sábado, 3 de janeiro de 2009

Trimano 2007/08 - série "Diário" - nanquim

Estou esperando meu caso se definir / e estou esperando / por um renascimento do espanto / e estou esperando alguém / que realmente descubra a América / e chore / e estou esperando / pela descoberta / de uma nova fronteira simbólica a oeste / e estou esperando / que a Àguia Americana / realmente abra suas asas / feche-as e voe direito / e estou esperando / que a Idade da Angústia / caia morta / e estou esperando / pela guerra que vai fazer / do mundo um lugar mais seguro / para a anarquia / e estou esperando / pela falência final / de todos os governos / assim como sempre esperando /o renascimento do espanto
Estou esperando pela Segunda Vinda / e estou esperando / um renascimento religioso / que assole o estado de Arizona / e estou esperando / as Vinhas da Ira seram estocados / e estou esperando / que provem / que Deus é realmente Americano / e estou esperando / ver Deus na TV / retransmitido até os altares das igrejas / se pelo menos eles soubessem achar / o canal certo / para ligar / e estou esperando / a Santa Ceia ser servida de novo / com algum tempero que despertasse o apetite / e estou sempre esperando / um renascimento do espanto.
Estou esperando que chamem meu número / e estou esperando / que o Exército de Salvação assuma o comando / e estou esperando / que os mansos sejam bem-aventurados / e herdem a terra / livres de impostos / e estou esperando / que as florestas e os animais / reclamem a terra como sua / e estou esperando / que apareça um jeito / de destruir todos os nacionalismos / sem matar ninguém / e estou esperando / que os pardais e planetas caiam como chuva / e estou esperando /que os amantes e os sofredores / possam se deitar de novo juntos / num novo renascimento do espanto
Estou esperando que a Grande Fronteira / seja cruzada / e estou esperando ancioso / peça descoberta do segredo da vida eterna / por um principiante obscuro / e estou esperando / que as tempestades da vida / chegem ao fim / e estou esperando / levantar as velas em direção à felicidade / e estou esperando / por um Mayflower reconstruído / para atingir os Estados Unidos / com seu roteiro de cinema e direitos de TV / pagos adiantados aos nativos / e estou esperando / que a música perdida toque de novo / no Continente Perdido / num novo renascimento do espanto
Estou esperando o dia / que todas as coisas torne claras / e estou esperando o castigo / por tudo que os Estados Unidos fizeram / a Tom Sawyer / e estou esperando / que o Garoto Americano / tire as roupas da Beleza / e monte em cima dela / e estou esperando / que Alice no País das Maravilhas / retrasmita a mim / seu sonho total de inocência / e estou esperando / que o cavaleiro Roland chegue / até a final torre mais escura / e estou esperando / que Vênus ganhe novos braços vivos / numa conferência final de desarmamento/ num novo renascimento do espanto
Estou esperando / receber alguns avisos / de imortalidade / ao lembrar minha primeira infância / e estou esperando / que as manhãs verdes voltem / campos verdes da juventude venham de novo / e estou esperando / que uns impulsos de arte espontânea / sacudam minha máquina de escrever / o grande poema indelével / e estou esperando / o último puro e longo ímpeto / e estou para sempre esperando / que os amantes fugitivos na Urna Grega / se encontrem no final / e se abracem / e estou esperando / sem parar e para sempre / um renascimento do espanto de: "Uma Coney Island da mente" - 1958 tradução : Paulo Leminski

domingo, 28 de dezembro de 2008

OS POETAS / JAVIER VILLAFAÑE / Argentina

"As mãos do titereiro" - foto: Tina Modotti 1929

JAVIER VILLAFAÑE - Buenos Aires / Argentina 1909 - 1996./ Poeta, escritor de livros infantis e titereiro, Villafañe foi uma referência importante no teatro de rua e no teatro para as crianças, encenando peças da sua autoria, protagonizadas por bonecos que êle mesmo construia. Com a sua carroça, "La Andariega", moradia e teatro ambulante, percorreu a Argentina e varios paises da América Latina, realizando espetáculos de marionetes. Em 1976, seu livro "Don Juan el zorro", fué retirado de circulação pela ditadura militar imperante na Argentina. Se "auto-exilia" na Venezuela, e funda a Oficina de Títeres na Universidade dos Andes. Em 1978 percorre a Espanha com seu teatro ambulante. Em 1984 retorna a Argentina. É autor de muitos livros de histórias e peças infantis: "Los sueños del sapo", "Histórias de pájaros", "Cuentos y títeres", "El caballo celoso", "El hombre que queria adivinarle la edad al Diablo", "Tiempo de cantar", "El gran paraguas", "La vuelta al mundo", "Los cuentos que me contaron", e "Maese" trotamundos por el camino de don Quijote"./ Disse: "muitos dos meus colegas, os cavalheiros da terceira idade, constumam dizer - existem velhos jovens e jovens velhos. Não é verdade. Os velhos são velhos e os jovens, jovens. Essa questão não tem saida. Mas existem os velhos insoportavelmente velhos, e jovens carregados de recalques. Fujamos dêles"

"Títeres" - foto: Tina Modotti 1929

"Titereiro manipulando" - foto: Tina Modotti 1929

TRIMANO / Série URBANA / desenhos 1980-83 Galeria do IBEU - Rio de Janeiro 1983 Curadores: Marc Berkowitz e Max Nauemberg
Nada eu odeio tanto como a sentimentalidade. Quanto mais grave e profundamente arde em mim o estremecimento pela nossa existência, tanto mais fria a minha vontade de encerrar este monstro de vitalidade, horrendo e palpitante, de forma clara como o cristal, em linhas e planos severos. MAX BECKMAN 1920
A minha meta é sempre tornar o invisível visivel pela realidade. Tal vez pareça paradoxal, mas de fato é a realidade que perfaz o segredo de nossa existência. Por isso eu quase não tenho necessidade de formas abastratas, pois todo obgeto já é suficientemente irreal; tão irreal, que é apenas pela pintura que eu posso torná-lo real./ MAX BECKMAN 1938

sábado, 27 de dezembro de 2008

série URBANA - "Cabeça oriental / Akio" - 1983

nanquim

série URBANA - "A ponte" - 1983

nanquim

série URBANA - "O caminhão 1 (díptico)" - 1983

nanquim

série URBANA - "O Caminhão 2 / díptico" - 1983

nanquim

série URBANA "O prêso" - 1983

nanquim e guache

série URBANA - "Mendigo" 1983

nanquim

série URBANA - "Samba-Blues" - 1983

nanquim
As Influências./ ROMARE BEARDEN / USA

Romare Bearden

Romare Howard Bearden - Carolina do Norte USA 19ll - Nova York 1988
Pintor da negritude norteamericana e do Jazz, também foi cartunista em jornais
políticos alternativos e extraordinário "colagero".Trabalhando o recorte de forma bruta e direto da publicação, cria imagens de formas cruas e cores ácidas,
ilustrando o cotidiano dos negros. Na "apropriação de imagens", (se apossar de
imagens alheias para si), um principio pre-estabelecido desde o Dadaismo, Romare
utiliza o mesmo método dos artistas Pop, ao adaptar o material visual, multiplicado
em escala e comercializado nas páginas das revistas, invadindo a sua pintura
com imagens de dominio público, da mesma forma que a publicidade invadia as
obras da Pop-Art. A série "Urbanas" que estou mostrando neste segmento do
blog, surge da influência que as colagens de Romare, a sua "pintura gráfica",
tiveram no trabalho desse momento.
TRIMANO 2008

"A rua" / 1974

colagem 19 x15 cmts.

"Interior" / 1978

colagem e guache 14 x 10 cmts.

Mural / 1984

cerámica

Charge política / Baltimore Afro-American" - 1936

Charge política / "Baltimore Afro-American" / 1937

Charge política / "Baltimore Afro-American / 1936

"1,10 hs Street / 1980

colagem / 22 x 14 cmts.

"3 músicos folk" / 1985

colagem

"A selva" / 1971

colagem / 24 x 18 cmts.

"Mulher deitada" / 1971

colagem, papel e pano / 35 x 47 cmts.

"Músicos" / 1968/69

colagem / 10 x 13 cmts.

"Lenda" / 1977

colagem / 44 x 32 cmts.

"Mis Bertha and Mr. Seth" / 1978

colagem / 25 x 18 cmts

"Sumertime" / 1967

colagem e acrilico / 56 x 44 cmts.

Série JAZZ / 1980

colagem e guache / 18 x 14 cmts

domingo, 21 de dezembro de 2008

TRIMANO / Série "Urbana" - desenhos 1980 / 83./ Galerias do IBEU - Rio de Janeiro 1983

sábado, 20 de dezembro de 2008

Operários de obra, carregadores, passageiros de ónibus, de trem. Trabalhando, sofrendo, indo, chegando. Anónimos na multidão, mas cada qual com sua individualidade. Que Trimano explora, de forma fragmentada em 40 desenhos a nanquim expostos na galeria do IBEU. Á sua individual, Trimano deu o título de Série Urbana, "feita a partir de uma reflexão sobre as imagens da rua e das pessoas que nela transitam". Dando mais énfase a rostos e mãos, "muito expressivos no ser humano", ele transforma essas imagens do cotidiano em colagens, a partir de fotografias de jornais e rediofotos. Prontas as colagens, o artista as projeta e desenha, exagerando olhos, bocas, mãos, elementos que se destacam no seu trabalho. Tudo o mais é assesório,´pedaços de caixote, fundos de lixeiras, sucatas de carro, detalhes que, mesmo retalhados, dão a composição uma unidade clássica. Para Trimano sua série Urbanas é o resultado de várias influências, a começar pelo expressionismo argentino da década de 60. Este marcou-lhe tanto quanto o expressionismo alemão, e mais ainda, o desenho japonés de nanquim, (Hokusai). Trimano vê, no inicio do seu trabalho, influência dos muralistas mexicanos Rivera, Orozco e Siqueiros, e também de Portinari e Di Cavalcanti, "principalmente as caricaturas de Di da década de 40", uma caracterterística teatral. "Em cada janela de um ónibus, há um rosto diferente. E que diferentemente se expressa, rindo, chorando, lendo, falando, calando-se. Como se representasse no grande teatro que é a rua". Fundo a rostos e mãos, um desenho se destaca por ser o único de fato individualizado, isto é, sem fragmentação, "Retrato do escultor Rasec", (um trabalho mais lírico, menos catártico), que junto aos retratos de Tizuko e Yuko, iniciam uma nova série: "Os retratos". Maria Eduarda A. de Souz Trechos da matêria publicada no Jornal do Brasil / Caderno B - 1983

série Urbana / cartaz da exposição

nanquim

série Urbana / "Retrato de Tizuko"

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série Urbana / "Carregadores"

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série urbana / "O Grito"

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série Urbana / "Menino Iraniano"

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série Urbana / "Retrato de Yuko"

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série Urbana / "OS" - Carregador de sacas

nanquim

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008