O propósito deste blog é o de mostrar o trabalho do ilustrador,independente das regras impostas pelo mercado,nas quatro disciplinas praticadas por mim, em diferentes momentos e veículos: A Caricatura na Imprensa,A Ilustração na Imprensa,A Ilustração Editorial e O Poema Ilustrado. Também são mostradas modalidades diferentes das mesmas propostas como: Montagens das exposições e a revalorização do painel mural, através das técnicas de reprodução digital em baner.
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
BANDÔNION
Me custa confessá-lo
mas a vida é também um bandônion
há quem sustente que quem toca é deus
mas eu estou certo de que é Troilo,
já que deus apenas toca harpa
e mal
seja quem for o certo é
que nos espicha num único gesto puríssimo
e logo nos reduz aos poucos a quase nada
e claro nos arranca confissões
queixas que são clamores
vértebras de alegria
esperanças que voltam
como os filhos pródigos
e sobretudo como os estribilhos
me custa confessá-lo
porque o certo é que hoje em dia
poucos
querem ser tango
a natural tendência
é ser mambo ou rumba ou chachachá
ou merengue o bolero ou tal vez cassino
em último caso valsinha ou milonga
passodoble jamais
mas quando deus ou Pichuco ou quem for
toma entre suas mãos a vida bandônion
e lhe sugere que chore ou regozije
a gente sente o tremendo decoro de ser tango
e se deixa cantar e nem se lembra
que lá espera
o estojo
Mario Benedetti
tradução: Julio Luís Gehlen
Troilo = Sobrenome de Anibal Troilo, famoso bandonionista do tango argentino
Pichuco = Apelido de Anibal Troilo
Me custa confessá-lo
mas a vida é também um bandônion
há quem sustente que quem toca é deus
mas eu estou certo de que é Troilo,
já que deus apenas toca harpa
e mal
seja quem for o certo é
que nos espicha num único gesto puríssimo
e logo nos reduz aos poucos a quase nada
e claro nos arranca confissões
queixas que são clamores
vértebras de alegria
esperanças que voltam
como os filhos pródigos
e sobretudo como os estribilhos
me custa confessá-lo
porque o certo é que hoje em dia
poucos
querem ser tango
a natural tendência
é ser mambo ou rumba ou chachachá
ou merengue o bolero ou tal vez cassino
em último caso valsinha ou milonga
passodoble jamais
mas quando deus ou Pichuco ou quem for
toma entre suas mãos a vida bandônion
e lhe sugere que chore ou regozije
a gente sente o tremendo decoro de ser tango
e se deixa cantar e nem se lembra
que lá espera
o estojo
Mario Benedetti
tradução: Julio Luís Gehlen
Troilo = Sobrenome de Anibal Troilo, famoso bandonionista do tango argentino
Pichuco = Apelido de Anibal Troilo
AS ATAS DO RANCOR
Pouco a pouco o rancor vai me invadindo
animaliza minha anima lisa
me empresta garras iras maldições
me sobressalta a paciência boba
dá brilho ao ódio como para abutres
me põe em áscuas e ascos
abro o livro e aprendo
a história do rancor seus pormenores
seus desenvolvimentos e suas pautas
seus herdados instrumentos
mesmo assim me espera uma surpresa
quando fecho o breviário
fica entre minhas mãos
uma beira desarmada e desalmada
um rastro tão tedioso
sem prestígio e sem medula.
então me reduzo ao que sou
vazio de ferramentas culturais
fecho os olhos mas
que vou fazer
não soño com perdões.
Mario Benedetti
tradução: Julio Luís Gehlen
Pouco a pouco o rancor vai me invadindo
animaliza minha anima lisa
me empresta garras iras maldições
me sobressalta a paciência boba
dá brilho ao ódio como para abutres
me põe em áscuas e ascos
abro o livro e aprendo
a história do rancor seus pormenores
seus desenvolvimentos e suas pautas
seus herdados instrumentos
mesmo assim me espera uma surpresa
quando fecho o breviário
fica entre minhas mãos
uma beira desarmada e desalmada
um rastro tão tedioso
sem prestígio e sem medula.
então me reduzo ao que sou
vazio de ferramentas culturais
fecho os olhos mas
que vou fazer
não soño com perdões.
Mario Benedetti
tradução: Julio Luís Gehlen
PROPRIEDADE DO PERDIDO
É minha a inocência
ânfora de cristal tão desvalida
que nada me sugerem seus pedaços
a juventude é minha
e é ainda atávico susurro
rescaldo prévio ou impossível fogo
o rosto do meu pai
tão meu é que acode a meus espelhos
para comprometer-me em seus dilemas
é meu o primeiro salmo
débil embelezado entre as árvores
cerzido com as linhas do esquecimento
meu broto de amor
que era quimera e foi descobrimento
para soltar arroubos como um lastro
meu o muro de deus
com sua gretada e fosca pele de pedras
e suas mil garatujas de receio
e a mão fraterna
tão minha é que surge das ruínas
para estreitar minha mão e exumar-me
tudo o que perdí
é meu irremediavelmente meu
tão distante de mim que é desamparo
Mario Benedetti
tradução:Julio Luís Gehlen
É minha a inocência
ânfora de cristal tão desvalida
que nada me sugerem seus pedaços
a juventude é minha
e é ainda atávico susurro
rescaldo prévio ou impossível fogo
o rosto do meu pai
tão meu é que acode a meus espelhos
para comprometer-me em seus dilemas
é meu o primeiro salmo
débil embelezado entre as árvores
cerzido com as linhas do esquecimento
meu broto de amor
que era quimera e foi descobrimento
para soltar arroubos como um lastro
meu o muro de deus
com sua gretada e fosca pele de pedras
e suas mil garatujas de receio
e a mão fraterna
tão minha é que surge das ruínas
para estreitar minha mão e exumar-me
tudo o que perdí
é meu irremediavelmente meu
tão distante de mim que é desamparo
Mario Benedetti
tradução:Julio Luís Gehlen
AMOR DE TARDE
É uma pena você não estar comigo
quando olho o relógio e já são quatro
e termino a planilha e penso 10 minutos
e estico as pernas como todas as tardes
e faço assim com os ombros para relaxar as costas
e estalo os dedos e arranco mentiras
É uma pena você não estar comigo
quando olho o relógio e já são cinco
e eu sou uma manivela que calcula juros
ou duas mãos que pulam sobre quarenta teclas
ou um ouvido que escuta como ladra o telefone
ou um tipo que faz números e lhes arranca verdades
É uma pena você não estar comigo
quando olho o relógio e já são seis
Você podia chegar de repente
e dizer "e aí?" e ficaríamos
eu com a mancha vermelha dos seus lábios
você com o risco azul do meu carbono
Mario Benedetti
tradução: Julio Luís Gehlen
É uma pena você não estar comigo
quando olho o relógio e já são quatro
e termino a planilha e penso 10 minutos
e estico as pernas como todas as tardes
e faço assim com os ombros para relaxar as costas
e estalo os dedos e arranco mentiras
É uma pena você não estar comigo
quando olho o relógio e já são cinco
e eu sou uma manivela que calcula juros
ou duas mãos que pulam sobre quarenta teclas
ou um ouvido que escuta como ladra o telefone
ou um tipo que faz números e lhes arranca verdades
É uma pena você não estar comigo
quando olho o relógio e já são seis
Você podia chegar de repente
e dizer "e aí?" e ficaríamos
eu com a mancha vermelha dos seus lábios
você com o risco azul do meu carbono
Mario Benedetti
tradução: Julio Luís Gehlen
POR QUE CANTAMOS
Se cada hora vem com sua morte
se o tempo é um covil de ladrões
os ares já não são tão bons ares
e a vida é nada mais que um alvo móvel
você perguntará por que cantamos
se nossos bravos ficam sem abraço
a pátria está morrendo de tristeza
e o coração do homem se fez cacos
antes mesmo de explodir a vergonha
você perguntará por que cantamos
se estamos longe como um horizonte
se lá ficaram árvores e céu
se cada noite é sempre alguma ausência
e cada despertar um desencontro
você perguntará por que cantamos
cantamos por que o rio está soando
e quando soa o rio / soa o rio
cantamos por que o cruel não tem nome
embora tenha nome seu destino
cantamos pela infância e porque tudo
e porque algum futuro e porque o povo
cantamos porque os sobreviventes
e nossos mortos querem que cantemos
cantamos porque o grito só não basta
e já não basta o pranto nem a raiva
cantamos porque cremos nessa gente
e porque venceremos a derrota
cantamos porque o sol nos reconhece
e porque o campo cheira a primavera
e porque nesse talo e lá no fruto
cada pergunta tem a sua resposta
cantamos porque chove sobre o sulco
e somos militantes desta vida
e porque não podemos nem queremos
deixar que a canção se torne cinzas
Mario Benedetti
tradução: Julio Luís Gehlen
Se cada hora vem com sua morte
se o tempo é um covil de ladrões
os ares já não são tão bons ares
e a vida é nada mais que um alvo móvel
você perguntará por que cantamos
se nossos bravos ficam sem abraço
a pátria está morrendo de tristeza
e o coração do homem se fez cacos
antes mesmo de explodir a vergonha
você perguntará por que cantamos
se estamos longe como um horizonte
se lá ficaram árvores e céu
se cada noite é sempre alguma ausência
e cada despertar um desencontro
você perguntará por que cantamos
cantamos por que o rio está soando
e quando soa o rio / soa o rio
cantamos por que o cruel não tem nome
embora tenha nome seu destino
cantamos pela infância e porque tudo
e porque algum futuro e porque o povo
cantamos porque os sobreviventes
e nossos mortos querem que cantemos
cantamos porque o grito só não basta
e já não basta o pranto nem a raiva
cantamos porque cremos nessa gente
e porque venceremos a derrota
cantamos porque o sol nos reconhece
e porque o campo cheira a primavera
e porque nesse talo e lá no fruto
cada pergunta tem a sua resposta
cantamos porque chove sobre o sulco
e somos militantes desta vida
e porque não podemos nem queremos
deixar que a canção se torne cinzas
Mario Benedetti
tradução: Julio Luís Gehlen
JOSÉ MEDEIROS
Teresina, Piauí, Brasil 1921 - Abruzzo, L'Aquila, Itália 1990
José Medeiros foi um importante repórter fotográfico da equipe que fez a revista O Cruzeiro, e tornou-se modelo
de uma nova visão dentro do oficio de fotógrafo da época.
A fotografia desempenhou um importante papel no processo
de concientização e informação da sociedade brasileira,
com destaque para os anos conturbados da ditadura militar, quando a fotografia procurava ângulos que objetivavam driblar a censura e mostrar através das imagens,
os momentos e situações adversas que não podiam ser abordadas nos textos.
Medeiros foi, ao lado do francés Jean Manzon, um dos
precursores do foto-jornalismo moderno no Brasil.
Aos 25 anos, já com trabalhos realizados para revistas como
Tabu, Rio e Sombra, foi convidado por Manzon para integrar
a redação da O Cruzeiro, onde permaneceu por 15 anos.
Ao longo da sua estada na revista publicou uma série de
foto-reportagens sobre os setores mais deficitários da sociedade, disse ele: "...a fotografia tem, aliás, como tudo,
uma função política. A fotografia não conta necessariamente
o real, pelo contrário ela pode mentir pra burro. A pessoa
por traz da câmera pode mostrar o que quiser.
Eu por exemplo, para não defender interesses do patrão,
do governo, saia pela tangente fazendo reportagens sobre
negros e índios...".
Em 1949, Medeiros participou da Expedição Roncador Xingu
A questão indígena se tornou então bastante recorrente
em sua obra. Foi um dos fotógrafos de O Cruzeiro que se
"especializou" em reportagens sobre populações indígenas.
Em 1962, ao sair da O Cruzeiro fundou a agência IMAGE
com Flavio Damm e Yedo Mendonça. Em 1965 começou
a trabalgar como diretor de fotografia cinematográfica, sendo
responsável por filmes como "A Falecida" de León Hirszman
e "Chica da Silva" de Cacá Diegues.
dados extraídos da Wikipédia
Teresina, Piauí, Brasil 1921 - Abruzzo, L'Aquila, Itália 1990
José Medeiros foi um importante repórter fotográfico da equipe que fez a revista O Cruzeiro, e tornou-se modelo
de uma nova visão dentro do oficio de fotógrafo da época.
A fotografia desempenhou um importante papel no processo
de concientização e informação da sociedade brasileira,
com destaque para os anos conturbados da ditadura militar, quando a fotografia procurava ângulos que objetivavam driblar a censura e mostrar através das imagens,
os momentos e situações adversas que não podiam ser abordadas nos textos.
Medeiros foi, ao lado do francés Jean Manzon, um dos
precursores do foto-jornalismo moderno no Brasil.
Aos 25 anos, já com trabalhos realizados para revistas como
Tabu, Rio e Sombra, foi convidado por Manzon para integrar
a redação da O Cruzeiro, onde permaneceu por 15 anos.
Ao longo da sua estada na revista publicou uma série de
foto-reportagens sobre os setores mais deficitários da sociedade, disse ele: "...a fotografia tem, aliás, como tudo,
uma função política. A fotografia não conta necessariamente
o real, pelo contrário ela pode mentir pra burro. A pessoa
por traz da câmera pode mostrar o que quiser.
Eu por exemplo, para não defender interesses do patrão,
do governo, saia pela tangente fazendo reportagens sobre
negros e índios...".
Em 1949, Medeiros participou da Expedição Roncador Xingu
A questão indígena se tornou então bastante recorrente
em sua obra. Foi um dos fotógrafos de O Cruzeiro que se
"especializou" em reportagens sobre populações indígenas.
Em 1962, ao sair da O Cruzeiro fundou a agência IMAGE
com Flavio Damm e Yedo Mendonça. Em 1965 começou
a trabalgar como diretor de fotografia cinematográfica, sendo
responsável por filmes como "A Falecida" de León Hirszman
e "Chica da Silva" de Cacá Diegues.
dados extraídos da Wikipédia
domingo, 2 de novembro de 2014
TICUNAS (Tikuna, Tukuna ou Maguta)
são um povo amerindio que habita atualmente
a fronteira entre o Perú, o Brasil, e o trapézio amazônico,
na Colômbia. Formam uma sociedade de 50.000 indivíduos,
divididos entre Brasil (36 mil), Colômbia (8 mil) e Perú (7 mil)
(Pesquisar o povo Ticuna na Wikipédia)
As Pinturas da Floresta, reunem os mais belos mitos
e imagens que povoam o imaginário dessa aldeia indígena.
localizada na Floresta Amazônica, na região do alto Solimões. Esboçam diversos aspectos da tradição da tribo,
incluindo signos da fauna e flora nacionais, bem como alusões a personagens sobrenaturais da floresta. Ao evocar
a memória da mata, o olhar do índio revela suas raízes, ritos,
festas, armas e adereços. Mais do que um painel histórico
do cotidiano dos Ticuna, a mostra representa a afirmação
da cultura aborigine e a excelência da sua produção artística.
dados extraídos do catálogo da exposição TICUNA - Pinturas da Floresta - apresentada
no Centro Cultural do Banco do Brasil do Rio de Janeiro em 2004
são um povo amerindio que habita atualmente
a fronteira entre o Perú, o Brasil, e o trapézio amazônico,
na Colômbia. Formam uma sociedade de 50.000 indivíduos,
divididos entre Brasil (36 mil), Colômbia (8 mil) e Perú (7 mil)
(Pesquisar o povo Ticuna na Wikipédia)
As Pinturas da Floresta, reunem os mais belos mitos
e imagens que povoam o imaginário dessa aldeia indígena.
localizada na Floresta Amazônica, na região do alto Solimões. Esboçam diversos aspectos da tradição da tribo,
incluindo signos da fauna e flora nacionais, bem como alusões a personagens sobrenaturais da floresta. Ao evocar
a memória da mata, o olhar do índio revela suas raízes, ritos,
festas, armas e adereços. Mais do que um painel histórico
do cotidiano dos Ticuna, a mostra representa a afirmação
da cultura aborigine e a excelência da sua produção artística.
dados extraídos do catálogo da exposição TICUNA - Pinturas da Floresta - apresentada
no Centro Cultural do Banco do Brasil do Rio de Janeiro em 2004
sábado, 1 de novembro de 2014
Alguns teóricos gostam de classificar as artes como
"maiores" e "menores", conforme se relacionem com
as limitações da técnica, do mercado o do caráter
utilitário. Por esse critério, a maior das artes seria
a poesia, podendo ser realizada apenas com palavras
e gestos, não necessitando de material e técnica, livre
do mercado. A menor delas seria a fotografia, se tratando
de uma elaboração tecnológica com pouco espaço e elaboração pessoal. Seguindo esta mentalidade, no fundo
do poço encontramos o artesanato, considerado como feito
apenas para o mercado, segundo regras pré-estabelecidas
(quantos artistas consagrados não agem desta forma?)
O artesanato é acussado de visar utilidades práticas, fato
inadmissível numa obra de arte verdadeira. Peças como jarros, cadeiras, porta copos ou imãs de geladeira, sabemos claramente para que foram feitos. Outros objetos tem sua
utilidade menos explícita, podendo ser considerados um
mero adorno, mas isso já basta para ser considerado como
posuidor de alguma utilidade prática.
Usar esse critério para diferenciarmos o artesanato da arte
acaba se mostrando problemático. Mesmo as obras de arte
mais conhecidas e representativas acabam apresentando
algum tipo de utilidade, muitas vezes semelhante aquela
atribuída ao artesanato ou a arte primitiva.
Tanto os objetos da arte clássica como os da arte renascentista foram realizados para serem objeto de adoração ou para favorecerem politicamente quem encomendou. Ainda que também fossem manifestações
bastante pessoais, foram financiadas por pessoas que visavam uma utilidade prática.
A arte ainda hoje se mostra "útil". Os organizadores
de exposições escolhem os artistas visando atrair grande
público, ganhando para si prestigio e poder político. Obras
são negociadas em leilões a altos preços, sendo investimento seguro e uma forma de burlar o imposto de renda.
O artista primitivo, por sua vez, não vê sentido na divisão
entre arte e artesanato. Todo objeto que realiza tem sua utilidade, mesmo que invisível aos nossos olhos. Poderíamos portanto dizer que tudo o que ele faz é artesanato Por outro lado, esses objetos utilitários são
o principal meio pelo qual as sociedades primitivas
manifestam seus valores, seus temores e sua história.
Se olharmos com cuidado a forma como os "primitivos"
encaram a sua arte, veremos o quanto a sua arte é livre.
Seus utensilhos poderiam muito bem não conter nenhum tipo de intervenção artística e se manteriam eficientes da mesma forma.
Através de seus ritos, sua música, seus adornos, ou ainda, qualquer atividade que não esteja ligada a atender suas
necessidades mais práticas, o ser humano se reconhece como pessoa. A través da arte que chamam de "primitiva",
os membros de uma comunidade se identificam como povo.
E através da arte que o homem primitivo toma contato
com a sua própria identidade.
dados extraídos da Wikipédia
"maiores" e "menores", conforme se relacionem com
as limitações da técnica, do mercado o do caráter
utilitário. Por esse critério, a maior das artes seria
a poesia, podendo ser realizada apenas com palavras
e gestos, não necessitando de material e técnica, livre
do mercado. A menor delas seria a fotografia, se tratando
de uma elaboração tecnológica com pouco espaço e elaboração pessoal. Seguindo esta mentalidade, no fundo
do poço encontramos o artesanato, considerado como feito
apenas para o mercado, segundo regras pré-estabelecidas
(quantos artistas consagrados não agem desta forma?)
O artesanato é acussado de visar utilidades práticas, fato
inadmissível numa obra de arte verdadeira. Peças como jarros, cadeiras, porta copos ou imãs de geladeira, sabemos claramente para que foram feitos. Outros objetos tem sua
utilidade menos explícita, podendo ser considerados um
mero adorno, mas isso já basta para ser considerado como
posuidor de alguma utilidade prática.
Usar esse critério para diferenciarmos o artesanato da arte
acaba se mostrando problemático. Mesmo as obras de arte
mais conhecidas e representativas acabam apresentando
algum tipo de utilidade, muitas vezes semelhante aquela
atribuída ao artesanato ou a arte primitiva.
Tanto os objetos da arte clássica como os da arte renascentista foram realizados para serem objeto de adoração ou para favorecerem politicamente quem encomendou. Ainda que também fossem manifestações
bastante pessoais, foram financiadas por pessoas que visavam uma utilidade prática.
A arte ainda hoje se mostra "útil". Os organizadores
de exposições escolhem os artistas visando atrair grande
público, ganhando para si prestigio e poder político. Obras
são negociadas em leilões a altos preços, sendo investimento seguro e uma forma de burlar o imposto de renda.
O artista primitivo, por sua vez, não vê sentido na divisão
entre arte e artesanato. Todo objeto que realiza tem sua utilidade, mesmo que invisível aos nossos olhos. Poderíamos portanto dizer que tudo o que ele faz é artesanato Por outro lado, esses objetos utilitários são
o principal meio pelo qual as sociedades primitivas
manifestam seus valores, seus temores e sua história.
Se olharmos com cuidado a forma como os "primitivos"
encaram a sua arte, veremos o quanto a sua arte é livre.
Seus utensilhos poderiam muito bem não conter nenhum tipo de intervenção artística e se manteriam eficientes da mesma forma.
Através de seus ritos, sua música, seus adornos, ou ainda, qualquer atividade que não esteja ligada a atender suas
necessidades mais práticas, o ser humano se reconhece como pessoa. A través da arte que chamam de "primitiva",
os membros de uma comunidade se identificam como povo.
E através da arte que o homem primitivo toma contato
com a sua própria identidade.
dados extraídos da Wikipédia
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