O propósito deste blog é o de mostrar o trabalho do ilustrador,independente das regras impostas pelo mercado,nas quatro disciplinas praticadas por mim, em diferentes momentos e veículos: A Caricatura na Imprensa,A Ilustração na Imprensa,A Ilustração Editorial e O Poema Ilustrado. Também são mostradas modalidades diferentes das mesmas propostas como: Montagens das exposições e a revalorização do painel mural, através das técnicas de reprodução digital em baner.
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
quinta-feira, 31 de julho de 2008
quarta-feira, 30 de julho de 2008
domingo, 27 de julho de 2008
OS POETAS /
5 haiku de Bashó
O haiku, muito provàvelmente a mais curta das formas
em verso, representa um contributo inconfundível para
a literatura poética universal, quanto mais não seja por
demonstrar a grandeza dos efeitos que se podem obter
através da mais severa economia verbal. Apesar da sua
extrema brevidade - o haiku tem apenas 17 sílabas -,
os japoneses tendem a considerar a poesia do haiku como
a mais importante do seu país, e ela despertou no Ocidente
geral atenção, e até mesmo imitação.
O maior dos seus poetas, Bashô (1644-1694), foi samurai
no começo da sua vida, mas renunciouva todos os privilégios
quando escolheu a carreira de mestre de haikai. Viveu como
um homem comum, nunca tendo ligações com a corte do im-
perador em Kioto, nem com a corte do xogun em Edo (Tóquio).
Também não se tornou monge budista, com Sôgi e muitos outros
poetas famosos, embora andasse vestido e em certos aspectos
vivesse como se o fosse. Ele próprio se comparou a um morcego,
"nem monge nem leigo, nem pássaro nem rato, mas algo de
intermédio". Entre os seus discípulos havia homens de todas
as clases, desde ricos samurais e mercadores até pobres
camponeses; os dois por quem mostrou maior afeição foram
um criminoso e um mendigo.
tradução de Paulo Rocha
quarta-feira, 23 de julho de 2008
METAFÍSICA E BISCOITO
no meio dos latidos da noite
quando o silêncio atinge a qualidade
dos latidos da morte e as folhas caem
impressionavelmente sangradas;
no meio frio de um colchão inquieto
com os olhos pensativos resvalando no teto
e as mãos descendo pelo corpo
como a buscar sua realidade longuínqua
quando os morcegos da melancolia
atravessam sem bater entre as árvores
e alguma coisa enraizada confusa
parece brotar de novo entre as pernas;
nesse espaço fundamental reduzido
onde as idéias se sucedem largadas
numa associação intempestiva
que é impossível deter ou compreender;
RADIAL X
Surto absurdo absorto
ânsia de presença maciça
massa musical momentânea
tonalidades dispersivas da luz
musculatura brutalidade candura
durações do pensamento no éter
formoso remorso da geometria
quebra de situações pontuais
espelhos sutis homologados
sismografias dissolutas
ânimo indeterminado dos ares
voracidade das vontades
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Série CANTO GERAL / Pablo Neruda
tradução: Paulo Mendes Campos
Poema épico dividido em 15 partes,
que relata a ocupação da América Latina
pela monarquia espanhola, no século XV
(trabalho em processo)
SUMÁRIO
I. A LÁMPADA NA TERRA / II. ALTURAS DE MACCHU PICCHU
III. OS CONQUISTADORES / IV. OS LIBERTADORES
V. A AREIA TRAÍDA / VI. AMÉRICA, NÃO INVOCO TEU NOME EM VÃO
VII. CANTO GERAL DO CHILE / VIII. A TERRA SE CHAMA JUAN
IX. QUE ACORDE O LENHADOR / X. O FUGITIVO
XI. AS FLORES DE PUNITAQUI / XII. OS RIOS DO CANTO
XIII. CORAL DE ANO-NOVO PARA A PATRIA EM TREVAS
XIV. O GRANDE OCEANO / EU SOU
terça-feira, 8 de julho de 2008
sexta-feira, 4 de julho de 2008
"la caída"
OCTAVIA MINOR O'DONNEL
Em plena madrugada
ecoou o tiro.Correram
para ver o que era. A mulher nua. O som tocando ainda. Um cinzeiro
cheio. Um sapo de porcelana. Um livro aberto. Uma garrafa
de uísque pelo meio. Um dicionário. Uma carta amassada.
Duas almofadas num canto. Uma cereja e um bilboquê. Um mapa
do Estado do Rio. A mulher toda
como se tivesse espumado, com sua cara
de cenoura morta. As cobertas revoltas
em desalinho. A luz pingando sangue. Um sorvete
derretido num copo. Uma borboleta. Um alicate. Um dente solto.
Um salto de sapato roxo. Um batom.
Dois pedaços de pizza. Uma aspirina. Uma faixa
de amarrar no cabelo. Um elefante abandonado. Um cabide.
Uma palavra interrompida. O fio do telefone enrolado
puxado para a cama como um bebê.
segunda-feira, 30 de junho de 2008
SÉRIE "DIÁRIO" - Centauro ferido - estudo de uma escultura de Antoine Bourdelle - nanquim e guache --
... a través de Linares, através da calorenta e plana região pantanosa,
através do abafado rio Soto la Marina, próximo a Hidalgo e adiante.
Um enorme vale de selva verdejante com amplos campos cultivados
sugiu à minha frente. Grupos de homens nos observavam passar,
reunidos ao lado de uma velha ponte enferrujada.
O rio aquecido fluía, ardente.
E então subimos a novas altitudes e a região desértica e inculta resurgiu.
A cidade de Gregória estava a frente.
Os rapazes dormiam e eu estava ao volante, sozinho na minha eternidade,
e a estrada seguia reta como uma flecha.
Não era como dirigir pela Carolina, ou pelo Texas, ou pelo Arizona, ou pelo Illinois,
mas sim dirigir através do mundo rumo a lugares
onde nos finalmente aprenderíamos algo entre os lavradores indigenas desse mundo,
a origem, a força essencial da humanidade básica, primitiva e chorosa
que se estende como um cinturão ao redor da barriga equatorial do planeta,
desde a Malásia (a longa unha da China) até o grande subcontinente indiano,
passando pela Arábia e pelo Marrocos,
SÉRIE "DIÁRIO" -
cruzando os próprios desertos e selvas do México,
sobre as ondas da Polinésia para chegar ao Sião místico da Túnica Amarela,
sempre ao redor, ao redor, de modo que se pode ouvir
a mesma lamúria nostálgica desde as muralhas arruinadas de Cádiz, na Espanha,
até vinte mil kilómetros mais além, nas profundezas de Benares, a Capital do Mundo.
Essas pessoas eram induvitavelmente indias
e não tinham absolutamente nada a ver com os tais Pedros e Panchos
da tola tradição civilizada norte-americana.
Tinham as maçâs do rosto salientes, olhos obliquos, gestos suaves:
não eram bobos, não eram palhaços, eram grandes e graves indígenas,
a fonte básica da humanidade, os pais dela.
As ondas são chinesas, mas a terra é coisa dos indios.
Tão essencial como as rochas no deserto,
são os indios no deserto da "história"
tradução: Eduardo Bueno
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