O propósito deste blog é o de mostrar o trabalho do ilustrador,independente das regras impostas pelo mercado,nas quatro disciplinas praticadas por mim, em diferentes momentos e veículos: A Caricatura na Imprensa,A Ilustração na Imprensa,A Ilustração Editorial e O Poema Ilustrado. Também são mostradas modalidades diferentes das mesmas propostas como: Montagens das exposições e a revalorização do painel mural, através das técnicas de reprodução digital em baner.
quinta-feira, 1 de março de 2012
Experimentam. Ex-peri-mentam .
alguma vez fomos
humanos
de húmus fumegantes
de fogo de ar
de terra de água
fomos já alguma vez
gota de misericórdia
extensão do êxtase
Onde está meu irmão
amanhecido
degustando o orvalho
das flores?
Elijo me sentar
nesta mesa
que me nutre
o perfume
do intacto.
Marta Kelly
tradução: Eliseo Escobar
alguma vez fomos
humanos
de húmus fumegantes
de fogo de ar
de terra de água
fomos já alguma vez
gota de misericórdia
extensão do êxtase
Onde está meu irmão
amanhecido
degustando o orvalho
das flores?
Elijo me sentar
nesta mesa
que me nutre
o perfume
do intacto.
Marta Kelly
tradução: Eliseo Escobar
ARDE
Desataram os cavalos
do medo
e começõu o caos:
palavras galopadas
Precipitações de genes
galopando
galopando-me.
Fúria de antecessores
sem pálpebras
almejando a gota
perolada de identidade.
Este enxofre errabundo
este mercúrio que sangra
acontece em mim.
Finalmente
eu sou a sarça
que arde
Marta Kelly
tradução: Eliseo Escobar
Desataram os cavalos
do medo
e começõu o caos:
palavras galopadas
Precipitações de genes
galopando
galopando-me.
Fúria de antecessores
sem pálpebras
almejando a gota
perolada de identidade.
Este enxofre errabundo
este mercúrio que sangra
acontece em mim.
Finalmente
eu sou a sarça
que arde
Marta Kelly
tradução: Eliseo Escobar
Na Bíblia gerações passam num parágrafo, uma traição expõe-se
numa frase, a criação do mundo ocupa uma página. Entre uma
multidão, nunca pude distinguir a dinastia importante, vocês deven ter
a fronte iluminada para poderem ver na teia emaranhada das evidências
diárias as negativas e as lealdades. Quem pode assinalar a oliveira que
a história escolhe para dar sombra aos seus amantes? Que árvore do
grandioso pomar poderá oferecer a visão particular da folhagem e
do céu para desencadear os seus beijos? Apenas duas pessoas iluminadas
que vão diretamente às raízes em que repousam. Pela minha parte
limito-me a descrever o pomar inteiro.
Leonard Cohen - de Filhos da Neve
numa frase, a criação do mundo ocupa uma página. Entre uma
multidão, nunca pude distinguir a dinastia importante, vocês deven ter
a fronte iluminada para poderem ver na teia emaranhada das evidências
diárias as negativas e as lealdades. Quem pode assinalar a oliveira que
a história escolhe para dar sombra aos seus amantes? Que árvore do
grandioso pomar poderá oferecer a visão particular da folhagem e
do céu para desencadear os seus beijos? Apenas duas pessoas iluminadas
que vão diretamente às raízes em que repousam. Pela minha parte
limito-me a descrever o pomar inteiro.
Leonard Cohen - de Filhos da Neve
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Um cometa é uma vítima podes ter a certeza /
ama-lo porque se arrasta /
bastante lento para que te consideres o dono /
bastante forte para te chamar insensato /
porque vive /
como um desesperado falcão domesticado /
no alto de uma brisa suave /
e podes descê-lo num instante /
e metêlo numa gaveta //
Um cometa é um peixe que pescaste /
num charco onde não havia peixes /
Podes brincar com ele durante muito tempo /
desde que o faças com cuidado /
na esperança de que ele não te abandone /
ou a brisa se desvaneça
ama-lo porque se arrasta /
bastante lento para que te consideres o dono /
bastante forte para te chamar insensato /
porque vive /
como um desesperado falcão domesticado /
no alto de uma brisa suave /
e podes descê-lo num instante /
e metêlo numa gaveta //
Um cometa é um peixe que pescaste /
num charco onde não havia peixes /
Podes brincar com ele durante muito tempo /
desde que o faças com cuidado /
na esperança de que ele não te abandone /
ou a brisa se desvaneça
Um cometa é o último poema que escrevestes /
e lança-lo ao vento /
mas não o deixes fujir /
até que alguém te arranje /
outra coisa que fazer //
Um cometa é um acordo glorioso /
que celebraste com o sol /
E travas amizade com o campo /
com o rio e o vento /
e passas a última e fria noite a rezar /
sob a lua livre e vagabunda /
para que te faça perfeito e lírico e puro /
Leonard Cohen - de Filhos da Neve
e lança-lo ao vento /
mas não o deixes fujir /
até que alguém te arranje /
outra coisa que fazer //
Um cometa é um acordo glorioso /
que celebraste com o sol /
E travas amizade com o campo /
com o rio e o vento /
e passas a última e fria noite a rezar /
sob a lua livre e vagabunda /
para que te faça perfeito e lírico e puro /
Leonard Cohen - de Filhos da Neve
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Nas etapas dessa viagem /
as grandes árvores à sombra das quais adormece /
transformam-se em cinza e desfazem-se /
Pomares inteiros os leva o vento /
como um voo de corvos levantando-se do chão /
As pedras se convertem em água e a água no deserto/
E enquanto Isaías sussurra docemente uma palavra para /
absolver a nação culpada /
todos os homens verdadeiramente solitários e tristes /
contemplam os rostos radiantes de beleza /
uns dos outros
Leonard Cohen - de Filhos da Neve
as grandes árvores à sombra das quais adormece /
transformam-se em cinza e desfazem-se /
Pomares inteiros os leva o vento /
como um voo de corvos levantando-se do chão /
As pedras se convertem em água e a água no deserto/
E enquanto Isaías sussurra docemente uma palavra para /
absolver a nação culpada /
todos os homens verdadeiramente solitários e tristes /
contemplam os rostos radiantes de beleza /
uns dos outros
Leonard Cohen - de Filhos da Neve
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Elegí um país solitário /
renunciei ao amor /
desprezei a fraternidade da guerra /
limpei a minha lingua com pedra-pomes da lua /
pus a minha alma a flutuar em licor de cereja /
uma barca perfumada para os Senhores da Memória /
para me descontrair enquanto bebia e susurrava /
a minha reserva de fogo
Leonard Cohen - de Filhos da Neve
renunciei ao amor /
desprezei a fraternidade da guerra /
limpei a minha lingua com pedra-pomes da lua /
pus a minha alma a flutuar em licor de cereja /
uma barca perfumada para os Senhores da Memória /
para me descontrair enquanto bebia e susurrava /
a minha reserva de fogo
Leonard Cohen - de Filhos da Neve
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