O propósito deste blog é o de mostrar o trabalho do ilustrador,independente das regras impostas pelo mercado,nas quatro disciplinas praticadas por mim, em diferentes momentos e veículos: A Caricatura na Imprensa,A Ilustração na Imprensa,A Ilustração Editorial e O Poema Ilustrado. Também são mostradas modalidades diferentes das mesmas propostas como: Montagens das exposições e a revalorização do painel mural, através das técnicas de reprodução digital em baner.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
Os Maias, os Aztecas e os Incas, foram povos
que dominaram boa parte das Américas antes
da chegada dos europeus ao Continente,
no século XVI. A Civilização Maia foi a primeira
a se consolidar como um império, atingindo o auge
no final do século IX, época em que o território Maia
se estendia do sul do México à Guatemala.
Arqueólogos especulam que as guerras e o esgotamento
das terras cultiváveis levou a civilização a um rápido
declínio a partir do ano 900. No inicio do século XVI,
quando os espanhóis desbravaram a América, os Maias
encontrados eram simples agricultores que apenas praticavam rituais religiosos de seus ancestrais. Já os Aztecas estavam no auge nesse período, a civilização
deles surgiu mais ao norte do México.
Enquanto seus vizinhos Maias entravam em decadência,
os Aztecas começaram a crescer a partir do século XII.
Formando alianças com estados vizinhos, montaram
um grande império que ainda estava se expandindo
quando ocorreu o contato com os espanhóis, em 1519.
Em apenas dois anos os invasores do velho mundo
dominaram o mais importante centro azteca: Tenochtitlán,
a atual Cidade do México
Na América do Sul, os Incas viveram uma história semelhante. Até o século XIV, eram só mais uma tribo
indígena espalhada pela Cordilheira dos Andes. Mas a partir
do século XV se espandiram, atacando as vilas vizinhas.
Quando os espanhóis chegaram, os Incas dominavam uma grande área do norte do Equador à região central do Chile.
Epidemias e lutas pela sucessão imperial, deixaram a civilização enfraquecida para enfrentar os conquistadores
europeus. Assim como fizeram com os Aztecas, os espanhóis derrotaram rapidamente o Império Inca. Levou
só três anos, de 1532 a 1535.
CIVILIZAÇÃO MAIA
O povo Maia habitou a região das florestas tropicais
das atuais Guatemala, Honduras e Península do
Yucatán (região sul do atual México). Viveram nestas
regiões entre os séculos IV e IX a C. Entre os séculos
IX e X, os Toltecas invadiram essas regiões e dominaram
a Civilização Maia. Nunca chegaram a formar um império
unificado, fato que favoreceu a invasão e domínio de outros povos. As cidades formavam o núcleo político e religioso
da civilização e eram governadas por um estado teocrático.
O Império Maia era considerado um representante de deus na terra. A zona urbana era habitada apenas pelos nobres
(familia real), sacerdotes (responsáveis pelos cultos e o
conhecimento), chefes militares, e administradores do Império (cobradores de impostos), os camponeses, que
formavam a base da sociedade, artesãos e trabalhadores urbanos faziam parte das camadas menos privilegiadas,
e tinham que pagar altos impostos.
A base da economia Maia era a agricultura, principalmente o milho, feijão e batata. Suas técnicas de irrigação eram muito avançadas, praticavam o comércio de mercadorias com os
povos vizinhos e no interior do Império.
Os maias ergueram pirámides, templos, casas e palácios,
demonstrando um grande avanço na arquitetura.
No artesanato também se destacaram: na fiação de tecidos e na utilização de tintas para o tingimento de roupas.
A religião era politeísta, pois acreditavam em varios deuses
ligados à natureza. Elaboraram um complexo e eficiente
calendário que estabelecia com exatidão os 365 días do ano.
Assim como os egípcios, usaram uma escrita baseada em símbolos e desenhos, registrando acontecimentos como
a contagem de impostos e colheitas, guerras e outros dados
importantes. Desenvolveram também a matemática, com destaque para a invenção das casas decimais e o valor cero.
dados extraídos da Wikipédia
que dominaram boa parte das Américas antes
da chegada dos europeus ao Continente,
no século XVI. A Civilização Maia foi a primeira
a se consolidar como um império, atingindo o auge
no final do século IX, época em que o território Maia
se estendia do sul do México à Guatemala.
Arqueólogos especulam que as guerras e o esgotamento
das terras cultiváveis levou a civilização a um rápido
declínio a partir do ano 900. No inicio do século XVI,
quando os espanhóis desbravaram a América, os Maias
encontrados eram simples agricultores que apenas praticavam rituais religiosos de seus ancestrais. Já os Aztecas estavam no auge nesse período, a civilização
deles surgiu mais ao norte do México.
Enquanto seus vizinhos Maias entravam em decadência,
os Aztecas começaram a crescer a partir do século XII.
Formando alianças com estados vizinhos, montaram
um grande império que ainda estava se expandindo
quando ocorreu o contato com os espanhóis, em 1519.
Em apenas dois anos os invasores do velho mundo
dominaram o mais importante centro azteca: Tenochtitlán,
a atual Cidade do México
Na América do Sul, os Incas viveram uma história semelhante. Até o século XIV, eram só mais uma tribo
indígena espalhada pela Cordilheira dos Andes. Mas a partir
do século XV se espandiram, atacando as vilas vizinhas.
Quando os espanhóis chegaram, os Incas dominavam uma grande área do norte do Equador à região central do Chile.
Epidemias e lutas pela sucessão imperial, deixaram a civilização enfraquecida para enfrentar os conquistadores
europeus. Assim como fizeram com os Aztecas, os espanhóis derrotaram rapidamente o Império Inca. Levou
só três anos, de 1532 a 1535.
CIVILIZAÇÃO MAIA
O povo Maia habitou a região das florestas tropicais
das atuais Guatemala, Honduras e Península do
Yucatán (região sul do atual México). Viveram nestas
regiões entre os séculos IV e IX a C. Entre os séculos
IX e X, os Toltecas invadiram essas regiões e dominaram
a Civilização Maia. Nunca chegaram a formar um império
unificado, fato que favoreceu a invasão e domínio de outros povos. As cidades formavam o núcleo político e religioso
da civilização e eram governadas por um estado teocrático.
O Império Maia era considerado um representante de deus na terra. A zona urbana era habitada apenas pelos nobres
(familia real), sacerdotes (responsáveis pelos cultos e o
conhecimento), chefes militares, e administradores do Império (cobradores de impostos), os camponeses, que
formavam a base da sociedade, artesãos e trabalhadores urbanos faziam parte das camadas menos privilegiadas,
e tinham que pagar altos impostos.
A base da economia Maia era a agricultura, principalmente o milho, feijão e batata. Suas técnicas de irrigação eram muito avançadas, praticavam o comércio de mercadorias com os
povos vizinhos e no interior do Império.
Os maias ergueram pirámides, templos, casas e palácios,
demonstrando um grande avanço na arquitetura.
No artesanato também se destacaram: na fiação de tecidos e na utilização de tintas para o tingimento de roupas.
A religião era politeísta, pois acreditavam em varios deuses
ligados à natureza. Elaboraram um complexo e eficiente
calendário que estabelecia com exatidão os 365 días do ano.
Assim como os egípcios, usaram uma escrita baseada em símbolos e desenhos, registrando acontecimentos como
a contagem de impostos e colheitas, guerras e outros dados
importantes. Desenvolveram também a matemática, com destaque para a invenção das casas decimais e o valor cero.
dados extraídos da Wikipédia
...Germinava nos terraços
o milho das altas serras
e nas vulcânicas sendas
iam os vasos e os deuses.
A agricultura perfumava
o reino das cozinhas
e estendia sobre os tetos
um manto de sol debulhado.
(Doce raça, filha das serras,
estirpe e torre turquesa,
fecha-me os olhos agora,
antes de irmos ao mar
de onde as dores chegam.)
Aquela selva azul era uma gruta
e no mistério de árvores e treva
o guarani cantava como
o fumo que sobe na tarde,
a água sobre as folhagens,
a chuva num dia de amor,
a tristeza junto aos ríos.
No fundo da América sem nome
estava Arauco entre as águas
vertiginosas, apartado
por todo o frio do planeta.
Olhai o grande Sul solitário.
Não se vê fumaça nas alturas.
Vêem-se apenas as nevascas
e o vendaval rechaçado
pelas ásperas araucárias.
Não procures sob o verde fechado
o canto da olaria.
Tudo é silêncio de água e vento.
Mas nas folhas espia o guerreiro.
Entre os lariços um grito.
Uns olhos de tigre em meio
às alturas da neve.
Olha as lanças a descansar.
Escuta o sussuro do ar
atravessado pelas flechas.
Olha os peitos e as pernas
e as cabeleiras sombrias
brilhando a luz da lua.
Olha o vazio dos guerreiros.
Não há ninguém. Trina a diuca
feito água na noite pura.
Cruza o condor o seu vôo negro.
Não há ninguém. Escuta. Escuta a árvore,
escuta a árvore araucana
Não há ninguém. Olha as pedras.
Olha as pedras de Arauco.
Não há ninguém, somente as árvores.
Somente as pedras, Arauco.
Pablo Neruda - Canto Geral
tradução: Paulo Méndes Campos
o milho das altas serras
e nas vulcânicas sendas
iam os vasos e os deuses.
A agricultura perfumava
o reino das cozinhas
e estendia sobre os tetos
um manto de sol debulhado.
(Doce raça, filha das serras,
estirpe e torre turquesa,
fecha-me os olhos agora,
antes de irmos ao mar
de onde as dores chegam.)
Aquela selva azul era uma gruta
e no mistério de árvores e treva
o guarani cantava como
o fumo que sobe na tarde,
a água sobre as folhagens,
a chuva num dia de amor,
a tristeza junto aos ríos.
No fundo da América sem nome
estava Arauco entre as águas
vertiginosas, apartado
por todo o frio do planeta.
Olhai o grande Sul solitário.
Não se vê fumaça nas alturas.
Vêem-se apenas as nevascas
e o vendaval rechaçado
pelas ásperas araucárias.
Não procures sob o verde fechado
o canto da olaria.
Tudo é silêncio de água e vento.
Mas nas folhas espia o guerreiro.
Entre os lariços um grito.
Uns olhos de tigre em meio
às alturas da neve.
Olha as lanças a descansar.
Escuta o sussuro do ar
atravessado pelas flechas.
Olha os peitos e as pernas
e as cabeleiras sombrias
brilhando a luz da lua.
Olha o vazio dos guerreiros.
Não há ninguém. Trina a diuca
feito água na noite pura.
Cruza o condor o seu vôo negro.
Não há ninguém. Escuta. Escuta a árvore,
escuta a árvore araucana
Não há ninguém. Olha as pedras.
Olha as pedras de Arauco.
Não há ninguém, somente as árvores.
Somente as pedras, Arauco.
Pablo Neruda - Canto Geral
tradução: Paulo Méndes Campos
domingo, 30 de novembro de 2014
CIVILIZAÇÃO AZTECA
Povo guerreiro, os aztecas habitaram a região
do México entre os séculos XIV e XVI, e fundaram
no século XIV, a importante cidade de Tenochtitlán,
atual Cidade do México, uma região de pántanos,
próxima do lago Texcoco.
A sociedade era hierarquizada e comandada por
um Imperador, chefe do exército, a nobreza era
também formada por sacerdotes e chefes militares.
Durante o governo do Imperador Montezuma II,
no inicio do século XVI, o Império Azteca chegou
a ser formado por aproximadamente 500 cidades,
que pagavam altos impostos para o Imperador.
O Império começou a ser destruído em 1519 com
as invasões espanholas, Os espanhois dominaram
os aztecas e tomaram grande parte dos objetos de ouro desta civilização. Não satisfeitos ainda escravizaram os aztecas, forzando-os a trabalharem nas minas de
ouro e prata da região.
CIVILIZAÇÃO INCA
Os incas viveram na região da Cordilheira dos Andes,
nos atuais Perú, Bolivia, Chile e Equador. No século
XIII, fundaram a cidade sagrada de Cuzco, capital do
Império. Foram dominados pelos espanhois em 1532.
O Imperador conhecido por Sapa Inca era considerado
um deus na terra. A sociedade era hierarquizada como
a Sociedade Azteca, formada por nobres, governantes,
chefes militares, juízes esacerdotes, a camada média,
funcionários públicos, trabalhadores especializados,
e a clase baixa: artesãos e camponeses. Esta última
pagava altos tributos ao Imperador, em mercadorias
ou com trabalhos em obras públicas.
Na arquitetura, desenvolveram construções de templos,
casas e palácios com enormes blocos de pedras encaixadas. A cidade de Macchu Picchu foi descoberta
somente em 1911, e rebelou a eficiente estrutura urbana
da sociedade inca. A agricultura era extremamente desenvolvida, pois plantavam nos chamados "terrazos",
(degraus formados nas encostas das montanhas) plantavam
feijão, milho (alimento sagrado) e batata. Construiam canais
de irrigação desviando o curso dos rios para as aldeias, e na
arte destacaram-se pela qualidade dos objetos de ouro, prata, tecidos e jóias. Domesticaram a "chama", animal da
familia do camelo, e a utilizaram como meio de transporte,
alem de retirar a lâ e o leite, alem da llama, também eram criadas alpacas e vicunhas.
A religião tinha como principal deus, o sol (Deus Inti). Cultuavam também animais considerados sagrados, como
o condor e o jaguar e acreditavam num criador antepassado
chamado "Viracocha", criador de tudo.
Inventaram um interessante sistema de contagem: o "quipo",
um instrumento feito de cordões coloridos, onde cada cor representava a contagem de algo.
Mesmo com todo o desenvolvimento, este povo não desenvolveu um sistema de escrita.
ARTE PRÉ-COLOMBIANA
Levada a cabo pelos povos mesoamericanos, anteriores
a conquista da América Latina pelos espanhóis e portugueses, a Arte Pré-colombiana, de autoria anónima,
comprende diversas tipologias, como a arquitetura, a estatuária, a pintura, a joalheria, a ouriversaria, a cerámica,
os objetos de uso doméstico e os ornamentos.
Os materiais mais frequentes são a pedra, o tecido, o barro
e o metal, sobre o qual estes povos tinham profundo domínio
dados extraídos da Wikipédia
Povo guerreiro, os aztecas habitaram a região
do México entre os séculos XIV e XVI, e fundaram
no século XIV, a importante cidade de Tenochtitlán,
atual Cidade do México, uma região de pántanos,
próxima do lago Texcoco.
A sociedade era hierarquizada e comandada por
um Imperador, chefe do exército, a nobreza era
também formada por sacerdotes e chefes militares.
Durante o governo do Imperador Montezuma II,
no inicio do século XVI, o Império Azteca chegou
a ser formado por aproximadamente 500 cidades,
que pagavam altos impostos para o Imperador.
O Império começou a ser destruído em 1519 com
as invasões espanholas, Os espanhois dominaram
os aztecas e tomaram grande parte dos objetos de ouro desta civilização. Não satisfeitos ainda escravizaram os aztecas, forzando-os a trabalharem nas minas de
ouro e prata da região.
CIVILIZAÇÃO INCA
Os incas viveram na região da Cordilheira dos Andes,
nos atuais Perú, Bolivia, Chile e Equador. No século
XIII, fundaram a cidade sagrada de Cuzco, capital do
Império. Foram dominados pelos espanhois em 1532.
O Imperador conhecido por Sapa Inca era considerado
um deus na terra. A sociedade era hierarquizada como
a Sociedade Azteca, formada por nobres, governantes,
chefes militares, juízes esacerdotes, a camada média,
funcionários públicos, trabalhadores especializados,
e a clase baixa: artesãos e camponeses. Esta última
pagava altos tributos ao Imperador, em mercadorias
ou com trabalhos em obras públicas.
Na arquitetura, desenvolveram construções de templos,
casas e palácios com enormes blocos de pedras encaixadas. A cidade de Macchu Picchu foi descoberta
somente em 1911, e rebelou a eficiente estrutura urbana
da sociedade inca. A agricultura era extremamente desenvolvida, pois plantavam nos chamados "terrazos",
(degraus formados nas encostas das montanhas) plantavam
feijão, milho (alimento sagrado) e batata. Construiam canais
de irrigação desviando o curso dos rios para as aldeias, e na
arte destacaram-se pela qualidade dos objetos de ouro, prata, tecidos e jóias. Domesticaram a "chama", animal da
familia do camelo, e a utilizaram como meio de transporte,
alem de retirar a lâ e o leite, alem da llama, também eram criadas alpacas e vicunhas.
A religião tinha como principal deus, o sol (Deus Inti). Cultuavam também animais considerados sagrados, como
o condor e o jaguar e acreditavam num criador antepassado
chamado "Viracocha", criador de tudo.
Inventaram um interessante sistema de contagem: o "quipo",
um instrumento feito de cordões coloridos, onde cada cor representava a contagem de algo.
Mesmo com todo o desenvolvimento, este povo não desenvolveu um sistema de escrita.
ARTE PRÉ-COLOMBIANA
Levada a cabo pelos povos mesoamericanos, anteriores
a conquista da América Latina pelos espanhóis e portugueses, a Arte Pré-colombiana, de autoria anónima,
comprende diversas tipologias, como a arquitetura, a estatuária, a pintura, a joalheria, a ouriversaria, a cerámica,
os objetos de uso doméstico e os ornamentos.
Os materiais mais frequentes são a pedra, o tecido, o barro
e o metal, sobre o qual estes povos tinham profundo domínio
dados extraídos da Wikipédia
sábado, 29 de novembro de 2014
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
Como César Vallejo, que homenageia com esta exposição,
Trimano se retira para extremos do olhar. Vallejo se retirava
ao azul e, retraindo-se, endurecia até "apertar a alma".
Trimano se retira ao vermelho. Sob a camisa do cotidiano
polido, normal, enxerga - a traços nevrálgicos - uma prancha
anatômica. É a uma cirurgia do humano que procede a "alma
apertada": ao rasgar-se o véu das facetas, e o próprio véu das nossas peles, sobra um achado arqueológico que tem o peso do horror. Ante a normalidade catastrófica de cada momento, somos pedras que sangram, massas de músculos, lixos de ossos. As caras e o véu das roupas podem variar quanto queiram: o que importa e é decisivo
são as cartilagens que rangem.
Esses coágulos que borram os muros. Esses fios retroativos
de sangue que aplicam eletricidade nas cenas. O passado coletivo presente, como se houvesse em plena rua uma erupção rupestre. Posturas fósseis de seres isolados mineralizados por seu grafismo. A textura de pedra de um
cachorro vago ou um torso. O desenho ele próprio como
granulação de rocha - ou como segmentação porosa eletrônica, criando labirintos e malhas de definição imprecisa
Recomendando saborear a "canção dita pelos lábios inferiores do desejo", Vallejo farejava "ao longe os tutanos,
ouvindo a sondagem profunda". Dessa mesma sondagem
procede a erupção dos estigmas, marcas arcaicas, com
ferro em brasa, que originam gestos de hoje, e cuja atuação
é lembrada, nos desenhos de Trimano, por indicadores carregados de tensão emotiva: setas, cruzes, bandagens.
É precisso ouvir os rios de sangue para ser autêntico.
Captá-los na crueza de sua fluidez instantânea. Ouvir a pulsação dos estigmas que, em certos insetos, são órgãos
de respiração. É precisso olhar a fera de frente e compreender seu horror, que nasceu da mesma fonte dessa
intensidade vital: o prazer de estar, e em todas as modalidades do ser. Vallejo já previu que, "se assim dermos
com o nariz no absurdo, chocaremos a asa que ainda não
nasceu.
Leonardo Fróes
Petrópolis - Rio de Janeiro - 1987
Trimano se retira para extremos do olhar. Vallejo se retirava
ao azul e, retraindo-se, endurecia até "apertar a alma".
Trimano se retira ao vermelho. Sob a camisa do cotidiano
polido, normal, enxerga - a traços nevrálgicos - uma prancha
anatômica. É a uma cirurgia do humano que procede a "alma
apertada": ao rasgar-se o véu das facetas, e o próprio véu das nossas peles, sobra um achado arqueológico que tem o peso do horror. Ante a normalidade catastrófica de cada momento, somos pedras que sangram, massas de músculos, lixos de ossos. As caras e o véu das roupas podem variar quanto queiram: o que importa e é decisivo
são as cartilagens que rangem.
Esses coágulos que borram os muros. Esses fios retroativos
de sangue que aplicam eletricidade nas cenas. O passado coletivo presente, como se houvesse em plena rua uma erupção rupestre. Posturas fósseis de seres isolados mineralizados por seu grafismo. A textura de pedra de um
cachorro vago ou um torso. O desenho ele próprio como
granulação de rocha - ou como segmentação porosa eletrônica, criando labirintos e malhas de definição imprecisa
Recomendando saborear a "canção dita pelos lábios inferiores do desejo", Vallejo farejava "ao longe os tutanos,
ouvindo a sondagem profunda". Dessa mesma sondagem
procede a erupção dos estigmas, marcas arcaicas, com
ferro em brasa, que originam gestos de hoje, e cuja atuação
é lembrada, nos desenhos de Trimano, por indicadores carregados de tensão emotiva: setas, cruzes, bandagens.
É precisso ouvir os rios de sangue para ser autêntico.
Captá-los na crueza de sua fluidez instantânea. Ouvir a pulsação dos estigmas que, em certos insetos, são órgãos
de respiração. É precisso olhar a fera de frente e compreender seu horror, que nasceu da mesma fonte dessa
intensidade vital: o prazer de estar, e em todas as modalidades do ser. Vallejo já previu que, "se assim dermos
com o nariz no absurdo, chocaremos a asa que ainda não
nasceu.
Leonardo Fróes
Petrópolis - Rio de Janeiro - 1987
Filho de pai espanhol e mãe índia, o poeta César Abraham Vallejo, nasceu em Santiago de Chuco, departamento de La Libertad, Perú, em 16 de março de 1892. Por volta
de 1908, ja estava escrevendo, e nos anos seguintes, com
a familia em aperto, tentou inutilmente estudar Medicina e
Letras. Começou dois cursos, mas não concluiu nenhum.
Em 1912, trabalhou numa fazenda, como ayudante de caixeiro. Recomeçou a estudar Letras e Leis em Trujillo,
em 1913, ano em que publica os primeiros versos.
Em 1917, tenta suicídio. Tempo depois embarca para Lima
com um caderno de poemas como bagagem. Colabora com
revistas de Trujillo e Lima, e chega a ocupar, em 1918,
a direção do Instituto Nacional, cargo que perdeu no ano
seguinte. A pobreza o rondou.
Em 1919 publica "Los Heraldos Negros", seu primeiro livro.
Envolvido num conflito político, em 1920, é preso em Santiago de Chuco, passando 112 dias atrás das grades.
Em 1921 ganha um prêmio literário, e com o dinheiro imprime, em 1922, seu segundo livro "Trilce". Viaja a Europa
em 1923. Em Paris conhece Portinari, Artaud, Tzara, Unamuno, Huidobro. Em 1928, depois de sucessivas dificuldades econômicas, e com a saúde sempre instável,
começou a viver com Georgette, sua companheira
até a morte.
Em 1929, viajou à União Soviética, aonde voltaria
outras vezes. Na Espanha, em 1930-1931, conheceu
Pedro Salinas, Rafael Alberti e Garcia Lorca.
Atividade poética e política, em Paris, em 1932, seguida do casamento com Georgette em 1934.
Em 1936, com a guerra civil na Espanha, trabalhou intensamente pela causa republicana. Esteve em Barcelona
e Madrid, e em julho de 1937 participou em Valência, como
representante do Perú, do Congresso Internacional de Escritores Antifascistas. Em setembro de 1937, escreve
"España, aparta de mi este cáliz", Depois de uma doença
súbita, possivelmente um tipo de tuberculose, que os médicos não conseguiram diagnosticar, morre em 15 de abril de 1938.
de 1908, ja estava escrevendo, e nos anos seguintes, com
a familia em aperto, tentou inutilmente estudar Medicina e
Letras. Começou dois cursos, mas não concluiu nenhum.
Em 1912, trabalhou numa fazenda, como ayudante de caixeiro. Recomeçou a estudar Letras e Leis em Trujillo,
em 1913, ano em que publica os primeiros versos.
Em 1917, tenta suicídio. Tempo depois embarca para Lima
com um caderno de poemas como bagagem. Colabora com
revistas de Trujillo e Lima, e chega a ocupar, em 1918,
a direção do Instituto Nacional, cargo que perdeu no ano
seguinte. A pobreza o rondou.
Em 1919 publica "Los Heraldos Negros", seu primeiro livro.
Envolvido num conflito político, em 1920, é preso em Santiago de Chuco, passando 112 dias atrás das grades.
Em 1921 ganha um prêmio literário, e com o dinheiro imprime, em 1922, seu segundo livro "Trilce". Viaja a Europa
em 1923. Em Paris conhece Portinari, Artaud, Tzara, Unamuno, Huidobro. Em 1928, depois de sucessivas dificuldades econômicas, e com a saúde sempre instável,
começou a viver com Georgette, sua companheira
até a morte.
Em 1929, viajou à União Soviética, aonde voltaria
outras vezes. Na Espanha, em 1930-1931, conheceu
Pedro Salinas, Rafael Alberti e Garcia Lorca.
Atividade poética e política, em Paris, em 1932, seguida do casamento com Georgette em 1934.
Em 1936, com a guerra civil na Espanha, trabalhou intensamente pela causa republicana. Esteve em Barcelona
e Madrid, e em julho de 1937 participou em Valência, como
representante do Perú, do Congresso Internacional de Escritores Antifascistas. Em setembro de 1937, escreve
"España, aparta de mi este cáliz", Depois de uma doença
súbita, possivelmente um tipo de tuberculose, que os médicos não conseguiram diagnosticar, morre em 15 de abril de 1938.
Assinar:
Postagens (Atom)



















.jpg)