quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Cartaz de apresentação do Seminário de Ilustração e Design Editorial organizado pela professora Sandra Medeiros, mestra em Design, e complemento do curso Trimano / Rede Gazeta / Universidade Federal do Espírito Santo - Vitória 2008 / Projeto gráfico: Lula Palomanes
O POEMA ILUSTRADO / 2 aulas / Tempo de duração de cada aula: 3 horas / Prática das diversas técnicas do desenho sobre papel / Projeção de ilustrações de artistas latinoamericanos, europeus e norte americanos, que abordaram a interpretação de poemas /
Ilustração para o poema "Ambições de Assombrações" de Leonardo Fróes / Série Radial X / Rio de Janeiro 1997

domingo, 18 de janeiro de 2009

"A Rosa do Povo" Carlos Drummond de Andrade
PROCURA DA POESIA / Não faças versos sobre acontecimentos./ Não há criação nem morte perante a poesia./ Diante dela, a vida é um sol estático,/ Não aquece nem ilumina./ As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam./ Não faças poesia com o corpo / esse exelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica./ Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro / são indiferentes./ Nem me reveles teus sentimentos./ que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem./ O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.

Trimano - 2008 / série "Perfis"

Não cantes tua cidade, deixa-a em paz./ O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas./ Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto â linha de espuma./ O canto não é a natureza nem os homens em sociedade./ Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam./ A poesia (não tires poesia das coisas) elide sujeito e objeto.
Não dramatizes, não invoques, não indagues./ Não percas tempo em mentir. Não te aborreças./ Teu iate de marfim, teu sapato de diamante./ vossas mazurcas e abusôes, vossos esqueletos de familia / desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.// Não recomponhas / tua sepultada e merencória infância./ Não osciles entre o espelho e a / memória em dissipação./ Que se dissipou, não era poesia. Que se partiu, cristal não era.
Penetra surdamente no reino das palavras./ Lá estão os poemas que esperam ser escritos./ Estão paralisados, mas não há desespero, há calma e frescura na superficie intata./ Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário./ Convive com teus poemas, antes de escrevê-los./ Tem paciência, se obscuros. Calma se te provocam./ Espera que cada um se realize e consume / com seu poder de palavra / e seu poder de silêncio./ Não forces o poema a desprender-se do limbo./ Não colhas no chão o poema que se perdeu./ Não adules o poema. Aceita-o como ele aceitará su forma definitiva e concentrada no espaço.
Chega mais perto e contempla as palavras / Cada uma / tem mil faces secretas sob a face neutra / e te pergunta, sem interesse pela resposta / pobre ou terrível, que lhe deres: Trouxeste a chave? // Repara: ermas de melodia e conceito, elas se refugiaram na noite, as palavras. / Ainda úmidas e impregnadas de sono,/ rolam num río difícil e se transformam em desprezo.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

ARTISTAS DA AMÉRICA LATINA ROBERTO RODRIGUES / Brasil 2006 / 2029

Autorretrato / óleo

Roberto Rodrigues - Rio de Janeiro 2006 / 2029
Um dos maiores ilustradores brasileiros, assassinado
aos 23 anos, em lugar do pai, Mário Rodrigues, dono
do jornal Crítica, por uma mulher, alvo de calúnia em
matêria publicada pelo jornal, com desenho do Roberto.
Simbolismo, romantismo tardío e decadência estão
presentes nas suas ilustrações. O subúrbio, as paixões humanas,
e o atelier compartido com Portinari.
Como seu irmão, o dramaturgo Nelson Rodrigues,
faz aguda crítica aos costumes da sociedade
carioca da época. Simbolismo e elementos do
Art-Nouveau convergem no seu desenho.
Beardsley e Egon Schiele, também os desenhos
de Victror Brecheret, e as influências da Arte Oriental,
iniciada pelos Impressionistas e moda nos anos 20

O desprêzo

nanquim

O ciúme

nanquim

O último romántico

nanquim

O elogio da cocaina

nanquim

Autorretrato e foto do artista

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Arrependimento

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Enterro

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O corvo

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O encantador de serpentes

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O abraço

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Amor a primeira vista de um homem que não é máo

nanquim

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

OS POETAS / Lawrence Ferlinghetti / USA / 'SAUDAÇÃO'

Trimano - Série "Diário" - nanquim 2004-08

A cada animal que abate ou come sua própria espécie / E cada caçador com rifles montados em camionetas / E cada miliciano ou atirador particular / com mira telescópica / E cada capataz sulista de botas com seus cães / & espingardas de cano serrado / E cada policial guardião da paz com seus cães / treinados para rastrear & matar / E cada tira a paisana ou agente secreto / com seu coldre oculto cheio de morte / E cada funcionário público que dispara contra o público / ou que alveja-para-matar criminosos em fuga / E cada Guarda Civil em qualquer país que guarda os civis / com algemas & carabinas / E cada guarda-fronteiras em tanto faz qual posto de barreiras / em tanto faz qual lado de qual Muro de Berlim / cortina de Bambu ou de Tortilha / E cada soldado de elite patrulheiro rodoviário em calças de / equitação sob medida & capacete protetor / de plástico & revólver em coldre ornado / de prata / E cada radiopatrulha com armas antimotim & sirenes e cada tanque / antimotim com cassetetes & gás lacrimogênio

Trimano - Série "Diário" - nanquim 2004/08

E cada piloto de avião com foguetes & napalm sob as asas / E cada capelão que abençoa bombardeiros que decolam / E qualquer Departamento de Estado de qualquer superestado que vende / armas aos dois lados / E cada Nacionalista em tanto faz que Nação em tanto faz / qual mundo Preto Pardo ou Branco / que mata por sua Nação / E cada profeta com arma de fogo ou branca e quem quer que reforce / as luzes do espírito á força ou reforce o poder / de qualquer estado com mais Poder / E a qualquer um e a todos que matam & matam & matam & matam / pela Paz / Eu ergo meu dedo médio / na única saudação apropriada Prisão de Santa Rita, 1968

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

OS POETAS / Carlos Drummond de Andrade / Brasil 1902-1987
CONGRESSO INTERNACIONAL DO MEDO / Carlos Drummond de Andrade / "Nova Reunião" - Antologia Poética / Editora José Olimpio 1985

Trimano - Série "Diário" - nanquim 2007-08

Provisoriamente não cantaremos o amor.
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os braços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas
MASSACRE / Carlos Drummond de Andrade / "Nova Reunião" / Antologia Poética / Editora José olimpio 1985

Trimano - Série "Diário" - nanquim 2007-08

Eram mil a atacar

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

o só objeto
indefensável
e pá e pé e ui
e vupi e rrr
e o riso passarola no ar
grasnando
e mil a espiar
os alfabetos purpúreos
desatando-se
sem rota
e llmn e nss e yn
eram mil a sentir
que a vida refugia
do ato de viver
e agora circulava
sobre toda ruína
A BOMBA / Carlos Drummond de Andrade / "Nova Reunião" / Antologia Poética / Editora José Olimpio - 1985

Trimano / Série "Diário" - nanquim 2007-08

A bomba / é uma flor de pánico apavorando os agricultores
A bomba / é o produto quintessente de um laboratório falido
A bomba / é miséria confederando milhões de misérias
A bomba / é estúpida é ferotriste é cheia de rocamboles
A bomba / é grotesca de tão metuenda e coça a perna
A bomba / dorme no domingo até que os morcegos esvoacem
A bomba / não tem preço não tem lunar não tem domicílio
A bomba / amanhã promete ser melhorzinha mas esquece
A bomba / não está no fundo do cofre, está principalmente onde não está
A bomba / mente e sorri sem dente
A bomba / vai a todas as conferências e senta-se de todos os lados
A bomba / é redonda que nem mesa redonda. e quadrada