O propósito deste blog é o de mostrar o trabalho do ilustrador,independente das regras impostas pelo mercado,nas quatro disciplinas praticadas por mim, em diferentes momentos e veículos: A Caricatura na Imprensa,A Ilustração na Imprensa,A Ilustração Editorial e O Poema Ilustrado. Também são mostradas modalidades diferentes das mesmas propostas como: Montagens das exposições e a revalorização do painel mural, através das técnicas de reprodução digital em baner.
segunda-feira, 14 de julho de 2008
terça-feira, 8 de julho de 2008
sexta-feira, 4 de julho de 2008
"la caída"
OCTAVIA MINOR O'DONNEL
Em plena madrugada
ecoou o tiro.Correram
para ver o que era. A mulher nua. O som tocando ainda. Um cinzeiro
cheio. Um sapo de porcelana. Um livro aberto. Uma garrafa
de uísque pelo meio. Um dicionário. Uma carta amassada.
Duas almofadas num canto. Uma cereja e um bilboquê. Um mapa
do Estado do Rio. A mulher toda
como se tivesse espumado, com sua cara
de cenoura morta. As cobertas revoltas
em desalinho. A luz pingando sangue. Um sorvete
derretido num copo. Uma borboleta. Um alicate. Um dente solto.
Um salto de sapato roxo. Um batom.
Dois pedaços de pizza. Uma aspirina. Uma faixa
de amarrar no cabelo. Um elefante abandonado. Um cabide.
Uma palavra interrompida. O fio do telefone enrolado
puxado para a cama como um bebê.
segunda-feira, 30 de junho de 2008
SÉRIE "DIÁRIO" - Centauro ferido - estudo de uma escultura de Antoine Bourdelle - nanquim e guache --
... a través de Linares, através da calorenta e plana região pantanosa,
através do abafado rio Soto la Marina, próximo a Hidalgo e adiante.
Um enorme vale de selva verdejante com amplos campos cultivados
sugiu à minha frente. Grupos de homens nos observavam passar,
reunidos ao lado de uma velha ponte enferrujada.
O rio aquecido fluía, ardente.
E então subimos a novas altitudes e a região desértica e inculta resurgiu.
A cidade de Gregória estava a frente.
Os rapazes dormiam e eu estava ao volante, sozinho na minha eternidade,
e a estrada seguia reta como uma flecha.
Não era como dirigir pela Carolina, ou pelo Texas, ou pelo Arizona, ou pelo Illinois,
mas sim dirigir através do mundo rumo a lugares
onde nos finalmente aprenderíamos algo entre os lavradores indigenas desse mundo,
a origem, a força essencial da humanidade básica, primitiva e chorosa
que se estende como um cinturão ao redor da barriga equatorial do planeta,
desde a Malásia (a longa unha da China) até o grande subcontinente indiano,
passando pela Arábia e pelo Marrocos,
SÉRIE "DIÁRIO" -
cruzando os próprios desertos e selvas do México,
sobre as ondas da Polinésia para chegar ao Sião místico da Túnica Amarela,
sempre ao redor, ao redor, de modo que se pode ouvir
a mesma lamúria nostálgica desde as muralhas arruinadas de Cádiz, na Espanha,
até vinte mil kilómetros mais além, nas profundezas de Benares, a Capital do Mundo.
Essas pessoas eram induvitavelmente indias
e não tinham absolutamente nada a ver com os tais Pedros e Panchos
da tola tradição civilizada norte-americana.
Tinham as maçâs do rosto salientes, olhos obliquos, gestos suaves:
não eram bobos, não eram palhaços, eram grandes e graves indígenas,
a fonte básica da humanidade, os pais dela.
As ondas são chinesas, mas a terra é coisa dos indios.
Tão essencial como as rochas no deserto,
são os indios no deserto da "história"
tradução: Eduardo Bueno
domingo, 29 de junho de 2008
Assinar:
Postagens (Atom)


