O propósito deste blog é o de mostrar o trabalho do ilustrador,independente das regras impostas pelo mercado,nas quatro disciplinas praticadas por mim, em diferentes momentos e veículos: A Caricatura na Imprensa,A Ilustração na Imprensa,A Ilustração Editorial e O Poema Ilustrado. Também são mostradas modalidades diferentes das mesmas propostas como: Montagens das exposições e a revalorização do painel mural, através das técnicas de reprodução digital em baner.
segunda-feira, 17 de março de 2014
O conceito de arte degenerada (entarte kunst) remonta
a movimentos culturais racistas surgidos na Alemanha
no final do século XIX, especialmente as idéias de Max
Nordaus, que o tomou emprestado da biologia para
desqualificar as manifestações artísticas que se opunham
à tradição da cultura germánica, e em especial, a sua escola
de pintura realista. considerada, a um só tempo, exemplo de
arte "sadia" e evidência da superioridade étnica dos arianos.
Nas primeiras décadas do século XX, especialmente durante
a República de Weimar (1918-1933), a difusão da arte moderna
na Alemanha teve como contraponto o revigoramento da
aceitação de teses como as de Nordaus.
Em 1927, ainda antes da ascensão de Hitler ao poder,
Alfred Rosemberg, ideólogo do partido nazista, publicou varios
artigos na imprensa alemã caracterizando a arte moderna como
fruto de mentes doentias, vinculando-a ainda, confusamente,
ao avanzo do capitalismo e do bolchevismo.
Em 1928, o arquiteto e teórico de arte Paul Schultze-Naumburg
passou a associar, explicitamente, o termo arte degenerada
à estética moderna em seu livro "Arte e Raça", no qual estabelecia
comparações formais entre obras de grandes nomes do modernismo,
como Modigliani e Otto Dix, e fotografias de doentes mentais, procurando
com isso demonstrar a validade de suas teses. A idéia arte degenerada
era associada especialmente aos expressionistas alemães, que durante
a República de Weimar retrataram o quadro de esgarçamento social
então vivido pelo país, atraves de imagens e figuras propositalmente
distorcidas, o que foi interpretado pelo nazismo como uma afronta
a nação alemã. mas, como já se disse, a hostilidade de Hitler e seus
seguidores se estendia também as demais correntes modernistas.
a movimentos culturais racistas surgidos na Alemanha
no final do século XIX, especialmente as idéias de Max
Nordaus, que o tomou emprestado da biologia para
desqualificar as manifestações artísticas que se opunham
à tradição da cultura germánica, e em especial, a sua escola
de pintura realista. considerada, a um só tempo, exemplo de
arte "sadia" e evidência da superioridade étnica dos arianos.
Nas primeiras décadas do século XX, especialmente durante
a República de Weimar (1918-1933), a difusão da arte moderna
na Alemanha teve como contraponto o revigoramento da
aceitação de teses como as de Nordaus.
Em 1927, ainda antes da ascensão de Hitler ao poder,
Alfred Rosemberg, ideólogo do partido nazista, publicou varios
artigos na imprensa alemã caracterizando a arte moderna como
fruto de mentes doentias, vinculando-a ainda, confusamente,
ao avanzo do capitalismo e do bolchevismo.
Em 1928, o arquiteto e teórico de arte Paul Schultze-Naumburg
passou a associar, explicitamente, o termo arte degenerada
à estética moderna em seu livro "Arte e Raça", no qual estabelecia
comparações formais entre obras de grandes nomes do modernismo,
como Modigliani e Otto Dix, e fotografias de doentes mentais, procurando
com isso demonstrar a validade de suas teses. A idéia arte degenerada
era associada especialmente aos expressionistas alemães, que durante
a República de Weimar retrataram o quadro de esgarçamento social
então vivido pelo país, atraves de imagens e figuras propositalmente
distorcidas, o que foi interpretado pelo nazismo como uma afronta
a nação alemã. mas, como já se disse, a hostilidade de Hitler e seus
seguidores se estendia também as demais correntes modernistas.
Em 1933, com a chegada dos nazistas ao poder, o obscurantismo
toma conta da Alemanha. Logo em seu primeiro ano de governo,
Hitler ordena o fechamento da Bauhaus, importante escola de arquitetura,
design e artes plásticas fundada por Walter Gropius em 1919, que desempenhava
um papel de referência para as vanguardas estéticas que se desenvolveram
na Europa após a Primeira Guerra Mundial. Ao mesmo tempo, o regime iniciou
uma política de depuração das instituições culturais alemãs, promovendo
violenta perseguição a artistas, professores e diretores de museus identificados
com a arte moderna, obrigando muitos a emigrarem. Milhares de obras são,
então, classificadas como "degeneradas", seja por contrariarem os padrões
clássicos de beleza, baseados na harmonia e no equiíbrio naturalistas,
ou até mesmo, ou até mesmo por apresentarem, na avaliação dos conselheiros
artisticos do regime nazista, falhas técnicas em sua feitura.
Consideradas moralmente prejudiciais ao povo, tais obras são arbitrariamente
retiradas dos acervos dos museus alemães, sendo parte delas vendidas
em leilões no exterior, enquanto outras são destruidas ou desaparecem.
toma conta da Alemanha. Logo em seu primeiro ano de governo,
Hitler ordena o fechamento da Bauhaus, importante escola de arquitetura,
design e artes plásticas fundada por Walter Gropius em 1919, que desempenhava
um papel de referência para as vanguardas estéticas que se desenvolveram
na Europa após a Primeira Guerra Mundial. Ao mesmo tempo, o regime iniciou
uma política de depuração das instituições culturais alemãs, promovendo
violenta perseguição a artistas, professores e diretores de museus identificados
com a arte moderna, obrigando muitos a emigrarem. Milhares de obras são,
então, classificadas como "degeneradas", seja por contrariarem os padrões
clássicos de beleza, baseados na harmonia e no equiíbrio naturalistas,
ou até mesmo, ou até mesmo por apresentarem, na avaliação dos conselheiros
artisticos do regime nazista, falhas técnicas em sua feitura.
Consideradas moralmente prejudiciais ao povo, tais obras são arbitrariamente
retiradas dos acervos dos museus alemães, sendo parte delas vendidas
em leilões no exterior, enquanto outras são destruidas ou desaparecem.
domingo, 16 de março de 2014
Nesse clima de total hostilidade à liberdade de expressão
e manifestação artística, em que livros considerados indesejáveis
pelo regine são queimados em praça pública, o governo alemão
promove, em julio de 1937, uma exposição de "arte degenerada"
na cidade de Munique. Organizada por Adolf Ziegler, presidente
da câmara de artes plásticas do governo alemão, a mostra tem
objetivos claramente didáticos e propagandísticos, procurando
estigmatizar a arte moderna como um produto de mentes doentias
e degeneradas, das quais a sociedade alemã teria se livrado
pela ação purificadora do regime nazista. São reunidas então,
aproximadamente 650 obras, entre pinturas, desenhos,
gravuras e esculturas, retiradas dos museus alemães nos anos
anteriores. Entre os artistas incluidos na mostra, estão varios
dos maiores nomes da arte moderna de diversas nacionalidades
e tendências, como Marc Chagall, Henri Matisse, Paul Klee,
Wassily Kandinsky, Piet Mondrian, Otto Dix, George Grosz, Max
Ernst, Emil Nolde, Franz Marc, Lovis Corinth, Max Beckmann,
Lyonel Feininger, El Lissitzky, e muitos outros.O pintor lituano
Lasar Segall, que antes de se fixar no Brasil na década de 1920
teve formação artística alemã, onde se ligou nos círculos
expressionistas, teve seis de suas obras incluidas na mostra.
A exposição viajou por diversas cidades alemãs e austríacas
ate 1941, sendo vista por mais de 2 milhões de pessoas.
ANDRÉ LUIZ FARIA COUTO
Graduado em história pela Universidade Federal Fluminense - UFF
____________________________________________________________
Existem dois filmes documentários de longametragem, que mostram bem
a época: um, produzido pela cineasta nazista Leni Riefenstahl, encomendado
pelo Adolf Hitler que leva por título "O Triunfo da Vontade". É um filme
de propaganda do regime, onde são mostrados retratos do povo alemão
militarizado, em manifestações, paradas militares grandiosas, e discursos
do "fuhrer" as tropas, principalmente a juventude alemã, que mais tarde
formaria o exército imperial do terceito Reich.
O outro filme intitulado "Arquitetura da Destruição", mostra a ideologia
do regime e a arte naturalista alemã, preconizada pelos nazistas como única
manifestação artística valida.
e manifestação artística, em que livros considerados indesejáveis
pelo regine são queimados em praça pública, o governo alemão
promove, em julio de 1937, uma exposição de "arte degenerada"
na cidade de Munique. Organizada por Adolf Ziegler, presidente
da câmara de artes plásticas do governo alemão, a mostra tem
objetivos claramente didáticos e propagandísticos, procurando
estigmatizar a arte moderna como um produto de mentes doentias
e degeneradas, das quais a sociedade alemã teria se livrado
pela ação purificadora do regime nazista. São reunidas então,
aproximadamente 650 obras, entre pinturas, desenhos,
gravuras e esculturas, retiradas dos museus alemães nos anos
anteriores. Entre os artistas incluidos na mostra, estão varios
dos maiores nomes da arte moderna de diversas nacionalidades
e tendências, como Marc Chagall, Henri Matisse, Paul Klee,
Wassily Kandinsky, Piet Mondrian, Otto Dix, George Grosz, Max
Ernst, Emil Nolde, Franz Marc, Lovis Corinth, Max Beckmann,
Lyonel Feininger, El Lissitzky, e muitos outros.O pintor lituano
Lasar Segall, que antes de se fixar no Brasil na década de 1920
teve formação artística alemã, onde se ligou nos círculos
expressionistas, teve seis de suas obras incluidas na mostra.
A exposição viajou por diversas cidades alemãs e austríacas
ate 1941, sendo vista por mais de 2 milhões de pessoas.
ANDRÉ LUIZ FARIA COUTO
Graduado em história pela Universidade Federal Fluminense - UFF
____________________________________________________________
Existem dois filmes documentários de longametragem, que mostram bem
a época: um, produzido pela cineasta nazista Leni Riefenstahl, encomendado
pelo Adolf Hitler que leva por título "O Triunfo da Vontade". É um filme
de propaganda do regime, onde são mostrados retratos do povo alemão
militarizado, em manifestações, paradas militares grandiosas, e discursos
do "fuhrer" as tropas, principalmente a juventude alemã, que mais tarde
formaria o exército imperial do terceito Reich.
O outro filme intitulado "Arquitetura da Destruição", mostra a ideologia
do regime e a arte naturalista alemã, preconizada pelos nazistas como única
manifestação artística valida.
sábado, 15 de março de 2014
sexta-feira, 14 de março de 2014
ANITA MALFATTI - São Paulo, Brasil 1889-1964
Pintora e desenhista
Filha do engenheiro italiano Samuele Malfatti, e de mãe norteamericana: Betty Krug.
Segunda filha do casal, Anita nasceu com atrofia no braço e na mão direita.
Aos três anos de idade foi levada pelos pais a Luca, Itália, na esperança de corrigir
o defeito congênito. Os resultados do tratamento médico não foram animadores
e Anita teve que carregar essa deficiência pelo resto da sua vida. Voltando ao Brasil,
teve a sua disposição miss Browne, uma governanta inglesa que a ajudou
no desenvolvimento do uso da mão esquerda e no aprendizado da arte da escrita.
Iniciou seus estudos em 1897 no colégio São José de freiras católicas, situado
na rua da Glória. Aí foi alfabetizada. Posteriormente passa a estudar em escola
protestante: na Escola Americana, que depois tomaria o nome de Mackenzie College,
onde, em 1906, recebeu o diploma de normalista.
Nesse meio tempo falece Samuele Malfatti, esteio moral e financeiro da familia.
Sem recursos para o sustento dos filhos, dona Betty passa a dar aulas particulares
de idioma e também de desenho e pintura. Chegou a submeter-se à orientação do
pintor Carlo Deservi para com mais segurança ensinar seus discípulos.
Anita acompanhava as aulas e nelas tomava parte. Foi portanto sua própria mãe
quem lhe ensinou os rudimentos das artes plásticas.
_______________________________________________________________________
"Eu tinha 13 anos, e sofria porque não sabia que rumo tomar na vida. Nada ainda
me revelara o fundo da minha sensibilidade. Resolví então, me submeter a uma
estranha experiência: sofrer a sensação absorvente da morte. Achava que uma forte
emoção, que me aproximasse violentamente do perigo, me daria a decifração definitiva da minha personalidade. E veja o que fiz. Nossa casa ficava próxima
da estação da Barra Funda. Um dia saí de casa, amarrei fortemente as minhas tranças
de menina, deitei-me debaixo dos dormentes e esperei o trem passar por cima de mim.
Foi uma coisa horrível, indescritível. O barulho ensurdecedor, o deslocamento de ar,
a temperatura asfixiante deram-me uma impressão de delirio e de loucura. Eu via
cores, e cores e cores riscando o espaço, cores que eu desejaria fixar para sempre
na retina assombrada. Foi a revelação: voltei decidida a me dedicar a pintura."
________________________________________________________________________
Anita pretendia estudar em Paris, mas sem a ajuda do pai, parecia impossível,
tendo em vista que sua avó vivia entrevada numa cama e sua mãe passava o dia
dando aulas de pintura e de idiomas.
Ela tinha umas amigas, as irmãs Shalders, que estavam prestes a viajar à Europa
para estudar música. Assim surgiu a idéia de acompanha-las à Alemanha, e seu tio
e padrinho, o engenheiro Jorge Krug, aceitou financiar a viagem.
Anita e as Shalders chegaram em Berlim em 1910, ano marcante na história
da arte moderna alemã.
________________________________________________________________________
"Os acontecimentos precipitavam-se tão depressa, que eu me lembro de ter vivido
como dentro de um sonho. Nada do que acontecia se asemelhava com o que havia
acontecido no Brasil. Comprei incontinente uma porção de tintas, e a festa começõu"
________________________________________________________________________
Berlim era então o grande centro musical da Europa. Acompanhando suas amigas
às aulas no centro musical, ali recebeu a sugestão para estudar no ateliê do artista
Fritz Burger, retratista que dominava a técnica pontilhista e divisionista. Foi o primeiro
mestre de Anita. Nessa época ela ingressou na Academia de Belas Artes de Berlim.
Durante as ferias de verão, Anita e as amigas foram as montanhas de Harz,
em Treseburg, região frequentada por pintores. Continuando sua viagem, visitou
a 4º Sonderbund, uma exposição que aconteceu em Colônia na Alemanha,
na qual conheceu trabalhos de pintores modernos, incluindo-se o tão admirado
Van Gogh.
Teve aulas também com Lovis Corinth, um tipo bem germánico que não tinha a menor
paciência com seus alunos, mas com Anita era diferente. Tal vez porque se identificasse com ela. Alguns anos antes sofrera um AVC que como sequela, tal como a aluna lhe deixara dificuldade motora na mão direita.
Anita estava cada vez mais interessada pela pintura expressionista.
Com a instabilidade causada pela aproximação da guerra, resolve deixar Berlim,
antes passando por Paris.
São Paulo, 1914, Anita tinha 24 anos e com mais de quatro anos de estudos
na Europa. A cidade crescia, mas o ambiente artistico ainda era incipiente, o gosto
predominante era pela arte académica. Mais uma vez financiada pelo tio, embarca
para os Estados Unidos.
No inicio de 1915, já se encontrava em Nova York, matriculada na tradicional
Art Student's League. Após três meses de estudos, desistiu de qualquer curso de desenho ou pintura nessa instituição por demais conservadora.
Trazendo em sua pintura a marca do Expressionismo, dificilmente conseguiria
adaptar-se a uma academia de ensino tradicional.
Em meados de 1916, já de volta ao Brasil, se depara com o desgosto que suas telas
causaram no gosto da sua familia, que esperava ver uma pintura bem comportada.
Ela inconscientemente "rompera" com as regras da pintura académica tão apreciada
por seus parentes.
Em 1917 resolve promover uma grande exposição individual. Os acontecimentos
a partir da primeira semana se deram de forma tão rápida e surprendente que Anita
só se atreveria a narrá-los 34 anos depois:
________________________________________________________________________
"A principio os meus quadros foram bem aceitos, e vendi, nos primeiros dias, oito quadros. Em geral, depois da primeira surpressa, acharam a minha pintura perfeitamente normal. Qual não foi a minha surpresa quando apareceu o artigo
crítico de Monteiro Lobato"
________________________________________________________________________
Trecho do lamentável artigo crítico do escritor Monteiro Lobato sobre a exposição
de Anita Malfatti, intitulado "Paranoia ou Mistificação", publicado em 20 de dezembro de 1917, no jornal ultra conservador O Estado de São Paulo, vinte anos antes da mostra "Arte Degenerada" montada pelos nazistas com obras de arte moderna confiscadas em Berlim, em 1937.
________________________________________________________________________
Disse ele: "Há duas especies de artistas, uma composta dos que vêm as coisas,
e em consequência fazem arte pura, guardados "os eternos" ritmos da vida,
e adotados, para concretização das emoções estéticas, os processos clássicos dos grandes mestres. Quem trilha esta senda, se tem gênio é Praxiteles na Grecia, é Rafael
na Itália, é Reinolds na Inglaterra, é Dürer na Alemanha, é Zorn na Suécia, é Rodin
na França, é Zuloaga na Espanha. Se tem apenas talento, vai engrossar a plêiade
de satélites que gravitam em torno desses sois imorredouros. A outra espécie
e formada dos que vêm "anormalmente" a natureza e a interpretam à luz das teorias
efêmeras, sob a "sugestão estrábica" de escolas rebeldes, surgidas cá e lá "como
furúnculos" da cultura excessiva. São produtos do cansaço e do "sadismo" de todos os períodos de decadência, são frutos de fim de estação, "bichados ao nascedouro".
Estrelas cadentes, brilham um instante, as mais das vezes com a luz do escândalo, e somem-se logo nas trevas do esquecimento. Embora se dêem como novos, como
precursores de uma arte a vir, nada é mais velho do que a arte "anormal e teratológica": nasceu com a "paranoia e a mistificação". de há muito que a estudam os psiquiatras em seus tratados, documentando-se nos inúmeros desenhos que "ornam
as paredes dos manicômios". A única diferênça reside em que nos manicômios essa
arte é sincera, produto lógico dos "cérebros transtornados pelas mais estranhas psicosis"; e fora deles, nas exposições públicas zabumbadas pela imprensa partidária
mas não absorvidas pelo público que compra, não há sinceridade nenhuma, nem nenhuma lógica, sendo tudo mistificação pura."
"Estas considerações, são provocadas pela exposição da Sra. Malfatti, onde se notam
acentuadíssimas tendências para uma atitude estética forçada no sentido das
"extravagancias de Picasso & Cia"
"Sejamos sinceros: Futurismo, Cubismo, Impressionismo e tutti quanti não passam
de outros ramos da "arte caricatural". È a extensão da caricatura a regiôes onde não
havia até agora penetrado. Caricatura da cor, caricatura das formas, caricatura que não visa, como a verdadeira, ressaltar uma idéia, mas sim desnortear, aparvalhar, atordoar
a ingenuidade do espectador..."
________________________________________________________________________
Toda essa tolice recalcada e destructiva, faz de Lobato um "precursor" da ideologia nazi-fascista. Em 1938, ele escreve estas barbaridades racistas:
________________________________________________________________________
"Um dia se fará justiça ao Ku Klux Klan; tivesemos uma defesa dessa ordem,
que "mantem o negro no seu lugar", e estariamos livres da peste da imprensa carioca -
mulatinho fazendo o jogo do galego e sempre demolidor, porque a mestiçagem do negro destroi a capacidade construtiva"
________________________________________________________________________
Após a crítica de Lobato, as telas vendidas foram devolvidas, algumas foram quase
destruídas a bengaladas, o artigo gerou uma verdadeira catilinária em artigos de jornais. A primeira voz que se levantou em defesa da pintora, foi a de Oswald de Andrade. Pela imprensa ele elogiou o talento de Anita e parabenizou pelo simples fato dela não ter feito copias. O artigo de Lobato foi agresivo e maldoso e deixou marcas
profundas na vida e na obra da artista. Anita ficou moralmente arrasada com a crítica.
Ficou magoada pelo resto da vida.
Mario de Andrade se referindo ao acontecimento disse:
________________________________________________________________________
"Assisti bem de perto essa luta sagrada, e palavra que considero a vida artistica
de Anita Malfatti um desses dramas pesados que o isolamento dos indivíduos
apaga para sempre feito segredo mortal. O povo passa, o povo olha o quadro
e tudo neste mostra vontade e calma bem definidas. O povo segue seu caminho
depois de ter aplaudido a obra boa, sem saber que poder de miseirinhas cotidianas
maiores que o Pão de Açúcar aquela artista bebeu diariamente com o café da manhã."
________________________________________________________________________
Após o período de recesso, a Semana de Arte Moderna, mais uma vez, movimentou
a insípida vida artística de São Paulo. Anita participou com 22 trabalhos. Nesse mesmo ano embarca mais uma vez em viagem de estudos para Paris pela bolsa do Pensionato.
Na Escola de Paris, no pós-guerra, muitos pintores das mais diversas origens,
passavam pela experiência da releitura da arte de séculos passados, como Picasso
por exemplo. Nos cinco anos que Anita passou na França, a crítica foi unánime
no elogio a sua pintura pioneira, destacando seus desenhos de modelo, de factura pessoal e vigorosa. Seria a produção mais válida e permanente do estágio francés.
Em 1928, volta ao Brasil. Mario de Andrade, seu maior e melhor amigo, declara:
________________________________________________________________________
"O nome de Anita Malfatti já está definitivamente ligado à história das artes brasileiras
pelo papel que a pintora representou no início do movimento renovador
contemporâneo. Dotada de uma inteligência cultivada e duma sensibilidade vasta,
ela foi a primeira entre nos a sentir a precisão de buscar os caminhos mais
contemporâneos da expressão artística, de que vivíamos totalmente divorciados,
banzando num tradicionalismo acadêmico que já não corresponde mais a nenhuma
realidade brasileira nem internacional,"
_______________________________________________________________________
Em 1929 abria em São Paulo, sua quarta exposição individual. Depois de fechar
sua exposição, até 1932, Anita dedicou-se ao ensino escolar. No inicio dos anos 40,depois da morte de Mario de Andrade e da sua mãe, se recolheu a sua chácara
em Diadema.
Anita Malfatti morreu na cidade de São Paulo en 1964.
textos extraídos da Wikipédia
Pintora e desenhista
Filha do engenheiro italiano Samuele Malfatti, e de mãe norteamericana: Betty Krug.
Segunda filha do casal, Anita nasceu com atrofia no braço e na mão direita.
Aos três anos de idade foi levada pelos pais a Luca, Itália, na esperança de corrigir
o defeito congênito. Os resultados do tratamento médico não foram animadores
e Anita teve que carregar essa deficiência pelo resto da sua vida. Voltando ao Brasil,
teve a sua disposição miss Browne, uma governanta inglesa que a ajudou
no desenvolvimento do uso da mão esquerda e no aprendizado da arte da escrita.
Iniciou seus estudos em 1897 no colégio São José de freiras católicas, situado
na rua da Glória. Aí foi alfabetizada. Posteriormente passa a estudar em escola
protestante: na Escola Americana, que depois tomaria o nome de Mackenzie College,
onde, em 1906, recebeu o diploma de normalista.
Nesse meio tempo falece Samuele Malfatti, esteio moral e financeiro da familia.
Sem recursos para o sustento dos filhos, dona Betty passa a dar aulas particulares
de idioma e também de desenho e pintura. Chegou a submeter-se à orientação do
pintor Carlo Deservi para com mais segurança ensinar seus discípulos.
Anita acompanhava as aulas e nelas tomava parte. Foi portanto sua própria mãe
quem lhe ensinou os rudimentos das artes plásticas.
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"Eu tinha 13 anos, e sofria porque não sabia que rumo tomar na vida. Nada ainda
me revelara o fundo da minha sensibilidade. Resolví então, me submeter a uma
estranha experiência: sofrer a sensação absorvente da morte. Achava que uma forte
emoção, que me aproximasse violentamente do perigo, me daria a decifração definitiva da minha personalidade. E veja o que fiz. Nossa casa ficava próxima
da estação da Barra Funda. Um dia saí de casa, amarrei fortemente as minhas tranças
de menina, deitei-me debaixo dos dormentes e esperei o trem passar por cima de mim.
Foi uma coisa horrível, indescritível. O barulho ensurdecedor, o deslocamento de ar,
a temperatura asfixiante deram-me uma impressão de delirio e de loucura. Eu via
cores, e cores e cores riscando o espaço, cores que eu desejaria fixar para sempre
na retina assombrada. Foi a revelação: voltei decidida a me dedicar a pintura."
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Anita pretendia estudar em Paris, mas sem a ajuda do pai, parecia impossível,
tendo em vista que sua avó vivia entrevada numa cama e sua mãe passava o dia
dando aulas de pintura e de idiomas.
Ela tinha umas amigas, as irmãs Shalders, que estavam prestes a viajar à Europa
para estudar música. Assim surgiu a idéia de acompanha-las à Alemanha, e seu tio
e padrinho, o engenheiro Jorge Krug, aceitou financiar a viagem.
Anita e as Shalders chegaram em Berlim em 1910, ano marcante na história
da arte moderna alemã.
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"Os acontecimentos precipitavam-se tão depressa, que eu me lembro de ter vivido
como dentro de um sonho. Nada do que acontecia se asemelhava com o que havia
acontecido no Brasil. Comprei incontinente uma porção de tintas, e a festa começõu"
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Berlim era então o grande centro musical da Europa. Acompanhando suas amigas
às aulas no centro musical, ali recebeu a sugestão para estudar no ateliê do artista
Fritz Burger, retratista que dominava a técnica pontilhista e divisionista. Foi o primeiro
mestre de Anita. Nessa época ela ingressou na Academia de Belas Artes de Berlim.
Durante as ferias de verão, Anita e as amigas foram as montanhas de Harz,
em Treseburg, região frequentada por pintores. Continuando sua viagem, visitou
a 4º Sonderbund, uma exposição que aconteceu em Colônia na Alemanha,
na qual conheceu trabalhos de pintores modernos, incluindo-se o tão admirado
Van Gogh.
Teve aulas também com Lovis Corinth, um tipo bem germánico que não tinha a menor
paciência com seus alunos, mas com Anita era diferente. Tal vez porque se identificasse com ela. Alguns anos antes sofrera um AVC que como sequela, tal como a aluna lhe deixara dificuldade motora na mão direita.
Anita estava cada vez mais interessada pela pintura expressionista.
Com a instabilidade causada pela aproximação da guerra, resolve deixar Berlim,
antes passando por Paris.
São Paulo, 1914, Anita tinha 24 anos e com mais de quatro anos de estudos
na Europa. A cidade crescia, mas o ambiente artistico ainda era incipiente, o gosto
predominante era pela arte académica. Mais uma vez financiada pelo tio, embarca
para os Estados Unidos.
No inicio de 1915, já se encontrava em Nova York, matriculada na tradicional
Art Student's League. Após três meses de estudos, desistiu de qualquer curso de desenho ou pintura nessa instituição por demais conservadora.
Trazendo em sua pintura a marca do Expressionismo, dificilmente conseguiria
adaptar-se a uma academia de ensino tradicional.
Em meados de 1916, já de volta ao Brasil, se depara com o desgosto que suas telas
causaram no gosto da sua familia, que esperava ver uma pintura bem comportada.
Ela inconscientemente "rompera" com as regras da pintura académica tão apreciada
por seus parentes.
Em 1917 resolve promover uma grande exposição individual. Os acontecimentos
a partir da primeira semana se deram de forma tão rápida e surprendente que Anita
só se atreveria a narrá-los 34 anos depois:
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"A principio os meus quadros foram bem aceitos, e vendi, nos primeiros dias, oito quadros. Em geral, depois da primeira surpressa, acharam a minha pintura perfeitamente normal. Qual não foi a minha surpresa quando apareceu o artigo
crítico de Monteiro Lobato"
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Trecho do lamentável artigo crítico do escritor Monteiro Lobato sobre a exposição
de Anita Malfatti, intitulado "Paranoia ou Mistificação", publicado em 20 de dezembro de 1917, no jornal ultra conservador O Estado de São Paulo, vinte anos antes da mostra "Arte Degenerada" montada pelos nazistas com obras de arte moderna confiscadas em Berlim, em 1937.
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Disse ele: "Há duas especies de artistas, uma composta dos que vêm as coisas,
e em consequência fazem arte pura, guardados "os eternos" ritmos da vida,
e adotados, para concretização das emoções estéticas, os processos clássicos dos grandes mestres. Quem trilha esta senda, se tem gênio é Praxiteles na Grecia, é Rafael
na Itália, é Reinolds na Inglaterra, é Dürer na Alemanha, é Zorn na Suécia, é Rodin
na França, é Zuloaga na Espanha. Se tem apenas talento, vai engrossar a plêiade
de satélites que gravitam em torno desses sois imorredouros. A outra espécie
e formada dos que vêm "anormalmente" a natureza e a interpretam à luz das teorias
efêmeras, sob a "sugestão estrábica" de escolas rebeldes, surgidas cá e lá "como
furúnculos" da cultura excessiva. São produtos do cansaço e do "sadismo" de todos os períodos de decadência, são frutos de fim de estação, "bichados ao nascedouro".
Estrelas cadentes, brilham um instante, as mais das vezes com a luz do escândalo, e somem-se logo nas trevas do esquecimento. Embora se dêem como novos, como
precursores de uma arte a vir, nada é mais velho do que a arte "anormal e teratológica": nasceu com a "paranoia e a mistificação". de há muito que a estudam os psiquiatras em seus tratados, documentando-se nos inúmeros desenhos que "ornam
as paredes dos manicômios". A única diferênça reside em que nos manicômios essa
arte é sincera, produto lógico dos "cérebros transtornados pelas mais estranhas psicosis"; e fora deles, nas exposições públicas zabumbadas pela imprensa partidária
mas não absorvidas pelo público que compra, não há sinceridade nenhuma, nem nenhuma lógica, sendo tudo mistificação pura."
"Estas considerações, são provocadas pela exposição da Sra. Malfatti, onde se notam
acentuadíssimas tendências para uma atitude estética forçada no sentido das
"extravagancias de Picasso & Cia"
"Sejamos sinceros: Futurismo, Cubismo, Impressionismo e tutti quanti não passam
de outros ramos da "arte caricatural". È a extensão da caricatura a regiôes onde não
havia até agora penetrado. Caricatura da cor, caricatura das formas, caricatura que não visa, como a verdadeira, ressaltar uma idéia, mas sim desnortear, aparvalhar, atordoar
a ingenuidade do espectador..."
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Toda essa tolice recalcada e destructiva, faz de Lobato um "precursor" da ideologia nazi-fascista. Em 1938, ele escreve estas barbaridades racistas:
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"Um dia se fará justiça ao Ku Klux Klan; tivesemos uma defesa dessa ordem,
que "mantem o negro no seu lugar", e estariamos livres da peste da imprensa carioca -
mulatinho fazendo o jogo do galego e sempre demolidor, porque a mestiçagem do negro destroi a capacidade construtiva"
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Após a crítica de Lobato, as telas vendidas foram devolvidas, algumas foram quase
destruídas a bengaladas, o artigo gerou uma verdadeira catilinária em artigos de jornais. A primeira voz que se levantou em defesa da pintora, foi a de Oswald de Andrade. Pela imprensa ele elogiou o talento de Anita e parabenizou pelo simples fato dela não ter feito copias. O artigo de Lobato foi agresivo e maldoso e deixou marcas
profundas na vida e na obra da artista. Anita ficou moralmente arrasada com a crítica.
Ficou magoada pelo resto da vida.
Mario de Andrade se referindo ao acontecimento disse:
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"Assisti bem de perto essa luta sagrada, e palavra que considero a vida artistica
de Anita Malfatti um desses dramas pesados que o isolamento dos indivíduos
apaga para sempre feito segredo mortal. O povo passa, o povo olha o quadro
e tudo neste mostra vontade e calma bem definidas. O povo segue seu caminho
depois de ter aplaudido a obra boa, sem saber que poder de miseirinhas cotidianas
maiores que o Pão de Açúcar aquela artista bebeu diariamente com o café da manhã."
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Após o período de recesso, a Semana de Arte Moderna, mais uma vez, movimentou
a insípida vida artística de São Paulo. Anita participou com 22 trabalhos. Nesse mesmo ano embarca mais uma vez em viagem de estudos para Paris pela bolsa do Pensionato.
Na Escola de Paris, no pós-guerra, muitos pintores das mais diversas origens,
passavam pela experiência da releitura da arte de séculos passados, como Picasso
por exemplo. Nos cinco anos que Anita passou na França, a crítica foi unánime
no elogio a sua pintura pioneira, destacando seus desenhos de modelo, de factura pessoal e vigorosa. Seria a produção mais válida e permanente do estágio francés.
Em 1928, volta ao Brasil. Mario de Andrade, seu maior e melhor amigo, declara:
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"O nome de Anita Malfatti já está definitivamente ligado à história das artes brasileiras
pelo papel que a pintora representou no início do movimento renovador
contemporâneo. Dotada de uma inteligência cultivada e duma sensibilidade vasta,
ela foi a primeira entre nos a sentir a precisão de buscar os caminhos mais
contemporâneos da expressão artística, de que vivíamos totalmente divorciados,
banzando num tradicionalismo acadêmico que já não corresponde mais a nenhuma
realidade brasileira nem internacional,"
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Em 1929 abria em São Paulo, sua quarta exposição individual. Depois de fechar
sua exposição, até 1932, Anita dedicou-se ao ensino escolar. No inicio dos anos 40,depois da morte de Mario de Andrade e da sua mãe, se recolheu a sua chácara
em Diadema.
Anita Malfatti morreu na cidade de São Paulo en 1964.
textos extraídos da Wikipédia
quinta-feira, 13 de março de 2014
TARSILA DO AMARAL - Capivari, São Paulo 1886 - São Paulo, Brasil 1973
Tarsila foi uma das figuras centrais do Movimento Modernista Brasileiro.
Seu quadro "Abaporu" de 1928 inaugura o Movimento Antropofágico
nas artes plásticas.
Filha de latifundiários paulistas, nasceu e foi criada na fazenda São Bernardo,
em Capivari, no interior de São Paulo. Estudou no colégio de freiras do
bairro de Santana e no colégio Sion em São Paulo, e completou os estudos
em Barcelona, Espanha.
Ao chegar da Espanha, em 1906, casou-se com o médico André Teixeita Pinto.
Rapidamente seu primeiro casamento chegou ao fim. A diferença cultural do casal
era grande. O marido se opunha ao desenvolvimento artístico de Tarsila, já que
ele era conservador, e, para os homens da época, a mulher só deveria cuidar do lar.
Revoltada com essa imposição ela se separa, mas só conseguiu a anulação do
casamento anos depois. Com ele teve sua única filha Dulce.
Começou a aprender pintura em 1917. Em 1920 viaja a París e frequenta a academia
Julian, onde desenhava com modelo. Também estudou de Emile Renard.
Em 1922, ao voltar ao Brasil, aderiu as idéias modernistas. conhece Anita Malfatti
quem lhe apresenta a Oswald de Andrade, Mario de Andrade e Menotti del Pichia.
Esses novos amigos passaram a frequentar seu ateliê, e formaram o "Grupo dos Cinco". Em 1923, na Europa, Tarsila se uniu a Oswald de Andrade e o casal viajou
por Portugal e Espanha. De volta a Paris, estudou com os artistas cubistas: frequentou a academia de André Lhote, conheceu Pablo Picasso e tornouse amiga
de Fernand Léger, de quem foi discípula, e conservou a técnica das cores planas
do seu cubismo sintético. Em 1924, em meio à uma viagem de "redescoberta do Brasil" com os modernistas e com o poeta franco-suiço Blaise Cendrars, Tarsila
iniciou sua fase "Pau-Brasil", dotada de cores e temas acentuadamente tropicais,
onde surgem os "bichos nacionais" (mencionados em poema por Carlos Drummond
de Andrade), a exuberância da fauna e flora brasileiras, e as máquinas e trilhos,
símbolos da modernidade urbana.
Casou-se com Oswald de Andrade em 1926, e no mesmo ano realizou sua primeira exposição individual na galeria Percier, em Paris.
Em 1928, Tarsila pintou o "Abaporu", cujo nome de origem indígena significa
"homem que come carne humana", obra que originou o Movimento Antropofágico
idealizado pelo seu marido. A "antropofagia" propunha a digestão de influências
extranjeiras, como no ritual canibal (em que se devora o inimigo com a crença de
poder-se absorver suas qualidades), para que a arte nacional ganha-se uma feição mais brasileira. Em 1929 Tarsila expõe suas telas pela primeira vez no Brasil,
no Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, em virtude da quebra da bolsa de Nova York,
conhecida como a crise de 1929, a sua familia sente os efeitos da crise do café,
e Tarsila perde a sua fazenda. Ainda nesse mesmo ano, Oswald de Andrade separa-se de Tarsila porque ele se apaixonou e decidiu casar com com a revolucionária Patricia Galvão, conhecida como "Pagu. Tarsila sofre demais com a separação e com a perda da fazenda, o que a leva a entregar-se ainda mais a seu trabalho no mundo artístico.
Em 1930, conseguiu o cargo de conservadora da Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Deu inicio à organização do catálogo da coleção do primeiro museu de arte paulista.
porem, com o advento da ditadura de Getulio Vargas e com a queda de Julio Prestes, perdeu o cargo. Em 1931, Tarsila vendeu alguns quadros da sua coleção particular
para poder viajar a União Soviética com seu novo marido, o psiquiatra paraibano
Osório César, que a ajudaria a se adaptar às diferentes formas de pensamento político social. O casal viajou a Moscou, Leningrado, Odessa, Constantinopla, Belgrado
e Berlim. Logo estaria novamente em Paris, onde Tarsila sensibilizou-se com os
problemas da classe operária. Sem dinheiro, trabalhou como operária na construção
e pintora de paredes. Logo conseguiu o dinheiro necessário para voltar ao Brasil.
Com a crise de 1929 ela perdera todos os seus bens. No Brasil, por participar de
reuniões políticas de esquerda e pela sua viagem a União Soviética, é considerada
suspeita e é presa acusada de subversão. Em 1933, a partir dos quadros "Operários"
e "Segunda classe", a artista inicia uma fase de temática social. Em meados dos
anos 30, o escritor Luiz Martins, vinte anos mais jovem que Tarsila, torna-se seu
companheiro constante, primeiro de pinturas, depois da vida sentimental. Ela se
separa de Osório e se casa com Luiz, com quem viveu até os anos 50.
A partir da década de 40, Tarsila passa a pintar retomando estilos de fases anteriores.
Expõe nas 1º e 2º Bienais de São Paulo. Em 1960 ganha uma retrospectiva no Museu de Arte Moderna (MAM). É tema da sala especia na Bienal de São Paulo de 1963,
e no ano seguinte apresenta-se na 32º Bienal de Veneza.
Em 1965, separada de Luiz Martins e vivendo sozinha, foi submetida a uma cirurjia
de coluna, e um erro médico a deixa paralítica, permanecendo em cadeira de rodas
até seus últimos dias.
Tarsila faleceu no Hospital da Beneficencia Portuguesa, em São Paulo, em 1973.
texto extraído da Wikipédia
Tarsila foi uma das figuras centrais do Movimento Modernista Brasileiro.
Seu quadro "Abaporu" de 1928 inaugura o Movimento Antropofágico
nas artes plásticas.
Filha de latifundiários paulistas, nasceu e foi criada na fazenda São Bernardo,
em Capivari, no interior de São Paulo. Estudou no colégio de freiras do
bairro de Santana e no colégio Sion em São Paulo, e completou os estudos
em Barcelona, Espanha.
Ao chegar da Espanha, em 1906, casou-se com o médico André Teixeita Pinto.
Rapidamente seu primeiro casamento chegou ao fim. A diferença cultural do casal
era grande. O marido se opunha ao desenvolvimento artístico de Tarsila, já que
ele era conservador, e, para os homens da época, a mulher só deveria cuidar do lar.
Revoltada com essa imposição ela se separa, mas só conseguiu a anulação do
casamento anos depois. Com ele teve sua única filha Dulce.
Começou a aprender pintura em 1917. Em 1920 viaja a París e frequenta a academia
Julian, onde desenhava com modelo. Também estudou de Emile Renard.
Em 1922, ao voltar ao Brasil, aderiu as idéias modernistas. conhece Anita Malfatti
quem lhe apresenta a Oswald de Andrade, Mario de Andrade e Menotti del Pichia.
Esses novos amigos passaram a frequentar seu ateliê, e formaram o "Grupo dos Cinco". Em 1923, na Europa, Tarsila se uniu a Oswald de Andrade e o casal viajou
por Portugal e Espanha. De volta a Paris, estudou com os artistas cubistas: frequentou a academia de André Lhote, conheceu Pablo Picasso e tornouse amiga
de Fernand Léger, de quem foi discípula, e conservou a técnica das cores planas
do seu cubismo sintético. Em 1924, em meio à uma viagem de "redescoberta do Brasil" com os modernistas e com o poeta franco-suiço Blaise Cendrars, Tarsila
iniciou sua fase "Pau-Brasil", dotada de cores e temas acentuadamente tropicais,
onde surgem os "bichos nacionais" (mencionados em poema por Carlos Drummond
de Andrade), a exuberância da fauna e flora brasileiras, e as máquinas e trilhos,
símbolos da modernidade urbana.
Casou-se com Oswald de Andrade em 1926, e no mesmo ano realizou sua primeira exposição individual na galeria Percier, em Paris.
Em 1928, Tarsila pintou o "Abaporu", cujo nome de origem indígena significa
"homem que come carne humana", obra que originou o Movimento Antropofágico
idealizado pelo seu marido. A "antropofagia" propunha a digestão de influências
extranjeiras, como no ritual canibal (em que se devora o inimigo com a crença de
poder-se absorver suas qualidades), para que a arte nacional ganha-se uma feição mais brasileira. Em 1929 Tarsila expõe suas telas pela primeira vez no Brasil,
no Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, em virtude da quebra da bolsa de Nova York,
conhecida como a crise de 1929, a sua familia sente os efeitos da crise do café,
e Tarsila perde a sua fazenda. Ainda nesse mesmo ano, Oswald de Andrade separa-se de Tarsila porque ele se apaixonou e decidiu casar com com a revolucionária Patricia Galvão, conhecida como "Pagu. Tarsila sofre demais com a separação e com a perda da fazenda, o que a leva a entregar-se ainda mais a seu trabalho no mundo artístico.
Em 1930, conseguiu o cargo de conservadora da Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Deu inicio à organização do catálogo da coleção do primeiro museu de arte paulista.
porem, com o advento da ditadura de Getulio Vargas e com a queda de Julio Prestes, perdeu o cargo. Em 1931, Tarsila vendeu alguns quadros da sua coleção particular
para poder viajar a União Soviética com seu novo marido, o psiquiatra paraibano
Osório César, que a ajudaria a se adaptar às diferentes formas de pensamento político social. O casal viajou a Moscou, Leningrado, Odessa, Constantinopla, Belgrado
e Berlim. Logo estaria novamente em Paris, onde Tarsila sensibilizou-se com os
problemas da classe operária. Sem dinheiro, trabalhou como operária na construção
e pintora de paredes. Logo conseguiu o dinheiro necessário para voltar ao Brasil.
Com a crise de 1929 ela perdera todos os seus bens. No Brasil, por participar de
reuniões políticas de esquerda e pela sua viagem a União Soviética, é considerada
suspeita e é presa acusada de subversão. Em 1933, a partir dos quadros "Operários"
e "Segunda classe", a artista inicia uma fase de temática social. Em meados dos
anos 30, o escritor Luiz Martins, vinte anos mais jovem que Tarsila, torna-se seu
companheiro constante, primeiro de pinturas, depois da vida sentimental. Ela se
separa de Osório e se casa com Luiz, com quem viveu até os anos 50.
A partir da década de 40, Tarsila passa a pintar retomando estilos de fases anteriores.
Expõe nas 1º e 2º Bienais de São Paulo. Em 1960 ganha uma retrospectiva no Museu de Arte Moderna (MAM). É tema da sala especia na Bienal de São Paulo de 1963,
e no ano seguinte apresenta-se na 32º Bienal de Veneza.
Em 1965, separada de Luiz Martins e vivendo sozinha, foi submetida a uma cirurjia
de coluna, e um erro médico a deixa paralítica, permanecendo em cadeira de rodas
até seus últimos dias.
Tarsila faleceu no Hospital da Beneficencia Portuguesa, em São Paulo, em 1973.
texto extraído da Wikipédia
quarta-feira, 12 de março de 2014
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