O propósito deste blog é o de mostrar o trabalho do ilustrador,independente das regras impostas pelo mercado,nas quatro disciplinas praticadas por mim, em diferentes momentos e veículos: A Caricatura na Imprensa,A Ilustração na Imprensa,A Ilustração Editorial e O Poema Ilustrado. Também são mostradas modalidades diferentes das mesmas propostas como: Montagens das exposições e a revalorização do painel mural, através das técnicas de reprodução digital em baner.
sábado, 3 de janeiro de 2009
Estou esperando meu caso se definir / e estou esperando /
por um renascimento do espanto / e estou esperando alguém /
que realmente descubra a América / e chore / e estou esperando /
pela descoberta / de uma nova fronteira simbólica a oeste /
e estou esperando / que a Àguia Americana / realmente abra suas asas /
feche-as e voe direito / e estou esperando / que a Idade da Angústia /
caia morta / e estou esperando / pela guerra que vai fazer /
do mundo um lugar mais seguro / para a anarquia / e estou esperando /
pela falência final / de todos os governos / assim como sempre esperando /o renascimento do espanto
Estou esperando pela Segunda Vinda / e estou esperando /
um renascimento religioso / que assole o estado de Arizona /
e estou esperando / as Vinhas da Ira seram estocados /
e estou esperando / que provem / que Deus é realmente Americano /
e estou esperando / ver Deus na TV / retransmitido até os altares das igrejas /
se pelo menos eles soubessem achar / o canal certo / para ligar /
e estou esperando / a Santa Ceia ser servida de novo /
com algum tempero que despertasse o apetite / e estou sempre esperando /
um renascimento do espanto.
Estou esperando que chamem meu número / e estou esperando /
que o Exército de Salvação assuma o comando / e estou esperando /
que os mansos sejam bem-aventurados / e herdem a terra /
livres de impostos / e estou esperando / que as florestas e os animais /
reclamem a terra como sua / e estou esperando / que apareça um jeito /
de destruir todos os nacionalismos / sem matar ninguém /
e estou esperando / que os pardais e planetas caiam como chuva /
e estou esperando /que os amantes e os sofredores / possam se deitar de novo juntos / num novo renascimento do espanto
Estou esperando que a Grande Fronteira / seja cruzada /
e estou esperando ancioso / peça descoberta do segredo da vida eterna /
por um principiante obscuro / e estou esperando / que as tempestades da vida /
chegem ao fim / e estou esperando / levantar as velas em direção à felicidade /
e estou esperando / por um Mayflower reconstruído /
para atingir os Estados Unidos / com seu roteiro de cinema e direitos de TV /
pagos adiantados aos nativos / e estou esperando / que a música perdida toque de novo / no Continente Perdido / num novo renascimento do espanto
Estou esperando o dia / que todas as coisas torne claras /
e estou esperando o castigo / por tudo que os Estados Unidos fizeram /
a Tom Sawyer / e estou esperando / que o Garoto Americano /
tire as roupas da Beleza / e monte em cima dela /
e estou esperando / que Alice no País das Maravilhas /
retrasmita a mim / seu sonho total de inocência / e estou esperando /
que o cavaleiro Roland chegue / até a final torre mais escura /
e estou esperando / que Vênus ganhe novos braços vivos /
numa conferência final de desarmamento/ num novo renascimento do espanto
Estou esperando / receber alguns avisos / de imortalidade /
ao lembrar minha primeira infância / e estou esperando /
que as manhãs verdes voltem / campos verdes da juventude venham de novo /
e estou esperando / que uns impulsos de arte espontânea /
sacudam minha máquina de escrever / o grande poema indelével /
e estou esperando / o último puro e longo ímpeto /
e estou para sempre esperando / que os amantes fugitivos na Urna Grega /
se encontrem no final / e se abracem / e estou esperando /
sem parar e para sempre / um renascimento do espanto
de: "Uma Coney Island da mente" - 1958
tradução : Paulo Leminski
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
domingo, 28 de dezembro de 2008
JAVIER VILLAFAÑE - Buenos Aires / Argentina 1909 - 1996./
Poeta, escritor de livros infantis e titereiro, Villafañe foi uma
referência importante no teatro de rua e no teatro para as
crianças, encenando peças da sua autoria, protagonizadas
por bonecos que êle mesmo construia. Com a sua carroça,
"La Andariega", moradia e teatro ambulante, percorreu a
Argentina e varios paises da América Latina, realizando
espetáculos de marionetes. Em 1976, seu livro "Don Juan
el zorro", fué retirado de circulação pela ditadura militar
imperante na Argentina. Se "auto-exilia" na Venezuela, e
funda a Oficina de Títeres na Universidade dos Andes.
Em 1978 percorre a Espanha com seu teatro ambulante.
Em 1984 retorna a Argentina. É autor de muitos livros
de histórias e peças infantis: "Los sueños del sapo",
"Histórias de pájaros", "Cuentos y títeres", "El caballo
celoso", "El hombre que queria adivinarle la edad al Diablo",
"Tiempo de cantar", "El gran paraguas", "La vuelta al mundo",
"Los cuentos que me contaron", e "Maese" trotamundos por
el camino de don Quijote"./ Disse: "muitos dos meus colegas,
os cavalheiros da terceira idade, constumam dizer - existem
velhos jovens e jovens velhos. Não é verdade. Os velhos
são velhos e os jovens, jovens. Essa questão não tem saida.
Mas existem os velhos insoportavelmente velhos, e jovens
carregados de recalques. Fujamos dêles"
Nada eu odeio tanto como a sentimentalidade.
Quanto mais grave e profundamente arde em mim
o estremecimento pela nossa existência, tanto mais
fria a minha vontade de encerrar este monstro de
vitalidade, horrendo e palpitante, de forma clara
como o cristal, em linhas e planos severos.
MAX BECKMAN 1920
A minha meta é sempre tornar o invisível visivel pela realidade.
Tal vez pareça paradoxal, mas de fato é a realidade que perfaz o segredo de nossa existência. Por isso eu quase não tenho necessidade de formas abastratas, pois
todo obgeto já é suficientemente irreal; tão irreal, que é apenas pela pintura que eu posso torná-lo real./
MAX BECKMAN 1938
sábado, 27 de dezembro de 2008
Romare Bearden
Romare Howard Bearden - Carolina do Norte USA 19ll - Nova York 1988
Pintor da negritude norteamericana e do Jazz, também foi cartunista em jornais
políticos alternativos e extraordinário "colagero".Trabalhando o recorte de forma bruta e direto da publicação, cria imagens de formas cruas e cores ácidas,
ilustrando o cotidiano dos negros. Na "apropriação de imagens", (se apossar de
imagens alheias para si), um principio pre-estabelecido desde o Dadaismo, Romare
utiliza o mesmo método dos artistas Pop, ao adaptar o material visual, multiplicado
em escala e comercializado nas páginas das revistas, invadindo a sua pintura
com imagens de dominio público, da mesma forma que a publicidade invadia as
obras da Pop-Art. A série "Urbanas" que estou mostrando neste segmento do
blog, surge da influência que as colagens de Romare, a sua "pintura gráfica",
tiveram no trabalho desse momento.
TRIMANO 2008
domingo, 21 de dezembro de 2008
sábado, 20 de dezembro de 2008
Operários de obra, carregadores, passageiros de
ónibus, de trem. Trabalhando, sofrendo, indo,
chegando. Anónimos na multidão, mas cada qual
com sua individualidade. Que Trimano explora,
de forma fragmentada em 40 desenhos a nanquim expostos na galeria do IBEU.
Á sua individual, Trimano deu o título de Série Urbana,
"feita a partir de uma reflexão sobre as imagens da rua
e das pessoas que nela transitam". Dando mais énfase
a rostos e mãos, "muito expressivos no ser humano",
ele transforma essas imagens do cotidiano em colagens,
a partir de fotografias de jornais e rediofotos.
Prontas as colagens, o artista as projeta e desenha,
exagerando olhos, bocas, mãos, elementos que se
destacam no seu trabalho. Tudo o mais é assesório,´pedaços de caixote, fundos de lixeiras, sucatas de carro, detalhes
que, mesmo retalhados, dão a composição uma unidade
clássica.
Para Trimano sua série Urbanas é o resultado de várias
influências, a começar pelo expressionismo argentino da
década de 60. Este marcou-lhe tanto quanto o expressionismo
alemão, e mais ainda, o desenho japonés de nanquim,
(Hokusai).
Trimano vê, no inicio do seu trabalho, influência dos
muralistas mexicanos Rivera, Orozco e Siqueiros, e também de Portinari e Di Cavalcanti, "principalmente as caricaturas de Di da década de 40", uma caracterterística teatral.
"Em cada janela de um ónibus, há um rosto diferente.
E que diferentemente se expressa, rindo, chorando, lendo,
falando, calando-se. Como se representasse no grande
teatro que é a rua".
Fundo a rostos e mãos, um desenho se destaca por ser
o único de fato individualizado, isto é, sem fragmentação,
"Retrato do escultor Rasec", (um trabalho mais lírico,
menos catártico), que junto aos retratos de Tizuko e Yuko,
iniciam uma nova série: "Os retratos".
Maria Eduarda A. de Souz
Trechos da matêria publicada no Jornal do Brasil /
Caderno B - 1983
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
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