sábado, 8 de dezembro de 2012

Pieter Claesz


Eduard Manet - detalhe


GIOTTO DI BONDONE 
Itália 1266-1337
pre Renascimento
(antes do aparecimento das lentes)

Giotto di Bondone - pre-Renascimento


Giotto di Bondone - pre-Renascimento - detalhe


Giotto di Bondone - pre-Renascimento - detalhe


Giotto di Bondone - pre-Renascimento - detalhe


Giotto di Bondone - pre-Renascimento


sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Posso ter certeza de que Robert Campin e Jan van Eyck
tinham conhecimento de espelhos e lentes - os dois
elementos básicos da câmara moderna - pois pintaram
alguns em vários de seus quadros dos anos 1430 
(e, naquela época, pintores e fabricantes de espelhos
eram ambos membros da mesma guilda). Lentes e
espelhos ainda eram raros na época, e os artistas devem
ter ficado fascinados pelos estranhos efeitos produzidos.
Como pessoas que faziam imagens, certamente ter-lhes-a
causado admiração o fato de figuras inteiras, ou mesmo
recintos inteiros, poderem ser vistos em pequenos espelhos
convexos. Seguramente não é uma coincidência que tais
espelhos chegassem à pintura ao mesmo tempo que um
maior grau de individualidade aparecesse no retrato.
  

Robert Campin - 1438


Jan van Eyck - 1436


Tendo de inicio observado que a pintura
no fim da Renascença era muito mais naturalista
que o fora a princípio, agora podemos ser bem
mais específicos: a mudança rumo a um maior
naturalismo ocorreu subitamente no fim dos
anos 1420, ou no começo dos anos 1430, em
Flandres. Terá sido por causa da óptica? Que
outra explicação averia? Por que artistas como
Campin e Van Eyck de repente passam a produzir
imagens bem mais modernas, "de aparência
fotográfica? Hoje estamos habituados a imagens
projetadas por uma lente. Uma cámara
funciona porque uma imagem  do "mundo real"
é projetada num filme. Teriam Campin e Van Eyck
visto o mundoprojetado desse modo?
extraido de "O Conhecimento Secreto" de David Hockney

Hans Holbein - detalhe - 1532


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Caravaggio é, de fato, um mestre em montar "a cena", narrando a história
no espaço da pintura não em muita profundidade. O olho vaga de lá para cá 
na superficie da pintura, não plano adentro. A parede estabelece a profundidade
como fixa.
Comparemos com "A Flagelação de Cristo" de Piero della Francesca.
Piero não é um diretor com atores a sua frente do modo que é Caravaggio..
Ele mexe braços e pernas de acordo com seu conhecimento das leis da
geometria e perspectiva, do modo como "sabe" serem as figuras, não
do modo como as "vê".
extraido de "O Conhecimento Secreto" de David Hockney 

Piero della Francesca - "Flagelação de Cristo" - 1450


Caravaggio pintou seu alaudista 70 anos depois
da xilogravura de Dürer, e, é claro, a tecnologia
das máquinas de desenho tal vez tivesse avançado
naquela altura. Mas já não seriam tais máquinas antiquadas
em 1525? Não estaria Dürer reproduzindo um método
antigo e agora obsoleto de desenhar elipses e curvas
em perspectiva? Os Embaixadores de Hans Holbein foi
pintado em 1533, somente oitos anos depois da gravura
de Dürer. Está repleto de objetos curvos e esféricos, 
os quais teriam sido difíceis de fazer a olho, e no entanto
todos eles são maravilhosamente "precisos" em seu escorço.
Holbein poderia ter usado a máquina de Dürer para pintar
o alaúde na estante de baixo.
extraido de "O Conhecimento Secreto" de David Hockney
  
MICHELANGELO CARAVAGGIO
Itália 1571-1610

Caravaggio - "O tocador de alaúde" - óleo 1595


HANS HOLBEIN - Alemanha 1497-1543

Hans Holbein - "Os Embaixadores" - óleo 1533 / A estranha forma em primeiro plano é um crânio distorcido - Holbein o distendeu. Tal distorção pode ser lograda inclinando a superficie sobre a qual se projeta uma imagem. No detalhe embaixo está reproduzido o crânio comprimindo-o de volta a seu formato num computador. Ele parece bem "real". Não será isso uma pista de que Holbein utilizou ferramentas ópticas?

cránio

Holbein - "Os Embaixadores" - detalhe


Holbein - "Os Embaixadores" - detalhe - (leitura do computador)


Holbein - "Os Embaixadores" - detalhe


ALBRECHT DÜRER - Alemanha 1471-1528

Albrecht Dürer - "Retrato de uma jovem" óleo 1505


Albrecht Dürer - "Retrato de uma moça" - óleo 1506-07


Acima estão dois quadros de Dürer. 
Embora pintados com cerca de apenas
um ano de intervalo, parecem bem diferentes.
o sólido estilo linear do retrato de uma moça
milanesa (1505), abrandou-se no retrato de
uma jovem (1506-07), dominado por efeitos 
de claroescuro, de luz y sombra. Comparadas
com as duas imagens anteriores, essa jovem
parece "fotográfica". Algo causou a mudança.
Dürer era muito interessado en tecnologia,
sobretudo a de fabricar imagens, como demonstra
sua xilogravura de uma máquina de desenho.

Albrecht Dürer - xilogravura - Máquina de desenho - 1525


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Acredito que ele tenha se deparado com a ótica
entre o verão de 1505 e o início de 1507, quando esteve em Veneza.
Tal vez tenha sido introduzido ao método por Giovanni Bellini, que,
segundo um relato contemporâneo, disfarçou-se de nobre a fim 
de posar para Antonello de Messina e assim aprender seus segredos,
e que patrocinou Dürer em sua estada em Veneza (Antonello, como
vimos, introduziu as técnicas holandesas na itália). Dürer escreveu
a seu amigo Pirkheimer que estava a caminho de Bolonha "para
aprender os segredos da perspectiva". Alguns historiadores 
acreditam que ele foi visitar Luca Pacioli, companheiro próximo de
Leonardo. Dürer não escreveu quais eram esses segredos -
tal vez tenha jurado secredo.
extraido de "O conhecimento secreto" de David Hockney 
LEONARDO DA VINCI - Itália 1452-1519

sábado, 24 de novembro de 2012

Leonardo da Vinci - O corpo humano - desenho a tinta


O retrato da Mona Lisa ou A Gioconda, foi o primeiro
a evidenciar feições tão suaves. O sutil sombreado
ao redor dos olhos e boca são completamente diversos
de tudo que aparecera antes, incluindo o proprio retrato de Ginevra
de' Benci por Leonardo, pintado quase 30 anos antes.
extraido de "O Conhecimento Secreto" de David Hockney

Leonardo da Vinci - Retrato da Gioconda - 1503-06 - oleo sobre madeira - 77 x 53 cmts.


Terá Leonardo usado a óptica para a Gioconda? Não sei,
mas o certo é que ele observava imagens nítidas do mundo
tridimensional numa superficie plana e em cores vivas. Ele com
certeza tinha conhecimento das lentes. Em seus cadernos de notas,
ele descreve a câmara escura e imagens produzidas por ela
e fornece desenhos de equipamentos para esmerilhar espelhos.
Será forçar muito imaginar que ele vira como era bela a imagem
projetada e quisera ele próprio recriar tal aspecto? Tal vez isso
lhe bastasse, e suas habilidades pictóricas se incumbissem
do restante. Suas fenomenais habilidades de desenhista 
são bem conhecidas, e ele tal vez tenha precisado somente 
ver a imagem projetada para recriar sua aparência.
extraido de "O Conhecimento Secreto" de David Hockney

Leonardo da Vinci - Retrato da Gioconda -- detalhe


Leonardo da Vinci - Retrato de Ginebra de' Benci - 1474-78 - temple e óleo sobre madeira - 38,8 x 36,7 cmts. - detalhe


Como Michelangelo se encaixa na história?
ele certamente tinha conhecimento do decalque,
uma parte essencial da pintura em afresco;
e também vira a arte holandesa, que repudiou
como sendo por demais voltada ao mundo real.
Sentiu também que a pintura a óleo era para amadores;
pode-se "corri-gir" coisas com óleo, ao contrário do afresco.
Comparando esses dois retratos - um detalhe do teto da
Capela Sistina (1509-12) por Michelangelo, e o retrato de 
Baldassare Castiglione (1514-16) por Rafael, eles parecem
mesmo muito diversos em estilo e concepção. O rosto
de Rafael parece bem mais moderno. Essa diferença pode
ser explicada simplesmente pelas técnicas diversas utilizadas,
afresco contra óleo?
extraido de "O Conhecimento Secreto" de David Hockney

Michelangelo Buonarroti - Capela Sistina - detalhe


Rafael Sanzio - Retrato de Baldessare Castiglione - 1514-15 - óleo


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Montagem da exposição
POEMAS ILUSTRADOS
Galeria Manuel Bandeira 
ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS 
de 6 a 23 de novembro de 2012
Rio de Janeiro

Trimano - "Poemas Ilustrados"


O poema ilustrado surge como prática habitual no meu desenho
a partir de 196, quando faço uma viagem aos pampa, na Argentina. Tinha
19 anos e recebia a influência dos mestres do realismo social, todos eles
desenhistas virtuosos e também ilustradores literários e de poetas. Foi nessa
viagem, na cidade de Santa Rosa, capital da Provincia de La Pampa, que conhecí
três poetas que mudaram o meu rumo, foram Ricardo Nervi, Edgar Morisoli
e Juan Carlos "el indio" Bustriazo Ortiz. Eu provinha do ãmbito urbano, e a
poesia rural praticada por eles, de intenso lirismo na evocação da paisagem
desértica e das agruras da sua gente, em constante êxodo por causa das secas,
determinaram meu trabalho desse período.
Juan Ricardo Nervi, era proveniente da cidade de Castex, colónia agrícola
formada por imigrantes italianos. Com ele a visitamos, e esa visita motivou uma 
série de desenhos em parceria com Nervi que compuseram a minha primeira exposição em Buenos Aires em 1964, que levou por título "Poemas en Blanco
y Negro - Jornadas de la Pampa Seca". Em 1968 viajo ao Brasil, e pouco a pouco
vou descobrindo a língua portuguesa na poesia musicada da MPB, que me abre
as portas para os poetas brasileiros. Muitas das ilustrações sobre música que fiz
nesse período, assim como os retratos dos compositores, estavam intimamente
ligadas a essa poesia. A poesia saia do livro e ia para a rua, assim como para mim
na ilustração, o desenho saia da galeria e ia para as bancas de jornais e revistas.
Em 1980 aconteceram dois fatos importantes para o meu trabalho: a encomenda
pelo Teatro dos 4, da produção visual do cartaz e o banner da peça "Rei Lear"
de Shakespeare, além dos retratos individuais dos atores da companhia organizada pelo lendãrio Sergio Brito; e as ilustrações autorizadas pelo poeta, de "A Paixão
medida" de Carlos Drummond de Andrade, pela editora José Olimpio.
Nos anos seguintes ilustrei o peruano César Vallejo, o uruguaio Mario Benedetti
e a serie "Radial X" sobre poemas de Leonardo Fróes. a série "Diário", exposta
na UERJ e na ABL em 2007, foi uma extensa série de desenhos que abordava a
temática da memória, e a realidade política que viveram nossos paises na década
de 70. Quando o conjunto ficou pronto, pontos de contato me fizeram acrescentar
cinco poemas do argentino Juan Gelman. Nessa exposição "Poemas Ilustrados",
estou mostrando, junto ao meu desenho, a poesia de Alexei Bueno, Marcus Mello,
Frederico Gomes, a argentina Marta Kelly e os clássicos, Machado de Assis e Afonso Lima Barreto. Nesse tempo de negação do sentimento, em que a arte ficou reduzida a um monte de pedras, redesenhar a palavra não será em vão.

LUIS TRIMANO  Rio de Janeiro 2012
   

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Trimano - "Poemas Ilustrados" - Ilustrações para "Como se inventaram os almanaques" de Machado de Assis - Retrato de Machado - nanquim


trimano - "Poemas Ilustrados" - Ilustrações para "Como se inventaram os almanaques" de Machado de Assis


Trimano - "Poemas Ilustrados" - Ilustrações para "Como se inventaram os almanaques" de Machado de Assis


E choviam almanaques, muitos deles entremeado
e adornados de figuras, de versos, de contos,
de anedotas, de mil coisas recreativas. E choviam.
E chovem. E hão de chover almanaques. O Tempo
os imprime, Esperança os brocha; é toda a oficina
da vida.

Trimano - "Poemas Ilustrados" - Ilustrações para "Como se inventaram os almanaques" de Machado de Assis - nanquim


Trimano - "Poemas Ilustrados" - Ilustrações para "Como se inventaram os almanaques" de Machado de Assis - nanquim


Trimano - "Poemas Ilustrados" - Ilustrações para "Como se inventaram os almanaques" de Machado de Assis - nanquim e colagem


Trimano - "Poemas Ilustrados" - Ilustrações para "Como se inventaram os almanaques" - de Machado de Assis


Trimano - "Poemas Ilustrados" - Ilustrações para "Como se inventaram os almanaques" de Machado de Assis


Outras vieram, à medida dos almanaques. 
Afinal a cabeça de Esperança ficou sendo um pico de neve,
a cara um mapa de linhas.
Só o coração era verde como acontecia ao Tempo, verdes ambos,
eternamente verdes.
Os almanaques iam sempre caindo.
Um dia, o Tempo desceu a ver a bela Esperança; achou-a anciã,
mas forte, com um perpétuo riso nos labios.
- Ainda assim te amo, e te peço... disse ele.

Trimano - "Poemas Ilustrados" - Ilustração para "Como se inventaram os almanaques" de Machado de Assis - nanquim