quinta-feira, 17 de junho de 2010

"Vietnã" 1968 - foto: Don McCullin

Ó línguas do mundo denunciai esta dor que não vemos / Ó vozes do mundo clamai pelo Amor que não sabemos / Ó sinos de dor elétrica, dobrai com insistência / Despertai na mente da América ó sinos a conciência
Quantas seremos nós pobres crianças perdidas? / De quem são filhas estas que vemos perderem suas vidas? / Que valem nossas almas se não mais nos importarmos? / Cantemos canções & choremos se ousamos -
Chora no chão do lado da casa onde o esgoto é derramado / Dorme dentro dos canos largados no campo enlameado / espera ao lado do poço. Maldito seja este mundo / onde bebés passam fome deitados num catre imundo!
Foi isso que no passado a mim mesmo causei? / Que hei de fazer? ao Poeta Sunil perguntei. / Não lhes dar nenhum dinheiro e então seguir em frente? / Ao prazer de minha carne devo tornar-me indiferente?

quarta-feira, 16 de junho de 2010

"Zuid-Chinese-Zee" 1971 - foto: Philip Jones Griffiths

"Oorlof Op de Stille Oceaan" 1944 - foto: W.Eugene Smith

"Ku Klux Klan" 1955 - foto: W.Eugene Smith

De nossas cidades e carros devemos nos esquecer? / Com nosso dinheiro em Marte o que poderemos fazer? / Quantos milhões em Nova Iorque neste exato momento / estão jantando satisfeitos um bom leitão suculento?
Quantos milhões de latas de cerveja são jogadas / nos Oceanos da Mãe? Quanto custa a Mãe aviltada? / Charuto sonhos de asfalto automóvel e gasolina / Poluindo o ar e escondendo as estrelas pequeninas -
Com um suspiro termina tua guerra interior / Com teu olho verte lágrimas e sente-lhes o sabor / Tem pena desses milhões que na TV planetária / tu vês iguais a fantasmas morrendo de fome em Samsara
Quantos milhões de crianças ainda hão de morrer nesse horror / antes que as Boas Mães percebam o Grande Senhor? / Quantos bons pais com seus impostos hão de sustentar / Exércitos que matam criancinhas sem parar?

"Yasser Arafat - Ramallah, Palestina 2002 - foto: Bruno Stevens

"Muzaffarabad, Kasjmir 2005 - foto: Bruno Stevens

"Guinee Bissau" - foto: Ami Vitale

Quantas almas caminhar na dor na ilusão / Quantos bebés na chuva na solidão? / Quantas familias perdidas desamparadas? / Quantas avós sofridas desesperadas?
Quantos amores a quem falta pão? / Quantas Tias baleadas no chão? / Quantas irmãs com crânios esmagados? / Quantos avôs para sempre calados?
Quantos pais sofridos / Quantos filhos perdidos? / Quantas filhas sem nada pra comer? / Quantos tíos com os pés a doer?
Milhões de bebés no sofrimento / Milhões de mães ao relento / Milhões de irmãs sofridas / Milhões de crianças perdidas. / ALLEN GINSBERG - novembro de 1971 Tradução de Paulo Henriques Brito

"Irak" 2004 - foto: Paolo Woods

HIERONYMUS BOCH / A Caricatura na Pintura

"A Paixão de Cristo" - óleo sobre tela

HIERONYMUS BOCH - Flandes 1450 - 1516 / Pseudónimo de Jeroen van Aeken. Pintor e gravador. Mostrou nas suas pinturas, o obscurantismo religioso que permeaba a sociedade medieval na Europa dos séculos XV e XVI, utilizando figuras simbólicas e caricaturais para julgar os valores impostos pela Inquisição, em disparatadas cenas de "pecado" e "tentação". Recebeu influência de Matthias Grunewald e Albrecht Dürer, sendo considerado precursor do Surrealismo e o Expressionismo. Na Espanha é também conhecido como "El Bosco". Boch pertenceu a uma das muitas seitas que na época se dedicavam as ciências ocultas, adquirindo conhecimentos sobre os sonhos e a alquimia, se dedicando profundamente a ésta ultima. Por essa ração e pelo tom crítico das suas imagens, foi perseguido pela Inquisição. Sua obra sofreu influência dos rumores do "Apocalipse", que surgiram perto de 1500, expressos na sua tela "O Juizo Final" ou (O Triunfo da Morte). Desenhista minucioso e eximio colorista, utilizou estes dotes para criar composições onde reina o "diabolismo", apresentando em tom satírico e moralizante, os vicios e temores de ordem religiosa que afligiam o homem medieval. No quadro "Paixão de Cristo", a figura humanizada de Jesús, contrasta com as faces animalescas dos seus captores e carrascos, representantes do poder estabelecido. Boch é considerado o primeiro artista fantástico da História da Arte. Obras: "O Jardim das Delicias" / "O Juizo Final" / "As Tentações de santo Antonio" "Os Sete Pecados Capitais" / "A Nau dos Insensatos" e "A Morte e o Avarento"

Paixão I - detalhe

Paixão II - detalhe

Paixão III - detalhe

AZAZEL - IRA

Paixão IV - detalhe

ASMODEUS - LUXÚRIA

Paixão V - detalhe

Paixao VI - detalhe

BELPHEGOR - PREGUIÇA

Paixão VII - detalhe

Paixão VIII - detalhe

BELZEBU - GULA

Paixão IX - detalhe

MAMMON - GANÃNCIA

Paixão X - detalhe

LEVIATÃ - INVEJA

Paixão XI - detalhe

LUCIFER - ORGULHO

Paixão XII - detalhe

segunda-feira, 14 de junho de 2010

ROBERTO BROULLON Desenhos "Poetar é questionar"

Broullon no seu estudio

ROBERTO BROULLON - Argentina 1932 / pintor, desenhista e poeta. Faz parte de uma geração, que, tendo passado pelos ateliers dos mestres do realismo social argentino, pelo rigor quase "renascentista" dos seus ensinamentos, foi influenciada pela linha que o Expressionismo adotou em Buenos Aires no inicio dos anos 60, chamada de "Nova Figuração". Mesmo utilizando os comentários filosóficos e políticos carateristicos da figuração argentina, Broullon trabalhou, desde o inicio, a forma de maneira experimental, rompendo moldes e chegando ao abstracionismo. Nestes desenhos, que lembram os trabalhos dos integrantes do grupo holandés "Cobra", não descarta o humor "caricato", tradicional no Expressionismo. Entre 2000 e 2004 fundou e publica o boletim de arte "La Boca del Caballo" É casado com a poeta francesa Danielle Camus, com quem tem realizado trabalhos de poesia coletivos. Mora e trabalha em Buenos Aires.

"los ojos del pintor Roberto Broullon!" - foto: Horacio Clemente

comentários - nanquim sobre papel

sem título - nanquim sobre papel

hacia otro lado - nanquim sobre papel

Poetar é questionar o institucional da arte, a poesia mostra o caminho
Não devem existir evasivas, não devem existir "escudos de arte"
Não existem momentos que durem mais do que isso
Em arte não cabe aposentadoria que nos salve do desamparo
A poesia é a intempérie sem fim (Juan "L" Ortiz, Juan Gelman, Sicardi, Pound, e outros, o confirmam)
A felicidade consiste em acariciar o mistério
Acreditar que alcançamos o impossível
Se conformar com o logro... chegar ao final do caminho, sem perder o caminho
Quem devora seus sonhos, acaba ficando vazio. Roberto Broullon

domingo, 13 de junho de 2010

la gorda y su perro patan - nanquim sobre papel

inflables II - caneta esferográfica

recontraconcent... - tinta sobre papel

"bicentenário: dos lecturas" - nanquim sobre papel

hacia otro lado - nanquim sobre papel

humanimaloide - caneta esferográfica

retrati dek oeta José Peroni - tinta sobre papel

5 perfís de Natalhie

segunda-feira, 24 de maio de 2010

JOÃO SÁNCHEZ / Xilogravuras Histórias Cariocas
JOÃO SANCHEZ - Rio de Janeiro 1980 / Integrante do grupo "Cavalo Preto"

Histórias cariocas - detalhe - retrato

Acreditando no desenvolvimento de uma nova geração, como jovens que traziam em si o futuro, reclamando liberdade para os seus gestos, para as suas vidas, Kirchner, Fritz Bleyl, Heckel e Schmidt-Rottluff, cheios de emoção e de fé, criaram a Brücke (A Ponte). "Éramos moços e essa idéia nos empolgava, como se tratasse da criação do mundo", disse Schmidt-Rottliff. O renascimento da gravura em madeira foi uma das mais importantes contribuições de Die Brücke para a arte moderna. Munch, Gauguin, Van Gogh, a escultura africana, os Fauves e as primitivas gravuras alemãs em madeira, contribuiram para o Die Brücke em geral. Para Otto Maria Carpeaux, "o expressionismo foi e é uma manifestação universal, artística, literária, filosófica: um estilo de vida e de cultura". João Sánchez estudou a obra dos mestres do Expressionismo com o qual, segundo Hélio Jesuíno, "estabeleceu vínculos profundos. A esta influência acrescentou elementos plásticos e temáticos do cordel nordestino. Fundindo o traço refinado dos primeiros à força telúrica dos segundos, João Sánchez criou uma estética própria que passa ainda pelo universo pop dos quadrinhos". J. Sánchez concebe a gravura como criação original; conversa acerca da vida - dos seus aspectos: futebol, crianças, e pássaros, guerreiros e retratos, discorre sobre a vida do mundo do homem comum - que por qualquer motivo é centro de atenções e, por fim, transforma em obra de arte a concepção sensível da sua experiência. / ADIR BOTELHO

Histórias cariocas - xilogravura

Histórias cariocas - detalhe - retrato

Histórias cariocas - detalhe

Histórias cariocas - detalhe - retrato

Histórias cariocas - xilogravura