quinta-feira, 17 de setembro de 2009

TAIZI HARADA / Japão

TAIZI HARADA - Suwa, provincia de Nagano - Japão 1940

"A captura de gafanhotos" - 65,5 x 53,5 - acrilica sobre tela

As flores desabrocham na aldeia da montanha em primavera. As pessoas intensificam suas tarefas de preparação para o inverno, no arrozal junto à montanha coberta com folhas avermelhadas. As casas aglomeradas ao longo do beira-mar parecem estar observando uma familia se banhando no mar. Através das obras de Taizi Harada, parece que se ouve o canto dos pássaros, o sussurro da correnteza do riacho ou as vozes das crianças cantando e, até pode-se sentir o aroma da terra e do mar. / O Sr Harada continua pintando os quadros sobre os temas de "terra natal" e "as quatro estações" do Japão. A maioria das obras que se expõem aqui refere-se aos quadros que o autor pintou baseando-se, cada um, nas cem canções japonesas escolhidas pelo público do Japão. / Ele viajou por todo o território japonês para aprofundar a essência dessas canções. Esta viagem foi um projeto que, em alguns momentos, apresentou certas dificuldades. No entanto, ele conclui esta tarefa sob seu forte espírito de que "queria transmitir para o século XXI as canções infantis e escolares que hoje são cantadas com menos frequência". Taizi Harada divulgou suas obras através de uma série semanal intitulada "O Mundo de Taizi Harada" nas páginas do jornal "Asahi Shimbun", durante dois anos e meio desde 1982, com muito éxito junto ao público. / SHIN-ICHI HAKOSHIMA / Diretor Presidente de The Asahi Shimbun.

"O ano novo" - 65,5 x 53,5 - acrílica sobre tela

"A montanha de cogumelos" - 0,43 x 0,35 - acrílica sobre papel

"O tempo maravilhoso" - 0,43 x 0,35 - acrílica sobre papel

"O campo dourado no crepúsculo" - 0,35 x 0,43 - acrílica sobre papel

"O crepúsculo do final de outono" - 65,5 x 53,5 - acrílica sobre tela

"A paisagem nevoada de Hakone" - 65,5 x 53,5 - acrílica sobre tela

"A flor que desabrocha na chuva" - 0,35 x 0,31 - acrílica sobre papel

"O dia que antecede o inicio da primavera" - 0,35 x 0,31 - acrílica sobre papel

"Empinar papagaios" - 0,35 x 0,31 - acrílica sobre papel

"Brincadeira de casinha" - 0,26 x 0,26 - acrílica sobre papel

"A montanha de maio" - 0,45 x 0,45 - acrílica sobre papel

"O luar opaco" - 0,35 x 0,31 - acrílica sobre papel

"O ritual da mudança da estação" - 0,35 x 0,31 - acrílica sobre papel

"Vozes alegres" - 0,65 x 0,53 - acrílica sobre tela

"O pequeno super mercado" - 0,35 x 0,31 - acrilica sobre papel

OS POETAS - Marcus Mello - Brasil
O FILHO DO MATADOR DE BOI Ilustrações: Trimano

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

MARCUS MELLO - Rio de Janeiro 1971
A TRILHA SONORA DO FIM DO MUNDO
Imundo mundo medonho
O medo canta junto aos pássaros / E no quintal as lavadeiras choram / Num gemido único / Vai confundindo orquestrando quem ouve a melodia, / Trilha sonora do fim do mundo, / Mundo sem sabão: / Imundo mundo medonho. // No canteiro da algonquiana coragem / Alguns soldados penados resistem, / Entrincheirando a ré das novas mistificações / Onde pássaros são bichos de guerra lenta / Em mar tranqüilo de trissos e canções: - Armamentos sacrários despertando anjos distraídos / Que desentendem a marcha do dia em oratórios explosivos.

Ilustração para o poema "A trilha sonora do fim do mundo" - nanquim

Contamos o número de ninhos destruídos / E tocas desarmadas pela relva fluorescente: / - Isso que desdenha em nós nossa emoção / Pendura-se por um fio encravado en todas as estruturas orgânicas / e inextensíveis, / E movimenta o ar e a digestão de helmintos e anfíbios, unidos as / engrenagens / Nós porém (penados ou não) flutuamos ainda distraídos / como os anjos.
O FILHO DO MATADOR DE BOI
No vôo falcão dos tempos
O que pode ser visto sem rastro / Não pode ser colhido entre pombos / Nem na pele real do organismo vivo / A envergadura de vidro lembra um tipo de construção / Fevereira no vôo falção dos tempos // A metade desse dia é impossivel / A casa, sentinela antiga, é na fronteira do país / E guarda o menino, filho do matador de boi. / Já houve chance, já tentei salgá-lo, / Colhi no chão aquela certeza criativa / Destilando da fera, a fúria em seu fígado.

Ilustração para o poema "O filho do matador de boi" - nanquim

Alguém nos salva de nós / E guarda, entre rochedos, o preço do chicote. / Desde ontem ele movê-se engasgado: / Concretizo o desejo de construí-lo como meu / Ou aprendo a aceitá-lo sendo dele, / Vendo nessa remorsiva vontade de dizer, / O escuro distintivo de toda criação paterna. / E de um eterno, vejo dois conflitantes, / Agora um somente, / Igual em todas as criaturas, sendo nelas, / E é simples ver te sozinho, / Agradeço não a ti, que em tudo somos nós, / Mas a mim, alcançando de você minha lembrança, / A mais profunda e resumitiva dos caracóis.

Ilustração para o poema "Perseu das almas" - nanquim

ROSINHA DA VIDA
Sério mesmo são os outros
Essa lágrima a despedaçar-se daquela face / Em pleno sol de conciência amansada / Como um laço de sangue e embriaguez íntegra / Consome as reservas da pacífica consoante, / Sério mesmo são os outros, / Esse de que falo dá os ombros a qualquer carga / E a palavra que carrega é como fogo, / Digo: coisa bruta, amor de doido, / Analogia regenerada em sonho entre cavalo e menino. / Difícil segurar pelas mãos a mínima intempérie / Mas readubará novas relações autoconcretizando-se, / O redemoinho infinito merece perpetuação: / Que chegue perto de nós somente a metade parecida, / Eu ouço palavras antigas reelaboradas pela maré.

Ilustração para o poema "Rosinha da vida" - nanquim

E a viagem continua, trocamos o óleo épicocassilabo, / Mas veja que esforços bélicos trazem as mesmas criações / E o mundo é dividido em duas metades, / As que constroem, e as que sustentam-se em vão. // A vida, rosinha dos tempos, frutífera e agônica, / Traz a última novidade: / Na beira do seu leito, onde amar é permitido / Descarrega-se após o prazer a substância referida, / Já encarregada de manter a engrenagem envelhecida.

Ilustração para o poema "Ilustração III" - nanquim

terça-feira, 15 de setembro de 2009

ARTISTAS DA AMÉRICA LATINA
FRANCISCO TOLEDO / México / 1999

"Autorretrato com sapo" - aguaforte

FRANCISCO TOLEDO / Oaxaca, Cidade do México 1940 / Expressionista aparentado a Goya e aos gravadores japoneses. Segue a tradição secular mexicana, carregada de "humor negro", que coloca a Morte como protagonista de situações humanas, como nas gravuras de Guadalupe Posadas, onde os vivos são caveiras. Esse reverso quase brutal da Morte na Vida e da Vida na Morte, está em toda a arte mexicana desde os antigos Aztecas. / Os seus relatos semelhantes a ilustrações de fábulas fantásticas, onde bichos brincam com a Morte, estão relacionados a lendas e mitos do folklore da sua terra.

"Autorretrato" - aguaforte

"Autorretrato" - aguaforte

"Autorretrato" - aguaforte

"Autorretrato" - aguaforte

"Vespa Crucificada" - aguaforte

"Morte com porta e pássaro" - aguaforte

"Morte pulando corda com inseto" - aguaforte

"Morte pulando corda com cachorro" - aguaforte

"Morte pulando corda com rato" - aguaforte

"Morte pulando corda com rã" - aguaforte

"Sapo, Morte, grilos e luz" - aguaforte

"Dois alacrães e inseto" - aguatinta

"Morte enfeijoada" - aguaforte

"Morte com gafanhotos" - aguaforte e aguatinta

OS POETAS
ATAHUALPA YUPANQUI / Argentina
ATAHUALPA YUPANQUI - pseudónimo de Héctor Roberto Chavero - Pergamino, Provincia de Buenos Aires, Argentina 1908 - París, França 1992. / Poeta, compositor, violonista e cantor. Considerado como a mais alta axpressão do folklore dos gauchos argentinos. / Filho de pai quechua e mãe basca, foi criado no campo, perto da ferrovia onde seu pai trabalhava, alem de domar e criar cavalos. O pseudónimo Atahualpa Yupanqui é uma homenagem a Atahualpa e Tupac Yupanqui, os últimos governantes incas. / É autor de um poema, famoso na Argentina, intitulado "El Payador Perseguido" (O Cantador Perseguido), inspirado no "Martin Fierro" de José Hernández, onde relata em versos, as suas andanças como boiadeiro pelos campos do país, em meio a perseguição política da época.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

OS POETAS
ERNESTO CARDENAL / NICARÁGUA
I
ERNESTO CARDENAL / Granada 1925 - Poeta revolucionário e sacerdote católico, comprometido politicamente com os conflitos sociais do seu país desde 1954. Ordenado sacerdote, residiú durante um tempo num mosteiro nos Estados Unidos. De regresso a Nicarágua, fundou uma comunidade na ilha de Solentiname, situada no arquipélago Lago de Nicarágua (também conhecido como Lago Cocibolca, perto da fronteira com a Costa Rica). Cardenal foi um dos sacerdotes que apoiou a Teologia da Libertação - Igreja dos Povos Pobres e das Nações Indígenas. Trabalhou estreitamente com a Frente Sandinista de Libertação Nacional na luta contra a ditadura de Anastasio Somoza Garcia. Em 19 de julho de 1979, Dia da Vitória da Revolução Nicaraguénse, foi nomeado ministro de cultura do novo governo da FSLN. Em 2009 recebeu o prêmio Hiberoamericano de poesia Pablo Neruda.
II
III

foto: Jürgen Müller Sehneck

IV
V

foto: Jürgen Müller Sehneck

VI

domingo, 13 de setembro de 2009

NINDIRI / Nindiri é uma cidade sem casas e sem ruas / de longe somente se olham as cúpulas das árvores / Em vez de quarteirões com casas apenas hortas e jardins; / e suas ruas sem calçadas, como caminhos simétricos. / entre fachadas de flores e árvores frutíferas. / As casas estão dentro, entre os hortos. / Umas quantas em cada quarteirão: casas de palha / ou madeira pintada - brancas, rosadas e azuis - / as primorosas rosadas e brancas, / jazmins do cabo, jacalate, jilinjoche, / mamões, mameies, malinches, e goiabas / e roupas rosadas e brancas tendidas a secar. / Nos galhos das árvores falam os papagaios, / verdes como folhagens, / e as lapas com as cores de um ramalhete de flores. / Nas ruas molhadas pétalas jogadas. / e não tem mais tráfego nelas, que o das galinhas / as borboletas atraídas por Nandiri / e as charretes dos vendedores de água. / Pelas tardes, a fumaça da ceia sai das malocas / com o rumor das mulheres moendo o milho / cuidando seus pratos, e algum violão, / (Num destes hortos entre os malinches, / teria seu palácio o cacique Tenderí, / seu dourado palácio de capim, com o chão de folhas de palma / onde ele sentava rodeado de sua corte / a beber chocolate em delicadas xícaras / e cinquenta meninas preparavam seu pão ) / A praça é como um bosque de palmeiras e mangas / e malinches, que quando florescem são como lavaredas, / como se tivessem ardendo muitas casas do povo. / Os cavalos e os burros pastavam na praça, / E me lembro que tinha uma primorosa branca / na metade do palácio da igreja. / Aos sábados punham bandeiras vermelhas nas casas / aonde mataram porcos e vendem suas partes cozidas. / - E de repente me lembrei que estamos em junho / e que lá em Nindiri já chegaram as chuvas / e me imagino a praça com os malinches floridos. tradução: Héctor Escobar