui por entre a minha morte / como um rio / sem medo de tornar-se mar" OBRAS: "Lady Vestal e outros poemas" 1955 / "Gasolina" 1958 / "O Feliz aniversário da morte" 1960 / "Arauto do espírito autóctone" 1981

domingo, 20 de junho de 2010

Interior / Nova Iorque - janeiro 23 de 1987

William S. Burroughs - 1953

Bill Burroughs - Nova Iorque 1953

"E para seguir o hábito de Japhy de sempre se ajoelhar com uma perna só e fazer uma pequena prece para o acampamento que deixávamos, para aquele em Sierra, e para os outros em Marin, e a pequena prece de gratidão que ele fizera para o barraco de Sean no dia que zarpou, quando estava descendo a montanha com minha mochila nas costas, voltei-me e ajoelhei na trilha e disse: "Obrigado, barraco". E depois acrescentei: "Blá", com um sorrisinho, porque eu sabia que aquele barraco e aquela montanha compreenderian o que aquilo significava, e virei e continuei seguindo a trilha que me conduziria de volta a este mundo." / JACK KEROUAC Tradução de Ana Ban / final do livro "Os Vagabundos Iluminados" - L&PM

William Burroughs - 1961

Jack Kerouac - 1953

sábado, 19 de junho de 2010

CANÇÃO / "O peso do mundo / é o amor / Sob o fardo da solidão, / sob o fardo da insatisfação // o peso / o peso que carregamos / é o amor. / Quem poderia negá-lo? / Em sonhos / nos toca / o corpo, / em pensamentos / constrói / um milagre, / na imaginação / aflige-se / até tornar-se / humano - // sai para fora do coração / ardendo de pureza - / pois o fardo da vida / é o amor" / ALLEN GINSBERG