O propósito deste blog é o de mostrar o trabalho do ilustrador,independente das regras impostas pelo mercado,nas quatro disciplinas praticadas por mim, em diferentes momentos e veículos: A Caricatura na Imprensa,A Ilustração na Imprensa,A Ilustração Editorial e O Poema Ilustrado. Também são mostradas modalidades diferentes das mesmas propostas como: Montagens das exposições e a revalorização do painel mural, através das técnicas de reprodução digital em baner.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Nas etapas dessa viagem /
as grandes árvores à sombra das quais adormece /
transformam-se em cinza e desfazem-se /
Pomares inteiros os leva o vento /
como um voo de corvos levantando-se do chão /
As pedras se convertem em água e a água no deserto/
E enquanto Isaías sussurra docemente uma palavra para /
absolver a nação culpada /
todos os homens verdadeiramente solitários e tristes /
contemplam os rostos radiantes de beleza /
uns dos outros
Leonard Cohen - de Filhos da Neve
as grandes árvores à sombra das quais adormece /
transformam-se em cinza e desfazem-se /
Pomares inteiros os leva o vento /
como um voo de corvos levantando-se do chão /
As pedras se convertem em água e a água no deserto/
E enquanto Isaías sussurra docemente uma palavra para /
absolver a nação culpada /
todos os homens verdadeiramente solitários e tristes /
contemplam os rostos radiantes de beleza /
uns dos outros
Leonard Cohen - de Filhos da Neve
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Elegí um país solitário /
renunciei ao amor /
desprezei a fraternidade da guerra /
limpei a minha lingua com pedra-pomes da lua /
pus a minha alma a flutuar em licor de cereja /
uma barca perfumada para os Senhores da Memória /
para me descontrair enquanto bebia e susurrava /
a minha reserva de fogo
Leonard Cohen - de Filhos da Neve
renunciei ao amor /
desprezei a fraternidade da guerra /
limpei a minha lingua com pedra-pomes da lua /
pus a minha alma a flutuar em licor de cereja /
uma barca perfumada para os Senhores da Memória /
para me descontrair enquanto bebia e susurrava /
a minha reserva de fogo
Leonard Cohen - de Filhos da Neve
domingo, 26 de fevereiro de 2012
FB - Bom, acho que nosso sentido de aparência é o tempo todo
assaltado pela fotografia e pelo filme. De modo que, quando uma pessoa olha para uma coisa, ela está não só olhando-a diretamente mas também olhando-a sob o
efeito do impacto que a fotografia ou o filme já causaram nela. E 99% das vezes
acho as fotografias muito mais interessantes do que a pintura figurativa ou
abstrata. Elas sempre exercem um impacto sobre mim.
assaltado pela fotografia e pelo filme. De modo que, quando uma pessoa olha para uma coisa, ela está não só olhando-a diretamente mas também olhando-a sob o
efeito do impacto que a fotografia ou o filme já causaram nela. E 99% das vezes
acho as fotografias muito mais interessantes do que a pintura figurativa ou
abstrata. Elas sempre exercem um impacto sobre mim.
FB - Acho que é a proximidade muito grande que elas tem
com o fato; isso me faz retornar ao fato ainda mais violentamente.
Através da foto começo a divagar sobre a imagem e meu pensamento
vai captando sua realidade mais finamente do que conseguiria apenas
com os olhos. E as fotografias não são somente pontos de referência;
muitas vezes elas são detonadoras de idéias.
com o fato; isso me faz retornar ao fato ainda mais violentamente.
Através da foto começo a divagar sobre a imagem e meu pensamento
vai captando sua realidade mais finamente do que conseguiria apenas
com os olhos. E as fotografias não são somente pontos de referência;
muitas vezes elas são detonadoras de idéias.
sábado, 25 de fevereiro de 2012
FB - Bom, é evidente que elas tentam fazer um inventário
dos movimentos humanos - de certo modo, valem como um dicionário.
E tal vez esse negócio meu de pintar séries tenha saido dos livros de Muybridge,
onde as fases de um movimento estão mostradas em fotografías separadas.
Eu tive um livro que me influenciou muitíssimo: o Positioning in Radiography
(A posição em radiografia), com fotos que mostram as posições do corpo a ser radiografado, e as próprias chapas de radiografia.
dos movimentos humanos - de certo modo, valem como um dicionário.
E tal vez esse negócio meu de pintar séries tenha saido dos livros de Muybridge,
onde as fases de um movimento estão mostradas em fotografías separadas.
Eu tive um livro que me influenciou muitíssimo: o Positioning in Radiography
(A posição em radiografia), com fotos que mostram as posições do corpo a ser radiografado, e as próprias chapas de radiografia.
DS - Você, é claro, usou também essas fotografias mais literalmente
em quadros de animais e de paisagens. É interessante que a imagem fotográfica que mais lhe serviú não foi científica nem jornalística, mas veio de uma obra de arte famosíssima, a fotografia da babá gritando, que está em O Encouraçado Potemkim.
em quadros de animais e de paisagens. É interessante que a imagem fotográfica que mais lhe serviú não foi científica nem jornalística, mas veio de uma obra de arte famosíssima, a fotografia da babá gritando, que está em O Encouraçado Potemkim.
FB - Foi um filme que vi pouco antes de começar a pintar,
e ele me impressionou profundamente - não só o filme inteiro,
como também a sequência da escadaria de Odessa e dessa foto.
Eu tinha esperança de que ainda faria - não há aquí qualquer
sentido especial de caráter psicológico - tinha esperança de que
um dia faria o melhor quadro de grito humano que já se fez no mundo.
Não conseguí, mas ele está feito por Eisenstein, de maneira muito melhor,
e é isso aí. Na pintura, sou da opinião de que o melhor grito humano já
feito até hoje é o de Poussin.
e ele me impressionou profundamente - não só o filme inteiro,
como também a sequência da escadaria de Odessa e dessa foto.
Eu tinha esperança de que ainda faria - não há aquí qualquer
sentido especial de caráter psicológico - tinha esperança de que
um dia faria o melhor quadro de grito humano que já se fez no mundo.
Não conseguí, mas ele está feito por Eisenstein, de maneira muito melhor,
e é isso aí. Na pintura, sou da opinião de que o melhor grito humano já
feito até hoje é o de Poussin.
FB - É, que está em Chantilly. Lembro que, certa vez, passei três ou quatro
meses morando com minha familia perto dalí, tentando aprender francés,
e muitas vezes fui a Chantilly, e lembro que esse quadro sempre exerceu
um efeito terrível sobre mim. Outra coisa que me fazia pensar no grito humano
era um livro que, ainda muito jovem, comprei numa livraria em París, era um livro ilustrado com lindos desenhos coloridos sobre doenças que dão na boca;
os desenhos eram lindos e mostravam a boca aberta e o interior dela; as fotos
me deixaram fascinado e acabei obcecado por elas. E depois eu vi - ou tal vez até já tivesse visto naquela época - O Encouraçado Potemkim, e tentei usar a foto do
Potemkim como base sobre a qual eu também pudesse usar aquelas ilustrações
maravilhosas da boca humana. Mas nunca deu certo.
meses morando com minha familia perto dalí, tentando aprender francés,
e muitas vezes fui a Chantilly, e lembro que esse quadro sempre exerceu
um efeito terrível sobre mim. Outra coisa que me fazia pensar no grito humano
era um livro que, ainda muito jovem, comprei numa livraria em París, era um livro ilustrado com lindos desenhos coloridos sobre doenças que dão na boca;
os desenhos eram lindos e mostravam a boca aberta e o interior dela; as fotos
me deixaram fascinado e acabei obcecado por elas. E depois eu vi - ou tal vez até já tivesse visto naquela época - O Encouraçado Potemkim, e tentei usar a foto do
Potemkim como base sobre a qual eu também pudesse usar aquelas ilustrações
maravilhosas da boca humana. Mas nunca deu certo.
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