segunda-feira, 15 de março de 2010

ISIDRO NONELL / Espanha
ISIDRO NONELL - Barcelona / Espanha 1873 - 1911
Post-Impressionista e pre-modernista. Integrante
do grupo de pintores catalães que partindo da
descoberta impressionista buscaram expressar
o espirito nacional. Nas suas imagens de mendigos,
paisagens suburbanas e principalmente nos seus
retratos de ciganos, Nonell estabelece uma diferença
com os pintores da sua geração, "os pacíficos e
burgueses pintores de Barcelona" segundo as suas palavras,
desenvolvendo uma pintura de tons sombrios e
temática social emparentada ao Expressionismo.
Percebemos afinidades com Vincent Van Gogh
na escolha dos modelos e no tratamento violento do pincel.
Seus quadros são executados com veemência e rapidez.
Junto a Dario de Regoyos e José Gutierrez Solana seu
trabalho é denominado de "pintura negra", e foi rejeitado
pela burguesia barcelonesa da época.
Entre 1895 e 1904 foi colaborador do jornal "La Vanguardia",
ilustrando as sessões "Tipos Populares", "Escenas Populares"
e "Escenas de las Afueras".
Nonell morreu aos 39 anos, de febre tifoidea.

Amparo - 1902 - óleo sobre tela - 50 x 61,5 cm

Juli Vallmitjana - 1901 - óleo sobre tela - 73 x 54 cm

Gitana - 1902 - óleo sobre tela - 48 x 40 cm

Gitano - 1901 - óleo sobre tela - 73 x 61 cm

Consuelo - 1902 - óleo sobre tela - 72 x 59 cm

Hombre com gorra - 1895 - lápiz - 15 x

CASTAÑERA - 1898 óleo sobre tela - 46 x 62 cm
EL PATIO - 1896 óleo sobre tela - 82 x 80,5 cm
ESCALERA - 1894 óleo sobre tela - 25,5 x 17,5 cm
EL POZO - 1894 óleo sobre tela - 25,5 x 17,5 cm

Cigana jovem - 1909 - óleo sobre tela - 79 x 65 cm

Cigana - 1904 - óleo sobre papelão - 64 x 46,5 cm

Cigana velha - 1904 - óleo sobre tela - 114 x 76 cm

Cabeça de cigana - 1906 - tinta - desenho realizado no verso de um cartão postal - 13 x 8 cm

PAISAJE DE CALDES DE BOÍ - 1896 óleo sobre tela - 48,5 x 47 cm
PAISAJE DE SAINT MARTÍ (La Verneda) - 1896 óleo sobre taboa - 95 x 144 cm
EL PUENTE - PARÍS - 1897 óleo sobre tela - 32 x 41 cm
BARRIZAL - 1897 óleo sobre tela - 26 x 42 cm

domingo, 28 de fevereiro de 2010

"SIN CITY" - FRANK MILLER
FRANK MILLER - Maryland - USA 1957 / Desenhista de histórias em quadrinhos e roteirista de cinema. Seu desenho fortemente altocontrastado nos faz lembrar o "film noir" e nos remete a luz da fotografia cinematográfica. Miller é um inovador do género "hiper-violência" produzido pela fábrica norteamericana de películas e quadrinhos. Autor de truculentos personagens de ficção policialesca como "Homem Aranha" - "Demolidor" - "Batman" - "Wolverine" e "Robocop", em tránsito pelo sombrio mundo do crime organizado da mega metrópole, repleta de gangsters, prostitutas e assassinos profissionais, que dão o tom as suas histórias. Recentemente foi co-diretor, junto a Robert Rodriguez e Quentin Tarantino da adaptação para o cinema de "Sin City", histórias desenhadas com roteiro da sua autoria.

tudo foi para os infernos, para os infernos!

tem que ser silêncio!

meu coração não se acalma / tranquilo, tranquilo / meu coração não se acalma

o silêncio não é necessário, já não...

detras de mim estalam raios e trovões, se abrem buracos no meu peito / meu último dia de trabalho / jeito fodido de começar minha aposentadoria...

de repente alguma coisa se rompe dentro de mim

passarás o resto da tua vida na prisão, desonrado, destruido, só.

digo tudo o que querem escutar, do jeito que eles querem, não se ria, são imaginações...

calma, da meia volta e sai pela porta, ela será salva

tú vas morrer, achando que a culpa é tua!

puta estúpida! / não estou cansado! / hás de chorar! hás de suplicar! hás de gritar! hás de gritar!

não, agora não / não posso respirar / não, agora não

fica bem, velho lobo, seja forte, seja esperto / ela precissa de você

um velho morre e uma moça vive / negócio justo / te amo Nancy

a ROBERT PHILIP MILLER / in memoriam

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

VAN GOGH / Desenhista

"Mulher de Scheveningen" - croqui,tinta - La Haye 1882

VINCENT VAN GOGH - Goot Zunder - Holanda 1853 / Auvers-sur-Oise - França 1890 / Post-Impressionista. / Maior referência do Expressionismo, Van Gogh travou uma luta contra os covencionalismos, pela exaltação de sentimentos e significados simbólicos, expressos nos autorretratos e nas pinturas de paisagens. Travou também uma outra luta contra as perturbações epilépticas agravadas pelo uso de absinto, que acabaram por leva-lo a cometer suicidio aos 37 anos. Estuda pintura na Holanda com seu primo, Anton Mauve (1808 - 1888). É nomeado pastor em Borinage, região mineira da Bélgica, que acaba em fracaso. Por volta de 1886 chega em París, onde descobre o Impressionismo. Mesmo observando a rigorosa disciplina que se impós, na preocupação pelo dominio técnico, e de ter adquirido conhecimentos eruditos em arte e literatura, seu trabalho esteve, desde o inicio aparentado a pintura dos Naifs e dos doentes mentais. De educação rigidamente protestante (seu pai era pastor), costumava associar passagens evangélicas aos seus quadros. Neles, exalta com exuberância suas impressões sobre a natureza influenciado pelas estampas japonesas de mestres como Hokusai e Hiroshigue. Os comentários sobre seu processo de trabalho constam das famosas cartas ao seu irmão Theo. (Ampliar clicando sobre as imagens para sentirmos a força e a velocidade da execução do desenho. Ao mesmo tempo a "luta" quase que "corporal" pelo dominio da técnica.)

"Estrada na campina - de Loodsduinen a La Haye" - carvão e tinta, bico de pena - 26 x 33,5 cm - La Haye 1882

Pode-se proclamar a boa saúde mental de Van Gogh, que durante toda a sua vida somente assou uma das mãos e, além disto, não passou de cortar a orelha esquerda. / Em um mundo em que todos os dias as pessoas comem vagina cozida na salsa verde ou sexo de recém-nascido, flagelado e enfurecido arrancado assim como sai do sexo materno, e não se trata de uma imagem mas de um fato muito freqüente, repetido diariamente e cultivado em toda a extensão da terra. É assim que se mantém - por delirante que possa parecer tal afirmação - a vida presente, na sua velha atmosfera de estupro, de anarquia, de desordem, de desvario, de descalabro, de loucura crônica, de inércia burguesa, de anomalia psíquica (porque não é o homem mas o mundo que se tornou anormal), de desonestidade deliberada e insigne hipocrisia, de sujo desprezo por tudo que cheira à nobreza, de reivindicação de uma ordem inteiramente baseada no cumprimento de uma primitiva injustiça, em resumo, do crime organizado. As coisas vão mal porque a conciência doente tem o máximo interesse, neste momento, em não sair de sua doença. / Desta maneira, uma sociedade deteriorada inventou a psiquiatria para defender-se das investigações de alguns iluminados superiores, cujas faculdades de adivinhação a incomodavam. Não, Van Gogh não era louco,mas seus quadros eram misturas incendiárias, bombas atómicas, cujo ángulo de visão comparado com o de todas as pinturas que faziam furor na época, teria sido capaz de transtornar gravemente o conformismo larval da burguesia. / ANTONIN ARTAUD / 1947 - Trecho extraido do livro "Van Gogh, o suicidado pela sociedade"

"Estudo de uma árvore" - crayon e aquarela - 50 x 69 cm - La Haye 1882

"Sorrow" - crayon - 45,5 x 29,5 cm - La Haye 1882

Tinha acordado cedo e vi os operários que chegavam na obra com um sol magnífico. Tu terias gostado de ver o particular aspecto desse rio de personagens negros, grandes e pequenos, primeiro na rua estreita onde havia muito pouco sol e depois na obra. Mais tarde tomei o café da manhã composto de pão seco e um copo de cerveja; é uma forma que Dickens recomenda aos que estão a punto de se suicidar, para afasta-los durante algum tempo do seu projeto... E mesmo que não estejamos com disposição de espírito para realiza-lo, e uma boa prática para meditar de quando em vez no quadro de Rembrandt "Os peregrinos de Emaús" / Cartas a Theo - Amsterdam 1877

"Ancião de casaco e cartola" - lápiz litográfico preto, tinta e bico de pena - 46 x 26 cm - La Haye 1882

"Página de croqui" - tinta - La Drenthe 1883

"Camponeses arando" - croqui,tinta - La Drenthe 1883

Pouco tempo atrás fiz uma excursão muito interessante, tendo passado seis horas numa mina. / É uma das minas mais velhas e perigosas dos arredores, chamase Marcasse. Esta mina tem má reputação por causa dos muitos acidentes acontecidos nela, tanto na descida como na ascensão, por causa do ar asfixiante e as explosões de gas grisú, da água subterránea e do afundamento de antigas galerias. È um lugar sombrío e a primeira vista tudo tem um aspecto melancólico e fúnebre. / Os operários desta mina são geralmente pessoas exauridas e febris, de aspecto fatigado, gastado, velho antes do tempo, as mulheres em geral estão descoloridas e murchas. Em volta da mina estão as moradias miseráveis dos mineiros, com algumas árvores mortas, fileiras de arbustos, montes de lixo e cinzas, montes de carvão inservível. Maris teria feito um quadro admirável. ______________________________________________________________ Não conheço melhor definição da palavra arte que esta: "Arte é o homem agregado à natureza"; a natureza, na realidade, na verdade, mas com um significado, com um conceito. com um caráter, que o artista faz ressaltar, da expressão "que redime", que desembaralha, liberta, ilumina. / Um quadro de Mauve ou de Maris ou de Israels fala mais claramente que a própria natureza. _______________________________________________________________ Uma melhora na minha vida - não aspirava, não tinha necessidade dela por acaso? - Quisera melhorar ainda mais. Precisamente porque o aspiro, tenho medo de "remédios piores que o mal". Podemos ser rigorosos com um doente depois que descobre o valor do seu médico, ou se prefere não ser curado ao contrário por um charlatão? / Cartas a Theo - Borinage 1879 - 1880

"Pescadores na praia" - croqui - tinta, bico de pena - La Haye 1882

"Personagens nas ruas de Nuenen" - croqui, carvão - 35,5 x 20,5 cm - Nuenen 1885

"Lavoura e moinho" - carvão - 44,5 x 56,5 cm - Nuenen 1885

"
Não posso me cuidar daquilo que as pessoas pensam de mim, é necessário que continue "adiante", é nisto que devo pensar. / La fora está tudo muito triste, os campos são blocos de terra negra com um pouco de neve, e a miude jornadas nas quais não à mais que bruma e lodo; no entardecer, o sol vermelho, e na manhã os corvos, a relva resecada e a verdura murcha que apodrecem, pequenos bosques negros e os galhos dos álamos e dos sauces ourizados, contra um céu triste, como uma massa de arame farpado. Isto, só o enxergo de passagem, mas está completamente em harmonia com os interiores muito sombrios nestas escuras jornadas de inverno. / Está também em harmonia com as fisionomias dos camponeses e dos tecelões. Não os escuto se queixarem, mas levam uma vida muito rude. Suponhamos um tecelão que trabalha muitas horas, que faça uma peça de sesenta varas numa semana. No entanto ele tece, é necessário que uma mulher enrole a linha nos carreteis; ou seja, são duas pessoas as que trabalham e devem viver desse trabalho. Sobre esta peça, o tecelão ganha, nessa semana, quatro florins e meio, e quando a entrega ao fabricante, costumam lhe dizer que só receberá outra peça para tecer em oito ou quince dias. Conseqüentemente, o salário é baixo e o trabalho escasso. Por causa disto, essa gente costuma viver nervosa e irrequieta. É um estado de ánimo diferênte ao que conhecí nos mineiros, num ano em que ouve greve e muitos acidentes. / Cartas a Theo - Nuenen 1883 - 1885