O propósito deste blog é o de mostrar o trabalho do ilustrador,independente das regras impostas pelo mercado,nas quatro disciplinas praticadas por mim, em diferentes momentos e veículos: A Caricatura na Imprensa,A Ilustração na Imprensa,A Ilustração Editorial e O Poema Ilustrado. Também são mostradas modalidades diferentes das mesmas propostas como: Montagens das exposições e a revalorização do painel mural, através das técnicas de reprodução digital em baner.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
domingo, 10 de janeiro de 2010
"O objetivo claro na série O Negro, diz Trimano, é "a intenção é mostrar a história desta gente através de papéis rasgados". Na história do apagamento da memória, houve a ordem do Ministro da Fazenda Rui Barbosa em 14 de dezembro de 1890 de queima de todos os papéis, livros de matrícula, documentos cartoriais e registros fiscais relativos à escravidão existentes em órgãos de sua Pasta. Os motivos eram extirpar a "mancha
negra" da escravidão, embora visassem preservar o Tesouro das reivindicações de indenização dos antigos senhores escravocratas. No entanto, o que foi apagado lá permaneceu - no pequeno gesto, no olhar trocado com a câmera, no grão da voz no seu silêncio, no fundo da alma - mas não víamos, Foi mais conveniente "queimar" a memória da "mancha negra" por razões de Estado (elas discrepariam fundamentalmente das razões da clase dominante?) do que manté-las vivas como testemunho. Porque esqueceram de perguntar aos ex-escravos se era possível esquecer as provas, ainda mais necessárias hoje. Trimano recupera a câmera discreta de Christiano Junior, com sua serena organização dos corpos e oficios dos escravos, para lançá-la no centro da "tragédia humana" brasileira: O Negro . A literatura de Joseph Conrad abordou a falência do discurso eurocêntrico e do projeto colonial europeu, Trimano trabalha esta falência como base remota, mas concreta, do atual sistema de desigualdades sociais no Brasil. A espesura da dominação no Brasil em pleno século XXI (regime de escravidão rural, imobilidade social, formas de racismo, concentração estadual de renda gerando colonialismo interno crescente, etc) ganham sua espesura histórica. Trimano converte a fotografia de Christiano Junior - mesmo se nelas os escravos aparentavam não sofrer torturas - numa espécie de diagrama da opacidade social do presente. O esforço é de montagem, cesura. A dolorida história se costura por arames farpados e ramagens de espinho. O Negro se posta como lugar do não esquecido, porque é impossível esquecer."
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"Em Vigiar e Punir, Michel Foulcault tratou do modo como a criminologia
administrou historicamente o corpo dos condenados. Foulcault discutiu
a distribuição dos corpos na arquitetura dos presídios, como panóptico,
desenvolvido na Europa a partir do século XVIII. Na escravidão, os corpos
eram aprisionados por objetos, extensão deles próprios, como os troncos e gargalheiras. Este foi um temário da iconografia européia do século XIX, de artistas como Debret e Rugendas. Trimano trata de modo analítico de uma
prisão do corpo pela história. Foulcault e Franz Fanon trataram do indivíduo
apropriado pelo medo e pela internalização dos valores e procedimentos
da dominação. Por isso, cada desenho de O Negro é um lugar imaginário do corpo. Na série, Trimano intercala seus estilemas - moedas, prato vazio, o peso, os pedaços de fita gomada simulando emendar as partes rasgadas -
com uma construção simbólica que se dá como alegoria, metáfora ou
também desconstrução do imaginário cordial brasileiro, entre o monumento
antropológico de Gilberto Freire e a crítica social de Sergio Buarque de Holanda" / PAULO HERKENHOFF - Rio de Janeiro 26 de outubro de 2004
Trechos do texto de apresentação da exposição "Série "O Negro", estudos sobre a fotografia de Christiano Junior" / Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro - 2005
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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
ANTONIO CARLOS MARTINS VAZ (Toninho Vaz) /
Curitiba 1947. É jornalista e roteirista de televisão.
Começou escrevendo no Diário do Paraná, em 1969.
Foi editor e colaborador de diversos jornais alternativos
nos anos 70 e 80 - Anexo, Raposa, Polo Cultural, Pasquim,
Nicolau. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1974. É casado
com Naná Gama e Silva e tem uma filha, Maria Carolina.
Trabalhou como editor de texto na Rede Globo durante
quatorze anos. De 1995 a 1998 viveu em Nova York.
Atualmente mora e trabalha em Santa Teresa, Rio de Janeiro /
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(Estes 3 livros que escrevi na década que se encerra, retratam
as vidas e as obras de dois poetas e um empresário pioneiro
no cinema comercial.)
A biografia de Paulo Leminski, chamada "O Bandido
que Sabia Latim, foi publicada em 2001 e está na terceita edição.
A pesar de ter convivido com o personagem (meu amigo Paulo),
produzí mais de 40 entrevistas ao longo de dois anos de pesquisas.
Para não haver confusão, fiz uso de um código gráfico na narrativa:
sempre que o texto aparece na primeira pessoa, produzindo um depoimento pessoal, a fonte aparece em itálico. / Editora Record
Este livro vai contar a história de Paulo Leminski Filho,
o mais iluminado e reverenciado poeta curitibano. Esta
biografia não pretende analisar o valor de sua obra e nem discutir a qualidade de seu trabalho - tarefa esta que deve ser delegada a quem de direito: os
críticos literários. Aquí se pretende fornecer elementos que possam explicar
a existência e a personalidade de um intelectual tão singular e criativo como Paulo Leminski, poeta responsável pela insurreição da fantasia, o
autodenominado "cachorrolouco", "a besta dos pinheirais", "o ex-estranho",
"o que chegou sem ser notado". / TONINHO VAZ
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