segunda-feira, 18 de agosto de 2008

OS ALTERNATIVOS
Ilustração para "Poema com soldados" de EL SON ENTERO
de Nicolás Guillén - 1987
A Ilustração na Imprensa Desde o início da década de 70, o meu desenho esteve marcado pela passagem na imprensa alternativa. Foi nesses veículos de modestos recursos gráficos e denso conteúdo crítico, que muitos desenhistas iniciamos nosso trabalho no jornalismo brasileiro. De lá para cá, mudanças aconteceram na política e na cultura do país, mas aquele dado de expressividade próprio da década passada, longe de se atenuar, ficou mais denso e também mais maduro. Os fatos foram mostrando os acertos e desacertos, e a nossa grafia, ontem praticada com toda a ênfase e virulência de que fomos capazes, tornouse hoje uma postura, não só perante a realidade, como também no referente ao trabalho de arte. Constatamos que as artes gráficas, juntamente com a fotografia, o cinema, e a televisão, mudaram os conceitos da plástica atual, assim como mudaram o senso de visualidade das pessoas. Nesse sentido, a labor da imprensa alternativa iniciada na década de 70, teve importância decisiva, induzindo o leitor a reflexão crítica sobre a realidade. Os ilustradores desse período acompanhamos o processo criando novas vertentes de interpretação sobre o texto e dando um sentido mais autónomo ao desenho. Essa autonomia provocou sérias controvêrsias com não poucos editores, o que restringiú sensivelmente o mercado de trabalho. Mas, a pesar das diferenças sempre existiú da nossa parte a preocupação em manter a liberdade de expressão na ilustração. Desta forma muitos conceitos sobre o gosto popular foram seriamente questionados, deixando claras as diferenças entre produção cultural e produção publicitária, exclusivamente voltada para o lucro. Nesse sentido os alternativos foram uma escola determinando a resistência contra a imposição de valores e incentivando a reflexão e o exercicio de "pensar libremente" Será difícil, nos dias que correm, repetir o exemplo das publicações desse tempo, mas ficou o aprendizado e a confirmação de uma época. Extraído do catálogo da exposição DESENHOS GRÁFICOS Funarte - Outubro de 1986

"Crise do petróleo" / Jornal do Brasil - Economia 76

"A bicicleta" / revista Ciencia Hoje - 1985

"Andaime" / Jornal do Brasil / Economia - 1974

'"INDIOS" / inédito - 1974

"Educação pela pedra" - Ilustração para poema de
João Cabral de Melo Neto / Jornal ARTEFATO / 1978

Revista MÓDULO - 1978

Série "Urbanas" / Janela de trem - nanquim 1984

domingo, 17 de agosto de 2008

A Deformação
Retrato imaginário de Baden Powell / óleo sobre tela - 2.00 X 1.50 mts.
Buenos Aires - São Paulo 1969/70
Retrato imaginário de Baden Powell - estudo / lápiz
São Paulo 1970
Série "La Cárcel" / Buenos Aires 1967/68

Série "La Cárcel" / Buenos Aires - São Paulo 1968

"O Fantasma do Viaduto" / São Paulo 1968

Série "La Cárcel" / Buenos Aires 1967/68

Série "La Cárcel" / Buenos Aires 1967/68

Série "La Cárcel" / Buenos Aires 1968

Corre 1968, chego em São Paulo, ditadura fechada,
a cidade de luto. Trago comigo uma série de pequenos:
desenhos que venho elaborando a partir de uma face
figurativa de Jackson Pollok. Começo a desenhar para
a imprensa paulista. Descubro a beleza do indoamericanismo
de Victor Brecheret. Começo a imprimir o grafismo dos
meus desenhos pessoais, nas ilustrações para a imprensa,
Nesse momento aparecem formas "catastróficas" e monstros...
formas animalescas que poderiamos chamar de "anti-retratos"
Foi o momento das caricaturas muito deformadas, publicadas
no jornal alternativo "Opinião" entre 1972 e 1974.

ALDOUS HUXLEY / "Opinião" 1973