EXPOSIÇÃO: O POEMA ILUSTRADO
FREDERICO GOMES
"OUTONO & INFERNO"
Editora TOPBOOKS
2012
O propósito deste blog é o de mostrar o trabalho do ilustrador,independente das regras impostas pelo mercado,nas quatro disciplinas praticadas por mim, em diferentes momentos e veículos: A Caricatura na Imprensa,A Ilustração na Imprensa,A Ilustração Editorial e O Poema Ilustrado. Também são mostradas modalidades diferentes das mesmas propostas como: Montagens das exposições e a revalorização do painel mural, através das técnicas de reprodução digital em baner.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
1892-2002
Voz rumor dos rios
Voz quase-silêncio das planícies
Voz cantoria dos melros
Voz antivoz das estradas do Oeste
Voz roufenha do vento nas montanhas
Voz dos negros dos índios dos imigrantes
Voz dos becos das docas dos bares
Voz ruído das máquinas
Voz incessante dos mares
Voz dos animais das crianças das mulheres
Voz burburinho da Broadway
Voz de vozes múltiplas de Manhattan
Voz das vozes de toda a América
Vos das vozes das vozes de todos os lugares
whitmannianamente recolhidas em uma única voz:
Walt Whitman - o que eu queria dizer-te
é que relendo as folhas da relva
encontrei perdidas entre as páginas
duas pálidas pétalas de rosa
que ali deixara um moço (uma moça?)
em respeitosa homenagem
mais de um século após a tua morte
e que me pareceram o veludo da pele de tua face
sob a espessa barba - motivo óbvio,
ó grande urso.
porque ninguém jamais a tocara...
Whitman - o que eu queria dizer-te
é que as acariciei como se fossem tua face
(agora sem a barba) de criança de fêmea de macho
Frederico Gomes
Voz rumor dos rios
Voz quase-silêncio das planícies
Voz cantoria dos melros
Voz antivoz das estradas do Oeste
Voz roufenha do vento nas montanhas
Voz dos negros dos índios dos imigrantes
Voz dos becos das docas dos bares
Voz ruído das máquinas
Voz incessante dos mares
Voz dos animais das crianças das mulheres
Voz burburinho da Broadway
Voz de vozes múltiplas de Manhattan
Voz das vozes de toda a América
Vos das vozes das vozes de todos os lugares
whitmannianamente recolhidas em uma única voz:
Walt Whitman - o que eu queria dizer-te
é que relendo as folhas da relva
encontrei perdidas entre as páginas
duas pálidas pétalas de rosa
que ali deixara um moço (uma moça?)
em respeitosa homenagem
mais de um século após a tua morte
e que me pareceram o veludo da pele de tua face
sob a espessa barba - motivo óbvio,
ó grande urso.
porque ninguém jamais a tocara...
Whitman - o que eu queria dizer-te
é que as acariciei como se fossem tua face
(agora sem a barba) de criança de fêmea de macho
Frederico Gomes
VILLON
Preferes da puta o sexo-torpeza
ao requinte do sexo turmalina da burguesa.
Ao Deus sério sobrepujas com deuses estorninhos
como sobrepuja-se à mesa a alegria dos vinhos.
Preteres o convívio de mandachuvas iracundos
pela amizade fraternal de boêmios e vababundos
Vês no tumulto do inferno lugar mais real
do que o fastio de um paraíso de anjos sem sal
Cantas do humano a podridão da morte
para melhor abrandar da vida o inexorável Norte
Preferes a sordidez da casa do hipócrita
à casa da hipocrisia do sórdido, inóspita
- O eterno! Diz um de modo vibrante.
Repeles com tédio e orgulho simultâneos:
- O instante
Ao culpado, crente ou teórico ofereces
o reino de risos e pássaros de tuas
antipreces...
Frederico Gomes
Preferes da puta o sexo-torpeza
ao requinte do sexo turmalina da burguesa.
Ao Deus sério sobrepujas com deuses estorninhos
como sobrepuja-se à mesa a alegria dos vinhos.
Preteres o convívio de mandachuvas iracundos
pela amizade fraternal de boêmios e vababundos
Vês no tumulto do inferno lugar mais real
do que o fastio de um paraíso de anjos sem sal
Cantas do humano a podridão da morte
para melhor abrandar da vida o inexorável Norte
Preferes a sordidez da casa do hipócrita
à casa da hipocrisia do sórdido, inóspita
- O eterno! Diz um de modo vibrante.
Repeles com tédio e orgulho simultâneos:
- O instante
Ao culpado, crente ou teórico ofereces
o reino de risos e pássaros de tuas
antipreces...
Frederico Gomes
PALAVRAS
Palavra - pirilampo:
Piscante
Pulsante
Palpitante
Pululante
Palavra - pássaro:
Planadora
Portadora
Passageira
Peregrina
Palavra - poço:
Pulcro
Pústula
Punção
Portal
Palavra - pétala:
Pistão
Película
Pintura
Poesia pairada para poucos.
Palavra - pólvora:
Projétil
Potência
Partição
Perfuração
Palavra - pérola:
Pontual
Precisa
Pura
Perfeição
Palavra - pergaminho:
Pedra
Ponte
Passarela
Periférica
Palavra - pensamento:
Principal
Profusão
Para Possíveis
Poemas
Luciana Brandão Carreira
Palavra - pirilampo:
Piscante
Pulsante
Palpitante
Pululante
Palavra - pássaro:
Planadora
Portadora
Passageira
Peregrina
Palavra - poço:
Pulcro
Pústula
Punção
Portal
Palavra - pétala:
Pistão
Película
Pintura
Poesia pairada para poucos.
Palavra - pólvora:
Projétil
Potência
Partição
Perfuração
Palavra - pérola:
Pontual
Precisa
Pura
Perfeição
Palavra - pergaminho:
Pedra
Ponte
Passarela
Periférica
Palavra - pensamento:
Principal
Profusão
Para Possíveis
Poemas
Luciana Brandão Carreira
NOTURNO
Sobre os seus saltos, sob a lua cheia,
Os travestis desfilam como garças,
Farsa carnal em meio às outras farsas
Que o mundo absurdo no aéreo chão semeia.
São deusas-mães usando liga e meia,
De ancas imensas, madeixas esparsas,
De enormes seios, piscando aos comparsas,
Buscando otários para a escusa teia.
São Vênus neolíticas chamando
Sombras confusas, entre os cães sem casa
E os negros ébrios. Seu barroco bando
Volveu, pulsante, dos tetos das grutas,
E anda na névoa, como numa vasa,
Rotundas popas balouçando enxutas.
Alexei Bueno
Sobre os seus saltos, sob a lua cheia,
Os travestis desfilam como garças,
Farsa carnal em meio às outras farsas
Que o mundo absurdo no aéreo chão semeia.
São deusas-mães usando liga e meia,
De ancas imensas, madeixas esparsas,
De enormes seios, piscando aos comparsas,
Buscando otários para a escusa teia.
São Vênus neolíticas chamando
Sombras confusas, entre os cães sem casa
E os negros ébrios. Seu barroco bando
Volveu, pulsante, dos tetos das grutas,
E anda na névoa, como numa vasa,
Rotundas popas balouçando enxutas.
Alexei Bueno
LÁZARO
Cobrimos o mendigo que dormia
Com jornais, os jornais do extinto dia.
De fora só ficaram os sapatos
Cambaios, já roídos pelos ratos.
Acendemos então, junto, uma vela
E arengamos na luz branca e amarela.
Um círculo de povo já envolvia
Nosso pranto, e o pinguço nem tremia.
Volveu por fim do reino dos defuntos.
Debandada! E ele riu. Riamos juntos.
Alexei Bueno
Cobrimos o mendigo que dormia
Com jornais, os jornais do extinto dia.
De fora só ficaram os sapatos
Cambaios, já roídos pelos ratos.
Acendemos então, junto, uma vela
E arengamos na luz branca e amarela.
Um círculo de povo já envolvia
Nosso pranto, e o pinguço nem tremia.
Volveu por fim do reino dos defuntos.
Debandada! E ele riu. Riamos juntos.
Alexei Bueno
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