segunda-feira, 14 de setembro de 2009

OS POETAS
ERNESTO CARDENAL / NICARÁGUA
I
ERNESTO CARDENAL / Granada 1925 - Poeta revolucionário e sacerdote católico, comprometido politicamente com os conflitos sociais do seu país desde 1954. Ordenado sacerdote, residiú durante um tempo num mosteiro nos Estados Unidos. De regresso a Nicarágua, fundou uma comunidade na ilha de Solentiname, situada no arquipélago Lago de Nicarágua (também conhecido como Lago Cocibolca, perto da fronteira com a Costa Rica). Cardenal foi um dos sacerdotes que apoiou a Teologia da Libertação - Igreja dos Povos Pobres e das Nações Indígenas. Trabalhou estreitamente com a Frente Sandinista de Libertação Nacional na luta contra a ditadura de Anastasio Somoza Garcia. Em 19 de julho de 1979, Dia da Vitória da Revolução Nicaraguénse, foi nomeado ministro de cultura do novo governo da FSLN. Em 2009 recebeu o prêmio Hiberoamericano de poesia Pablo Neruda.
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foto: Jürgen Müller Sehneck

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foto: Jürgen Müller Sehneck

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domingo, 13 de setembro de 2009

NINDIRI / Nindiri é uma cidade sem casas e sem ruas / de longe somente se olham as cúpulas das árvores / Em vez de quarteirões com casas apenas hortas e jardins; / e suas ruas sem calçadas, como caminhos simétricos. / entre fachadas de flores e árvores frutíferas. / As casas estão dentro, entre os hortos. / Umas quantas em cada quarteirão: casas de palha / ou madeira pintada - brancas, rosadas e azuis - / as primorosas rosadas e brancas, / jazmins do cabo, jacalate, jilinjoche, / mamões, mameies, malinches, e goiabas / e roupas rosadas e brancas tendidas a secar. / Nos galhos das árvores falam os papagaios, / verdes como folhagens, / e as lapas com as cores de um ramalhete de flores. / Nas ruas molhadas pétalas jogadas. / e não tem mais tráfego nelas, que o das galinhas / as borboletas atraídas por Nandiri / e as charretes dos vendedores de água. / Pelas tardes, a fumaça da ceia sai das malocas / com o rumor das mulheres moendo o milho / cuidando seus pratos, e algum violão, / (Num destes hortos entre os malinches, / teria seu palácio o cacique Tenderí, / seu dourado palácio de capim, com o chão de folhas de palma / onde ele sentava rodeado de sua corte / a beber chocolate em delicadas xícaras / e cinquenta meninas preparavam seu pão ) / A praça é como um bosque de palmeiras e mangas / e malinches, que quando florescem são como lavaredas, / como se tivessem ardendo muitas casas do povo. / Os cavalos e os burros pastavam na praça, / E me lembro que tinha uma primorosa branca / na metade do palácio da igreja. / Aos sábados punham bandeiras vermelhas nas casas / aonde mataram porcos e vendem suas partes cozidas. / - E de repente me lembrei que estamos em junho / e que lá em Nindiri já chegaram as chuvas / e me imagino a praça com os malinches floridos. tradução: Héctor Escobar

sábado, 12 de setembro de 2009

foto: Jürgen Müller Sehneck

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foto: Jürgen Müller Sehneck

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foto: Jürgen Müller Sehneck

X
ESQUILO DOS TUNES DE KATÚN / Ai, os olhos das crianças não poderam ler os escritos, / os livros de madeira. a escritura / na pedra. e, eles são como se fossem cegos... / nossos filhos / choram durante a noite. o cuy, a coruja, icim, o bufo / em meio as ruinas / quando choram / o índio morre. / dispersados os homens que cantavam / os jaguares são condecorados / juntas militares sobre pilhas de caveiras / urubus comendo olhos / o Ditador sacrificador-que-tira-corações-humanos/ miss Guatemala assassinada / pela "mão branca" / e veio a flechar a United Fruit Co., veio a flechar / ao moto, a viúva, ao miserável. / tem comido quetzal, o comeram frito. / não nos tem já bastante degradado? / governemos para arrebata-lhe o dinheiro ao povo, assim falaram / e acaso sabem de nossos dias, das estrelas? / o calendário / como uma merda. / impostos, para pedir ismola ao mendigo, ao miserável. / Chilán poeta interpreta, sacerdote faz saber / que já chegou a primeira lua cheia do Katún / lua grávida / e o tempo em que o Presidente vomite o que tragou / e a rainha de beleza na Estação da Policia / dirá: / digam-me como se vai a Chichén Itzá / e se terá alegria pela abundancia do povo (não / tristeza) / Mayapan será o lugar onde se troque o Katún / Cuceb quer dizer Revolução / literalmente "Esquilo" (ou que gira) / será então o fim de sua mendicidade e de sua cobiça. tradução: Héctor Escobar
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