terça-feira, 11 de maio de 2010

BUNRAKU

BUNRAKU - Manipulador de bonecos

O narrador

BUNRAKU - Manipuladores de bonecos

SONEZAKI SHINJU / Os Amantes Suicidas de Sonezaki / ORIGEM / Esta peca, uma das mais populares do repertório Bunraku, foi encenada pela primeira vez em 1703 e consituiu-se no primeiro sewamono, gênero teatral que tem por tema a vida do cidadão comum. De autoria do teatrólogo Chikamatsu Monzaemon, a obra é a dramatização de um sensacional caso de amantes suicidas ocorrido em Osaka, e foi levada ao palco decorrido apenas um mês do incidente real. É também a primeira de uma série de peças elaboradas por Chikamatsu enfocando casos de amantes suicidas, obras de grande valor dramático e literário pelo realismo e pela beleza poética dos textos.// Naquela época, o suicidio de amantes pareceu muitas vezes a única alternativa restante para alguns casais que, por circunstâncias alheias à sua vontade, não podiam se unir nesta vida. Mas enquanto os conflitos que conduzem à morte dos amantes são descritos em linguagem realística, suas mortes são mostradas de maneira muito poética. A cena final - Michiyuki: a viagem para a morte no bosque do Santuário Tenjin - começa com algumas das mais famosas linhas da literatura japonesa e mostra, em atmosfera de sonho, uma ponte para a transição do casal entre este e o outro mundo.

BUNRAKU - Manipulador de bonecos

Primeiro ato / Diante do Santuário Ikutama

Sonezaki Shinju

Sonezaki Shinju

Segundo ato / A Casa de Chá Tenmaya, na zona de meretricio em Sonezaki

Terceito ato / Michiyuki: a viagem para a morte no bosque do Santuário Tenjin

Tradicional Japonés

segunda-feira, 10 de maio de 2010

GRAVADORES BRASILEIROS CONTEMPORÂNEOS
Texto; PEDRO SANCHEZ - gravador / extraído do catálogo da exposição Gráficos Rio - MNBA 2009
A ilustração e a gravura, embora hoje distintas e independentes, foram confluentes no inicio da história das artes gráficas. A possibilidade de se gravar imagens diretamente a partir de registros fotográficos tornou a reprodução iconográfica independente das técnicas tradicionais de gravação. Neste processo, estas sofrem um abalo, por assim dizer, justamente no ponto que atuou como força motriz no seu processo de desenvolvimento. Paralelamente, a ilustração de jornais, revistas ou livros pôde doravante dotar-se de aspectos especificamente desenhísticos.

Lasar Segall - Vilna - Lituânia 1891 / São Paulo - SP 1957

"Dor", 1909
litografia / 48 x 32 cm

Oswaldo Goeldi - Rio de Janeiro - RJ 1895 - 1961

"Pescadores", 1950
xilogravura / 21 x 27,5 cm

Livio Abramo - Araraquara SP 1903 / Assunção - Paraguai 1992

"Vila operaria", 1935 /
xilogravura / 25 x 24 cm

Nori Figueiredo - São Paulo - SP 1949

"Caranquejo aos citricos", 1993 /
do álbum "Frutos do mar" /
mezzotinta / 25 x 26,3 cm

Sérgio de Moraes - São Paulo - SP 1951

"Politpias", 1999
linoleogravura
58 x 43,2 cm

Aldemir Martins - Ingazeiras - Ceará 1922 / São Paulo 2006

Caranguejo, 1974 /
litigrafia / 35 x 53 cm

Ely Bueno - Rio de Janeiro - RJ 1923

Série "Retrato de Jovem", 1993 /
água-forte e água-tinta /
38,5 x 26,8 cm

Octávio Araújo - Terra Rocha - SP 1926

"Enigma da Imanência", 1972 /
litografia / 66,5 x 50,3 cm

Axl Leskoschek - Graz - Áustria 1889 / Viena 1975

"A cidade" - sem data /
do álbum "Ilustrações de Axl Leskoschek
para Dostoievski" / xilogravura / 34 x 23 cm
A difusão dos meios fotomecânicos não afasta necessariamente as técnicas tradicionais do meio editorial (nossos pioneiros artistas-gravadores, nas décadas de 30 e 40, particularmente, encontraram na ilustração jornalística e editorial um campo de atuação profissional ); tampouco destitui a gravura de todo uso aplicado (técnicas arcaicas e moderníssimas de reprodução de imagens sempre coexistiram como coexistem hoje); nem mesmo libera a gravura para uma utilização artística (evidencia, isso sim, o caráter interessado, mais que propriamente expressivo, da maioria das gravuras abertas até então: doravante, seria predominantemente por sua potencialidade plástica que os artistas se voltaram aos meios artesanais de reprodução de imagens).

Maciej Antoni Babinski - Varsóvia - Polônia 1931

Sem título, 1967 / água-forte /
17,5 x 19,9 cm

João Câmara - João Pessoa - Paraiba 1944

"Exit", 1974 - da série "Cenas da vida
brasileira / 1930 - 1954" / litografia /
56,5 x 66,5 cm

Adir Botelho - Rio de Janeiro - RJ 1932

"Canudos" 1987 xilogravura
60,5 x 47 cm

Henrique Oswald - Rio de janeiro - RJ 1918 - 1965

"A inflação", 1944 - 1950 /
ponta-seca, água-forte e água tinta /
29 x 36,5 cm

Antonio Henrique Amaral - São Paulo - SP 1935

"A mesma lingua", 1967 /
xilogravura - 61,5 x 99 cm

Renina Katz - Rio de Janeiro - RJ 1925

"Retirantes" - sem data /
xilogravura / 23 x 29 cm

Glênio Bianchetti - Bagé - RS 1928

"Jogo do osso", 1955 / Linoleogravura / 34 x 49 cm

Danúbio Gonçalves - Bagé - RS 1925

"Zorra", 1952 / da série "Xarqueada" / xilogravura /
23,6 x 30,3 cm

Leo Dexheimer - Porto Alegre - RS 1935

"Brinquedo de rua", 1958 /
xilogravura / 34 x 45 cm

Trindade Leal - Santana do Livramento - RS 1927

"O Lobisomem", 1957 /
do álbum "O Lobisomem - 8 Gravuras
de Trindade Leal / Xilogravura - 21.5 x 19 cm
Embora a apropriação das técnicas de reprodução de imagens por parte de artistas tenha se dado, muitas vezes, em contextos em que estas já haviam sido deslocadas a uma posição de relativa obsolescência funcional - vide a xilogravura moderna, desde Gauguin e Munch - isso não afasta o fato de que, em diversas ocasiões, artistas tenham-se voltado expressivamente para técnicas de reprodução de imagens então corriqueiramente utilizadas, enxergando nestas a possibilidade de uma atuação direta.

Mário Gruber - Santos - SP 1927

"Anjos da Renascença Brasileira - 5", 1981 / água-forte e água-tinta /
28,2 x 36,8 cm

Rubens Matuck - São Paulo - SP 1952

Sem título, 1999 / ponta-seca /
53,4 x 79,1 cm

Newton Cavalcanti - Bom Conselho - Pernambuco 1930 / Rio de Janeiro 2006

"Baile de máscaras"- sem data /
xilogravura / 33,5 x 43,8 cm

Hansen Bahia - Hamburgo (Alemanha) 1915 / São Félix - Bahia 1978

"Dor" 1960 / do álbum "Navio Negreiro" /
xilogravura - 29 x 42,2 cm

Henrique Leo Fuhro - Rio Grande - RS 1938

"Lance" 1969 /
buril, slpoliestireno de alta resistência /
49,2 x 37 cm

Marco Buti - Empoli - Itália 1953

Sem título, 1985 /
ponta-seca e água-tinta / 45 x 53 cm

Carlos Martins - Araçatuba - SP 1946

"Canto 6" / do álbum "10 cantos" /
gravuras realizadas de 1976 a 1981 /
água-forte e água-tinta / 27 x 27 cm

Ana Elisa Baptista - São Paulo - SP 1964

Sem título, 1998 /
buril, broca, água forte e água tinta /
39 x 53,5 cm

domingo, 9 de maio de 2010

A ARTE CORPORAL DOS POVOS DO RIO OMO / ETIÓPIA
Fotografias: Hans Sylvester / Texto: Francisco Folco

A Terra

O rio Omo, na África, atravessa a Etiópia, o Sudão e o Quênia. Foi nas suas margens que os arqueólogos encontraram os "homens de Kibish", um ancestral de 120.000 anos. Nesta região habitam algumas tribos que ainda estão na pré-história: Dassanech, Mursi, Hamar, Karo, Bume e Beshadar, no vale do Rift, onde se encontra a grande fenda africana que separa geograficamente os negros dos árabes. É uma região vulcânica que fornece uma diversidade de pigmentos com grande variação de cores.
Com estes pigmentos, alguns raros, as tribos do rio Omo praticam sua arte. No conceito ocidental, são verdadeiros genios da pintura, pois seus traços lembram muito a arte contemporânea de Picasso, Miró e Paul Klee. Pintam seus corpos na velocidade de um "action painting" de Jackson Pollock. Em poucos minutos, com uma rapidez impressionante, decoram o peito, seios, pernas e pés. Não usam pinceis, apenas uma habilidade fantástica com a ponta dos dedos.