O propósito deste blog é o de mostrar o trabalho do ilustrador,independente das regras impostas pelo mercado,nas quatro disciplinas praticadas por mim, em diferentes momentos e veículos: A Caricatura na Imprensa,A Ilustração na Imprensa,A Ilustração Editorial e O Poema Ilustrado. Também são mostradas modalidades diferentes das mesmas propostas como: Montagens das exposições e a revalorização do painel mural, através das técnicas de reprodução digital em baner.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
As flores desabrocham na aldeia da montanha em primavera.
As pessoas intensificam suas tarefas de preparação para o inverno, no arrozal junto à montanha coberta com folhas avermelhadas. As casas
aglomeradas ao longo do beira-mar parecem estar observando uma familia se banhando no mar. Através das obras de Taizi Harada, parece que se ouve o canto dos pássaros, o sussurro da correnteza do riacho ou as vozes das crianças cantando e, até pode-se sentir o aroma da terra e do mar. /
O Sr Harada continua pintando os quadros sobre os temas de "terra natal"
e "as quatro estações" do Japão. A maioria das obras que se expõem aqui refere-se aos quadros que o autor pintou baseando-se, cada um, nas cem
canções japonesas escolhidas pelo público do Japão. /
Ele viajou por todo o território japonês para aprofundar a essência dessas
canções. Esta viagem foi um projeto que, em alguns momentos, apresentou
certas dificuldades. No entanto, ele conclui esta tarefa sob seu forte espírito
de que "queria transmitir para o século XXI as canções infantis e escolares
que hoje são cantadas com menos frequência".
Taizi Harada divulgou suas obras através de uma série semanal intitulada
"O Mundo de Taizi Harada" nas páginas do jornal "Asahi Shimbun", durante
dois anos e meio desde 1982, com muito éxito junto ao público. / SHIN-ICHI
HAKOSHIMA / Diretor Presidente de The Asahi Shimbun.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
O medo canta junto aos pássaros /
E no quintal as lavadeiras choram /
Num gemido único /
Vai confundindo orquestrando quem ouve a melodia, /
Trilha sonora do fim do mundo, /
Mundo sem sabão: /
Imundo mundo medonho. //
No canteiro da algonquiana coragem /
Alguns soldados penados resistem, /
Entrincheirando a ré das novas mistificações /
Onde pássaros são bichos de guerra lenta /
Em mar tranqüilo de trissos e canções:
- Armamentos sacrários despertando anjos distraídos /
Que desentendem a marcha do dia em oratórios explosivos.
Contamos o número de ninhos destruídos /
E tocas desarmadas pela relva fluorescente: /
- Isso que desdenha em nós nossa emoção /
Pendura-se por um fio encravado en todas as estruturas orgânicas /
e inextensíveis, /
E movimenta o ar e a digestão de helmintos e anfíbios, unidos as /
engrenagens /
Nós porém (penados ou não) flutuamos ainda distraídos /
como os anjos.
O que pode ser visto sem rastro /
Não pode ser colhido entre pombos /
Nem na pele real do organismo vivo /
A envergadura de vidro lembra um tipo de construção /
Fevereira no vôo falção dos tempos //
A metade desse dia é impossivel /
A casa, sentinela antiga, é na fronteira do país /
E guarda o menino, filho do matador de boi. /
Já houve chance, já tentei salgá-lo, /
Colhi no chão aquela certeza criativa /
Destilando da fera, a fúria em seu fígado.
Alguém nos salva de nós /
E guarda, entre rochedos, o preço do chicote. /
Desde ontem ele movê-se engasgado: /
Concretizo o desejo de construí-lo como meu /
Ou aprendo a aceitá-lo sendo dele, /
Vendo nessa remorsiva vontade de dizer, /
O escuro distintivo de toda criação paterna. /
E de um eterno, vejo dois conflitantes, /
Agora um somente, /
Igual em todas as criaturas, sendo nelas, /
E é simples ver te sozinho, /
Agradeço não a ti, que em tudo somos nós, /
Mas a mim, alcançando de você minha lembrança, /
A mais profunda e resumitiva dos caracóis.
Essa lágrima a despedaçar-se daquela face /
Em pleno sol de conciência amansada /
Como um laço de sangue e embriaguez íntegra /
Consome as reservas da pacífica consoante, /
Sério mesmo são os outros, /
Esse de que falo dá os ombros a qualquer carga /
E a palavra que carrega é como fogo, /
Digo: coisa bruta, amor de doido, /
Analogia regenerada em sonho entre cavalo e menino. /
Difícil segurar pelas mãos a mínima intempérie /
Mas readubará novas relações autoconcretizando-se, /
O redemoinho infinito merece perpetuação: /
Que chegue perto de nós somente a metade parecida, /
Eu ouço palavras antigas reelaboradas pela maré.
E a viagem continua, trocamos o óleo épicocassilabo, /
Mas veja que esforços bélicos trazem as mesmas criações /
E o mundo é dividido em duas metades, /
As que constroem, e as que sustentam-se em vão. //
A vida, rosinha dos tempos, frutífera e agônica, /
Traz a última novidade: /
Na beira do seu leito, onde amar é permitido /
Descarrega-se após o prazer a substância referida, /
Já encarregada de manter a engrenagem envelhecida.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
FRANCISCO TOLEDO / Oaxaca, Cidade do México 1940 /
Expressionista aparentado a Goya e aos gravadores
japoneses. Segue a tradição secular mexicana, carregada
de "humor negro", que coloca a Morte como protagonista
de situações humanas, como nas gravuras de Guadalupe
Posadas, onde os vivos são caveiras. Esse reverso quase
brutal da Morte na Vida e da Vida na Morte, está em toda a
arte mexicana desde os antigos Aztecas. / Os seus relatos
semelhantes a ilustrações de fábulas fantásticas, onde bichos
brincam com a Morte, estão relacionados a lendas e mitos
do folklore da sua terra.
ATAHUALPA YUPANQUI - pseudónimo de Héctor
Roberto Chavero - Pergamino, Provincia de Buenos
Aires, Argentina 1908 - París, França 1992. / Poeta,
compositor, violonista e cantor. Considerado como
a mais alta axpressão do folklore dos gauchos argentinos. /
Filho de pai quechua e mãe basca, foi criado no campo,
perto da ferrovia onde seu pai trabalhava, alem de domar
e criar cavalos. O pseudónimo Atahualpa Yupanqui é uma
homenagem a Atahualpa e Tupac Yupanqui, os últimos
governantes incas. /
É autor de um poema, famoso na Argentina, intitulado
"El Payador Perseguido" (O Cantador Perseguido),
inspirado no "Martin Fierro" de José Hernández,
onde relata em versos, as suas andanças como
boiadeiro pelos campos do país, em meio a perseguição
política da época.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
ERNESTO CARDENAL / Granada 1925 - Poeta
revolucionário e sacerdote católico, comprometido
politicamente com os conflitos sociais do seu país
desde 1954. Ordenado sacerdote, residiú durante
um tempo num mosteiro nos Estados Unidos.
De regresso a Nicarágua, fundou uma comunidade
na ilha de Solentiname, situada no arquipélago Lago
de Nicarágua (também conhecido como Lago Cocibolca,
perto da fronteira com a Costa Rica). Cardenal foi um
dos sacerdotes que apoiou a Teologia da Libertação -
Igreja dos Povos Pobres e das Nações Indígenas.
Trabalhou estreitamente com a Frente Sandinista de
Libertação Nacional na luta contra a ditadura de Anastasio
Somoza Garcia. Em 19 de julho de 1979, Dia da Vitória da
Revolução Nicaraguénse, foi nomeado ministro de
cultura do novo governo da FSLN. Em 2009 recebeu o
prêmio Hiberoamericano de poesia Pablo Neruda.
domingo, 13 de setembro de 2009
NINDIRI / Nindiri é uma cidade sem casas e sem ruas /
de longe somente se olham as cúpulas das árvores /
Em vez de quarteirões com casas apenas hortas e jardins; /
e suas ruas sem calçadas, como caminhos simétricos. /
entre fachadas de flores e árvores frutíferas. /
As casas estão dentro, entre os hortos. /
Umas quantas em cada quarteirão: casas de palha /
ou madeira pintada - brancas, rosadas e azuis - /
as primorosas rosadas e brancas, /
jazmins do cabo, jacalate, jilinjoche, /
mamões, mameies, malinches, e goiabas /
e roupas rosadas e brancas tendidas a secar. /
Nos galhos das árvores falam os papagaios, /
verdes como folhagens, /
e as lapas com as cores de um ramalhete de flores. /
Nas ruas molhadas pétalas jogadas. /
e não tem mais tráfego nelas, que o das galinhas /
as borboletas atraídas por Nandiri /
e as charretes dos vendedores de água. /
Pelas tardes, a fumaça da ceia sai das malocas /
com o rumor das mulheres moendo o milho /
cuidando seus pratos, e algum violão, /
(Num destes hortos entre os malinches, /
teria seu palácio o cacique Tenderí, /
seu dourado palácio de capim, com o chão de folhas de palma /
onde ele sentava rodeado de sua corte /
a beber chocolate em delicadas xícaras /
e cinquenta meninas preparavam seu pão ) /
A praça é como um bosque de palmeiras e mangas /
e malinches, que quando florescem são como lavaredas, /
como se tivessem ardendo muitas casas do povo. /
Os cavalos e os burros pastavam na praça, /
E me lembro que tinha uma primorosa branca /
na metade do palácio da igreja. /
Aos sábados punham bandeiras vermelhas nas casas /
aonde mataram porcos e vendem suas partes cozidas. /
- E de repente me lembrei que estamos em junho /
e que lá em Nindiri já chegaram as chuvas /
e me imagino a praça com os malinches floridos.
tradução: Héctor Escobar
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