O propósito deste blog é o de mostrar o trabalho do ilustrador,independente das regras impostas pelo mercado,nas quatro disciplinas praticadas por mim, em diferentes momentos e veículos: A Caricatura na Imprensa,A Ilustração na Imprensa,A Ilustração Editorial e O Poema Ilustrado. Também são mostradas modalidades diferentes das mesmas propostas como: Montagens das exposições e a revalorização do painel mural, através das técnicas de reprodução digital em baner.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
domingo, 26 de fevereiro de 2012
FB - Bom, acho que nosso sentido de aparência é o tempo todo
assaltado pela fotografia e pelo filme. De modo que, quando uma pessoa olha para uma coisa, ela está não só olhando-a diretamente mas também olhando-a sob o
efeito do impacto que a fotografia ou o filme já causaram nela. E 99% das vezes
acho as fotografias muito mais interessantes do que a pintura figurativa ou
abstrata. Elas sempre exercem um impacto sobre mim.
assaltado pela fotografia e pelo filme. De modo que, quando uma pessoa olha para uma coisa, ela está não só olhando-a diretamente mas também olhando-a sob o
efeito do impacto que a fotografia ou o filme já causaram nela. E 99% das vezes
acho as fotografias muito mais interessantes do que a pintura figurativa ou
abstrata. Elas sempre exercem um impacto sobre mim.
FB - Acho que é a proximidade muito grande que elas tem
com o fato; isso me faz retornar ao fato ainda mais violentamente.
Através da foto começo a divagar sobre a imagem e meu pensamento
vai captando sua realidade mais finamente do que conseguiria apenas
com os olhos. E as fotografias não são somente pontos de referência;
muitas vezes elas são detonadoras de idéias.
com o fato; isso me faz retornar ao fato ainda mais violentamente.
Através da foto começo a divagar sobre a imagem e meu pensamento
vai captando sua realidade mais finamente do que conseguiria apenas
com os olhos. E as fotografias não são somente pontos de referência;
muitas vezes elas são detonadoras de idéias.
sábado, 25 de fevereiro de 2012
FB - Bom, é evidente que elas tentam fazer um inventário
dos movimentos humanos - de certo modo, valem como um dicionário.
E tal vez esse negócio meu de pintar séries tenha saido dos livros de Muybridge,
onde as fases de um movimento estão mostradas em fotografías separadas.
Eu tive um livro que me influenciou muitíssimo: o Positioning in Radiography
(A posição em radiografia), com fotos que mostram as posições do corpo a ser radiografado, e as próprias chapas de radiografia.
dos movimentos humanos - de certo modo, valem como um dicionário.
E tal vez esse negócio meu de pintar séries tenha saido dos livros de Muybridge,
onde as fases de um movimento estão mostradas em fotografías separadas.
Eu tive um livro que me influenciou muitíssimo: o Positioning in Radiography
(A posição em radiografia), com fotos que mostram as posições do corpo a ser radiografado, e as próprias chapas de radiografia.
DS - Você, é claro, usou também essas fotografias mais literalmente
em quadros de animais e de paisagens. É interessante que a imagem fotográfica que mais lhe serviú não foi científica nem jornalística, mas veio de uma obra de arte famosíssima, a fotografia da babá gritando, que está em O Encouraçado Potemkim.
em quadros de animais e de paisagens. É interessante que a imagem fotográfica que mais lhe serviú não foi científica nem jornalística, mas veio de uma obra de arte famosíssima, a fotografia da babá gritando, que está em O Encouraçado Potemkim.
FB - Foi um filme que vi pouco antes de começar a pintar,
e ele me impressionou profundamente - não só o filme inteiro,
como também a sequência da escadaria de Odessa e dessa foto.
Eu tinha esperança de que ainda faria - não há aquí qualquer
sentido especial de caráter psicológico - tinha esperança de que
um dia faria o melhor quadro de grito humano que já se fez no mundo.
Não conseguí, mas ele está feito por Eisenstein, de maneira muito melhor,
e é isso aí. Na pintura, sou da opinião de que o melhor grito humano já
feito até hoje é o de Poussin.
e ele me impressionou profundamente - não só o filme inteiro,
como também a sequência da escadaria de Odessa e dessa foto.
Eu tinha esperança de que ainda faria - não há aquí qualquer
sentido especial de caráter psicológico - tinha esperança de que
um dia faria o melhor quadro de grito humano que já se fez no mundo.
Não conseguí, mas ele está feito por Eisenstein, de maneira muito melhor,
e é isso aí. Na pintura, sou da opinião de que o melhor grito humano já
feito até hoje é o de Poussin.
FB - É, que está em Chantilly. Lembro que, certa vez, passei três ou quatro
meses morando com minha familia perto dalí, tentando aprender francés,
e muitas vezes fui a Chantilly, e lembro que esse quadro sempre exerceu
um efeito terrível sobre mim. Outra coisa que me fazia pensar no grito humano
era um livro que, ainda muito jovem, comprei numa livraria em París, era um livro ilustrado com lindos desenhos coloridos sobre doenças que dão na boca;
os desenhos eram lindos e mostravam a boca aberta e o interior dela; as fotos
me deixaram fascinado e acabei obcecado por elas. E depois eu vi - ou tal vez até já tivesse visto naquela época - O Encouraçado Potemkim, e tentei usar a foto do
Potemkim como base sobre a qual eu também pudesse usar aquelas ilustrações
maravilhosas da boca humana. Mas nunca deu certo.
meses morando com minha familia perto dalí, tentando aprender francés,
e muitas vezes fui a Chantilly, e lembro que esse quadro sempre exerceu
um efeito terrível sobre mim. Outra coisa que me fazia pensar no grito humano
era um livro que, ainda muito jovem, comprei numa livraria em París, era um livro ilustrado com lindos desenhos coloridos sobre doenças que dão na boca;
os desenhos eram lindos e mostravam a boca aberta e o interior dela; as fotos
me deixaram fascinado e acabei obcecado por elas. E depois eu vi - ou tal vez até já tivesse visto naquela época - O Encouraçado Potemkim, e tentei usar a foto do
Potemkim como base sobre a qual eu também pudesse usar aquelas ilustrações
maravilhosas da boca humana. Mas nunca deu certo.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
DS - Você ten usado constantemente a imagem de Eisenstein
como base e tem feito o mesmo com o Inocêncio X de Velázquez,
e tudo por meio de fotos e reproduções. Mas tem trabalhado também
em cima de reproduções de outros quadros de velhos mestres. Há
muita diferença entre trabalhar em cima da fotografia de um quadro
e trabalhar em cima de fotos instantâneas?
como base e tem feito o mesmo com o Inocêncio X de Velázquez,
e tudo por meio de fotos e reproduções. Mas tem trabalhado também
em cima de reproduções de outros quadros de velhos mestres. Há
muita diferença entre trabalhar em cima da fotografia de um quadro
e trabalhar em cima de fotos instantâneas?
FB - Olho sim, constantemente. Por exemplo,
estou procurando usar uma imagem que fiz mais ou menos em 1952 (83),
tentando colocá-la num espelho para que a figura apareça agachada
diante da própria imagem. Ainda não acertei, mas sempre acho que posso
trabalhar em cima de fotos de obras que fiz anos atrás, e não está ficando mau.
estou procurando usar uma imagem que fiz mais ou menos em 1952 (83),
tentando colocá-la num espelho para que a figura apareça agachada
diante da própria imagem. Ainda não acertei, mas sempre acho que posso
trabalhar em cima de fotos de obras que fiz anos atrás, e não está ficando mau.
FB - Bom, obviamente é muito mais confortável
pegá-las na sala de sua casa do que tirar um dia para ir à
National Gallery; mas assim mesmo estou sempre indo à
National Gallery; uma das razões é que quero ver a cor.
Mas se eu conseguisse ter Rembrandts espalhados pela sala,
não iria à National Gallery.
pegá-las na sala de sua casa do que tirar um dia para ir à
National Gallery; mas assim mesmo estou sempre indo à
National Gallery; uma das razões é que quero ver a cor.
Mas se eu conseguisse ter Rembrandts espalhados pela sala,
não iria à National Gallery.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
FB - É verdade. Mas também é verdade que naquela época
eu atravessava emocionalmente uma fase de extrema infelicidade.
E, apesar de abominar igrejas, passava a maior parte do tempo
na basílica de São Pedro, onde ficava simplesmente perambulando.
Mas a razão provável tal vez fosse o medo de ver a realidade do
Velázquez depois de ter remexido tanto nele, o medo de ver
aquele quadro maravilhoso e pensar nas besteiras que havia feito com ele.
eu atravessava emocionalmente uma fase de extrema infelicidade.
E, apesar de abominar igrejas, passava a maior parte do tempo
na basílica de São Pedro, onde ficava simplesmente perambulando.
Mas a razão provável tal vez fosse o medo de ver a realidade do
Velázquez depois de ter remexido tanto nele, o medo de ver
aquele quadro maravilhoso e pensar nas besteiras que havia feito com ele.
DS - Até agora só falamos de seu trabalho em cima
de fotografias que já existiam e que você escolheu.
No meio dessas havia instantáneos antigos que você usava
enquanto pintava o retrato de alguém que conhecia.
Mas nos últimos anos, quando você planeja fazer o retrato
de uma pessoa, me dá a impressão de que prefere usar um
jogo de fotografias tiradas especialmente para o que tenciona fazer.
de fotografias que já existiam e que você escolheu.
No meio dessas havia instantáneos antigos que você usava
enquanto pintava o retrato de alguém que conhecia.
Mas nos últimos anos, quando você planeja fazer o retrato
de uma pessoa, me dá a impressão de que prefere usar um
jogo de fotografias tiradas especialmente para o que tenciona fazer.
FB - Tem razão. Mesmo no caso dos amigos
que vem ao estúdio e posam, eu tiro fotos suas para os retratos,
porque prefiro trabalhar muito mais em cima delas do que
olhando para eles. Verdade seja dita: eu não poderia tentar fazer o retrato
em cima da fotografia de alguém que não conhecesse. Mas se eu conhecer,
e ainda por cima tiver a fotografia, acho que fica mais fácil trabalhar assim, mais do que com eles presentes no estúdio. Creio que, se eu estiver na presença da imagem,
não consigo me soltar tanto quanto se trabalhasse somente com a imagem
fotográfica. Pode ser simplesmente que isso se deva ao meu lado neurótico,
mas acho menos inibidor pintá-los de memória e de suas fotografias do que com
eles sentados diante de mim.
que vem ao estúdio e posam, eu tiro fotos suas para os retratos,
porque prefiro trabalhar muito mais em cima delas do que
olhando para eles. Verdade seja dita: eu não poderia tentar fazer o retrato
em cima da fotografia de alguém que não conhecesse. Mas se eu conhecer,
e ainda por cima tiver a fotografia, acho que fica mais fácil trabalhar assim, mais do que com eles presentes no estúdio. Creio que, se eu estiver na presença da imagem,
não consigo me soltar tanto quanto se trabalhasse somente com a imagem
fotográfica. Pode ser simplesmente que isso se deva ao meu lado neurótico,
mas acho menos inibidor pintá-los de memória e de suas fotografias do que com
eles sentados diante de mim.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
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