quinta-feira, 12 de agosto de 2021

TRIMANO ARTE GRÁFICA

Série O Poema ilustrado

Ilustrações para "A Plenos Pulmões"  de Vladimir Maiakovski

hidrográfica e esferográfica

"El Barco" - Edição virtual - Monte Alto - Rio de Janeiro - 2021


 

VLADIMIR MAIAKOVSKI

Vladimir Vladimirovitch Maiakovski

Geórgia, Rússia 1893 

Moscou, União Soviética 1930

Também chamado "o poeta da Revolução",

foi um poeta, dramaturgo e teórico russo,

frequentemente citado como um dos maiores

poetas do século XX e "o maior poeta do Futurismo". 

TRIMANO - Série O Poema Ilustrado - Ilustração para "A Plenos Pulmões" de Vladimir Maiacovski - hidrográfica e esferográfica (releitura de uma fotografia de Alexander Rodchenko e "Monumento a Terceira Internacional" de Vladímir Tátlin )


 

A PLENOS PULMÕES

VLADIMIR MAIAKOVSKI

Primeira Introdução ao Poema

Caros

camaradas

futuros!

revolvendo

a merda fóssil

de agora,

percrutando

estes dias escuros,

tal vez

perguntareis

por mim. Ora,

começará

vosso homem de ciência

afogando os porquês

num banho de sabença,

conta-se que outrora

um férvido cantor

a água sem fervura

combateu com fervor.

Professor,

jogue fora

as lentes-bicicleta!

A mim cabe falar

de mim

de minha era.

Eu - incinerador,

eu - sanitarista,

a revolução

me convoca e me alista.

Troco pelo "front"

a horticultura airosa

da poesia - 

fêmea caprichosa.

Ela ajardina o jardim

virgem

varguem

sombra

alfombra.

"E assim o jardim de jasmim,

o jardim de jasmim do alfenim".

Este verte verso feito regador,

aquele os baba,

boca em babador,

bonifrates encapelados,

descabelados vates -

entendê-los

ao diabo!,

quem há-de...

Quarentena é inútil contra eles -

mandolinam por detrás das paredes;

"Ta-ran-tin, ta-ran-tin,

ta-ran-ten-n-n..."

Triste honra,

se de tais rosas

minha estátua se erigisse:

na praça

escarra a tuberculose;

putas e rufiões

numa ronda de sífilis.

Também a mim

a propaganda

cansa,

é tão fácil

alinhavar

romanças, -

Mas eu

me dominava

entretanto

e pisava

a garganta do meu canto.

Escutai,

camaradas futuros,

o agitador,

o cáustico caudilho,

o extintor

dos melífluos enxurros:

por cima

dos opúsculos líricos,

eu vos falo

como um vivo aos vivos.

Chego a vós,

a Comuna distante,

não como Iessiênin,

guitarriarcaico.

Mas através

dos séculos em arco

sobre os poetas

e sobre os governantes.

Meu verso chegará

não como a seta

lírico-amável,

que persegue a caça.

Nem como

ao numismata

a moeda gasta,

nem como a luz

das estrelas decrépitas.

TRIMANO - Série O Poema Ilustrado - Ilustração para "A Plenos Pulmões" de Vladimir Maiakovski - detalhe - 2021


 

TRIMANO - Série O Poema Ilustrado - Ilustração para "A Plenos Pulmões" de Vladimir Maiakovski - hidrográfica e esferográfica - (releitura de uma fotografia de Alexander Rodchenko) - 2021


 

TRIMANO - Série O Poema Ilustrado - Ilustração para "A Plenos Pulmões" de Vladimir Maiakovski - detalhe - (retrato de Maiakovski por Alexander Rodchenko) - 2021


 

TRIMANO - Série O Poema Ilustrado - Ilustração para "A Plenos Pulmões" de Vladimir Maiakovski - hidrográfica e esferográfica - (releitura de uma fotografia de Alexander Rodchenko) - 2021


 

TRIMANO - Série O Poema Ilustrado - Ilustração para "A Plenos Pulmões" de Vladimir Maiakovski - hidrográfica e esferográfica (releitura de fotografias de Alexander Rodchenko e Robert Capa) - 2021


 

TRIMANO - Série O Poema Ilustrado - Ilustração para "A Plenos Pulmões" de Vladimir Maiakovski - detalhe - (releitura de uma fotografia de Robert Capa) - 2021


 

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Meu verso

com labor

rompe a mole dos anos,

e assoma

a olho nu,

palpável,

bruto,

como a nossos dias

chega o aqueduto

levantado

por escravos romanos.

No túmulo dos livros,

versos como ossos,

se estas estrofes de aço

acaso descobrirdes,

vos as respeitareis

como quem vê destroços

de um arsenal antigo,

mas terrível.

Ao ouvido

não diz

blandícias

minha voz;

lóbulos de donzelas

de cachos e bandós

não faço enrubescer

com lascivos rondós.

Desdobro minhas páginas

tropas em parada,

e passo em revista

o 'front" das palavras.

Estrofes atacam

chumbo-severas,

prontas para o triunfo

ou para a morte.

Poemas canhões,

rígida coorte,

apontando

as maiúsculas

abertas.

Ei-la,

a cavalaria do sarcasmo,

minha arma favorita,

alerta para a luta.

Rimas em riste,

sofrendo o entusiasmo,

eriça

suas lanças agudas

E todo 

este exército aguerrido,

vinte anos de combates,

não batido,

eu vos dôo,

proletários do planeta,

cada folha

até a última letra.

O inimigo

da colossal

clase obreira,

é também

meu inimigo

fidagal.

Anos 

de servidão e de miséria

comandavam 

nossa bandeira vermelha.

Nós abríamos Marx

volume após volume,

janelas

de nossa casa

abertas amplamente,

mas ainda sem ler

saberíamos o rumo!

onde combater,

de que lado,

em que frente.

Dialética,

nos aprendemos com Hegel.

Invadiu-nos os versos

ao fragor das batalhas,

quando,

sob o nosso projétil,

debandava o buguês

que antes nos debandara.

Que essa viúva desolada,

- glória -

se arraste

após os gênios,

merencória.

Morre,

meu verso,

como um soldado

anônimo

na lufada do assalto.

Cuspo

sobre o bronze pesadíssimo,

cuspo

sobre o mármore, viscoso.

Partilhemos a glória,

entre nós todos,

o comum monumento:

o socialismo,

forjado

na refrega

e no fogo.

Vindouros,

varejai vossos léxicos;

do Leste

brotam letras como lixo

"tuberculose"

"bloqueio"

"neretrício".

Por vós,

geração de saudáveis,

um poeta,

com a língua dos cartazes,

lambeu 

os escarros da tísis.

A cauda dos anos

faz-me agora

um monstro,

fossicoleante.

Canarada vida,

vamos,

para diante,

golpemos

pelo qüinquênio afora.

Os versos

para mim

não deram rublos,

nem mobílias

de madeiras caras.

Uma camisa

lavada e clara,

e basta,

para mim é tudo.

Ao

Comitê Central

do futuro

ofuscante,

sobre a malta

dos vates

velhacos e falsários,

apresento

em lugar

do registro partidário

todos

os cem tomos

dos meus livros militantes.

dezembro, 1929 / janeiro, 1930


(tradução: Haroldo de Campos)

TRIMANO - Série O Poema Ilustrado - Ilustração para "A Plenos Pulmões" de Vladimir Maiakovski - hidrográfica e esferográfica - (releitura de uma fotografia de Alexander Rodchenko) - 2021


 

TRIMANO - Série O Poema Ilustrado - Ilustração para "A Plenos Pulmões" de Vladimir Maiakovski - hidrográfica e esferográfica - 2021


 

TRIMANO - Série O Poema Ilustrado - Ilustração para o poema "A Plenos Pulmões" de Vladimir Maiakovski - detalhe - 2021


 

TRIMANO - Série O Poema ilustrado - Ilustração para "A Plenos Pulmões" de Vladimir Maiakovski - hidrográfica e esferográfica - (releitura de um poster político de Alexander Rodchenko, tomando como modelo a Lili Brik) - 2021


 

TRIMANO - Série O Poema ilustrado - ilustração para "A Plenos Pulmões" de Vladimir Maiakovski - detalhe - 2021


 

TRIMANO - Série O Poema Ilustrado - Ilustração para "A Plenos Pulmões" de Vladimir Maiakovski - hidrográfica e esferográfica - - (releitura de uma fotografia de Alexander Rodchenko) - 2021


 

TRIMANO - Série O Poema Ilustrado - Ilustração para "A Plenos Pulmões" de Vladimir Maiakovski - hidrográfica e esferográfica - (releitura de uma fotografia de Henri Cartier-Bresson) - 2021


 

terça-feira, 10 de agosto de 2021

TRIMANO ARTE GRÁFICA

CARLOS BARBERENA

Expressionismo

"El Barco" - Edição virtual - Monte Alto - Rio de Janeiro - 2021 


 

CARLOS BARBERENA

Nicaragua 1972

Barberena é um gravador expressionista

nicaraguense, influenciado pela gravura mexicana 

do período da Revolução (1910-1920),

e as xilogravuras de José Guadalupe Posada. 

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

CARLOS BARBERENA


 

CARLOS BARBERENA


 

CARLOS BARBERENA


 

CARLOS BARBERENA


 

CARLOS BARBERENA


 

CARLOS BARBERENA


 

CARLOS BARBERENA


 

CARLOS BARBERENA


 

CARLOS BARBERENA


 

CARLOS BARBERENA


 

CARLOS BARBERENA


 

CARLOS BARBERENA


 

CARLOS BARBERENA


 

domingo, 8 de agosto de 2021

CARLOS BARBERENA


 

CARLOS BARBERENA


 

CARLOS BARBERENA


 

CARLOS BARBERENA


 

CARLOS BARBERENA


 

CARLOS BARBERENA


 

CARLOS BARBERENA


 

CARLOS BARBERENA


 

CARLOS BARBERENA


 

CARLOS BARBERENA


 

CARLOS BARBERENA


 

CARLOS BARBERENA


 

CARLOS BARBERENA


 

CARLOS BARBERENA


 

CARLOS BARBERENA


 

CARLOS BARBERENA