quarta-feira, 7 de março de 2012

P.VERGER - "Candomblé de Joana de Oxum" Cerimônia africana - Salvador - Brasil 1946

P. VERGER - "Porto dos saveiros" - Salvador Brasil 1946-48

P. VERGER - "Cenas de rua" - Salvador - Brasil 1946 - 1959

P. VERGER - "Porto dos saveiros" - Salvador Brasil 1946-48

P. VERGER - "Porto" - Belém - brasil 1948

P. VERGER - "Porto" - Belém - Brasil 1948

P. VERGER - "Xangó Joana" - Recife - Brasil 1947

DEMOCRACIA CAPITALISTA

Trimano - "O Inquiridor" - nanquim e esferográfica

Trimano - "A Reunião" - nanquim e esferográfica

sexta-feira, 2 de março de 2012

Os Poetas
MARTA KELLY - Argentina
MARTA BEATRIZ KELLY  nasceu em Buenos Aires em 1943 /
É neta de galegos e irlandeses. A sua infãncia trancorreu
durante o governo peronista (1946-1955). Dessa época dirá
"só me lembro da chuva, a longa fila embaixo da chuva na
despedida a Evita, eu estava lá". Aos 15 anos o ator, diretor
e cantor de tangos Hugo del Carril a aconselha a entrar para
o Conservatório Nacional de Arte Dramática. A esses anos de estudo,
se segue um período de trabalho como atriz em televisão,
onde chegou a protagonizar novelas. Em discordância com o conteúdo
dos argumentos e os parlamentos impostos aos atores, se afasta da
televisão. Nos anos 70 participou do "Grupo Parque", liderado pelo
editor Miguel Grinberg e o compositor Luis Alberto Espinetta. Sobre
esses tempos de violenta ditadura, escreve: "contemplo a era
ortopédica, a terra dos vestigios, olhando como se evaporam as pontes..."
Em 1976 viaja ao Brasil, onde permanece por 8 meses. Essa viagem
lhe revela o caminho da meditação. Nos anos seguintes teve 6 filhos
e realizou estudos de terapias alternativas e astrologia. Na atualidade,
mora em Buenos Aires.
Série "PARTITURA" - Ilustrações de Trimano
sobre poemas de Marta Kelly

Série "Partitura"

ETÉREO VINHEDO

Francos os pés
correm
louco o coração
golpeia
frenéticas as mãos
aferram
o etéreo vinhedo
de minha alma

Terá pastado a ovelha
no meu campo?
A ameixa aquela entregou
todas suas flores!
A orquídea caída
naquele mato
teria sido vista tão só por mim?
Que conjunção de gestos
estelares nos reúne?
Senti naquela vez claramente
que o ponto de meu corpo
no espaço era
a cruz.
Hoje eu mordo essa ameixa
e nada mais.
As lembraças me atravessam
como trens que partem
em direções

Série "Partitura" - (detalhe)

Infinito apertado
num bolso
na plataforma
puxando os bilhetes quando
o punico
que pode nos levar
ao lugar certo
é o estar alí presentes
deixar uma e mil vezes
tudo atrás
e dar um paso
ao vácuo
com o olhar brilhante

Marta Kelly
tradução: Eliseo Escobar

Série "Partitura"

Série "Partitura" - (detalhe)

Série "Partitura"

Série "Partitura" - (detalhe)

Série "Partitura"

Série "Partitura" - (detalhe)

quinta-feira, 1 de março de 2012

Série "Partitura"

ELIJO

Patíbulo de mesa
alimento tardío
o caído receita frutos
de Tánatos
refletidos estudos
aos ratos a macacos a coelhos
"de laboratório", dizem.

Eles nos antecedem
"É honrosa", falam
pelo famoso bem
dos humanos

Série "Partitura"

Experimentam. Ex-peri-mentam .
alguma vez fomos
humanos
de húmus fumegantes
de fogo de ar
de terra de água
fomos já alguma vez
gota de misericórdia
extensão do êxtase

Onde está meu irmão
amanhecido
degustando o orvalho
das flores?

Elijo me sentar
nesta mesa
que me nutre
o perfume
do intacto.

Marta Kelly
tradução: Eliseo Escobar


Série "Partitura"

Série "Partitura" - (detalhe)

Série "Partitura"

Série "Partitura"

Série "Partitura" - (detalhe)

ARDE

Desataram os cavalos
do medo
e começõu o caos:
palavras galopadas

Precipitações de genes
galopando
galopando-me.
Fúria de antecessores
sem pálpebras
almejando a gota
perolada de identidade.

Este enxofre errabundo
este mercúrio que sangra
acontece em mim.

Finalmente
eu sou a sarça
que arde

Marta Kelly
tradução: Eliseo Escobar

Série "Partitura"

Série "Partitura" - (detalhe)

Série "Partitura"

Série "Partitura" - (detalhe)

SEM OPÇÃO

Que seja lápida
esta pedra
de condensações
de humores
esta prisão da dor.
Terão me sacado
alguma vez o coração?
com uma faca
de pedra
num altar de pedra 
em nome da´prosperidade
de um povo
subindo degrau por degrau
sem opção na manhã
de sol.

Série "Partitura"

Aquí estamos
neste pilão
de purificações
onde o que masseira
exorciza
as pisadas na matéria
minuciosamente pulveriza
todas nossas identidades
sabendo que no fim
vai ficar

uma emanação
do real

Marta Kelly
tradução: Eliseo Escobar

Série "Partitura" - (detalhe)

FACES
O retrato fotográfico
Na Bíblia gerações passam num parágrafo, uma traição expõe-se
numa frase, a criação do mundo ocupa uma página. Entre uma
multidão, nunca pude distinguir a dinastia importante, vocês deven ter
a fronte iluminada para poderem ver na teia emaranhada das evidências
diárias as negativas e as lealdades. Quem pode assinalar a oliveira que
a história escolhe para dar sombra aos seus amantes? Que árvore do
grandioso pomar poderá oferecer a visão particular da folhagem e
do céu para desencadear os seus beijos? Apenas duas pessoas iluminadas
que vão diretamente às raízes em que repousam. Pela minha parte
limito-me a descrever o pomar inteiro.
Leonard Cohen - de Filhos da Neve

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Marion Palfi - "Georgia" - 1949

Clarence White - 'Retrato" - 1908

Julia Margaret Cameron - "Retrato de Alice Liddell"

Julia Margaret Cameron - "Retrato de Eleanor Locker" - 1869

Um cometa é uma vítima podes ter a certeza /
ama-lo porque se arrasta /
bastante lento para que te consideres o dono /
bastante forte para te chamar insensato /
porque vive /
como um desesperado falcão domesticado /
no alto de uma brisa suave /
e podes descê-lo num instante /
e metêlo numa gaveta //
Um cometa é um peixe que pescaste /
num charco onde não havia peixes /
Podes brincar com ele durante muito tempo /
desde que o faças com cuidado /
na esperança de que ele não te abandone /
ou a brisa se desvaneça
Um cometa é o último poema que escrevestes /
e lança-lo ao vento /
mas não o deixes fujir /
até que alguém te arranje /
outra coisa que fazer //
Um cometa é um acordo glorioso /
que celebraste com o sol /
E travas amizade com o campo /
com o rio e o vento /
e passas a última e fria noite a rezar /
sob a lua livre e vagabunda /
para que te faça perfeito e lírico e puro /
Leonard Cohen - de Filhos da Neve

foto:Josef Koudelka - (vista parcial)

Paul Strandt - "Cega"

Ansel Adams - "Alaska" - 1949

Ansel Adams - "California" - 1960

Ansel Adams - "New México" - 1961