sábado, 12 de maio de 2012

O estúdio - ilustração para "Canto Geral" de Pablo Neruda - retrato de Marli - nanquim


O estúdio - duplo retrato de Fafá e Julio - estudos - nanquim e esferográfica


O estúdio - retrato de Fafá - estudo - nanquim


O estúdio - ilustrações para Lima Barreto - nanquim


O estúdio - ilustração para "Canto Geral" de Pablo Neruda - detalhe - nanquim


O estúdio - ilustração para Machado de Assis - estudo sobre escultura de Antoine Bourdelle.


O estúdio - Ilustrações para "Canto Geral" de Pablo Neruda


O estúdio - ilustração para "Canto Geral" de Pablo Neruda


sexta-feira, 11 de maio de 2012

ORIGAMI
ALICE INADA - BRASIL

Alice Inada


O origami é a arte mais popular de todos os artesanatos;
a arte é muito barata e pode ser feita em qualquer lugar
a qualquer tempo e não requer nenhum equipamento ou
instalações além de uma folha de papel e uma superficie
para poder trabalhar. No entanto a transformação de um
simples pedaço de papel em um agradável modelo de
origami é um tipo de alquimia, tal vez mais nos dias de hoje
com o crescimento da cultura de apertar botões, controlada
por computador e funcionando com bateria
A história do origami é bastante obscura, mas é claro que não
pode ser anterior à invenção do papel há dois mil anos atrás 
na China.
O mundo do origami não é chinés e sim japonés e é utilizado
no mundo inteiro com o respeito de ancestral da arte caseira.
Quando a China foi invadida pelo Japão em 610 DC, o segredo
da fabricação do papel viajou com eles e foi imediatamente
assimilado dentro da cultura japonesa, não somente como
origami, mas também como biombos, esteiras, bolsas, 
guarda-chuvas, roupas e muitos outros objetos.
Como uma indicação da importância do papel para os japoneses,
a palavra "origami" é formada por "ori" (dobrar) e "kami" que 
significa papel. ("kami" tornou-se "gami", quando combinado
com "ori") Na verdade, os primeiros modelos de origami foram
criados com propostas simbólicas ou religiosas, não para recreação.

Origami


Origami


Origami


Origami


Origami


Origami


Origami


Origami


Origami


Origami


Origami


Origami


quarta-feira, 4 de abril de 2012

Os Poetas
MARCOS ANA - A Guerra Civil Espanhola

Voluntário das Brigadas Internacionais


O material informativo de textos e imagens,
foi retirado de 3 livros: "Digam-me como é uma árvore - Memôrias" de Marcos Ana -
Umbriel Editores - Barcelona 2007 / "Morrer em Madrid" - Livro contendo
a fotografia do filme documentário de Fréderic Rossif, textos de Madeleine
Chapsal - París 1963 / "Atlas da Guerra Civil Espanhola" - Susaeta Edições - Madrid 2006 
MARCOS ANA - Fernando Macarro Castillo, mais conhecido
por Marcos Ana (pseudónimo formado com os nomes dos
seus pais). Poeta espanhol nascido no municipio de Alconada
em 1920. Filho de agricultores, teve a infância marcada por
extremada pobreza. Aos doze anos abandona os estudos e
começa a trabalhar para ajudar a familia. Aos decesseis 
ingressa nas Juventudes Socialistas. Em 1936 participa do inicio
da Guerra Civil, servindo nas milicias, no batalhão
"Libertad". Durante o conflito se filia ao Partido Comunista da Espanha.
Luta no Exército Republicano da Frente Popular. Em 1938, ao 19 anos
é preso pelos fascistas e recluido ao penal de Porlier. Depois do cautiveiro
em varios presídios, é libertado pela Anistia Internacional em 1961.
A partir desse momento da inicio a uma campanha internacional pela
anistia dos presos políticos espanhois da ditadura franquista. Em 2010,
Marcos Ana recebeu o prémio René Cassin dos Direitos Humanos.  

MARCOS ANA - Aos 19 anos ingressa no penal de Porlier


Retrato de Marcos Ana - foto: Sofia Moro 2007


"Digam-me como é uma árvore..."

Marcos Ana e José Saramago



Prólogo para Marcos Ana
                                                                                                                             José Saramago

“Digam-me como é uma árvore, digam-me como é a justiça”. Digam para ele Como é uma árvore, porque o cárcere, como um vampiro insaciável, vai absorvendo pouco a pouco as lembranças do mundo exterior. Digam lhe como é a justiça, porque ali onde ele se encontra, entre quatro paredes imundas, ou ante um pelotão de fuzilamento, esta é uma caricatura indigna, uma burla grotesca, a própria máscara do opróbrio.       Não precisam lhe dizer como é a dignidade porque ele a conhece intimamente, com ela, ele se tem acostado e com ela tem se levantado; comeram na sua mesa ou lhe ofereceram sua fome; e entre umas e outras horas, enfrentando carcereiros e verdugos, fechando os lábios e os dentes sob terríveis torturas, esses homens inventaram a dignidade humana em lugares onde, segundo as severas normas dos criminais, deveriam acabar perdendo-a.  Este livro de Marcos Ana nos conta como isso ocorreu. Se apresentando como memória de uma vida é muito mais que isso, não só porque seu autor repele todas e cada uma das tentações de se olhar complacente ante o espelho, senão, porque na verdade, o rompe, para que em seus múltiplos fragmentos, se reflitam os rostos de seus companheiros de infortúnio. O eu aqui sempre, é o nós.
     Este livro é uma lição de humanidade, não porque seu projeto e seu propósito tenha sido de lecionar aos leitores a respeito do caminho reto, como se destas páginas se tivesse que deduzir um código de ética ou um manual de regras de moralidade pública e privada. De uma forma que é ao mesmo tempo descarnado e poético, Marcos Ana examina e descreve, com sutil bisturi e um estilo seguro de seus recursos, a vida na prisão, seus heroísmos e seus desfalecimentos, a solidariedade convertida em instinto, a valentia como um hábito, sem o qual não seria possível sobreviver ao inferno dos dias e das noites, ao medo das madrugadas que traziam a morte, a longa espera duma liberdade, que para muitos deles nunca chegou. Diz para nos como é uma árvore para que não duvidemos de que alguma coisa no mundo, fora de estes muros, segue lutando contra a infâmia, contra a mentira, contra a crueldade enlouquecedora dos inimigos da vida. Diz para nos como é a justiça e onde está, para que lhe possamos arrancar a venda dos olhos e assim possa ver, finalmente, a qualquer um que, de verdade, tem estado servindo, mas que não nos digam como é a dignidade porque isso nos já sabemos, porque inclusive quando parecia que não era mais que uma palavra, nada mais, entendemos que era a pura essência da liberdade no seu sentido mais profundo, esse que nos permite dizer, contra a própria evidencia dos fatos, que estavamos prisioneiros, mas éramos livres. Este livro chega como um sopro de ar fresco, que vem para derrotar o cinismo, a indiferença, a covardia. Também demonstra que existe uma possibilidade real de chegar à esfera do verdadeiramente humano. Marcos Ana tem estado ali. Esteve e estará enquanto ele viva. Agradeçamos lhe a singeleza, a naturalidade com que ele é um homem. Inteiro, autêntico, completo.      

MARCOS ANA - Campanha internacional pela anistia dos presos políticos espanhois durante a ditadura franquista - Encontro com Pablo Neruda - Santiago do Chile 1963


MARCOS ANA - Capa de edição argentina - Buenos Aires 1963


A VIDA


Diz para mim como é uma árvore.
diz-me do canto do rio
quando se cobre de pássaros.
fala-me do mar, me fala
do largo cheiro do campo,
das estrelas, do ar.
recita-me um horizonte
sem chaves e sem fechaduras,
como a maloca de um pobre

Atlas da Guerra Civil Espanhola - A pesar da pouca simpatia que Hitler sentia por Franco, por causa do modelo da sua ditadura, mais próxima do tradicionalismo católico que do fascismo, a ajuda da Alemanha nazi, foi determinante para a queda da República.


Atlas da Guerra Civil Espanhola - "Detenha-se, o coração de Jesús está comigo!" Referência ao catolicismo unindo as bandeiras da Falange, e das potências fascistas Alemanha, Itália e Portugal.


Atlas da Guerra Civil Espanhola - A Falange, a Igreja e o Exército unidos na ditadura franquista.


Atlas da Guerra Civil Espanhola - Acabada a Guerra Civil, Franco e Hitler se encontraram em 23 de outubro de 1940, para tratar da possível inclussão da Espanha no conflito europeu, que não se realizou.


Atlas da Guerra Civil Espanhola. Durante a guerra, mais de 30.000 crianças foram enviadas a outros países. Na repressão que se seguiu a queda da República, 300.000 mil crianças foram vendidas ou adotadas com falsos registros, e os seus país, militantes ou participantes repúblicanos, assessinados pela ditadura franquista. Este tipo de prática somente acabou no final da década de 80.


Eduardo Arroyo - "Guernica" - óleo


"Morrer em Madrid" - Guernica 1937 - O general alemão Gailland, comandante da esquadrilla alemã, diría mais tarde: "Guernica não era um objectivo militar, foi apenas um lamentável erro."


"Morrer em Madrid" - Guernica 1937 - Intimidação da população civil. Os aviões eram "Heinkel 111" e "Junker 52" - O bombardeamento durou 3 horas. Mil seiscentos e cinquenta e quatro mortos. Foram testados os novos aparelhos que seriam utilizados na Segunda Guerra Mundial.


Pablo Picasso - "Cabeça gritando" - crayón 1937


Pablo Picasso - "Guernica 1937" 1 - vista parcial


Pablo Picasso - "Guernica 1937" 2 - vista parcial


terça-feira, 3 de abril de 2012

"Morrer em Madrid" - Desejados por Franco e abençoados pela igreja, os grandes massacres provocaram a indignação mundial.


Atlas da Guerra Civil Espanhola - 1936 - As milicias


"Morrer em Madrid" - Dolores Ibarruri "La Pasionaria ", deputada pelo Partido Comunista Espanhol, chama á união dos sindicatos e dos partidos: anarquistas do CNT e da F.A.I, catalães de Companys, socialistas do U.G.T e de Largo Caballero, bascos de Aguirre, marxistas do P.O.U.M, todos unidos como os dedos de uma mão! O punho fechado torna-se o símbolo da unidade.



"Morrer em Madrid" - Capa do livro referênte ao filme documentário de Frederic Rossif, com texto de Madeleine Chapsal - París 1963


diz para mim como é o beijo
duma mulher: me de o nome
do amor, eu não me lembro.


ainda as noites se perfumam
de trêmulos enamorados
de paixão sob a lua?


ou sô fica esta fossa,
a luz de uma fechadura
e a canção de minhas lajes?


vinte - e - dois... já esqueço
a dimenção das coisas,
sua cor, seu aroma... escrevo.


as palpadelas: "o mar", "o campo"...
digo "bosque" e perdi
a geometria de alguma árvore.


falo por falar, de coisas
que os anos me apagaram


(não posso seguir, escuto
as pisadas do custódio)
tradução: Eliseo Escobar 

"Morrer em Madrid" - Franco afirma: "Somos católicos. En España, ou se é católico ou não se é nada" / o cardeal Goma y Toma, primaz de Espanha, declara: "Não pode haver outra pacificação que não seja a das armas, convem extirpar toda a podridão da legislação laica" - montenhor Diaz Gomarra, bispo de Cartagena, diz: "Abençoados sejam os canhões se, nas brechas que abrirem, florir o Evangelho".


"Morrer em Madrid" - A Igreja Católica aliada ao franquismo


Atlas da Guerra Civil Espanhola - Divisa da Juventude Fascista Italiana - 1937 - com os lemas inscriptos: creer, obedecer, combater


Atlas da Guerra Civil Espanhola - Cruz de San Fernando, formada por 4 punhais, que Franco se outorgou a si mesmo em maio de 1939, no primeiro aniversário da "Victória".


General Franco - Enciclopédia Abril