quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Isabel Parra "Cantos de Violeta" - Copacabana 1976 - Ilustração da capa, bordado de Violeta Parra

Pablo Neruda "Canto General" - Copacabana 1978 / projeto gráfico: Felipe Canales / desenho da capa: José Balmes e Pablo Neruda

Quilapayun "Basta" Jota-Jota - Distribuido por discoteca del cantar popular DICAP - Santiago do Chile 1972 / projeto gráfico: Vicho + Toño Larrea

"Basta" - contracapa

Los Jaivas "Canción del Sur" ÉMI 1977 / pintura da capa: René Olivares

Los Jaivas - EMI 1975 / projeto gráfico e pintura da capa: René Olivares

URUGUAI

Daniel Viglietti "Canciones Chuecas" - selo independente - Montevideo 1971

ARGENTINA

Juan Gelman / Juan Cedrón "Madrugada" - selo independente 1964 / capa: desenho de Alberto Cedrón - tinta

Mercedes Sosa "Cantata Sudamericana" - Philips 1972 / capa: Retrato de Mercedes Sosa por Mario Mollari - óleo

"Romance de la muerte de Juan Lavalle" - Philips 1960 - texto: Ernesto Sábato / música: Eduardo Falú

Horacio Guarany canta "Martin Fierro" - Philips 1964 / capa: retrato de Horacio Guarany por Carlos Castagnino - tinta

Flautas Andinas "Raíces Incas" RCA 1979 - capa: Mario Céspedes

Atahualpa Yupanqui "La Pampa de Antes" - Microfon 1991 / capa: Retrato de Yupanqui por Osvaldo Guayasamin - Quito 1977

Astor Piazzolla "Hora Zero" - CBS 1986 / projeto gráfico: Capoeira Graphis / fotos: Charles Reilly

C

Charly Garcia "El Aguante" - Sony Music Argentina 1998 / projeto gráfico: Lorena Marazzi / Fotos: Andy Cherniavsky

Fito Paez "Abre" - Warner Argentina 1999 / Projeto gráfico: Ros / Fotos: Eduardo Martí

"Abre" - contracapa

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

COMO SE INVENTARAM OS ALMANAQUES / O encontro do Tempo com a Esperança / para Ana Carolina
MACHADO DE ASSIS
Editôra Mercurio - São Paulo - Brasil 2009 ____________________________________ Programação visual: César Landuchi ____________________________________ Ilustrações: Luis Trimano

nanquim

Some-te, bibliógrafo! Não tenho nada contigo. Nem contigo, curioso de histórias poentas. Sumam-se todos; o que vou contar interessa a outras pessoas menos especiais e muito menos aborrecidas. Vou dizer como se inventaram os almanaques.

nanquim

Sabem que o Tempo é, desde que nasceu, um velho de barbas brancas. Os poetas não lhe dão outro nome: o velho Tempo. Ninguem o pintou de outra maneira. E como há quem tome liberdades com os velhos, uns batem-lhe na barriga (são os patuscos), outros chegam a desafiá-lo; outros lutam com ele, mas o diabo vence-os a todos; é de regra. Entretanto, uma coisa é barba, outra o coração. As barbas podem ser velhas e os corações novos; e vice-versa: há corações velhos com barbas recentes. Não é regra, mas dá-se. Deu-se com o Tempo.

Estudo sobre esculturas de Rogélio Yrurtia - nanquim

Um dia o Tempo viu uma menina de quinze anos, bela como a tarde, risonha como a manhã, sossegada como a noite, um composto de graças raras e finas, e sentiu que alguma coisa lhe batia do lado esquerdo. Olhou para ela e as pancadas cresceram. Os olhos da menina, verdadeiros fogos, faziam arder os dele só com fitá-los. - Que é isto? murmurou o velho.

nanquim

E os beiços do Tempo entraram a tremer e o sangue andava mais depressa, como cavalo chicoteado, e todo ele era outro. Sentiu que era amor; mas olhou para o oceano, vasto espelho, e achouse velho. Amaria aquela menina a um varão tão idoso? Deixou o mar, deixou a bela, e foi pensar na batalha de Salamina. As batalhas velhas eram para ele como para nós os velhos sapatos. Que le importava Salamina? Repetiu-a de memória, e por desgraça dele, viu a mesma donzela entre os combatentes, ao lado de Temístocles. Dias depois trepou a um píncaro, o Chimborazo; desceu ao deserto de Sinai; morou no sol, morou na lua; em toda parte lhe aparecia a figura da bela menina de quinze anos. Afinal ousou ir ter com ela.

Estudo sobre escultura de Antoine Bourdelle - nanquim

- Como te chamas, linda criatura? - Esperança é o meu nome. -Queres amar-me? - Tu estás carregado de anos, respondeu ela; eu estou na flor deles. O casamento é impossível. Como te chamas? - Não te importe o meu nome; basta saber que te posso dar todas as pérolas de Golconda... - Adeus! - Os diamantes de Ofir... - Adeus! - As rosas de Saarão... - Adeus! adeus! - As vinhas de Engaddi... - Adeus! adeus! adeus! Tudo isso há de ser meu um dia; um dia breve ou longe, um dia...

Estudo sobre escultura de Rogélio Yrurtia - nanquim

Esperança fugiu. O Tempo ficou olhando, calado, até que a perdeu de todo. Abrui a boca para amaldiçoá-la, mas as palavras que lhe saíam eram todas de bênção; quis cuspir no lugar em que a donzela pousara os pés, mas não pôde impedir-se de beijá-lo. Foi por esa ocasião que lhe acudiu a idéia do almanaque. Não se usavam almanaques. Vivia-se sem eles; negociava-se, adoecia-se, morria-se, sem se consultar tais livros. Conhecia-se a marcha do sol e da lua; contavan-se os meses e os anos, era, ao cabo, a mesma coisa; mas não ficava escrito, não se numeravam anos e semanas, não se nomeavam dias nem meses, nada; tudo ia correndo, como passarada que não deixa vestigios no ar.

nanquim

- Se eu achar um modo de trazer presente aos olhos os dias e os meses, e o reproduzir todos os anos, para que ela veja palpavelmente ir-se-lhe a mocidade... Raciocínio de velho, mas tudo se perdoa ao amor, ainda quando ele brota de ruínas. O Tempo inventou o almanaque; compôs um simples livro, seco, sem margens, sem nada; tão somente os dias, as semanas, os meses e os anos.

Estudo sobre escultura de Antoine Bourdelle - nanquim

Um dia, ao amanhecer, toda a terra viu cair do céu uma chuva de folhetos; creram a princípio que era geada de nova espécie, depois, vendo que não, correram todos assustados; afinal, um mais animoso pegou de um dos folhetos, outros fizeram a mesma coisa, leram e entenderam. O almanaque trazia a lingua das cidades e dos campos em que caía. Assim toda a terra possuiu, no mesmo instante, os primeiros almanaques. Se muitos povos não têm ainda hoje, se outros morreram sem os ler, é porque vieram depois dos acontecimentos que estou narrando. Naquela ocasião o dilúvio foi universal. - Agora, sim, disse Esperança pegando no folheto que achou na horta; agora já me não engano nos dias das amigas. Irei jantar ou passar a noite com elas, marcando aqui nas folhas, com sinais de cor os dias escolhidos.

nanquim

Todas tinham almanaques. Nem só elas, mas também as matronas, e os velhos e os rapazes, juízes, sacerdotes, comerciantes, governadores, fâmulos; era moda trazer o almanaque na algibeira. Um poeta compôs um poema atribuindo a invenção da obra às Estações, por ordem de seus pais, o Sol e a Lua; um astrônomo, ao contrário, provou que os almanaques eram destroços de um astro onde desde a origem dos séculos estavam escritas as línguas faladas na terra e provavelmente nos outros planeta. A explicação dos teólogos foi outra. Um grande físico entendeu que os almanaques eram obra da própria terra, cuias palavras, acumuladas no ar, formaram-se em ordem, imprimiram-se no próprio ar, convertido em folhas de papel, graças...

Estudo sobre litografia de Debret - nanquim

Não continuou; tantas e tais eram as sentenças, que a de Esperança foi a mais aceita do povo. - Eu creio que o almanaque é o almanaque, dizia ela rindo. Quando chegou o fim do ano, toda a gente, que trazia o almanaque com mil cuidados, para consultá-lo no ano seguinte, ficou espantada de ver cair à noite outra chuva de almanaques. Toda a terra amanheceu alastrada deles; eram os do ano novo. Guardaram naturalmente os velhos. Ano findo, outro almanaque; assim foram eles vindo, até que Esperança contou vinte e cinco anos, ou, como então se dizia, vinte e cinco almanaques.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

nanquim

Nunca os dias pareceram correr tão depressa. Voavam as semanas, com elas os meses, e, mal o ano começava, estava logo findo. Esse efeito entristeceu a terra. A própria Esperança, vendo que os dias passavam tão velozes , e não achando marido, pareceu desanimada; mas foi só um instante. Nesse mesmo instante apareceu-lhe o Tempo. Aquí estou, não deixes que te chegue a velhice... Ama-me...

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Estudo sobre escultura de Antoine Bourdelle - nanquim

Esperança respondeu-lhe com duas gaifonas, e deixou-se estar solteira. Há de vir o noivo, pensou ela. Olhando-se ao espelho, viu que muito pouco mudara. Os vinte e cinco almanaques quase lhe não apagaram a frescura dos quinde. Era a mesma linda e jovem Esperança. O velho Tempo, cada vez mais afogueado em paixão, ia deixando cair os almanaques, ano por ano, até que ela chegou aos trinta e daí aos trinta e cinco.

Estudo sobre esculturas de Rogélio Yrurtia - nanquim

Eram já vinte almanaques; toda a gente começava a odiá-los, menos Esperança, que era a mesma menina das quinze primaveras. Trinta almanaques, quarenta, cinquenta, sessenta, cem almanaques; velhices rápidas, mortes sobre mortes, recordações amargas e duras. A própria Esperança, indo ao espelho, descobriu um fio de cabelo branco e uma ruga. / - Uma ruga! uma só!

Estudo sobre escultura de Franz Xaver Messerschmidt - nanquim

Outras vieram, à medida dos almanaques. Afinal a cabeça de Esperança ficou sendo um pico de neve, a cara um mapa de linhas. Só o coração era verde como acontecia ao Tempo; verdes ambos, eternamente verdes. Os almanaques iam sempre caindo. Um dia, o Tempo desceu a ver a bela Esperança; achou-a anciã, mas forte, com um perpétuo riso nos lábios. - Ainda assim te amo, e te peço... disse ele.

nanquim

Esperança abanou a cabeça; mas, logo depois estendeu-lhe a mão. -Va lá, disse ela; ambos velhos, não será longo o consórcio. - Pode ser indefinido. - Como assim? O velho Tempo pegou da noiva e foi com ela para um espaço azul e sem termos, onde a alma de um deu à alma do outro o beijo da eternidade. Toda a criação estremeceu deliciosamente. A verdura dos corações ficou ainda mais verde.

Estudos sobre a escultura de Rogélio Yrurtia / nanquim

Esperança, daí em diante, colaborou nos almanaques. Cada ano, em cada almanaque, atava Esperança uma fita verde. Então a tristeza dos almanaques era assim alegrada por ela; e nunca o Tempo dobrou uma semana que a esposa não pusesse um mistêrio na semana seguinte. Deste modo todas elas foram passando, vazias ou cheias, mas sempre acenando com alguma coisa que enchia a alma dos homens de paciência e de vida. Assim as semanas, assim os meses, assim os anos.

nanquim

E choviam almanaques, muitos deles entremeados e adornados de figuras, de versos, de contos, de anedotas, de mil coisas recreativas. E choviam. E chovem. E hão de chover almanaques. O Tempo os imprime. Esperança os brocha; é toda a oficina da vida. / M. DE A.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Fotografias: Horacio Coppola

foto: Ana Gulligan

HORACIO PILAR - Buenos Aires, Argentina 1935 - 1999 / Amigo incondicional dos "tempos bravos, casado, 4 filhos, universitário, artesão, jornalista, titirero, carpinteiro, funcionário público, publicitário, empleado. Foi castigado com desemprego, perseguições, cárceres e desterro pelo seu localismo político e falta de solenidade. Obras publicadas: Poemas (1959 - Ed. Mano) - 5 Poetas: González Trejo, Gorbea, Peroni, Pilar y Sicardi (1960 - Ed. Mano) - Amor y Conocimiento (1967 - Ed. Mano)

Riachuelo, ponte Almirante Brown, 1931

La delgada nostalgia / destilando sus siempres pasajeros, sus fugaces jamases, / sus presentes ligeros. / Y la quimera de tocar con las manos / lo que vuela lejano. / Si la memoria confunde los espacios, / no es olvido la ausencia, es presente el olvido. / El ajuar del exilio / es puro sentimiento. / Ante el recuerdo mudo / el aliento golpea con sus puños brumosos / y la letra se apoya sobre la puerta y entra. / de: EXILIO II - 1979

Gaivotas 1931

Calle Corrientes 1931

El fuego junto al muro / por dentro de estas ruinas / con sus manos calientes va levantando el humo / que se derrama afuera como lana carpida. / El resplandor sonámbulo convoca la mirada, / su perfume dorado baja por mi garganta. / y cristales sonoros con inquietud de chispas / encienden los espejos del recuerdo. / Abajo, madre brasa en frágil cáscara / contra el aire desgaja su naranja / en boca del vacío. Con su incesante giro lo alimentan, / y aplacando el pensar del pensamiento / borran la distancia sobre el tiempo / con sus nadas ardientes. / de: EXILIO I - 1976

Favela, Riachuelo 1936

La casa abandonada, / mi hambrienta soledad, / y estas ramas heladas que gané a la tormenta, / son razones de hogar que las llamas consumen. // Afuera, en los patios del cielo, / recrudecen los truenos traidos por el viento, / látigos y relámpagos ruedan entreverados, / lentas tropas de nubes cierran el horizonte. // En busca de madera retorno hacia la noche. / de: EXILIO I - 1976

Estação Retiro do metrô, linha Constitución - Retiro 1936

"Entre las palabras / los lazos del sonido, / entre los hermanos / la hambrienta soledad."/ de: HERMANOS - 1979

Bairro de La Boca 1931

Os Fotógrafos / ZEKA ARAUJO Paisagens Imaginárias / Fotografias e textos.

Zeka Araujo - La Boca del Riachuelo - Buenos Aires 1998

Conhecí o Zeka Araujo a meados dos anos 80. Nesse momento êle era diretor da galeria de fotografia da FUNARTE / Rio de Janeiro, e organizava exposições dos mestres, e coletivas de novos ou desconhecidos. Foi nessas exposições que eu "vi" o trabalho dos artistas da fotografia conduzido pela seleção da equipe do Zeka. Mais tarde tivemos encontros esporádicos, sempre relacionados as exposições que organizava, e a gente deixou de se ver por alguns anos. Viemos a nos reencontrar na exposição "Buena Memôria" do fotógrafo Marcelo Brodsky, uma rememoração dos jovens desaparecidos durante a ditadura militar na Agentina. Foi nesse reencontro que soubemos que ambos fariamos exposição na mesma época, nas galerias do Centro Cultural Recoleta de Buenos Aires. Durante a estadia visitamos o antigo porto chamado de "La Boca", referência a "la boca del riachuelo", como é chamado o Rio da Prata nessa região, e o Zeka produziú uma série de fotografias abstratas cujo tema eram as manchas e ferrugens dos velhos navios abandonados no cais. Essa série foi exposta pouco depois no CCBB: Centro Cultural do Banco do Brasil do Rio de Janeiro. A vontade de realizar um trabalho fusionando varias linguagens, a procura de uma poética propria, já tinha se manifestado em conversas nossas anteriores.Nesta segunda série, já despojado do elemento figurativo, os navios no caso, suas imagens deixam margem as leituras e impressões mais pessoais do espectador. / TRIMANO

Corpo aberto 1

Meu trabalho e um "DEVIR"

Corpo aberto 2

Uma pobra sesi percorre o infinito labirinto entre noites.

Cabeça Hamburgo