sábado, 22 de novembro de 2014

MAUREEN BISILLIAT


MAUREEN BISILLIAT


DISCURSO DO CAPIBARIBE

Aquele rio
está na memória
como um cão vivo
dentro de uma sala.
Como um cão vivo
dentro de um bolso
Como um cão vivo
debaixo dos lençóis,
debaixo da camisa,
da pele.

Um cão, porque vive,
é agudo.
O que vive
não entorpece.
O que vive fere.
O homem,
porque vive,
choca com o que vive.
Viver
é ir entre o que vive.

O que vive
incomoda da vida
o silêncio, o sono, o corpo
que sonhou cortar-se
roupas de nuvens.
O que vive choca,
tem dentes, arestas, é espesso.
O que vive é espesso
como um cão, um homem,
como aquele rio.

Como todo o real
é espesso.
Aquele rio 
é espesso e real.
Como uma maçã
é espessa.
Como um cachorro
é mais espesso do que uma maçã.
Como é mais espesso
o sangue do cachorro
do que o próprio cachorro.
Como é mais espesso
um homem
do que o sangue de um cachorro.
Como é muito mais espesso
o sangue de um homem
do que o sonho de um homem.

Espesso
como uma maçã é espessa.
Como uma maçã
é muito mais espessa
se um homem a come
do que se um homem a vê.
Como é ainda mais espessa
se a fome a come.
Como é ainda muito mais espessa
se não a pode comer
a fome que a vê.

Aquele rio
é espesso
como o real mais espesso
Espesso
por sua paisagem espessa,
onde a fome
estende seus batalhões de secretas
e íntimas formigas.

E espesso
por sua fábula espessa;
pelo fluir
de suas geléias de terra;
ao parir
suas ilhas negras de terra.

Porque é muito mais espesso
a vida que se desdobra
em mais vida,
como uma fruta
é mais espessa
que sua semente;
como a flor
é mais espessa
que sua árvore,
etc., etc.

Espesso,
porque é mais espessa
a vida que se luta
cada dia,
o dia que se adquire
cada dia
(como uma ave
que vai cada segundo
conquistando seu vôo).

João Cabral de Melo Neto

MAUREEN BISILLIAT


CURSO DE ILUSTRAÇÃO EDITORIAL
FLÁVIO DE CARVALHO
O MODERNISMO DE SÃO PAULO
A SOCIEDADE DO "HOMEM NU"

FLÁVIO DE CARVALHO é o nome artístico 
de Flávio de Resende Carvalho.
Barra Mansa, São Paulo 1899 
Valinhos, São Paulo, Brasil 1973.
Foi um dos grandes nomes da geração modernista,
atuando como arquiteto, cenógrafo, pintor, desenhista
e performer.
Filho de familia abastada, pôde receber uma educação
privilegiada, estudando na França e na Inglaterra entre
1911 e 1914. Em 1922 formou-se em engenharia civil,
e ao mesmo tempo e na mesma universidade, cursa
seus estudos de artes plásticas.
Retornando ao Brasil, em 1924, empregou-se como
desenhista calculista na firma de construção civil Ramos
de Azevedo.
Flávio de Carvalho escrevia sobre arquitetura no extinto
jornal "Diário de São Paulo", e em 1956, seu editor pediu
que fizesse um modelo de roupa masculina. Flávio deu
o nome de "Experiência 3" ao seu projeto, e criou uma
saia de nílon, uma camisa bufante, um chapeu e uma meia
de modelo arrastão, com sandálias de couro como solução
para o exessivo calor. Ele mesmo desfilou com seu protótipo
em 18 de outubro daquele ano em São Paulo.
A sua definição: "...ê na realidade, a vestimenta de um modelo futurista. a cidade do "homem nu", sem deus, propriedade privada ou casamento, um ser selvagem com
todos os seus desejos, toda a sua curiosidade intacta e não
reprimida como era pela conquista colonial. Em busca de
uma civilização nua".
1926 - Inicia colaboração como ilustrador no "Diário da Noite" de São Paulo.
1929 - Encontra-se com Le Corbusier (1887-1965).
1931 - Realiza a sua "Experiência 2", de forma provocativa,
caminha, com boné na cabeça, em sentido contrário ao de
uma procissão católica de Corpus Christi. Quase linchado,
é salvo pela polícia.
1932 - Participa do Movimento Constitucionalista como
capitão engenheiro.
1932-1934 - Funda o "Clube dos Artistas Modernos", com
Antonio Gomide (1895-1967), Di Cavalcanti (1897-1976),
e Carlos Prado (1908-1992).
1933 - Cria o "Teatro da Experiência" encenando o "Bailado
Do Deus Morto", espetáculo de teatro-dança da sua autoria,
para o qual cria cenografia e figurinos para os atores-dançarinos, em sua maioria negros, usando máscaras de aluminio. O teatro é fechado pela polícia sob alegação de atentatório aos bons costumes.
1934 - Sua primeira exposição individual, inaugura em 28
de junho, e é fechada pela polícia em 12 de julho sob alegação de atentado ao pudor e imoralidade. Cinco obras são apreendidas, a mostra é reaberta por ordem judicial em
26 de julho.
1936 - Publica pela editora Ariel do Rio de Janeiro, o livro
de sua autoria "Os Ossos do Mundo", com prefacio de Gilberto Freire (1900-1987). O livro relata as impressões
de uma viagem realizada à Argentina nesse ano, com um
grupo de engenheiros de São Paulo.
Realiza a decoração do baile oficial do Carnaval paulista.
Projeta e realiza conjunto de 17 casas conhecido como Vila América.
1947 - Faz a Série "Trágica", nove desenhos a lápiz,
que registram a agonia de sua mãe.
1950 - Projeta cenários luminosos para balé, com música
de Camargo Guarnieri (1907-1993), apresentado no Teatro
Municipal.
1955 - Inicia a publicação da sua coluna "Casa, Homem, Paisagem", no "Diário de São Paulo".
1956 - Realiza cenários para o bailado "Ritmos" de Prokofief,
apresentado no Teatro Cultura Artística.
1967 - Lança pela editora Edart, o álbum Flávio de Carvalho
com 32 desenhos.
1968 - Realiza o Monumento a Garcia Lorca na Praça das
Guianas.
1973 - Publica "A Origem Animal de Deus" e "O Bailado Do
Deus Morto", pela editora Difusão Europeia.

dados extraídos da Wikipédia 

FLÁVIO DE CARVALHO - Retrato de Mario de Andrade - óleo 1939


FLÁVIO DE CARVALHO - Retrato de Oswald de Andrade e Julieta Bárbara - = óleo 1939


FLÁVIO DE CARVALHO - Retrato da pianista Yara Bernette - óleo 1967


FLÁVIO DE CARVALHO - Retrato de Aram Katchaturian - óleo 1956


FLÁVIO DE CARVALHO - Auto-retrato - óleo 1965


FLÁVIO DE CARVALHO - Retrato de Nicolás Guillén - óleo 1948


FLÁVIO DE CARVALHO - Retrato de Pietro Maria Bardi - óleo 1984


FLÁVIO DE CARVALHO - Retrato de Mario Schemberg - óleo 1988


FLÁVIO DE CARVALHO - Retrato de Maria Della Costa - óleo 1951


FLÁVIO DE CARVALHO - Retrato de Murilo Mendes - óleo 1951


FLÁVIO DE CARVALHO - Retrato de Ingá - lápiz 1945


FLÁVIO DE CARVALHO - Retrato de Sanglard Junior - nanquim 1937


FLÁVIO DE CARVALHO - Retrato de Assis Chateaubriand - nanquim 1971


FLÁVIO DE CARVALHO - nanquim 1956


FLÁVIO DE CARVALHO - nanquim


FLÁVIO DE CARVALHO - nanquim 1942


FLÁVIO DE CARVALHO - Performance: "Experiência Nº 3" - (apresentação do saiote ao público) - 1956


FLÁVIO DE CARVALHO - Dois projetos de cadeiras modernistas - madeira pintada - Bienal de Veneza 1950


FLÁVIO DE CARVALHO - Projeto abitacional - São Paulo 1936


FLÁVIO DE CARVALHO - Idem


FLÁVIO DE CARVALHO - Projeto do Palácio de Governo - São Paulo 1927


FLÁVIO DE CARVALHO - Fazenda Capuava - São Paulo 1970


SÉRIE TRÁGICA - AGONIA DA MÃE - 9 DESENHOS 
LÁPIZ - 1947

FLÁVIO DE CARVALHO - Série Trágica


FLÁVIO DE CARVALHO - Série Trágica


FLÁVIO DE CARVALHO - Série Trágica


FLÁVIO DE CARVALHO - Série Trágica


sexta-feira, 21 de novembro de 2014

FLÁVIO DE CARVALHO - Série Trágica


FLÁVIO DE CARVALHO - Série Trágica


FLÁVIO DE CARVALHO - Série Trágica


FLÁVIO DE CARVALHO - Série Trágica


FLÁVIO DE CARVALHO - Série "Trágica"


CURSO DE ILUSTRAÇÃO EDITORIAL
NÁSSARA
A CARICATURA ABSTRATA

ANTÔNIO NÁSSAR, na cobertura do navio, voltando dos Estados Unidos, em 1939


ANTÔNIO GABRIEL NÁSSARA, mais conhecido 
por NÁSSARA 
Rio de Janeiro 1910-1996.
Compositor carnavalesco e caricaturista.
Foi o grande inovador do traço na caricatura para a imprensa brasileira. De todos os desenhistas dessa época, a proposta
gráfica de "mestre Nássara", era a que mais se alinhava
com a estética modernista, na ruptura das formas
acadêmicas. Seu desenho (que ele realizava utilizando uma caneta tinteiro de arquiteto chamada "tiralinhas", hoje praticamente extinta), desconstroi as formas da face, sem perder a semelhança com o retratado, numa economia de traços que chega ao signo. 
Nássara é o "reinventor" do portrait-charge, praticando uma grafia abstrata relacionada com a Arte Moderna, e referência
do atual grafite.
Carioca filho de libaneses, começou a compor marchinhas
carnavalescas na década de 1930, disputando e vencendo
concursos com Lamartine Babo, Noel Rosa e Ary Barroso.
Frequentou os cursos da Escola de Belas Artes, mas não se formou.
Trabalhou nos jornais: "Carioca", "O Globo", "Última Hora", "Pasquim", e Revista "O Cruzeiro".
Seu maior sucesso como compositor foi a marcha "Alá-lá-ô",
em parceria com Haroldo Lobo, ficando conhecido por seu estilo de parodiar ou citar composições famosas em suas próprias músicas. É tido também como o primeiro autor
de um jingle comercial brasileiro.
Em 1990, foi homenajeado com uma exposição coletiva de
caricaturistas, no Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro.

Trimano

dados extraídos da Wikipédia

NÁSSARA - Ary Barroso - Jornal "Carioca" - nanquim 1935


NÁSSARA - Jean Paul Sartre - Jornal "Última Hora" - nanquim 1952


NÁSSARA - Janio Quadros - Jornal "Pasquim" - nanquim 1974


NÁSSARA - Arthur Bernardez - Revista "Diretrizes" - nanquim 1948


NÁSSARA - Janio Quadros - Jornal "Pasquim" - nanquim 1975


NÁSSARA - desenhando com seu "peculiar tiralinhas"


NÁSSARA - Silas de Oliveira e Natal da Portela - Jornal Pasquim - nanquim 1980


NÁSSARA - Ary Barroso - Revista Diretrizes - nanquim 1947


NÁSSARA - Goebbels - Revista "O Cruzeiro" - nanquim 1943


NÁSSARA - Revista Diretrizes - nanquim 1941


NÁSSARA - Capa do Jornal "Pasquim" - 1978


NÁSSARA - Jornal "Pasquim" - nanquim


NÁSSARA - Otto Maria Carpeaux - nanquim - jornal Pasquim - 1978


CURSO DE ILUSTRAÇÃO EDITORIAL
SEMANA DE ARTE MODERNA DE 1922
O MODERNISMO BRASILEIRO

VICTOR BRECHERET - Fauno - nanquim 1921