O propósito deste blog é o de mostrar o trabalho do ilustrador,independente das regras impostas pelo mercado,nas quatro disciplinas praticadas por mim, em diferentes momentos e veículos: A Caricatura na Imprensa,A Ilustração na Imprensa,A Ilustração Editorial e O Poema Ilustrado. Também são mostradas modalidades diferentes das mesmas propostas como: Montagens das exposições e a revalorização do painel mural, através das técnicas de reprodução digital em baner.
domingo, 11 de março de 2012
PIERRE (Fatumbi) VERGER - França 1902 - Brasil 1992
Antropólogo e fotógrafo, Verger destacou-se com mestria
na fotografia em preto e branco, muitos anos antes da "ditadura"
da foto-color como única opção, imposta pelos laboratórios,
e que acabou banalizando a imagem fotográfica. Verger percorreu
do inicio dos anos 30 até o final dos anos 40, os cinco continentes.
Durante esses vinte anos, gostava de descobrir, fosse a pé,
de bicicleta, de ônibus ou de barco, as estradas, caminhos, florestas
e portos do planeta de preferencia em regiões geografica e culturalmente
distantes das sociedades ocidentais. Finalmente, após ter visto muitos países e culturas diferentes, encontrou a sua calma em um lugar chamado Boa Terra.
Esse era o nome pelo qual se chamava, na Bahia de antigamente, a sua capital,
Salvador. Muitas vezes se referiú a esta terra como a que reunia o que mais o impressionou: a constante lembrança da África, presente na cidade.
Em 1932 partiu para as ilhas do Pacífico, do Tahiti até a Ilha de Páscoa,
passando por muitas ilhas também visitadas pelo seu coterráneo Paul
Gauguin. Em 1934 integrou uma equipe para fazer uma volta ao mundo,
visitando os Estados Unidos, o Canal de Panamá, Japão, China e Filipinas.
Em contato com as milenares culturas orientais e suas filosofias de vida,
chegou a pensar por um determinado momento, a seguir a religião
budista. Mas ainda não satisfeito, continuou o seu caminho, sempre sem
maiores compromissos com os valores pregados pela sua cultura de origem.
Trocava constantemente as suas fotos por alimentação, hospedagem
ou transporte, colaborando nessas condições com diversos jornais da Europa
e da América Latina como: "Paris-Soir" 1937 - "Match" 1938 - "Argentina Libre",
"Mundo Argentino" 1941-42 - "O Cruzeiro" 1946 - 1950. Viveu durante
décadas em Salvador, Bahia, retratando seu povo e os rituais da religião
afro-brasileira. Pesquisador profundo desse plano, chegou a ser investido
da função hierárquica de "babalaô" sacerdote de Ifá
trechos extraidos do texto "Uma Biografia Diferente" de Angela Lühnning
Diretora da Fundação Pierre Verger
Antropólogo e fotógrafo, Verger destacou-se com mestria
na fotografia em preto e branco, muitos anos antes da "ditadura"
da foto-color como única opção, imposta pelos laboratórios,
e que acabou banalizando a imagem fotográfica. Verger percorreu
do inicio dos anos 30 até o final dos anos 40, os cinco continentes.
Durante esses vinte anos, gostava de descobrir, fosse a pé,
de bicicleta, de ônibus ou de barco, as estradas, caminhos, florestas
e portos do planeta de preferencia em regiões geografica e culturalmente
distantes das sociedades ocidentais. Finalmente, após ter visto muitos países e culturas diferentes, encontrou a sua calma em um lugar chamado Boa Terra.
Esse era o nome pelo qual se chamava, na Bahia de antigamente, a sua capital,
Salvador. Muitas vezes se referiú a esta terra como a que reunia o que mais o impressionou: a constante lembrança da África, presente na cidade.
Em 1932 partiu para as ilhas do Pacífico, do Tahiti até a Ilha de Páscoa,
passando por muitas ilhas também visitadas pelo seu coterráneo Paul
Gauguin. Em 1934 integrou uma equipe para fazer uma volta ao mundo,
visitando os Estados Unidos, o Canal de Panamá, Japão, China e Filipinas.
Em contato com as milenares culturas orientais e suas filosofias de vida,
chegou a pensar por um determinado momento, a seguir a religião
budista. Mas ainda não satisfeito, continuou o seu caminho, sempre sem
maiores compromissos com os valores pregados pela sua cultura de origem.
Trocava constantemente as suas fotos por alimentação, hospedagem
ou transporte, colaborando nessas condições com diversos jornais da Europa
e da América Latina como: "Paris-Soir" 1937 - "Match" 1938 - "Argentina Libre",
"Mundo Argentino" 1941-42 - "O Cruzeiro" 1946 - 1950. Viveu durante
décadas em Salvador, Bahia, retratando seu povo e os rituais da religião
afro-brasileira. Pesquisador profundo desse plano, chegou a ser investido
da função hierárquica de "babalaô" sacerdote de Ifá
trechos extraidos do texto "Uma Biografia Diferente" de Angela Lühnning
Diretora da Fundação Pierre Verger
sábado, 10 de março de 2012
Lhe escrevo de Ketu, que agora é um pouco a minha cidade natal.
Há um mês, me tornei fatumbi (Ifá me trouxe de novo ao mundo).
Bem, sou obrigado a ser discreto sobre mais assunto.
Devo ou não dizer? (...)
Ketu é muito interessante, tal vez porque é muito isolada,
durante quatro meses somente consegue comunicação
com o resto do Daomé, nos outros oito meses, a região fica cortada
pela subida das águas de Orineme e os pántanos do Holli,
onde alguns kilómetros de estrada pelas suas condições não permitem
a passagem senão na estação seca.
Vivo em pleno vilarejo, saudado pelo título de babalaó,
do qual carrego no pulso esquerdo o bracelete de pérolas,
que me foi amarrado por meu oluwo; e o exibo tão orgulhosamente
quanto uma recente condecoração do "mérito agrícola".
A aldeia tem um aspecto um pouco abandonado, com casas em ruínas
e tetos caídos, os carneiros e cabras pastam por toda a parte e, à noite,
parecem tornar-se mais enraivecidos. Atormentados pelas centenas
de orixás aos quais eles serão sacrificados.
Eles se precipitam, berrando como furiosos pelas ruas.
Este aspecto da aldeia em ruínas é enganador, raramente vi aldeias
tão vivas. Quando a noite cai, as pessoas se juntam perto de uma pequena
feira noturna - muito animada, iluminada por centenas de pequenas
luminárias trêmulas dos vendedores agachados atrás de sua mercadoria.
Um verdadeiro balé de saudações, reverências, flexões dos joelhos,
inclinações de cabeça - muito variados - com desfile de panos coloridos
adornados à moda antiga. Todas as noites acontece uma festa
em algum lugar, na aldeia ou em uma fazenda dos arredores...
carta de Pierre Verger a Roger Bastide. Ketu - 16 de abril de 1953
Há um mês, me tornei fatumbi (Ifá me trouxe de novo ao mundo).
Bem, sou obrigado a ser discreto sobre mais assunto.
Devo ou não dizer? (...)
Ketu é muito interessante, tal vez porque é muito isolada,
durante quatro meses somente consegue comunicação
com o resto do Daomé, nos outros oito meses, a região fica cortada
pela subida das águas de Orineme e os pántanos do Holli,
onde alguns kilómetros de estrada pelas suas condições não permitem
a passagem senão na estação seca.
Vivo em pleno vilarejo, saudado pelo título de babalaó,
do qual carrego no pulso esquerdo o bracelete de pérolas,
que me foi amarrado por meu oluwo; e o exibo tão orgulhosamente
quanto uma recente condecoração do "mérito agrícola".
A aldeia tem um aspecto um pouco abandonado, com casas em ruínas
e tetos caídos, os carneiros e cabras pastam por toda a parte e, à noite,
parecem tornar-se mais enraivecidos. Atormentados pelas centenas
de orixás aos quais eles serão sacrificados.
Eles se precipitam, berrando como furiosos pelas ruas.
Este aspecto da aldeia em ruínas é enganador, raramente vi aldeias
tão vivas. Quando a noite cai, as pessoas se juntam perto de uma pequena
feira noturna - muito animada, iluminada por centenas de pequenas
luminárias trêmulas dos vendedores agachados atrás de sua mercadoria.
Um verdadeiro balé de saudações, reverências, flexões dos joelhos,
inclinações de cabeça - muito variados - com desfile de panos coloridos
adornados à moda antiga. Todas as noites acontece uma festa
em algum lugar, na aldeia ou em uma fazenda dos arredores...
carta de Pierre Verger a Roger Bastide. Ketu - 16 de abril de 1953
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