O propósito deste blog é o de mostrar o trabalho do ilustrador,independente das regras impostas pelo mercado,nas quatro disciplinas praticadas por mim, em diferentes momentos e veículos: A Caricatura na Imprensa,A Ilustração na Imprensa,A Ilustração Editorial e O Poema Ilustrado. Também são mostradas modalidades diferentes das mesmas propostas como: Montagens das exposições e a revalorização do painel mural, através das técnicas de reprodução digital em baner.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Esperança respondeu-lhe com duas gaifonas,
e deixou-se estar solteira. Há de vir o noivo, pensou ela.
Olhando-se ao espelho, viu que muito pouco mudara.
Os vinte e cinco almanaques quase lhe não apagaram
a frescura dos quinde. Era a mesma linda e jovem Esperança.
O velho Tempo, cada vez mais afogueado em paixão,
ia deixando cair os almanaques, ano por ano, até que ela
chegou aos trinta e daí aos trinta e cinco.
Eram já vinte almanaques; toda a gente começava
a odiá-los, menos Esperança, que era a mesma menina
das quinze primaveras. Trinta almanaques, quarenta,
cinquenta, sessenta, cem almanaques; velhices rápidas,
mortes sobre mortes, recordações amargas e duras.
A própria Esperança, indo ao espelho, descobriu
um fio de cabelo branco e uma ruga. /
- Uma ruga! uma só!
Outras vieram, à medida dos almanaques.
Afinal a cabeça de Esperança ficou sendo um pico de neve,
a cara um mapa de linhas. Só o coração era verde
como acontecia ao Tempo; verdes ambos, eternamente verdes.
Os almanaques iam sempre caindo. Um dia, o Tempo desceu
a ver a bela Esperança; achou-a anciã, mas forte,
com um perpétuo riso nos lábios.
- Ainda assim te amo, e te peço... disse ele.
Esperança abanou a cabeça; mas, logo depois estendeu-lhe a mão.
-Va lá, disse ela; ambos velhos, não será longo o consórcio.
- Pode ser indefinido.
- Como assim?
O velho Tempo pegou da noiva e foi com ela para um espaço
azul e sem termos, onde a alma de um deu à alma do outro
o beijo da eternidade. Toda a criação estremeceu deliciosamente.
A verdura dos corações ficou ainda mais verde.
Esperança, daí em diante, colaborou nos almanaques.
Cada ano, em cada almanaque, atava Esperança uma fita verde.
Então a tristeza dos almanaques era assim alegrada por ela;
e nunca o Tempo dobrou uma semana que a esposa
não pusesse um mistêrio na semana seguinte.
Deste modo todas elas foram passando, vazias ou cheias,
mas sempre acenando com alguma coisa que enchia a alma
dos homens de paciência e de vida. Assim as semanas,
assim os meses, assim os anos.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
HORACIO PILAR - Buenos Aires, Argentina 1935 - 1999 /
Amigo incondicional dos "tempos bravos, casado,
4 filhos, universitário, artesão, jornalista, titirero, carpinteiro,
funcionário público, publicitário, empleado. Foi castigado
com desemprego, perseguições, cárceres e desterro pelo
seu localismo político e falta de solenidade. Obras publicadas:
Poemas (1959 - Ed. Mano) - 5 Poetas: González Trejo, Gorbea,
Peroni, Pilar y Sicardi (1960 - Ed. Mano) - Amor y Conocimiento
(1967 - Ed. Mano)
La delgada nostalgia / destilando sus siempres
pasajeros, sus fugaces jamases, / sus presentes
ligeros. / Y la quimera de tocar con las manos /
lo que vuela lejano. / Si la memoria confunde los
espacios, / no es olvido la ausencia, es presente
el olvido. / El ajuar del exilio / es puro sentimiento. /
Ante el recuerdo mudo / el aliento golpea con sus
puños brumosos / y la letra se apoya sobre la puerta
y entra. / de: EXILIO II - 1979
El fuego junto al muro /
por dentro de estas ruinas / con sus manos
calientes va levantando el humo / que se
derrama afuera como lana carpida. /
El resplandor sonámbulo convoca la mirada, /
su perfume dorado baja por mi garganta. /
y cristales sonoros con inquietud de chispas /
encienden los espejos del recuerdo. /
Abajo, madre brasa en frágil cáscara /
contra el aire desgaja su naranja /
en boca del vacío. Con su incesante giro lo alimentan, /
y aplacando el pensar del pensamiento /
borran la distancia sobre el tiempo /
con sus nadas ardientes. / de: EXILIO I - 1976
La casa abandonada, / mi hambrienta soledad, /
y estas ramas heladas que gané a la tormenta, /
son razones de hogar que las llamas consumen. //
Afuera, en los patios del cielo, / recrudecen los truenos
traidos por el viento, / látigos y relámpagos ruedan
entreverados, / lentas tropas de nubes cierran el horizonte. //
En busca de madera retorno hacia la noche. /
de: EXILIO I - 1976
Conhecí o Zeka Araujo a meados dos anos 80.
Nesse momento êle era diretor da galeria de
fotografia da FUNARTE / Rio de Janeiro, e
organizava exposições dos mestres,
e coletivas de novos ou desconhecidos.
Foi nessas exposições que eu "vi" o trabalho
dos artistas da fotografia conduzido pela
seleção da equipe do Zeka. Mais tarde tivemos
encontros esporádicos, sempre relacionados
as exposições que organizava, e a gente deixou
de se ver por alguns anos. Viemos a nos
reencontrar na exposição "Buena Memôria"
do fotógrafo Marcelo Brodsky,
uma rememoração dos jovens desaparecidos
durante a ditadura militar na Agentina.
Foi nesse reencontro que soubemos que ambos
fariamos exposição na mesma época,
nas galerias do Centro Cultural Recoleta de Buenos
Aires. Durante a estadia visitamos o antigo porto
chamado de "La Boca", referência a "la boca del
riachuelo", como é chamado o Rio da Prata nessa
região, e o Zeka produziú uma série de fotografias
abstratas cujo tema eram as manchas e ferrugens
dos velhos navios abandonados no cais. Essa série foi
exposta pouco depois no CCBB: Centro
Cultural do Banco do Brasil do Rio de Janeiro.
A vontade de realizar um trabalho fusionando varias
linguagens, a procura de uma poética propria,
já tinha se manifestado em conversas
nossas anteriores.Nesta segunda série, já despojado
do elemento figurativo, os navios no caso, suas
imagens deixam margem as leituras e impressões
mais pessoais do espectador. / TRIMANO
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
O HOMEM DO PINCEL JAPONÉS /
Este é o formidável Pratt! Um mestre do quadrinho
mundial. Portador de uma história pessoal povoada
de lances románticos e aventureiros acontecidos
em varios países do mundo. Criador de personagens
rudes e ternas, Hugo Pratt é um dos mais importantes
criadores da narrativa gráfica contemporânea. O seu
desenho está estreitamente emparentado à grafia
dos pintores japoneses antigos que utilizavam o
pincel e o nanquim como únicas armas de trabalho.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Nasceu em Rinini, Itália, em 1927. Começou a
trabalhar em 1945. Durante a Segunda Guerra Mundial
foi prisioneiro dos ingleses e confinado a um campo
de refugiados na África. Posteriormente, fugido da
Itália, lutou ao lado das tropas aliadas na liberação
do seu país, ocupado pelos nazistas. Recolhido por
um bando de salteadores da Bacia de Danakil, viveu
longo período nos desertos. O convivio de todos
esses anos de guerra e marginalidade lhe ensinou
a psicología e o perfil dos mais variados tipos humanos,
os quais estão expressos nas suas histórias à maneira
de Melville ou Hemingway.
É criador das personagens "Sargento Kirk"
e "Corto Maltese", este último, uma coleção
de belas narrações acontecidas no Pacífico
e intituladas "A Balada do Mar Salgado". O
seu trabalho é publicado em varios países
da Europa e da América. No Brasil foi lançado
em portugués em forma de livros, pela editora
L&PM de Porto Alegre. Rebeldia, firmeza e
agilidade são os elementos do contexto de
Pratt, O homem do Pincel Japonés. Aquí, uma
breve resenha do seu traço.
TRIMANO / "Pasquim" 1987
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