domingo, 7 de dezembro de 2014

HANS MEMLING - detalhe


Mais de 50 anos antes do Marido e Mulher de Lotto
(e 30 anos antes que Rafael estivesse em Roma
trabalhando em seu retrato do papa), Hans Memling
pintou estas flores no reverso de um tapete oriental
onde se pode ver uma mudança de perspectiva:
a metade do tapete em frente do vaso tem um ponto
de fuga diverso do da metade posterior. Isso sugere
que Memling, tal como Lotto e Holbein, utilizou algum
tipo de dispositivo óptico, e não a pespectiva linear,
quando pintou o tapete, porque simplesmente não
o teria feito desse modo se usasse a geometria. Ele
provavelmente pintou a frente primeiro, e depois,
por causa de problemas de profundidade de campo,
refocou sua lente antes de pintar o fundo, daí um
segundo ponto de fuga. Esse quadro parece indicar
que, ao norte da Europa, os artistas faziam uso 
da óptica já no fim do século XV.

HANS HOLBEIN - "Os Embaixadores" - óleo 1533


"Os Embaixadores" (acima) de Hans Holbein foi pintado em 1533. Está repleto de objetos curvos e esféricos, os quais
teriam sido difíceis de fazer a olho, e no entanto todos eles
são maravilhosamente "precisos" em seu escorço. Holbein
poderia ter usado a máquina de Durer para pintar o alaúde
na estante de baixo. A estranha forma em primeiro plano
é um crânio distorcido - Holbein o distendeu. Tal distorção
pode ser lograda inclinando a superfície sobre a qual se projeta uma imagem. Produzi o detalhe do crânio abaixo
comprimindo-o de volta a seu formato num computador.
Ele parece bem "real". Não será isso uma pista de que Holbein utilizou ferramentas ópticas?  

HANS HOLBEIN - detalhe


Uma das coisas mais difíceis de pintar com prespectiva
linear são objetos curvos tal como alaúdes. A famosa
xilogravura de Durer (1525), sugere que alguns artistas
se valeram de um expediente técnico para ajudá-los.
Durer era um prodígio, um grande desenhista, mas tinha
também um aceso interesse pela tecnologia. Aquí ele
mostra como um pedaço de corda é preso a um ponto na parede, representando o ponto de vista do observador.
A corda é então ligada a um ponto no alaúde e sua posição é registrada mexendo-se duas outras cordas esticadas
através de uma moldura de madeira e marcando-se depois
onde estas cruzam uma tela articulada. A operação se repete até que haja pontos suficientes na tela para construir
o formato de um alaúde.
É um processo difícil, requer dois homens.

ALBRECHT DURER - Aparelho de projeção - xilogravura


No começo de 1999 fiz um desenho usando a câmara lúcida.
Era um experimento, baseado no palpite de que Ingres, nas primeiras décadas do século XIX, tal vez tivesse usado de vez em quando esse pequeno dispositivo óptico, recém inventado. Minha curiosidade fora despertada quando fuí
a uma exposição de seus retratos na National Gallery de
Londres e fiquei surpreso como eram pequenos 
os desenhos, embora tão misteriosamente "precisos".
Sei como é difícil alcançar tal precisão, e imaginei como ele teria feito. O que se seguiu levou-me a esse livro.

DAVID HOCKNEY - retrato realizado utilizando a "câmara escura"


DAVID HOCKNEY - Idem


DAVID HOCKNEY - Idem


sábado, 6 de dezembro de 2014

Quando fui ver a exposição de Ingres na National Gallery
de Londres, em janeiro de 1999, fui cativado por seus belos desenhos de retratos - misteriosamente "precisos" quanto às
feições, porém desenhados no que me parecia uma escala
artificialmente pequena. O que tornava a proeza de Ingres
nesses desenhos tanto mais impressionante era o fato de os modelos serem todos estranhos (é muito mais fácil captar
a semelhança de alguém que se conhece direito) e de os
desenhos terem sido traçados em grande velocidade, 
a maioria num único dia. Ao longo dos anos eu desenhei muitos retratos, sei como leva tempo para desenhar do modo como Ingres desenhou. Fiquei pasmo. "Como ele
os tinha feito?, perguntei-me.

INGRES - lápiz


INGRES - lápiz


Se Ingres usou uma câmara lúcida para desenhar retratos,
terá usado também dispositivos ópticos para sua pintura?
Tome, por exemplo, o belo retrato de madame Leblanc,
pintado em 1823, mais de 15 anos antes da invenção da
fotografia química, Veja como é de uma precisão realista
o tecido com motivos decorativos. Que diferença para o estudo de uma cortina, por Cézanne, um quadro certamente feito "a olho". Mão e olho (e coração) estão em ação aquí;
pode-se ver claramente como o quadro foi construído. Será
que o tecido do retrato de Ingres foi feito do mesmo modo?
Se a pessoa rejeita o uso da óptica, terá então de dizer sim,
ele também foi feito a olho. Mas acho isso difícil de acreditar
Não há "estranheza" na reprodução das dobras, das sombras ou do delicado motivo que acompanha cada sinuosidade do material de modo tão convincente, Seriam
precisas habilidades de observação e pintura da mais elevada ordem para fazé-lo "à mão livre".

INGRES - lápiz


INGRES - lápiz


INGRES - lápiz


INGRES - lápiz


INGRES - detalhe


CURSO DE ILUSTRAÇÃO EDITORIAL
O CONHECIMENTO SECRETO - I
David Hockney
PESQUISA SOBRE ÓPTICA NA ARTE OCIDENTAL


A tese que apresento aquí é de que, a partir do início
do século XV, muitos artistas ocidentais usaram a óptica -
com o que me refiro a espelhos e lentes (ou uma combinação dos dois) - para criar projeções fieis. Alguns
dos artistas usavam essas imagens projetadas diretamente
para produzir desenhos e pinturas, e cedo esse novo modo
de retratar o mundo - esse novo modo de ver - diseminou-se.
Muitos historiadores de arte sustentaram que certos pintores
usavam a câmara escura em sua obra - Canaleto e Vermeer,
em particular, são muitas vezes citados - mas, que eu saiba,
ninguém sugeriu que a óptica foi usada tão amplamente ou
tão cedo quanto sustento aquí.

David Hockney

DAVID HOCKNEY e o painel da pesquisa


Painel da pesquisa


Essas fotografias mostram o processo em maior detalhe.
No canto superior esquerdo, pode-se ver a projeção no
papel à medida que faço minhas marcas iniciais, dois
estágios das quais podem ser vistos no canto superior
direito. Após tomar as medidas, retiro o papel e completo o desenho do natural (o retrato acabado se encontra abaixo)
A pessoa, sentada todo esse tempo lá fora, é capaz de ver
muito pouco do que se pasa no interior do quarto. Nem se
dá conta de que o espelho está alí (acima e à esquerda).

DAVID HOCKNEY


DAVID HOCKNEY


DAVID HOCKNEY


DAVID HOCKNEY


DAVID HOCKNEY


DAVID HOCKNEY - lápiz e guache


CURSO DE ILUSTRAÇÃO EDITORIAL
DARIO VILLALBA
POP ART ESPANHOLA
A DOR HUMANA

DARIO VILLALBA
San Sebastián, Espanha 1939
É um artista plástico, pintor e fotógrafo integrante
da Pop Art Espanhola.
Uma característica de sua obra, da mesma forma
que no Andy Warhol, é a utilização sistemática da fotografia, assim como de materiais de uso industrial: o acrílico, o poliester e o alumínio. Seus trabalhos foram pioneiros neste
tipo de expressão. Seus modelos são os mendigos, 
os doentes mentais e os delinquentes. Com eles compõe seu discurso sobre o drama humano.

VILLALBA - Semana Santa - óleo, serigrafia e colagem sobre tela - tríptico - vista parcial - 1983


VILLALBA - Semana Santa - vista parcial


VILLALBA - Semana Santa - vista parcial


VILLALBA - Tránsito - tríptico - óleo e colagem - 2.00 x 4.80 mts.


VILLALBA - Tránsito - tríptico - óleo - 2.00 x 4.80 mts.


VILLALBA - Enfermo- Instalação, emulsão fotográfica, alumínio, acrílico e desenho - 1973


VILLALBA - Enfermo - detalhe


VILLALBA - Enfermo - detalhe


VILLALBA - Na oficina - década de 1970


VILLALBA - Na oficina - década de 1970


VILLALBA - Instalação - Fotografia e poliester - década de 1970


VILLALBA - Instalação - fotografia e poliester - década de 1970


VILLALBA - Exposição no Lousiana Museum - Dinamarca 1975


VILLALBA - Galeria Vandeés - Madrid 1974


VILLALBA - Exposição na Dirección General de Bellas Artes - Madrid 1970


VILLALBA - Exposição na Dirección General de Bellas Artes = Madrid 1970


VILLALBA - "Ángulo" - óleo sobre tela - 2.00 x 1.60 mts. - 1981


VILLALBA - "Mano" - óleo sobre tela - 1.70 x 1.40 mts. - 1983


VILLALBA - "Carne e geometria" - óleo sobre tela - 1983


VILLALBA - "Lágrima malva III" - óleo sobre tela - 1.70 x 1.40 mts. - 1983


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

VILLALBA - "James, raya roja" - Emulsão fotográfica e pintura - 1968


VILLALBA - Interno (El místico) - fotografia, serigrafia e pintura - 2.00 x 2.50 mts.


VILLALBA - "Documento básico - Gioconda" - Emulsão fotográfica - 1968


VILLALBA - "Gioconda escura" - Emulsão fotográfica e pintura - 2.50 x 2.50 mts. - 1968


CURSO DE ILUSTRAÇÃO EDITORIAL
O POEMA ILUSTRADO
TRIMANO - SÉRIE RADIAL X
ILUSTRAÇÕES SOBRE POEMAS DE LEONARDO FRÓES

ÁLBUM "OS IRREAIS' - poemas: Leonardo Fróes - ilustrações: Luis Trimano - Editora Iluminuras do Brasil - Rio de Janeiro 1997


Foto: Regina Lustosa


LEONARDO FRÓES
Itaperuna, Rio de Janeiro 1941
Poeta, tradutor e jornalista.
Foi redator de "Jornal do Brasil', "O Globo"
e também da Enciclopédia Británica. Esteve
ligado durante dez anos, ao "Jornal da Tarde"
de São Paulo, onde assinava a coluna Verde.
Foi um dos primeiros a difundir no Brasil,
a conciência ecológica.
Viveu durante alguns anos em Nova Iorque
e em alguns países europeus.
A tradução constitui sua principal atividade
profissional. Traduziu para o português, 
livros de William Faulkner, D.H. Lawrence,
Rabindranat Tagore e Lawrence Ferlinghetti.
Desde os anos 70, mora em Petrópolis, região
serrana do Rio de Janeiro, com a sua mulher, 
a fotógrafa Regina Lustosa.

Bibliografia

Poesia

Lingua Franca, 1968

A Vida Em Comum, 1969

Esquecí de Avisar Que estou Vivo, 1973

Anjo Tigrado, 1975

Sibilitz, 1981

Assim Missa, 1986

Argumentos Invisíveis, 1995

Um Mosaico Chamado a Paz do Fogo, 1997

Quatorce Quadros Redondos, 1998

Chinês Com Sono Seguido Por Clones do Inglês, 2005

Contos

Contos Orientais 
Baseados em Fontes da Antiga Ásia, 2oo3

Biografias

Um Outro Varela, 1990

dados extraídos da Wikipédia